terça-feira, 26 de maio de 2009

Correcção da Prova de Avaliação de 20 de Maio

I1. Segundo o texto o conhecimento científico e o senso comum partem dos dados dos sentidos e acumulam factos, mas se o primeiro limita-se a tirar as conclusões a partir da experiência, o segundo formula certas hipóteses que constituem uma directriz através da qual organiza os dados da experiência e a interroga de um determinado modo, sistemático e racional e não apenas ocasional. O esforço do conhecimento científico é o de unificar os factos sobre uma certa explicação racional conciliando razão e experiência.. A diferença apontada é a sistematização que se faz dos factos contrariamente ao senso comum que vê os factos no seu aspecto particular, sem estarem inseridos num sistema de funcionamento universal que os agrega uns aos outros.O conhecimento científico avança porque tem sempre um sentido crítico de rectificar o que se revela errado, enquanto o senso comum orienta-se pela tradição e não a coloca em causa porque é um saber orientado para a vida prática e não para o questionamento da natureza.

2. Há dois critérios de demarcação científica: o critério verificacionista que considera científico o que for empiricamente verificável e o critério falsificacionista que considera científico tudo o que é empiricamente falsificável. O primeiro considerará que uma teoria é verdadeira se a experiência e a observação a confirmarem, servindo-se de um método indutivo de confirmação, enquanto o segundo serve-se da experiência para testar ou refutar as teorias, utiliza um método hipotético ou dedutivo.

II
1. Dedutivo, tendo nas premissas uma lei e um acontecimento inicial. Dedutivo porque a partir de uma lei universal, e tendo em conta o acontecimento inicial que antecede o facto ou fenómeno que queremos explicar, retiramos necessariamente uma conclusão que resulta de uma relação de causa efeito entre o fenómeno inicial e o que queremos explicar. Essa relação é assegurada pela Lei.

2. Descartes não é um filósofo céptico. O pensamento de Descartes pretende provar que o conhecimento é possível utilizando o argumento céptico e pondo todos os conhecimentos em causa. Esta dúvida metódica permite-lhe chegar à conclusão que há conhecimentos que são verdadeiros e que não podem ser colocados em causa, contrariando assim o argumento céptico de que não há uma justificação que seja satisfatória porque ela exige necessariamente uma outra justificação.

3. O problema da causalidade é apenas um hábito psicológico resultante da repetição dos fenómenos. Não há uma razão para explicar que se há fumo há fogo, nem tão pouco uma só experiência pode estabelecer uma relação de causa efeito, é porque os fenómenos se sucedem continuamente no tempo e no espaço que formamos a expectativa de que um está necessariamente ligado ao outro.

III
1. A ciência progride por conjecturas e refutações, substituindo as teorias vagas ou erradas por outras que resistem à refutação através da experiência. As teoria são testadas de modo a serem confrontadas com as suas previsões e com os aspectos que lhe são proibidos, este projecto é racional e selectivo porque as teorias resistentes são fiáveis na medida em que estão mais aptas para explicar o mundo, progride na direcção de uma maior objectividade e verdade embora nunca possamos ter a certeza da verdade. Para Kuhn as teorias científicas funcionam como paradigmas, isto é trazem consigo uma visão do mundo e certos métodos de trabalho que se destinam a ampliar os seus resultados e a confirmar as suas previsões. A comunidade científica trabalha no âmbito dos paradigmas e não os põe em causa, mesmo que surjam anomalias. Não há verdadeiro progresso porque os paradigmas que se vão sucedendo são incomensuráveis, isto é, não podem ser comparados porque apresentam diferentes formas de trabalhar, de seleccionar fenómenos e novos princípios metafísicos. Há portanto na evolução da ciência cortes abruptos que correspondem a revoluções científicas, de mudanças de paradigma.

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