sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Exercícios com proposições.



1.       Se a proposição: “Todos os animais são seres vivos” for Verdadeira, o que sabemos acerca do valor de verdade da sua contrária, da sua contraditória e da sua subalterna. Justifique.

2. Converta as seguintes proposições na forma padrão e classifique-as:

  1. “Certas revoluções não são urgentes”
  2. “Os portugueses não são bárbaros”
  3. “Os fenómenos físicos obedecem a leis”
  4. “Há dirigentes desportivos corruptos.”
  5. “ Os vampiros são personagens de ficção.”


3. Determine a distribuição dos termos em cada uma das proposições.

4. Negue as seguintes proposições: A -  Não há ninguém inocente.” B -  Alguns actores trabalham com a imaginação”. Justifique. (15)

5. Partindo do pressuposto que a proposição B é verdadeira que podemos inferir acerca da verdade das suas opostas? Justifique.(15)

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Trabalho com proposições.

Converta cada uma das seguintes proposições à forma padrão das proposições categóricas e classifique-as:
1. Certos filmes não têm cópias em mau estado.
2. As leituras desenvolvem a imaginação
3. Não há tigres que não sejam mamíferos
4. Nem todas as ideologias são aceitáveis
5. Quem corre por gosto não se cansa.

sexta-feira, 29 de setembro de 2017


Joaquin Sorolla, Estudo sobre o mar, Valencia, 1904

Tales tentou compreender o mundo sem invocar a intervenção dos deuses. Como os babilónicos, acreditava que o mundo já tinha sido água. Para explicar a terra seca, os babilónicos diziam que Marduk tinha colocado uma esteira na face das águas e amontoado areia sobre ela. Sim, tudo tinha sido água, mas a Terra surgiu dos oceanos por um processo natural, similar, ele julgava, à obstrução que tinha observado no delta do Nilo. Pensava realmente que a água era um princípio comum subjacente a toda matéria, assim como hoje em dia dizemos o mesmo de eletrões, protões e neutrões, ou dos quarks. Se a conclusão de Tales estava ou não correta não importa, mas sim o seu lema: o mundo não era governado pelos deuses, mas sim pelo trabalho das forças materiais interagindo com a Natureza. Tales trouxe da Babilónia e do Egito as sementes das novas ciências, astronomia e geometria; ciências que germinaram e cresceram no solo fértil da Jónia. Muito pouco se sabe da vida pessoal de Tales, mas Aristóteles narra uma anedota reveladora na sua obra Política: [Tales] era censurado pela sua pobreza, que se supunha ser prova de que sua filosofia não tinha utilidade. De acordo com a história, sabia pela sua perícia [em interpretar os céus], enquanto ainda era inverno, que haveria uma grande colheita de azeitonas no ano seguinte, de modo que, tendo pouco dinheiro, fazia depósitos pelo uso das prensas de azeitonas em Quio e Mileto, as quais alugava a preços baixos porque ninguém lhe dava ouvidos. Quando chegava a colheita, e havia necessidade de muitas, cedia-as ao preço que lhe convinha e ganhava uma boa quantia de dinheiro. Assim provava que os filósofos do mundo podiam facilmente ficar ricos se quisessem, mas que a sua ambição era outra. Era famoso como sábio político, incitando com sucesso os Milesianos a resistir à assimilação por Creso, Rei da Lídia, mas não foi feliz ao apelar a uma federação de todos os estados insulares da Jónia contra os Lídios. Anaximandro de Mileto era amigo e colega de Tales, um dos primeiros, que se tem conhecimento, a fazer experiências. Examinando o movimento de uma sombra lançada por uma vareta vertical, determinou com precisão a duração do ano e das estações. Por anos os homens utilizaram varetas para lutar ou matar. Anaximandro utilizou-as para medir o tempo. Foi a primeira pessoa na Grécia a fazer um relógio de sol; um mapa do mundo conhecido e um globo celeste que mostrava os traços das constelações. Acreditava que o Sol, a Lua e as estrelas eram feitos de fogo vistos através de buracos que se moviam na abóbada do céu, provavelmente uma ideia bem mais antiga. Sustentou a opinião admirável de que a Terra não era suspensa ou sustentada mas, para ele, era o centro do universo; uma vez sendo equidistante de todos os pontos da "esfera celeste" não havia força capaz de movê-la. Argumentava que somos tão desamparados ao nascer, que se os primeiros bebés fossem colocados no mundo e deixados a sós, talvez morressem de imediato. Partindo daí, Anaximandro concluía que os seres humanos surgiram de outros animais com recém-nascidos mais capazes. Propôs a geração espontânea da vida na lama, os primeiros animais tinham sido peixes cobertos por espinhos. Alguns descendentes desses peixes abandonaram eventualmente a água e dirigiram-se para a terra seca, onde evoluíram para outros animais por transmutação de um tipo para outro. Acreditou num número infinito de mundos, todos habitados e sujeitos a ciclos de dissolução e regeneração. "Nem ele", queixou-se lamentavelmente Santo Agostinho, "nem Tales atribuíram a causa de toda esta atividade sem fim a uma mente divina."

                                                                                                                                                              Carl Sagan, Cosmos,

A história da Filosofia parece ser a história do tempo em que os professores nas suas aulas ainda se interessavam por este percurso de ensinar a forma como a filosofia surgiu. A questão da origem foi progressiva e inexoravelmente substituída pela noção de causa. A questão histórica substituída pela questão estrutural da linguagem e assim se foi perdendo como sendo displicente. O argumento era sempre o mesmo, o velhinho e gasto argumento de Kant de que se pode ensinar História da Filosofia mas que História não é Filosofia e que só se aprende Filosofia filosofando. Bom,  poderia para rebater Kant, usar B. Russell como quem usa uma colher para comer esparguetti, diz ele, e desculpem-me se pareço subtilmente superficial em matérias tão sérias, diz ele, repito,  que sem História não há progresso na Filosofia pois os filósofos não saberiam de que modo os antigos filósofos argumentaram e resolveram as questões e cairiam facilmente nos erros já cometidos por eles. 

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Trabalho para casa 11ºB e G. Ficha 2 - Lógica

Construção de argumentos dedutivos. Distinção entre premissas e conclusão.

1. Retire a conclusão das seguintes premissas:
a) A Catalunha é uma província de Espanha, as províncias de Espanha dependem do governo central Espanhol.
b) Todas as crianças têm um pai e uma mãe registados e quem tem um pai e uma mãe registados não é ilegítimo.
c) As praxes favorecem a subordinação e o que favorece a subordinação impede a liberdade individual.
d) O aquecimento global destrói o gelo nos polos, este gelo constitui a maior reserva de água do planeta Terra.

2. Estabeleça as premissas que são necessárias para retirar as seguintes conclusões:

a) Os filósofos são lógicos.
b) Quem estuda passa de ano.
c) Há dirigentes desportivos corruptos.
d) Picasso não é copiador.











quinta-feira, 1 de junho de 2017

O sentido da vida




DEUS E O SENTIDO DA VIDA I
(ENTRE A ESCRAVIDÃO E A INSIGNIFICÂNCIA?)

As questões sobre o sentido e o propósito [da vida] nem sempre perturbaram as pessoas como acontece hoje. Numa era religiosa estas questões eram deixadas ao cuidado de um sábio Criador. Este Criador, acreditava-se, fez o mundo, e tudo o que nele existe, com um propósito. O Homem, e cada homem individual, era parte de um grande desígnio. Além disso, o homem ocupava um lugar de especial importância nesse desígnio, tendo sido feito ‘à imagem de Deus’ por um acto especial de criação. Foi-lhe dado o poder da razão que o colocou acima dos animais. Além disso, foi dotado, ao contrário destes últimos, de uma alma imortal. Isto significava que a morte não era o fim da vida de uma pessoa, mas apenas uma passagem para outra forma de existência superior, de acordo com o propósito de Deus. A terra e todas as suas criaturas foram dadas ao homem. Neste grande plano, a existência delas está ao serviço dos humanos. O lugar onde os humanos habitam, a terra, ocupava um lugar central no cosmos, tendo o sol e os outros corpos celestes sido criados para seu benefício.

O que resta destas crenças hoje? Hoje acreditamos que a terra é um planeta menor circulando em torno do sol, ele próprio uma estrela indistinta, uma entre um vasto número de estrelas pertencentes a uma galáxia que, por sua vez, faz parte de um conjunto inumerável ou mesmo infinito de galáxias. Este planeta menor apareceu devido a uma explosão casual de materiais cósmicos, sofreu vários processos químicos e continuará a existir e a ser uma casa onde se pode viver até que as condições voltem a mudar, quem sabe se devido a uma pequena mudança da temperatura do sol. É-nos dito que a vida surgiu provavelmente de uma combinação química acidental e que há razões para pensar que as mesmas condições possam surgir, ou tenham surgido, noutra parte do universo. A teoria da seleção natural diz-nos que a espécie humana não existe por um ato especial de Deus. Em vez disso, é o resultado de um processo de seleção cego decorrente da luta pela sobrevivência, tendo evoluído por pequenos passos impercetíveis a partir de criaturas semelhantes a macacos, sendo o chimpanzé moderno um primo próximo. Os psicólogos dizem-nos que o pensamento e ação humanas são em larga medida determinados por processos obscuros inconscientes e não pela luz da razão. Além disso, apesar de ser válido que o homem detém poderes de discurso e de raciocínio especiais, está longe de ser claro que devamos considerar estes poderes mais especiais que estes ou aqueles poderes notáveis característicos de outros animais. Não há razão para pensar que o homem é melhor ou ‘superior’ e, olhando para as suas atividades destruidoras, até seria razoável fazer o juízo oposto.

E que dizer da crença no plano de Deus e também da vida após a morte? Há ainda muita gente que defende estas ideias. Trata-se, no entanto, de uma minoria, pelo menos no mundo ocidental. Mesmo os crentes religiosos, cercados por uma cultura secular, não se sentem confortáveis com as perspetivas religiosas sobre o sentido e propósito como antigamente.

As conceções modernas do homem e do mundo não resultam meramente da substituição de uma explicação ou teoria por uma outra. Houve uma mudança no próprio conceito de explicação e quanto ao que uma explicação deve ser. Antes pensava-se que o único tipo de explicação real ou realmente satisfatória teria de referir-se a um propósito. Explicar-se-ia um fenómeno dizendo para que servia, qual o propósito que lhe dava um homem, animal ou Deus. Havia também a explicação causal que se referia ao que precedeu o fenómeno, mas este tipo de explicação era entendido como incompleto e inferior. Era apenas com o outro tipo que podíamos obter uma compreensão real. Nos tempos modernos, porém, e especialmente desde a época de Hume, a explicação causal suplantou largamente o outro tipo, o tipo teleológico. As teorias científicas modernas não são expressas em termos teleológicos e as modernas leis da natureza não são acerca de fins e de propósitos, mas acerca de regularidades observadas no mundo. Explicamos porque acontece algo, não olhando para a frente em direção a um fim ou objetivo, mas olhando para trás para uma causa antecedente.

Num certo sentido, estas explicações são menos satisfatórias do que as explicações teleológicas. A explicação que faz referência às leis da natureza diz, com efeito, que um acontecimento ou sequência de acontecimentos ocorre porque as coisas sempre assim ocorrem. Porém, isto é apenas ligar um facto bruto (um facto particular) a outro (uma regularidade geral). Nesse sentido, diz-se muitas vezes que a ciência moderna é, no fim de contas, meramente descritiva. Diz-nos como acontecem as coisas e não porquê. Uma explicação teleológica, ao invés, dá sentido e significado ao acontecimento. Isto é particularmente claro no caso de uma ação humana consciente, na qual a perceção do significado da ação pode ser dado pelo agente em termos do propósito deste ou desta. Se este tipo de explicação pudesse ser aplicado aos fenómenos naturais em geral, também eles teriam este género de significado. Mas, como já disse, este modo de explicar foi largamente abandonado em favor do outro tipo de explicação, ‘sem sentido’, que se mostrou mais frutuoso em outros aspetos.

Qual o impacte destas mudanças na nossa conceção de nós mesmos? ‘Poderia argumentar-se, escreve Kurt Baier, que quanto mais claramente compreendemos as explicações dadas pela ciência, mais somos levados para a conclusão de que a vida humana não tem um propósito e, portanto, um sentido’. Baier rejeita esta conclusão. Nota que no sentido habitual de ‘propósito’, as vidas humanas não estão menos ligadas a um propósito do que estavam antes. Continuamos a viver grande parte das nossas vidas perseguindo objetivos de um tipo ou de outro. A questão ‘Porque estás a fazer isso?’, ou seja, ‘Qual o teu propósito?’, continua a ser posta tanto quanto o era antes e uma resposta satisfatória pode ser dada em muitos casos. É verdade que algumas pessoas vivem as suas vidas com menos rumo do que outras, mas também neste caso sempre assim foi e nada tem a ver com os desenvolvimentos científicos e com a moderna conceção do lugar do homem no mundo. De facto, segundo Baier, ‘A ciência não só não nos roubou nenhum propósito que tínhamos antes, mas apetrechou-nos com um poder muito maior para atingir estes propósitos’.

Baier distingue ainda um uso secundário de ‘propósito’, aplicado a coisas e não a pessoas, como quando perguntamos ‘Qual o propósito daquele aparelho que instalaste na oficina?’ Neste caso, não estamos a dizer que o objeto é motivado por um propósito. A ideia é antes a de que lhe é dado um propósito, o propósito da pessoa que o fez ou instalou. É este sentido de propósito diminuído pela perspetiva científica? Não. Continuamos a fazer todo o género de coisas destinadas a cumprir um propósito dizendo, neste sentido, que ‘têm um propósito’.

Mas o que dizer do homem? Pode dizer-se que o homem, na perspetiva religiosa, cumpre um propósito, em vez de perseguir propósitos por si. E esta atribuição de propósito, esta resposta à questão sobre o propósito da vida, fica fora do nosso alcance uma vez abandonada a perspetiva religiosa. Para Baier, porém, esta resposta sempre foi desprovida de valor. ‘Atribuir a um ser humano um propósito neste sentido... é ofensivo. É degradante para um homem ser visto como algo que cumpre um propósito’. Ao tratar um homem dessa forma, diz Baier, ‘reduzi-lo-íamos ao nível do utensílio, do animal doméstico ou talvez do escravo, tratá-lo-íamos, como na frase de Kant, meramente como um meio para os nossos fins, não como um fim em si mesmo’.

Estas observações são verdadeiras e importantes. São elas relevantes? Se nós tratarmos seres humanos dessa maneira, como ‘cumprindo um propósito’, não os trataremos com o devido respeito e o nosso tratamento seria moralmente ofensivo. Mas daqui não se segue que os seres humanos seriam degradados por servir o plano de Deus, que Ele os degrada ao tratá-los dessa forma ou ao criá-los para o Seu propósito. Uma observação similar pode ser feita acerca da relação entre homens e animais. A maior parte das pessoas diria que não é degradante para um animal o ser usado para um propósito. Por exemplo, se alguém compra um cão para desencorajar os ladrões, isto não seria moralmente degradante ou ofensivo. 

Os crentes religiosos não são, e não precisam de se sentir, ofendidos pela ideia de que existem para cumprir um propósito de um ser superior. Podem também afirmar que isto dá às suas vidas o tipo de propósito e sentido que a perspetiva científica só por si lhes não poderia dar.

As observações de Baier acerca do papel permanente e, na verdade, inevitável da existência de um propósito nas nossas vidas não nos ajudam também quanto ao sentimento de insignificância que resulta da revolução científica. Ficamos chocados quando tomamos conhecimento destes factos sobre a situação humana no espaço e no tempo e ficámos chocados quando estas ideias foram introduzidas pela primeira vez. Segue-se delas que as nossas vidas são realmente sem sentido? É claro que não há um silogismo que procede de premissas acerca de cosmologia ou da seleção natural para a conclusão de que a nossa vida é desprovida de sentido. E deve notar-se, como faz Baier, que há critérios independentes de questões de cosmologia ou de história natural que podem ser usados para descrever uma vida humana quer como plena de sentido quer como desprovida dele.

No entanto, a imagem científica priva-nos de sentido numa aceção diferente. Há uma conexão entre sentido e importância e se a imagem científica é correta, não temos a importância que pensávamos ter. Esta conexão entre sentido e importância está refletida no uso da palavra ‘insignificante’. Algo que não tem importância pode ser descrito como insignificante ou (nessa aceção) sem sentido. Podemos entender desta maneira o veredicto de Macbeth ‘a vida não é mais do que uma sombra em movimento ... que nada significa’.

Oswald Hanfling, The Quest For Meaning (Oxford, 1987), pp. 42-46. Tradução de Carlos Marques.

quarta-feira, 24 de maio de 2017

CORREÇÃO DO TESTE DE 16 DE MAIO 2017






GRUPO I



O que pretende criticar Popper e de que modo o faz ao propor um novo critério e uma nova metodologia científica?



1. Como critério de demarcação, o “Falsificacionismo” propõe uma metodologia rigorosa para separar ciência de “pseudo ciência” e, por outro lado, ultrapassa o problema do critério “Verificacionista” que não podia ser aplicado para justificar as leis científicas universais e necessárias, tais como algumas leis da Física. Destes dois critérios de demarcação científica: o critério “Verificacionista” que considera científico o que for empiricamente verificável e o critério “Falsificacionista” que considera científico tudo o que é empiricamente falsificável, só o segundo pode ser aplicado a uma lei científica pois esta é empiricamente falsificável por ser abrangente e informativa prevê certas ocorrências e proíbe outras. Desta forma não podemos verificar todas as ocorrências previstas pela lei, mas podemos seguramente falsificá-la empiricamente bastando para isso que as ocorrências proibidas pela teoria aconteçam de fato. O primeiro método de investigação e demarcação científica considerará que uma teoria é verdadeira se a experiência e a observação a confirmarem, servindo-se de um método indutivo de confirmação, enquanto o segundo serve-se da experiência para refutar as teorias. Esta metodologia tem como consequência que nenhuma teoria científica possa ser confirmada e portanto nunca haverá certeza da verdade de uma teoria, ela permanecerá corroborada mas poderá no futuro ser refutada permanecendo com um carácter de conjetura.

A Psicanálise e a Astrologia são “pseudociências” porque não obedecem ao critério de falsificabilidade, tanto a Astrologia como a Psicanálise não são empiricamente falsificáveis, pois a experiência é sempre interpretada ou distorcida de modo a comprovar a teoria e não se prevê nenhuma experiência possível que possa refutá-la. Assim afirmar que todos os Aquários são independentes é não dizer nada porque seja qual for o comportamento de um aquariano ele é sempre interpretado como sinal de independência, assim não há forma de refutar a teoria e por outro lado ela nada nos diz sobre a realidade.





2. Compare a perspetiva de Popper com a perspetiva de Kuhn acerca do conhecimento científico?



Para Kuhn não há verdadeiro progresso ou evolução porque os paradigmas que se vão sucedendo são incomensuráveis, isto é, não podem ser comparados pois apresentam diferentes formas de trabalhar, de selecionar fenómenos para investigação e novos princípios metafísicos.

Há, portanto, na evolução da ciência, cortes abruptos que correspondem a revoluções científicas, de mudanças de paradigma. As revoluções científicas sucedem-se a períodos criativos (ciência extraordinária) em que há teorias diferentes e a comunidade científica não forma consenso acerca de nenhuma delas. A escolha de uma teoria pela comunidade científica equivale a um acordo sobre a forma proposta de explicar os fenómenos. Uma vez acordado, ele torna-se exemplar e guia a comunidade para um desenvolvimento desta conceção dando origem a um novo paradigma e a uma nova fase de ciência normal. Todavia não há objetividade na escolha dos Paradigmas visto que este consenso é muitas vezes impossível e a escolha é influenciada por fatores externos aos critérios objetivos, como por exemplo, o prestígio do cientista, as suas posições ideológicas etc.



Para Popper, a ciência evolui no sentido de uma aproximação à verdade na medida em que se faz eliminando os erros das teorias e substituindo-as por outras mais abrangentes e consistentes com os factos observados. Visto que a ciência se faz num processo racional de conjeturas e refutações em que o papel da subjetividade tende a diminuir pois o cientista trabalha no sentido de fazer previsões arriscadas de modo a testar os limites de cada teoria. Embora não haja qualquer espécie de certezas pois o progresso científico é um sistema em aberto e nenhuma teoria é verdadeira mas apenas provisoriamente corroborada. A substituição de uma teoria por outra é um processo de seleção  em que as novas teoria aperfeiçoam as antigas na medida em que não cometem os mesmos erros da anterior, explicam os fenómenos das anteriores e ainda explicam novos fenómenos. Daí haver continuidade na evolução científica.







3. Identifique a característica ou características do senso comum evidenciadas no texto. Justifique.



 No texto o conhecimento científico e o senso comum são separados por um “ideal de objetividade” e” por uma “separação das atividades ordinárias do quotidiano”, isto significa que a experiência científica não se limita à observação ocasional, constrói um quadro racional de problemas e metodologias de análise que o senso comum não tem. Deste modo, embora a realidade pareça ser a mesma ela aparece de modo diferente porque é selecionada por prévios problemas. Partem dos dados dos sentidos e acumulam factos, mas se o segundo tira as suas conclusões a partir da experiência, o primeiro formula certas hipóteses que constituem uma diretriz através da qual organiza os dados da experiência e a interroga de um determinado modo, sistemático e racional e não apenas ocasional. São assim diferentes perceções da realidade. A outra característica apontada é a linguagem. A linguagem científica é universal e rigorosa na medida em que apresenta símbolos que obedecem a uma técnica de codificação aceite pela comunidade e que tem um significado suscetível de ser apresentado numa experiência e não pode ter vários significados. Veja-se o caso de H2O. Contrariamente o senso comum utiliza a linguagem vulgar onde as palavras podem ter diferentes sentidos e, por isso corresponderem a objetos diferentes. O ideal de objetividade para o qual tende a ciência a partir do século XVIII, é artificial uma vez que corta com as perceções ordinárias a que o senso comum está ligado, encontrando novos métodos e uma nova linguagem para interrogar e representar a natureza que estão enquadradas por exigências de rigor que a instrumentalização permitiu e que ultrapassa a ambiguidade da linguagem vulgar e do procedimento imediato e prático do senso comum.



4.A partir do texto problematize a relação entre verdade e política tal como ocorre na disputa entre Platão e os Sofistas.

 A oposição entre Verdade e política pode ser encontrada em Platão na medida em que sustenta que acerca de assuntos mundanos nunca há  conhecimento mas apenas opiniões que se opõem. Um outro aspeto é o da utilidade do discurso. Para que serve discursar se não for para nos tornar melhores e mais sábios, o discurso deve ter a forma de um diálogo, isto é, de uma contraposição de opiniões com vista a sair delas e a procurar os conceitos que já não são opiniões mas conhecimento racional. Para os sofistas e para a nova democracia ateniense, não há conhecimento verdadeiro sobre a forma como deve ser governada a cidade (relativistas) ou se existe tal conhecimento o homem não o poderá alcançar. Daqui se segue que, sobre os assuntos políticos, o “Homem é a medida de todas as coisas” e portanto quem decide qual a opinião mais credível são os homens. Esta opinião credível, por ser supostamente suportada por bons e sedutores argumentos, bem como por uma postura ousada do orador, passa a contar como verdade. Neste aspeto Platão critica esta aparência de verdade e dá-a como consequência de um mau uso do discurso. O discurso quando é usado para unicamente persuadir um auditório, tem estratégias que ultrapassam os factos e a verdade destes, valendo qualquer argumento que avive as emoções e permita a satisfação dos interesses e gostos do auditório. Um bom orador é capaz de persuadir qualquer pessoa sobre qualquer assunto, mesmo que nada saiba sobre ele, (não tem necessidade de conhecer o que é justo) apenas tem que parecer que conhece face à multidão (que aparente sê-lo à multidão que deve julgar). Deste modo a Retórica é uma falsa Arte porque manipula e ilude parecendo aquilo que não é. Concentra-se na forma de tornar o discurso agradável e não com o seu conteúdo de verdade. A questão tem a sua formulação prática no conflito que opõe filósofos e sofistas acerca da melhor forma de educar os jovens. Se a finalidade da educação deve ser a ética e a Filosofia ou arte de pensar e de ir à essência dos conceitos que todos os dias utilizamos, ou, por outro lado a finalidade da educação deve ser preparar chefes políticos capazes de fazer prevalecer os seus pontos de vista e de governar com o apoio dos cidadãos.



Grupo III



O que se entende por problema da indução de acordo com David Hume?



2. Este problema ficou conhecido como o problema da indução. Consiste em demonstrar que a crença na indução não está justificada porque ultrapassa a experiência e a razão, isto é, não pode ser justificada nem empiricamente nem racionalmente. Acreditamos que a natureza é uniforme e, por isso acreditamos que aquilo que aconteceu de uma determinada maneira irá acontecer do mesmo modo no futuro. Esse é o pressuposto que garante as nossas generalizações futuras, mas esse pressuposto já resulta ele próprio de uma generalização e de uma previsão, isto é, aquilo que garante a validade de uma indução é conseguido através da indução, utiliza-se o mesmo processo para validar algo que devia ser validado por um outro conhecimento onde se pudesse fundar.  Há assim um raciocínio falacioso, uma petição de princípio.