quarta-feira, 30 de maio de 2018

domingo, 27 de maio de 2018

Correção do teste 11G.



1. Impressões e ideias são perceções mentais, isto é, constituem todo o conteúdo da mente que podemos conhecer. As primeiras são originais e antecedem as segundas que são cópias feitas da memória das impressões vividas. Podemos ter ideias de objetos nunca antes vividos, se associarmos ideias simples, formando assim ideias complexas como a ideia de vampiro. Podemos também antecipar o prazer ou a dor vividas pela expectativa de as voltarmos a viver. Seja pela memória ou pela imaginação as perceções pensadas, ideias, não são nunca tão fortes e intensas como as vividas, impressões,  pois o original é sempre mais forte e perfeito que a cópia. Hume conclui que as impressões são atos originais e que não existem ideias sem na origem estar a impressão interna ou externa equivalente.

As impressões podem ser simples ou complexas e podem ser interiores ou exteriores, sendo que as primeiras são vividas pela sensibilidade e as segundas resultam de um sentimento, paixão ou dor vividos interiormente pelo sujeito. As ideias podem ser ainda gerais quando resultam da associação de ideias simples, de acordo com a sua semelhança para a formação dos conceitos, ou complexas quando são  fruto da associação de ideias simples através da imaginação.


2. a) Não há nenhuma impressão de conexão causal; isto é de uma conexão necessária entre dois fenómenos como o fumo e o fogo. As impressões que nos são dadas são de contiguidade no espaço, prioridade temporal e conjunção constante.

b) A impressão que temos é da repetição de fenómenos em sucessão no tempo e contiguidade no espaço: “Vemos os dois fenómenos repetidamente juntos, e quanto mais isso acontece mais forte é a crença que um não pode existir sem o outro, isto é, que um é causa do outro.

c) Esta crença a que chamamos relação de causa efeito ou conexão causal não está justificada nem empiricamente nem racionalmente, porque “ não há nada que produza qualquer impressão, e consequentemente nada que possa sugerir qualquer ideia de poder ou conexão necessária”, á relação é formada na mente como conexão forte, fruto do hábito ao costume. Não é um conhecimento mas uma crença subjetiva.

d) Se o conhecimento de causa efeito tem a sua origem na experiência e de modo nenhum é apriori (argumento do ser racional que nada soubesse do mundo, jamais poderia ter a noção de causa efeito) então é um conhecimento de facto e é contingente, todavia julgamos e pensamos como se houvesse uma conexão necessária e, portanto ultrapassamos a experiência.

Logo, para concluir, não uma justificação empírica nem racional para uma conexão necessária entre dois fenómenos, ela é apenas fruto do costume, um hábito psicológico, logo não é um conhecimento objetivo.



3. Apresentação da justificação de Popper para que “o método da discussão crítica não estabeleça coisa alguma”: – o método científico é o método da discussão crítica, e consiste em testar (empiricamente) teorias que são propostas como respostas a problemas; – testar uma teoria implica pô-la à prova, e pôr uma teoria à prova consiste em tentar falsificar/refutar a teoria em causa, sujeitando-a a «testes rigorosos»; – caso a teoria não supere os testes (empíricos) a que foi submetida, considera-se que foi falsificada, devendo ser rejeitada ou revista/reformulada, e novamente submetida a testes; – caso a teoria supere os testes (empíricos) a que foi submetida, não se pode considerar que foi confirmada (apenas se pode considerar que foi corroborada), pois existe a possibilidade de um teste (empírico) futuro a falsificar; – (o método crítico funciona negativamente, pois) uma teoria, ainda que supere testes (empíricos) rigorosos, nunca pode ser estabelecida como verdadeira (nem como provavelmente verdadeira): apenas se pode afirmar que «parece ser a melhor que está disponível».



4. O texto relata duas formas de entender a Lua: uma mais emocional, imediata e prática e outra mais racional, metódica e teórica. A primeira corresponde ao conhecimento dito “vulgar”, ao conhecimento que todos têm a partir da experiência quotidiana; o segundo diz respeito a um conhecimento mais elaborado, o conhecimento científico e tecnológico. Como é referido no texto: “A lua é linda” é uma proposição que traduz uma emoção subjetiva e a expressão pode ter vários sentidos; em contrapartida “ A Lua fica a 384 400Km da Terra” é uma proposição que corresponde a um juízo de facto, tem valor de verdade e anuncia uma propriedade objetiva da Lua, esta linguagem é numérica e por isso, universal e objetiva. A linguagem destes dois tipos de conhecimento é diferente e visa um fim diferente. Por outro lado, quando se descreve “A lua cheia condiciona as marés” está a descrever-se um facto mas sem explicar a razão pela qual isso acontece, na proposição seguinte “são provocadas pela variação da intensidade da força gravitacional”, estabelece-se uma relação causal que explica o facto da lua condicionar as marés. O conhecimento científico adianta razões e, por isso, procura uma racionalidade que seja confirmada ou refutada metodicamente por testes empíricos, contrariamente o conhecimento vulgar, reconhece a influência da Lua pois indutivamente generalizou a partir da observação, mas não explica porquê.

quarta-feira, 23 de maio de 2018

Correção do teste de Maio 2018 - 11B


GRUPO 2

1. Conhecimento de questões de facto e conhecimento de relação de ideias. O primeiro dá-nos a informação sobre o modo como o mundo é, mas o o conhecimento que daí resulta é contingente e não necessário. As verdades de facto como: "O SOL nasce todos os dias" podem ser negadas sem que esta negação implique contradição,  pois poderia ser de outro modo, o Sol poderia não nascer todos os dias, ou poderia deixar de o fazer no futuro. Essa proposição faz sentido e poderia ainda ser pensada, tal como diz o texto são ambas inteligíveis. Assim, todos os conhecimentos de facto que são justificados pela experiência, não são verdades necessárias, mas sim contigentes, isto é, acontecem deste modo por acaso mas poderiam ser de outro modo. No segundo conhecimento, isto não se passa, porque as proposições são necessariamente verdadeira, , por exemplo; " O quadrado tem quatro lados", porque se é um quadrado tem de ter quatro lados, isto é, o predicado faz parte da definição do conceito. Por outro lado este conhecimento é necessário, é sempre verdadeiro e o seu contrário implica uma contradição, é impossível pensar o seu contrário, isto é, não tem sentido um quadrado ter mais ou menos que quatro lados. Explicação: Conhecimento de factos é contingente e a sua negação não implica contradição, enquanto que o conhecimento de relação de ideias é necessário e a sua negação implica uma contradição. Explicação: relacionar ideias só necessita de um acordo lógico da razão consigo mesma, é independente dos factos do mundo, logo pode ser um conhecimento necessário visto que está fundado em leis universais e necessárias que são as leis racionais. Quanto ao conhecimento dos factos, necessita da experiência, das impressões e perceções, essa experiência é limitada, visto que o sujeito não pode conhecer todos os factos. A experiência mostra-nos uma realidade em mudança, e a necessidade de alterar crenças, logo ,o conhecimento resultante da experiência, é também contingente, pois poderia ser de outro modo, não podemos ter acesso a verdades necessárias, não é necessário que aconteça assim, há a sempre a possibilidade de mudança, de ser de outro modo.

Cenário de resposta A resposta integra os aspetos seguintes, ou outros igualmente relevantes. Distinção entre as questões de facto e as relações de ideias: – as verdades acerca das relações de ideias são verdades intuitiva ou demonstrativamente certas (OU que podem ser descobertas pela razão); (em contrapartida,) as questões de facto apenas podem ser decididas recorrendo à experiência; – o contrário de uma verdade acerca de relações de ideias implica uma contradição e, portanto, é logicamente impossível; (ao invés,) o contrário de uma verdade acerca de questões de facto não implica uma contradição e, portanto, é logicamente possível.

1.2.O que é o problema da conexão causal ou dito de outro modo: Em que consiste o problema da relação de Causa/Efeito, segundo David Hume?

Cenário de resposta A resposta integra os aspetos seguintes, ou outros igualmente relevantes. Apresentação da explicação de Hume: – a propensão da mente para acreditar que o Sol nascerá amanhã é um efeito do «hábito» ou do «costume»; – essa propensão é formada a partir da experiência da conjunção constante de dois objetos (ou acontecimentos) distintos: o fim do período noturno e o nascimento do Sol; – o «hábito» inevitavelmente leva a que, na presença de um objeto (ou acontecimento), esperemos que o outro ocorra.

A crítica de David Hume sobre a pretensa crença de que há relações que são necessárias entre dois fenómenos. Tal relação não existe, diz Hume, é apenas uma ilusão fruto do hábito psicológico. Conhecer o mundo é relacionar os fenómenos uns com os outros, explicando que um fenómeno acontece por causa de outro. Assim explicamos que há chuva por causa da condensação de água (nuvens) etc. Hume refere-se à importância do costume ou hábito na construção do conhecimento dos factos. É devido à perceção da repetição de certos fenómenos que se sucedem em contiguidade no espaço e sucessivos no tempo, que estabelecemos uma relação entre eles e pensamos poder prever que sempre que um acontece o outro também acontecerá. Esta forte crença de uma conexão necessária entre dois fenómenos permite-nos estabelecer uma relação de causa e efeito entre os dois. O problema que Hume coloca é sobre o fundamento de tal crença. Para Hume tal crença não tem um fundamento, logo, tal conhecimento de causa efeito sobre os fenómenos não deixa de ser duvidoso. Na origem desta crença está meramente o costume e o hábito psicológico, mas não há uma razão para o fenómeno X (chama) ser causa de Y (fumo), nem tão pouco qualquer impressão empírica que nos permita estabelecer uma relação causal –necessária entre os dois.  

O costume fundamenta-se no passado, se não houver uma razão que nos permita ligar os fenómenos então, pelo costume só podemos saber o que aconteceu até este momento e assim, não podemos estabelecer relações de causa efeito para fenómenos que ainda não aconteceram. Ora, nós fazemos previsões, nós estabelecemos conhecimento através da suposição de que é necessário para haver fumo haver fogo, logo, nós ultrapassamos os limites da experiência. O que acontece repetidas vezes não é, por si só, garantia que vai acontecer sempre. A relação entre dois fenómenos não é lógica mas psicológica, embora venham repetidas vezes juntos, os fenómenos são separados e podem não acontecer juntos, portanto, a nossa previsão que sempre que há fumo há fogo não é certa, pois não existe uma conexão necessária entre os dois. O argumento de Hume é baseado no princípio de que nada podemos saber sem ser através de impressões sensíveis. Ora a relação de causalidade corresponde á impressão de vermos dois fenómenos sucederem-se no tempo e em espaços contíguos. Essa impressão acontece repetidamente, logo criamos uma expectativa e fazemos uma previsão que irá acontecer também no futuro. Mas essa previsão é apenas baseada num hábito psicológico. Nada há racionalmente que possa ligar de forma indissolúvel dois fenómenos. Como a experiência é contingente e a relação causal necessária, então esta é uma ilusão construída pelo hábito psicológico sem fundamento racional ou empírico.





2.Segundo Popper a prática científica não é afetada pelo problema da indução levantado por Hume. Porquê? Na sua resposta comece por apresentar o problema da indução levantado por Hume.







O problema da indução, tal como é exposto por David Hume, consiste em demonstrar que a crença na indução não está justificada porque ultrapassa a experiência e a razão, isto é, não pode ser justificada nem empiricamente nem racionalmente. Acreditamos que a natureza é uniforme e, por isso acreditamos que aquilo que aconteceu de uma determinada maneira irá acontecer do mesmo modo no futuro. Esse é o pressuposto que garante as nossas generalizações futuras, mas esse pressuposto já resulta ele próprio de uma generalização e de uma previsão, isto é, aquilo que garante a validade de uma indução é conseguido através da indução, utiliza-se o mesmo processo para validar algo que devia ser validado por um outro conhecimento onde se pudesse fundar. Há assim um raciocínio falacioso, uma petição de princípio.

A crítica de Popper à indução coloca-se em 3 passos:



a) Não há observação neutra pois esta já é direcionada por um problema teórico.



b) As leis científicas não resultam de uma generalização a partir de casos particulares porque elas são universais e a generalização só é válida para os casos observados.



c) A conclusão de um raciocínio indutivo é sempre provável, assim as leis científicas teriam de ser probabilísticas e não são, logo não podem resultar de um raciocínio indutivo.



A teoria epistemológica de Popper ultrapassa o indutivismo da ciência ao propor um novo método: o falsificacionismo. O falsificacionismo é, simultaneamente, um critério de demarcação científica, isto é, um critério para separar conhecimento científico e não científico; e, por outro lado, uma nova forma de compreender a metodologia das ciências propondo como realmente científica uma metodologia hipotética e dedutiva e não indutiva.

A resposta integra os aspetos seguintes, ou outros igualmente relevantes. Apresentação do problema da indução: – a indução não está justificada, uma vez que a tentativa de a justificar por meio da experiência é circular (OU a tentativa de a justificar por meio do raciocínio indutivo se baseia, ela própria, no raciocínio indutivo, que, precisamente, necessita de justificação). Justificação, dada por Popper, da irrelevância da indução na prática científica: – a ciência não recorre ao raciocínio indutivo para testar hipóteses e, por isso, não é afetada pelo problema da indução; – segundo a perspetiva falsificacionista defendida por Popper, os cientistas submetem as teorias a testes que visam falsificá-las, e não confirmá-las; – o raciocínio usado na falsificação das teorias é dedutivo, apenas permitindo mostrar conclusivamente que as teorias são falsas.


terça-feira, 15 de maio de 2018

Popper - O FALSIFICACIONISMO. (Com resposta às perguntas)






1. Indução

Uma linha de resposta bastante diferente para o problema da indução deve-se a Karl Popper. Popper olha para a prática da ciência para nos mostrar como lidar com o problema. Segundo o ponto de vista de Popper, para começar a ciência não se baseia na indução. Popper nega que os cientistas começam com observações e inferem depois uma teoria geral. Em vez disso, primeiro propõem uma teoria, apresentando-a como uma conjetura inicialmente não corroborada, e depois comparam as suas previsões com observações para ver se ela resiste aos testes. Se esses testes se mostrarem negativos, então a teoria será experimentalmente falsificada e os cientistas irão procurar uma nova alternativa. Se, pelo contrário, os testes estiverem de acordo com a teoria, então os cientistas continuarão a mantê-la não como uma verdade provada, é certo, mas ainda assim como uma conjetura não refutada.

Se olharmos para a ciência desta maneira, defende Popper, então veremos que ela não precisa da indução. Segundo Popper, as inferências que interessam para a ciência são refutações, que tomam uma previsão falhada como premissa e concluem que a teoria que está por detrás da previsão é falsa. Estas inferências não são indutivas, mas dedutivas. Vemos que um A é não-B, e concluímos que não é o caso que todos os As são Bs. Aqui não há hipótese de a premissa ser verdadeira e a conclusão falsa. Se descobrirmos que um certo pedaço de sódio não fica laranja quando é aquecido, então sabemos de certeza que não é o caso que todo o sódio aquecido fica laranja. Aqui o facto interessante é que é muito mais fácil refutar teorias do que prová-las. Um único exemplo contrário é suficiente para uma refutação conclusiva, mas nenhum número de exemplos favoráveis constituirá uma prova conclusiva.

2. Falsificabilidade

Assim, segundo Popper, a ciência é uma sequência de conjeturas. As teorias científicas são propostas como hipóteses, e são substituídas por novas hipóteses quando são falsificadas. No entanto, esta maneira de ver a ciência suscita uma questão óbvia: se as teorias científicas são sempre conjeturais, então o que torna a ciência melhor do que a astrologia, a adoração de espíritos ou qualquer outra forma de superstição sem fundamento? Um não-popperiano responderia a esta questão dizendo que a verdadeira ciência prova aquilo que afirma, enquanto que a superstição consiste apenas em palpites. Mas, segundo a conceção de Popper, mesmo as teorias científicas são palpites — pois não podem ser provadas pelas observações: são apenas conjeturas não refutadas.

Popper chama a isto o "problema da demarcação" — qual é a diferença entre a ciência e outras formas de crença? A sua resposta é que a ciência, ao contrário da superstição, pelo menos é falsificável, mesmo que não possa ser provada. As teorias científicas estão formuladas em termos precisos, e por isso conduzem a previsões definidas. As leis de Newton, por exemplo, dizem-nos exatamente onde certos planetas aparecerão em certos momentos. E isto significa que, se tais previsões fracassarem, poderemos ter a certeza de que a teoria que está por detrás delas é falsa. Pelo contrário, os sistemas de crenças como a astrologia são irremediavelmente vagos, de tal maneira que se torna impossível mostrar que estão claramente errados. A astrologia pode prever que os escorpiões irão prosperar nas suas relações pessoais à quinta-feira, mas, quando são confrontados com um escorpião cuja mulher o abandonou numa quinta-feira, é natural que os defensores da astrologia respondam que, considerando todas as coisas, o fim do casamento provavelmente acabou por ser melhor. Por causa disto, nada forçará alguma vez os astrólogos a admitir que a sua teoria está errada. A teoria apresenta-se em termos tão imprecisos que nenhumas observações atuais poderão falsificá-la.

3. Ciência e pseudociência

O próprio Popper usa este critério de falsificabilidade para distinguir a ciência genuína não só de sistemas de crenças tradicionais, como a astrologia e a adoração de espíritos, mas também do marxismo, da psicanálise de várias outras disciplinas modernas que ele considera negativamente como "pseudociências". Segundo Popper, as teses centrais dessas teorias são tão irrefutáveis como as da astrologia. Os marxistas preveem que as revoluções proletárias serão bem sucedidas quando os regimes capitalistas estiverem suficientemente enfraquecidos pelas suas contradições internas. Mas, quando são confrontados com revoluções proletárias fracassadas, respondem simplesmente que as contradições desses regimes capitalistas particulares ainda não os enfraqueceram suficientemente. De maneira semelhante, os teóricos psicanalistas defendem que todas as neuroses adultas se devem a traumas de infância, mas quando são confrontados com adultos perturbados que aparentemente tiveram uma infância normal dizem que ainda assim esses adultos tiveram que atravessar traumas psicológicos privados quando eram novos. Para Popper, estes truques são a antítese da seriedade científica. Os cientistas genuínos dirão de antemão que descobertas observacionais os fariam mudar de ideias, e abandonarão as suas teorias se essas descobertas se realizarem. Mas os teóricos marxistas e psicanalistas apresentam as suas ideias de tal maneira, defende Popper, que nenhumas observações possíveis os farão alguma vez modificar o seu pensamento.



David Papineau"Methodology" em A. C. Grayling (org.), Philosophy: A Guide Through the Subject, Oxford University Press, 1998

1. O que se entende por critério de demarcação e qual é o critério proposto por Popper?

2. Que método é aquele que explica melhor a lógica das teorias científicas?

3. A ciência não é indutiva para Popper. Porquê?


 RESPOSTA ÀS QUESTÕES:


1. O critério de demarcação pretende distinguir as ciências das “pseudociências”. Se todo o nosso conhecimento, tanto o científico como os dogmas religiosos e os palpites astrológicos, são apenas conjeturas, isto é, hipóteses de explicação e compreensão do mundo, então qual a diferença entre o conhecimento científico e os dogmas religiosos ou as “pseudociências”? É que contrariamente a estes conhecimentos, as teorias científicas estão abertas à refutação e à falsificação pela experiência podendo, por isso, ser modificadas e corrigidas; os dogmas, pelo contrário, são tomados como verdades eternas que não são discutíveis e as teorias astrológicas são tão vagas e imprecisas que seja qual for a previsão que façam nunca se veem obrigadas a modificar as teorias mesmo que as previsões se revelem falsas pois encontram sempre forma de as interpretar à luz das teorias, não podendo, por isso,  ser falsificadas pela experiência.



2. O método que se adequa à lógica científica é o de conjeturas e refutações. Cada teria representa uma tentativa de resolução de um ou vários problemas Conjetura é uma suposição validada por experiências, não é uma certeza ou verdade. As teorias científicas são hipóteses explicativas que foram provisoriamente corroboradas pela experiência, isto é, que ainda não foram falsificadas ou refutadas. Assim a ciência funciona com um conjunto de conjeturas, que podem ser futuramente refutadas. Para Popper, a ciência evolui no sentido de uma aproximação à verdade na medida em que vai eliminando os erros das teorias, substituindo-as por outras mais abrangentes e consistentes com os factos observados. A inferência que os cientistas fazem é dedutiva a partir de um caso de uma previsão falhada. Tipo: Modus Tollens, uma dedução condicional.


 Se todos os corpos dilatam com o calor, e o tungstato de zircônio é um corpo, então dilata com o calor


O tungstato de zircônio não dilatou com o calor


Então nem todos os corpos dilata com o calor.





3. Popper refuta esta teoria e defende que a indução não é o método que permite a constituição das leis científicas. Primeiro; porque nenhuma observação se faz sem antes ter um problema teórico e, segundo; porque as leis são universais e necessárias, enquanto a conclusão de um raciocínio indutivo é sempre provável.


Embora seja um procedimento comum a algumas ciências como a Biologia, o método indutivo não permite a construção de leis universais e necessárias, só permite leis probabilísticas. Se há leis universais e necessárias em ciência, então, das duas uma, ou não são científicas, pois não são resultados de generalizações a partir de observações particulares, ou são científicas mas não são indutivas, são antes resultado de um método diferente: Hipotético/Dedutivo.

sexta-feira, 4 de maio de 2018

Matriz para o teste global de 10 e 11 de Maio de 2018

Conteúdos: 

1. Ciência e senso comum. Aspectos em comum e aspectos distintos.

2. O método científico: Método indutivo e Hipotético-dedutivo.
2.a. Etapas do método.
3. O problema da indução. Crítica ao método indutivo.
3.Karl Popper: Ciência e construção: A Verificabilidade das hipóteses.
4.a. O problema da demarcação entre ciência e não-ciência.
4.b. Crítica ao critério de Verificabilidade. Proposta do falsificacionismo.
4.c. A noção de: Conjetura e refutação.

4. O racionalismo cartesiano.
4.a. Como Descartes ultrapassa o ceticismo.
4.b. O método: etapas e finalidade.
4.c. O cogito e as provas da existência de Deus.
4.d. Objeções à filosofia cartesiana.
5. David Hume: O Empirismo e o ceticismo moderado
5.a.Impressões e ideias; a origem do conhecimento
5.b. Conhecimento de relação de ideias e questões de facto.
5.c. O problema da causalidade.
5.d. A crítica à indução.
5.e. O problema cetico: a impossibilidade de fundamentar racionalmente o conhecimento

Competências:

- Esclarecer os problemas: sobre a definição de conhecimento científico; sobre a indução; sobre o critério de demarcação; sobre a objectividade científica e sobre a forma como evolui a ciência.
- Compreender as teorias
- Saber formular os problemas.
- Relacionar teorias.
- Organizar correctamente os argumentos.

-Dominar conteúdos

 Critérios de correcção:
- apresentar os conteúdos considerados relevantes de forma completa
- apresentar esses conteúdos de forma clara, articulada e coerente;
- evidenciar uma utilização adequada da terminologia filosófica; 
- 
evidenciar a interpretação adequada dos documentos apresentados

Estrutura:

Prova para 90m
Textos. Referência aos textos.
Quatro perguntas de construção/desenvolvimento. 4x30 =120 Pontos 
Dez perguntas de selecção: Escolha múltipla. 10x5=50 Pontos
1 Ensaio crítico sobre um tema dado. (Com tomada de posição, argumentos a favor e contra, resposta aos argumentos contra)



sábado, 28 de abril de 2018

Ciência e senso comum


Relatório- Iris-11B



1. O facto observado é guiado por conhecimentos prévios
“Trouxeram um dia, ao meu laboratório, coelhos do mercado, Colocaram-nos numa mesa onde urinaram e observei, por acaso, que a sua urina era clara e ácida. Este facto impressionou-me, porque os coelhos têm geralmente a urina turva e alcalina por serem herbívoros, enquanto os carnívoros, como se sabe, têm, pelo contrário, urinas claras e ácidas.
2. A formulação da hipótese como explicação provisória do facto observado
Esta observação da acidez da urina dos coelhos fez-me supor que estes animais deviam ser da condição alimentar dos carnívoros. Supus que eles não tinham comido havia muito tempo e que se tinham transformado, pela abstinência, em verdadeiros animais carnívoros (...). Nada era mais fácil de verificar pela experiência do que esta ideia preconcebida ou esta hipótese.
3. A experimentação como processo de verificação da hipótese
Dei erva a comer aos coelhos e, algumas horas depois, as suas urinas tinham-se tornado turvas e alcalinas. Submeti em seguida os mesmos coelhos à abstinência e, vinte e quatro ou trinta e seis horas depois, as suas urinas tinham-se tornado claras e fortemente ácidas; depois voltaram a ser alcalinas se lhes desse ervas, etc. Repeti esta experiência tão simples um grande número de vezes com os coelhos e sempre com o mesmo resultado. Repeti-a em seguida com um cavalo, animal herbívoro, que tem igualmente a urina turva e alcalina. Verifiquei que a abstinência tinha produzido, como no coelho, uma pronta acidez da urina com um acréscimo relativamente considerável da ureia, a ponto de cristalizar por vezes, espontaneamente, na urina arrefecida.
4. A hipótese torna-se uma ideia aceitável
Cheguei assim, em consequência das minhas experiências, a esta proposição geral que então era desconhecida: em jejum, os herbívoros têm urinas semelhantes às dos carnívoros.
5. A contraprova como garantia da aceitabilidade
Mas, para provar que os meus coelhos em jejum eram carnívoros, havia uma contraprova a fazer. Era preciso, experimentalmente, fazer um coelho carnívoro, alimentando-o a carne, a fim de saber se as suas urinas seriam claras, ácidas e relativamente carregadas de ureia como durante a abstinência. Por isso fiz alimentar coelhos com carne de vaca cozida fria, alimento que comem muito bem, quando não se lhes dá outra coisa. A minha previsão foi ainda verificada e, enquanto durou esta alimentação animal, os coelhos conservaram urinas claras e ácidas”

Claude Bernard, Introdução ao estudo da medicina experimental.

Leia o texto com atenção e responda às seguintes questões:

1. Qual é o tema deste texto? 
2. Que passos são dados para descrever o processo científico?
3. Que conclusão podemos retirar?
4. Isole e defina os conceitos-chave que possibilitam a compreensão do texto.











quarta-feira, 11 de abril de 2018

Trabalho para o 11ºG . Para segunda. Ler o texto e responder às questões.

A relação entre duas teorias sobre o conhecimento





Será o conhecimento certo ou não? Será que podemos ter a certeza absoluta de algo? De facto o ser humano tem fome de certeza em muitas das situações do dia a dia. Certeza do passado, do presente e até do futuro. René Descartes e David Hume dividiram-se ao tentar dar uma resposta para esta questão.

Descartes, tomou a posição de que o conhecimento é uma certeza indubitável.

Tal decorre do enquadramento histórico, do fim do século XVI e início do século XVII marcado pelo Renascimento, baseado na valorização do papel do Homem no Mundo, que desenvolve a paixão pela descoberta, visto dar conta que existem várias ideias para além das que vinha aceitando como certas. Decorre também de uma das suas maiores paixões: a matemática. Para ele, a probabilidade epistemológica é uma probabilidade irrefutável tal como é a probabilidade matemática de “atirar dois dados e sair um duplo 6 ser de uma para 36” tal como explicou Bertrand Russel (1872-1970).

Para atingir o conhecimento, Descartes desenvolveu o seu próprio método baseado sobretudo na dúvida, base do cepticismo.

No entanto, vemos que a dúvida em Descartes, é metódica, ou seja, é um caminho, e coloca-se sempre no início de um processo epistemológico de reflexão e nunca num fim. No Discurso, afirma que para se chegar ao conhecimento é necessário que se negue “como absolutamente falso” tudo aquilo em possamos imaginar a menor dúvida desde a existência de um mundo ou de dois mais três serem cinco. A partir daí, ou seja, começando pelos pensamentos mais simples e mais fáceis de conhecer, deve-se ascender a pouco e pouco, até aos pensamentos mais complexos, numa ordem de dificuldade crescente.

É através deste método que Descartes chega às suas três conclusões mais importantes: a existência do ser humano (através da famosa frase “Penso, logo existo”), a existência de Deus (desenvolvida em três provas) e o conhecimento do mundo.

Descartes, dá também grande importância à dimensão metafísica do Homem, que no seu entender sustenta toda a ciência. A razão não opera com base nos sentidos, que na opinião do filósofo francês, apenas conduzem a erros e confusões permanentes mas em operações fundamentais do espírito que conduzem à verdade e à certeza. São elas, a intuição e a dedução:

Segundo Descartes, a intuição é então o acto puro e mecanizado no Homem através do qual o Homem aprende noções imediatas das quais não tem a mínima dúvida.

Já a dedução é o encadeamento das intuições que o Homem relaciona e assim consegue chegar a novas relações e a novas conclusões, devido ao que já conhecia de trás.

Diz Descartes, Nas Meditações Sobre a Primeira Filosofia, que a filosofia e a procura do conhecimento se devem basear no exame exaustivo de todos os elementos existentes, com o objectivo de se conseguirem atingir dados claros e objectivos chegando-se então ao saber absoluto.

Se tal for feito de acordo com os princípios lógicos, o conhecimento verdadeiro e universal é possível sem qualquer sombra de dúvida!

Já David Hume foi bastante crítico em relação a Descartes nesta questão e avançou com a sua própria tese sobre o assunto. Diz Bertrand Russel sobre o escocês:

"O que preocupa Hume é o conhecimento incerto, tal como o que é obtido de dados empíricos por inferências que não são demonstrativas. Isso inclui todo o nosso conhecimento a respeito do futuro, e a respeito de partes não observadas do passado e do presente. De facto, inclui tudo excepto, por um lado, observação directa, e, por outro, a lógica e a matemática."

Em primeiro lugar, David Hume separa conhecimento de relação de ideias e conhecimento de factos ou probabilidade. Se no conhecimento as “relações de ideias são dependentes das próprias ideias”, na probabilidade existem três relações: a identidade, as situações no tempo e lugar e a causalidade.

Assim, enquanto a negação do conhecimento de relação de ideias implica contradição, na probabilidade (conhecimento dos factos), a negação é igualmente uma probabilidade. Desse modo, as descobertas filosóficas devem ser caracterizadas pelo probabilismo, pois o Homem tem várias limitações temporais e perceptivas. Ou seja, todas as explicações devem ser vistas como tentativas destinadas a serem substituídas por outras, o que dá espaço à opinião e à controvérsia.

David Hume rejeita “todo o tipo de ilusões metafísicas”, toda a crença em milagres. Segundo ele, os milagres violam as leis da Natureza, que se baseiam na experiência.

No entanto, Hume, não é um céptico radical que negue totalmente a capacidade do sujeito para conhecer algo, o que acaba por ser uma contradição, pois ao afirmar a impossibilidade de alcançar o conhecimento, já está a concluir algo – conhecer que o conhecimento não é possível.

Hume nega a existência de princípios evidentes inatos em nós. Para ele, todo o conhecimento é como que uma cópia de algo, cujo objecto já tivemos acesso de alguma maneira.

Hume põe ainda o problema da causalidade em cima da mesa. Ele refuta o princípio da causalidade segundo o qual todas as acções têm uma relação causa efeito, submetendo-o a uma análise critica bastante rigorosa, baseando-se na sua teoria de conhecimento segundo a qual sem impressão sensível não há conhecimento, visto todas as ideias derivarem das sensações, à qual deve corresponder uma impressão.

A partir daí, ele negou que possamos fazer qualquer ideia de causalidade pois ela é apenas resultado do nosso hábito mental, visto que na Natureza nada nos mostra que sempre que acontece alguma coisa, tem que acontecer outra.

Só temos essa ideia porque nos habituamos a ver a sucessão de fenómenos um por um, o que nos induziu em erro.

Por exemplo, quando está vento e uma árvore abana dizemos que esta é uma relação causa efeito, quando nada nos prova que assim é. Apenas o dizemos porque nos habituamos a ver os dois fenómenos ocorrer muitas vezes simultaneamente. A experiência até nos pode dizer que o vento pôs os galhos da árvore em movimento, mas ela nunca nos diz nada sobre acontecimentos futuros, com os quais ainda não tivemos qualquer contacto: única fonte de conhecimento valida. Isto porque a inferência causais estão sempre sujeitas ao erro perante novos objectos, novos sujeitos e novas situações, que podem mudar as ideias que temos em nós. Desse modo, vemos que para Hume, o conhecimento só pode corresponder a acções passadas, ou quando muito actuais e nunca futuras. Para ele, “cada caso, é um caso” e nada nos diz o que vai acontecer amanhã.

Esta questão é de grande importância para David Hume, porque o racionalismo de Descartes apoia-se sobretudo nas relações causa efeito.

Provando que não existem relações na Natureza e apenas fenómenos desligados uns dos outros, Hume rejeita, o inatismo cartesiano, introduzindo um dado novo nas teses empiristas afirmando que a identidade entre a ordem das coisas e das ideias é fruto dos nossos hábitos mentais ou na crença que existe uma ligação necessária entre os fenómenos.

A partir daí, Hume nega as três verdades de René Descartes (o ser, Deus e o mundo).

Em relação ao “eu”, que Descartes provara através da intuição, Hume não acredita que o pensamento intuitivo seja um caminho seguro para a verdade, devido à impossibilidade do Homem poder enumerar causas.

Todos nós mudados em muitos aspectos à medida que os anos passam, sem que nós próprios mudemos em si mesmo. No entanto, Hume nega a distinção entre os vários aspectos de uma pessoa e o sujeito que transporta essas mesmas características. Ou seja, para o escocês, quando fazemos uma introspecção, notamos um conjunto de percepções, sentimentos, memorias e pensamento, mas nunca nos apercebemos de algo a que possamos chamar de “eu”. Ou seja, o ser humano não passa de um conjunto de “percepções transitórias” que a nada pertencem e de um composto de elementos relacionados em permanente mudança.

Depois, relativamente à questão da existência de Deus, que Descartes provara baseando-se em que tudo tem uma causa, e a primeira dessas causas era Deus,

Hume diz ser impossível conhecer Deus pois a provas cartesianas estão fundadas na existência de ideias inatas, originárias da razão, nas quais não acredita. Ou seja, para ele o Homem não pode conhecer algo do qual não tem uma única percepção.

Por fim, Hume nega igualmente a existência do mundo exterior que para ele não passa de uma crença. E é uma crença que não podemos eliminar, mas que também não podemos provar por qualquer tipo de argumento, seja ele dedutivo ou indutivo.

David Hume também refuta a ideia de um conhecimento universal, claro e distinto. Visto que dentro das limitações o nosso conhecimento é sempre incompleto, a realidade reduz-se aos fenómenos aos quais os nossos sentidos têm acesso, sendo que cada um pode ter sensações diferentes nessa experiência, abrindo-se espaço à subjectividade.

A partir do texto, responda às seguintes questões:

1. Qual o papel da dúvida na Filosofia Cartesiana?

2. Quais são as operações da razão através da qual é possível a verdade?
3. Porque é que Hume não é um céptico radical?
4. O que se entende por problema da causalidade?

5. Qual a diferença para Hume entre: "conhecimento de relação de ideias" e "conhecimento de factos"?