sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

Correção do teste do 11º Ano - 8 de Fevereiro de 2018



Jeff Mermelstein, 1995

Grupo II

1. Um bom orador é capaz de persuadir qualquer pessoa sobre qualquer assunto, mesmo que nada saiba sobre ele, (não tem necessidade de conhecer o que é justo) apenas tem que parecer que conhece face à multidão (que aparente sê-lo à multidão que deve julgar). Deste modo a Retórica é uma falsa Arte porque manipula e ilude parecendo aquilo que não é. Concentra-se na forma de tornar o discurso agradável e não com o seu conteúdo de verdade. Este caso ocorre no texto quando Górgias afirma que poderá eleger-se como médico não sendo médico mas convencendo uma assembleia que o é, em detrimento do verdadeiro médico. Assim a arte da retórica pode ser enganadora por se prestar à adulação em detrimento da ciência e da verdade do estudo e da investigação que um médico terá de possuir para poder apresentar-se como tal.

Para Platão a questão principal do discurso e do conhecimento não é a persuasão, um orador não deve ter o propósito de persuadir, isto é, de conseguir a concordância de todos, o seu único propósito deve ser a verdade. Ora para os sofistas, a verdade não existe ou se existe nada se pode saber sobre ela, logo, o homem é a medida de todas as coisas, só ele pode decidir em cada situação o que é verdade, mas essa verdade varia de homem para homem de acordo com os seus interesses e perspetivas. Para os sofistas só podemos ter opiniões e todas as opiniões valem o mesmo, a sua aceitação por parte do auditório depende apenas do modo como a defendemos, daí que a arte de argumentar e a eloquência sejam importantes e decisivas. A educação dos jovens deve ter como principal disciplina a Retórica porque com ela se alcança o sucesso.
Para Platão, a verdade não pode ser uma mera opinião aprendida com outros, implica um conhecimento, uma investigação racional que afasta todas as opiniões. A opinião é uma aparência de verdade, mesmo quando verdadeira a opinião ainda não é conhecimento. Para ser conhecimento tem de estar justificada com razões, não razões que a tornem mais agradável e verosímil, mas razões que a demonstrem, isto é que mostrem que é assim e não pode ser de outro modo.


2. A tese de Protágoras “ A verdade é relativa” autodestrói-se porque ela pode ter duas interpretações e ambas negam o que a frase afirma. Assim poderemos considerar que o conteúdo desta frase se aplica à própria frase e, deste modo, esta afirmação seria também verdadeira apenas para Protágoras podendo ser falsa para os restantes indivíduos, deste modo seria correspondente à sua opinião cujo valor se restringia à esfera singular do seu autor, não sendo portanto verdadeira no sentido de ser aceite como descrevendo algo que acontece pois outros teriam outra opinião diferente. Por outro lado, se a frase pretende enunciar uma verdade ela é contraditória por si, visto que pretende afirmar o contrário daquilo que se propõe, isto é enunciar uma verdade universal.


3. A oposição entre Verdade e política pode ser encontrada em Platão na medida em que sustenta que acerca de assuntos mundanos nunca há conhecimento mas apenas opiniões que se opõem. Um outro aspeto é o da utilidade do discurso. Para que serve discursar se não for para nos tornar melhores e mais sábios, o discurso deve ter a forma de um diálogo, isto é, de uma contraposição de opiniões com vista a sair delas e a procurar os conceitos que já não são opiniões mas conhecimento racional. Para os sofistas e para a nova democracia ateniense, não há conhecimento verdadeiro sobre a forma como deve ser governada a cidade (relativistas) ou se existe tal conhecimento o homem não o poderá alcançar. Daqui se segue que, sobre os assuntos políticos, o “Homem é a medida de todas as coisas” e portanto quem decide qual a opinião mais credível são os homens. Esta opinião credível, por ser supostamente suportada por bons e sedutores argumentos, bem como por uma postura ousada do orador, passa a contar como verdade. Neste aspeto Platão critica esta aparência de verdade e dá-a como consequência de um mau uso do discurso. O discurso quando é usado para unicamente persuadir um auditório, tem estratégias que ultrapassam os factos e a verdade destes, valendo qualquer argumento que avive as emoções e permita a satisfação dos interesses e gostos do auditório. Um bom orador é capaz de persuadir qualquer pessoa sobre qualquer assunto, mesmo que nada saiba sobre ele, (não tem necessidade de conhecer o que é justo) apenas tem que parecer que conhece face à multidão (que aparente sê-lo à multidão que deve julgar). Deste modo a Retórica é uma falsa Arte porque manipula e ilude parecendo aquilo que não é. Concentra-se na forma de tornar o discurso agradável e não com o seu conteúdo de verdade. A questão tem a sua formulação prática no conflito que opõe filósofos e sofistas acerca da melhor forma de educar os jovens. Se a finalidade da educação deve ser a ética e a Filosofia ou arte de pensar e de ir à essência dos conceitos que todos os dias utilizamos, ou, por outro lado a finalidade da educação deve ser preparar chefes políticos capazes de fazer prevalecer os seus pontos de vista e de governar com o apoio dos cidadãos.


4. A definição tradicional de conhecimento propõe três condições necessárias para se poder dar o caso de alguém afirmar: “Eu sei que”, isto é, para podermos afirmar que há conhecimento de algo. É necessário acreditar que algo é verdadeiro, porque seria contraditório saber algo sem acreditar nisso, tem portanto de haver uma crença, todavia não basta ter uma crença, é necessário que esta seja verdadeira pois o conhecimento é factivo o que implica que não possamos conhecer falsidades. Por último tem que haver fortes razões que fundamentem e justifiquem essa crença, porque podemos saber a verdade acerca de algo por puro acaso e não podemos chamar conhecimento a uma crença verdadeira obtida ao acaso. Cada uma destas condições não pode sozinha ser suficiente mas as três em conjunto sim, por isso se apelida esta definição de definição tripartida do conhecimento.


Grupo III

1. Não, a afirmação é falsa, a crença verdadeira não é conhecimento porque podemos ter uma crença verdadeira por mera sorte, ou por acaso. Visto o Pai Natal não existir, o João não tem nenhuma justificação para a sua crença, e se teve prendas foi porque os pais lhe dera, logo a sua crença é verdadeira por puro acaso.


2. A afirmação “Os sólidos ocupam espaço” é verdadeira em qualquer situação pois é necessário que para ser um sólido ocupar espaço, sendo assim, não preciso de ter visto ou experienciado corpos sólidos para justificar a verdade da afirmação, basta-me saber o conceito de sólido para saber que a afirmação é correta, por isso se diz que este conhecimento é “a priori” isto é, não é justificado pela experiência mas apenas pela análise dos conceitos, sendo assim não acrescenta um conhecimento do mundo, por isso se diz também que é uma proposição ou juízo analítico. Quanto à afirmação “A língua oficial de Itália é o italiano” necessita da experiência que decorre de ter lido, ouvido ou visto algo que me dê essa informação, esse conhecimento não é necessariamente verdadeiro visto que a língua de Itália poderia ser outra ou ainda poderá mudar de modo a que a proposição poderia ser falsa. O conhecimento obtido empiricamente ou “a posteriori” é, por isso, contingente, isto é, não é verdadeiro em todas as situações e sempre. Este tipo de proposições apelidam-se também de sintéticas visto que o seu conteúdo acrescenta algo ao conceito e alarga também o nosso conhecimento do mundo.


3. A Teoria tripartida do conhecimento, ou seja a teoria que defende a necessidade de satisfazer três condições para o conhecimento: haver uma crença, esta ser verdadeira e estar justificada por fortes razões, pode ser refutada através de contra exemplos, isto é, de suposição de situações possíveis de ocorrer em que estas três condições embora satisfeitas não demonstram a existência de conhecimento. E. Gettier através destes contra exemplos prova então que a teoria tripartida não é completamente satisfatória pois admite objeções.

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

Texto para relatório-resposta às questões. Inês Trindade e Joana Filipa


" O ponto de vista dominante da filosofia ocidental nos últimos trezentos anos tem sido o que derivou do filósofo francês René Descartes, um dos filósofos mais influentes de todos os tempos. O seu método consiste em olhar para um problema questionando o modo como um indivíduo adquire conhecimento. […]
O trabalho mais conhecido de Descartes, o Discurso do Método – o seu título completo é Discurso do Método Para Conduzir Adequadamente a Razão e Procurar a Verdade nas Ciências – está escrito num estilo atraente e claro. Pode parecer que aquilo que ele escreveu é mais simples e mais óbvio do que é na realidade, por isso temos de considerar aquilo que ele escreveu de modo cuidadoso. Eis uma passagem da quarta parte do Discurso do Método, publicado em 1637, na qual ele define de modo muito claro a sua perspectiva acerca da natureza do seu próprio eu (self):

“Então, examinando atentamente aquilo que eu era e vendo que poderia presumir que não possuía corpo e que não havia mundo nem nenhum local onde eu estivesse, mas não poderia fingir que eu não existia; e que, pelo contrário, pelo facto de estar a duvidar da verdade de outras coisas, seguia-se com bastante evidência e certeza que eu existia; ao passo que se eu tivesse parado de pensar, embora tudo o que eu sempre pensei ser verdadeiro o fosse, eu não tinha razão para acreditar que eu existia; eu soube a partir disto que eu era uma substância cuja essência ou natureza era apenas o pensamento….”

Esta passagem contém praticamente todos os componentes centrais da filosofia da mente de Descartes.Em primeiro lugar, Descartes é um dualista. Isto significa acreditar que a mente e o corpo são duas espécies de coisas bastante distintas, dois tipos do que ele chama “substância”.Em segundo lugar, aquilo que ele pensa que tu és, o teu eu, é a mente. Dado que tu és uma mente, e as mentes são totalmente independentes do corpo, tu podes mesmo assim existir, sem um corpo.Em terceiro lugar, a tua mente e os teus pensamentos são aquilo que tu conheces melhor. Para Descartes é possível, pelo menos em princípio, existir uma mente sem um corpo, sendo incapaz, por mais que tente, de se aperceber de outras coisas, incluindo outras mentes. Descartes sabia, como é óbvio, que o modo como tomamos conhecimento daquilo que se passa na mente de outras pessoas é pela observação da fala e das acções de “outros corpos”. Mas para ele havia duas possibilidades sérias capazes de pôr em causa a nossa crença na existência de outras mentes. Uma é que os outros corpos podem ser apenas fingimentos da nossa imaginação. A outra é que, mesmo que os corpos e as outras coisas materiais existam, as provas que normalmente pensamos que justificam a nossa crença que os outros corpos são habitados por mentes pode ter sido produzida por autómatos, por máquinas sem mentes.Em quarto lugar, a essência da mente é ter pensamentos, e por “pensamentos” Descartes significa algo de que te apercebes na tua mente quando estás consciente. (A essência de um tipo de coisa, K, é a propriedade – ou o conjunto de propriedades – cuja posse é uma condição necessária e suficiente para ser um membro de K. Ou seja, se algo tem a propriedade essencial E, então pertence a K – portanto E é uma condição suficiente para pertencer a K; tudo o que não tem E, não pertence a K – portanto E é necessário para a relação de pertença.) Noutras passagens Descartes diz que a essência de uma coisa material – a propriedade, por outras palavras, que toda a coisa material tem que ter – é ocupar espaço. Isto significa que para Descartes as duas diferenças essenciais entre coisas materiais e mentes são (1) que as mentes pensam, enquanto a matéria não pensa, e (2) que as coisas materiais ocupam espaço, enquanto as mentes não. A tese de Descartes é, assim, que aquilo que distingue a mente do corpo é o facto negativo que a mente não existe no espaço e o facto positivo que as mentes pensam. Não é surpreendente que Descartes tenha pensado que a matéria não pensa. Poucas pessoas supuseram que as mesas ou os átomos têm pensamentos. Mas porque é que ele pensou que as mentes não existem no espaço? Afinal, podes pensar que a minha mente está onde está o meu corpo. Mas se eu não tivesse corpo, tal como Descartes pensava que era possível, ainda assim eu teria uma mente. Por isso ele não podia dizer que uma mente tem que estar onde o seu corpo está, simplesmente porque se pode não ter um corpo. Além disso, se eu tenho um corpo, porque é que eu não deveria dizer que é aí que a minha mente está? Se eu não tivesse um corpo, essa seria a resposta errada, mas na verdade eu tenho um corpo.Eu penso que a principal razão para pensar que as mentes não existem no espaço é o facto de parecer estranho perguntar “Onde é que estão os teus pensamentos?”. Mesmo que respondesses dizendo “Eles estão na minha cabeça”, não seria óbvio que isto era literalmente verdadeiro. Porque se eles estivessem na tua cabeça, poderias saber exactamente em que lugar da cabeça estariam e a quantidade de volume que ocupariam. Mas não se pode dizer quantos centímetros de comprimento ou largura ocupa um pensamento, nem se estão situados a norte ou a sul do córtex cerebral. […]É precisamente este dualismo que faz surgir um conjunto de dificuldades à posição de Descartes. Isto porque quem pensa que mente e corpo são totalmente distintos tem que responder a duas questões principais. A primeira, como é que eventos mentais causam eventos físicos? Como é que, por exemplo, as nossas intenções, que são mentais, levam à ação, que envolve movimentos físicos do nosso corpo? Como é que, por exemplo, é possível que a interação física entre os nossos olhos e a luz leve às experiências sensoriais da visão, que são mentais? […]A resposta de Descartes a estas questões parece clara e suficientemente simples. O cérebro humano, pensava ele, possui um ponto de interação entre a mente e a matéria. De facto, Descartes sugeriu a glândula pineal, situada no centro da cabeça, como sendo o canal entre os dois domínios distintos da mente e da matéria. Era esta a resposta dele para o problema mente-corpo. No entanto esta teoria entra em conflito com a afirmação de Descartes de que o que distingue o mental do material é o facto do mental não ser espacial. Pois se acontecimentos mentais causam acontecimentos cerebrais, então isso não significa que eventos mentais ocorrem no cérebro? Como é que algo pode causar um acontecimento no cérebro sem ser um acontecimento (ou algo do mesmo género) no cérebro? Normalmente, quando um evento – digamos “A” – causa outro evento – digamos “B” – A e B têm de estar próximos um do outro, ou tem que existir uma sequência de eventos próximos uns dos outros entre A e B. Uma drama num estúdio de televisão causa uma imagem no meu televisor a muitos quilómetros de distância. Mas há um campo electromagnético transporta a imagem do estúdio até mim, um campo que existe entre o meu televisor e o estúdio. A perspectiva de Descartes terá de ser a de que os meus pensamentos causam mudanças no meu cérebro e que estas mudanças depois levam à minha acção. Mas se os pensamentos não existem ou não estão próximos do meu cérebro, e se não existe uma cadeia de eventos entre os meus pensamentos e o meu cérebro, então isto é um tipo de causalidade muito invulgar.Descartes quer dizer que os pensamentos não estão em nenhum lugar. Mas, de acordo com o que ele defende, pelo menos alguns dos efeitos dos meus pensamentos estão no meu cérebro e nenhum dos efeitos diretos dos meus pensamentos estão no cérebro de outras pessoas. Normalmente os meus pensamentos levam às minhas ações e nunca levam diretamente às ações de outras pessoas. Chegamos, assim, a um problema central da posição de Descartes, já que é normal pensar que as coisas estão onde os seus efeitos se originam. (Podemos designar esta ideia como a tese causal da localização). Deste ponto de vista, os meus pensamentos estão no meu cérebro, que é a origem do meu comportamento. Mas se os eventos mentais ocorrem no cérebro, então, dado que o cérebro está no espaço, pelo menos alguns eventos mentais também existem no espaço. Assim, o modo como Descartes distingue o mental do físico não funciona. Designemos esta aparente conflito entre o facto de que a mente e a matéria parecem interagir causalmente e a afirmação de Descartes que a mente não existe no espaço o problema de Descartes.”

 Kwame Anthony Appiah,Thinking it Through: An introduction to contemporary philosophy, Oxford University Press

1. O que significa o dualismo corpo/mente?

2. Quais as teses principais do texto acerca da Filosofia cartesiana?


terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

Ficha 3 – O conhecimento


Ficha 3 – O conhecimento

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1. Segundo a teoria tripartida para definir o conhecimento há três condições que têm de ser satisfeitas, são elas:

a. S acredita  que P – S tem uma crença

b. P é verdadeira – Esta crença é verdadeira

c. P tem de estar justificada.


2. Explique porque é que cada uma delas é necessária para o conhecimento.

Porque seria contraditório afirmar que S sabe que P, e ao mesmo tempo não acredita no que sabe. Exemplo: Sei que o mar tem ondas, mas não acredito nisso. Portanto saber P, implica uma crença, S acredita em P. Também é necessário que essa crença seja verdadeira, porque o conhecimento não depende da convicção com que o sujeito acredita em P (sendo P uma qualquer proposição) P tem que ser do mesmo modo como S acredita, o conhecimento é factivo, por outro lado, se esta crença em P não tem qualquer justificação, boas razões para acreditar que p é verdadeira, então também não há conhecimento, há apenas um palpite, uma suposição ao acaso.


3. Explique porque cada uma das condições por si não é suficiente para o conhecimento.

Nem todas as crenças são conhecimento, logo, não basta ter uma crença qualquer como por exemplo “Acredito que existem Extra-terrestres”, mas não posso saber se essa crença é verdadeira. Também não é suficiente ter uma crença verdadeira para ter conhecimento porque é por mero acaso, e o conhecimento não pode ser por acaso, e por outro lado não é suficiente ter uma boa justificação, podemos ter boas justificações para acreditar em falsidades, depende dos nossos estados cognitivos. Aristóteles tinha razões para acreditar que a Terra era plana, e a Terra não é plana.


4. Esta teoria tripartida  tem objecções? Sim De que modo são colocadas as objecções? Através de exemplos que contrariam a definição. Casos concretos de Sujeitos com uma crença verdadeira e justificada mas que não podemos afirmar que tenham conhecimento.

o que pretendem demonstrar? Que podemos ter satisfeitas as três condições exigidas para ter conhecimento e mesmo assim não o ter, o que demonstra que a teoria tripartida está incompleta e necessitaria de outra condição (4ª) para poder ser válida para todos os casos, só que essa quarta condição (a relação de causalidade entre a justificação e a crença) também pode sofrer objecções.



5. “O relógio da igreja da tua terra é bastante fiável e costumas confiar nele para saber as horas. Esta manhã, quando vinhas para a escola, olhaste para o relógio e viste que ele marcava exactamente 8h e 20m. Por isso, formaste a crença de que eram 8h e 20m. O facto do relógio ter sido fiável no passado justifica a tua crença. Contudo, sem que o soubesses, o relógio tinha avariado no dia anterior exactamente quando marcava 8h e 20m.

O que prova este exemplo?
Prova que apesar de ter justificação para pensar que são oito e vinte devido ao relógio, sempre anteriormente fiável, apesar deste  facto ser verdadeiro, isto é, serem mesmo oito e vinte, há um saber que resulta de um acaso, o relógio ter parado exactamente na hora em que posteriormente o consultei. Como o conhecimento não pode ser por acaso, então não há conhecimento, apesar das condições necessárias estarem satisfeitas.


6. Todas as justificações são igualmente fiáveis?

Não, podemos ter justificações que julgamos fiáveis mas que não são, devido ao nosso estado cognitivo não permitir encontrar melhores justificações.


7. Poderemos ter uma boa justificação para uma crença falsa e não sabemos que a crença é falsa?

Dê um exemplo:

Durante anos acreditou-se que a lobotomia era a cura para as doenças mentais. Havia estudos que o legitimavam. Hoje essa prática foi desconsiderada por novos conhecimentos que provaram que a teoria que a explicava era falsa.



8. O contrário também se verifica? Poderemos não ter razões para acreditar numa crença verdadeira? Como?

Sim, por exemplo: Pode ser verdade que existem espíritos, mas não há boas razões para acreditar nisso.



9. O conhecimento  “a priori “ é independente da experiência para ser verdadeiro, é verdadeiro em virtude do cálculo, do pensamento ou da análise conceptual, é, por isso um conhecimento necessariamente verdadeiro.  O conhecimento “ a posteriori” depende da experiência para ser verdadeiro, acrescenta informação sobre o mundo, deste modo opera uma síntese entre os factos e o pensamento sobre eles, não é necessariamente verdadeiro mas contingente, isto é circunstancialmente verdadeiro.


10. Dê um exemplo de cada um: A priori: “ O casado não é solteiro” , “a posteriori” “ A ponte 25 de Abril situa-se em Lisboa”


sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

Para relatório Maria Proença e Luís Cardozo.

"CONHECER" 1,2,3




Três sentidos de “conhece”
Na linguagem vulgar, quando dizemos que alguém conhece algo podemos querer dizer coisas diferentes com “conhece”. Há diferentes sentidos de “conhecimento” ou, digamos, diferentes tipos de conhecimento. De entre estes, os mais significativos são (1) o conhecimento proposicional, (2) o conhecimento por contacto e (3) o "saber-fazer”. Comecemos pelo conhecimento proposicional.
O conhecimento proposicional é o conhecimento de factos ou de proposições verdadeiras. Consideremos os exemplos seguintes de conhecimento proposicional:
(1) O João sabe que César foi assassinado.
(2) O João sabe que o céu é azul.
Nestes exemplos, os objectos do conhecimento, ou aquilo que é conhecido, são, respectivamente, as proposições verdadeiras César foi assassinado e o céu é azul.
É importante distinguir entre frases e proposições. Considerem-se duas pessoas, o Paulo e o Pedro. Suponhamos que cada um deles está convencido de que o céu é azul. Só que o Paulo apenas sabe falar Português e o Pedro apenas Francês. Ao expressar a sua crença, o Paulo diria “O céu é azul.” e o Pedro “Le ciel est bleu.” Embora cada um deles expresse a sua crença através de uma frase diferente, acreditam ambos na mesma proposição. Do mesmo modo, uma vez que ambos sabem que o céu é azul, conhecem a mesma proposição.
Podemos pensar a crença como uma relação entre um sujeito e uma proposição. Se a proposição de que estamos convencidos é verdadeira, então a nossa crença é verdadeira e se a proposição de que estamos convencidos é falsa, então a nossa crença é falsa. Podemos também pensar o conhecimento proposicional como uma relação entre um sujeito e uma proposição. Mais precisamente, o conhecimento proposicional é uma relação entre um sujeito e uma proposição verdadeira.
O conhecimento proposicional não é a única espécie de conhecimento. Suponhamos, por exemplo, que alguém faz as afirmações seguintes:
(3) O João conhece o presidente dos Estados Unidos.
(4) O João conhece o Papa.
Podemos naturalmente pensar que estas afirmações implicam que o João conhece pessoalmente, quer o presidente dos Estados Unidos, quer o Papa. Podemos naturalmente pensar que (3) e (4) implicam que o João esteve na presença deles. Se realmente entendemos (3) e (4) deste modo, então estamos a atribuir ao João um conhecimento por contacto. Dizer que o João conhece alguém por contacto implica que o conhece pessoalmente ou que esteve na sua presença.
É necessário distinguir o conhecimento por contacto do conhecimento proposicional. É óbvio que podemos ter bastante conhecimento proposicional sobre alguém sem ter conhecimento por contacto dessa pessoa. Posso, por exemplo, ter bastante conhecimento proposicional sobre o presidente. Posso saber que ele nasceu nesta ou naquela data e que ele frequentou tal ou tal universidade. Posso saber muitas mais proposições verdadeiras semelhantes acerca dele. Porém, do facto de ter bastante conhecimento proposicional sobre o presidente não se segue que tenho dele conhecimento por contacto, visto que não o conheço pessoalmente nem estive alguma vez na sua presença.
Na linguagem vulgar, quando dizemos “A conhece B”, estamos por vezes a usar “conhece” no sentido proposicional, outras vezes no sentido do conhecimento por contacto. Suponha-se, por exemplo, que um detective diz estas palavras sinistras “Conheço este assassino. Ele vai matar outra vez - e brevemente.” O nosso detective não tem de ser entendido como querendo dizer que esteve realmente na presença do assassino ou que o conhece pessoalmente. Pode querer dizer simplesmente que sabe que o assassino é do tipo que brevemente atacará outra vez. Detém uma certa espécie de conhecimento proposicional acerca do assassino. Da mesma forma, se eu estou impressionado com o vasto conhecimento que o João tem sobre César, posso dizer “O João conhece realmente César.” É claro que estou a dar a entender que o João tem muito conhecimento proposicional sobre César e não que o João esteve na sua presença.
Além de pessoas, podemos conhecer coisas por contacto. Podemos, por exemplo, conhecer Paris ou o sabor da manga por contacto. Se temos esse tipo de conhecimento de Paris é porque lá estivemos; e se temos esse tipo de conhecimento do sabor da manga é porque provámos manga. Mais uma vez, é necessário distinguir o conhecimento deste tipo do conhecimento proposicional. Podemos ter muito conhecimento proposicional acerca de Paris, sabendo quais são os principais boulevards, quando foi fundada a cidade, sabendo onde se localizam vários pontos marcantes da cidade, sem ter o tipo de conhecimento que decorre de ter lá estado.
Consideremos ainda o "saber-fazer.” Por vezes, quando dizemos “A sabe fazer X” queremos dizer ou dar a entender que A tem aptidão para X. Noutros casos, porém, quando dizemos que “A sabe fazer X” não queremos dizer que A tem aptidão para X. Assim, há um sentido em que “saber fazer X” sugere termos aptidão para X e outro que não o sugere. De acordo com o primeiro sentido de "saber-fazer”
(5) O João sabe tocar uma sonata para piano.
implica
(6) O João tem aptidão para tocar uma sonata para piano.
Lembremos, porém, que há outro sentido de saber fazer X que não implica que se tenha aptidão para X. Para ter uma ideia deste segundo sentido, suponhamos que o João é um violinista talentoso que lê bem música, mas não é capaz de tocar piano. Imaginemos que ele tem um profundo conhecimento sobre como tocar uma certa sonata para piano; pode saber, por exemplo, que o indicador direito deve tocar tal nota e que o polegar direito uma outra, e assim por diante. Na verdade, o João seria capaz de descrever precisamente como tocar a peça, mesmo não sendo capaz, ele mesmo, de a tocar. Neste caso, podemos dizer que o João sabe tocar a sonata, embora não tenha aptidão para tocá-la. Neste sentido de “saber-fazer”, (5) não implica (6). Há, pois, um sentido de “saber fazer" algo que se resume simplesmente a ter conhecimento proposicional sobre como fazê-lo. O violinista João, por exemplo, tem bastante conhecimento proposicional sobre como tocar uma sonata para piano, mas noutro sentido de “saber-fazer” não sabe tocar uma sonata para piano, pois falta-lhe a aptidão para tal.
Como se ilustra pelos casos anteriores, podemos ter muito conhecimento proposicional sobre como fazer algo sem ter a aptidão para o fazer. Inversamente, podemos ter a aptidão para fazer algo sem ter muito conhecimento proposicional sobre o assunto. Para perceber esta situação, imaginemos um fisiólogo que tem muito conhecimento proposicional sobre como andar. Estudou o modo como precisamos de transferir peso de um pé para outro, como os joelhos se devem dobrar, que músculos trabalham, etc. O nosso perito pode ter um grande conhecimento proposicional sobre como andar. Consideremos agora a jovem Maria. A Maria tem dez meses e acabou de aprender a andar. Ela sabe andar, mas podemos facilmente imaginar que lhe falta o conhecimento proposicional do perito sobre o assunto. O conhecimento proposicional da Maria sobre como andar é provavelmente bastante fraco, se é que é algum.
Distinguimos o conhecimento proposicional, quer do conhecimento por contacto, quer do saber fazer algo. Tradicionalmente, os filósofos preocuparam-se mais com o conhecimento proposicional. Uma das razões disto é que os filósofos se preocupam tipicamente com o que é verdadeiro. Querem saber o que é verdadeiro e avaliar e apreciar as suas próprias pretensões de conhecimento da verdade, bem como as dos outros. Quando, por exemplo, os filósofos se interrogam sobre a extensão do nosso conhecimento, preocupam-se tipicamente com a extensão do nosso conhecimento proposicional, com o número de verdades que conhecemos. Quando um filósofo diz que sabe que há objetos externos e outro o nega, há um desacordo sobre a existência de um certo tipo de conhecimento proposicional; há desacordo sobre o conhecimento de um certo tipo de verdades . O conhecimento por contacto e o "saber-fazer” não estão “focados na verdade” como o conhecimento proposicional.
Noah Lemos, An Introduction to the Theory of Knowledge (Cambridge, 2007, pp. 2-5). Tradução de Carlos Marques.

1. Explique o título do texto.
2. Apresente as principais teses e argumentos.
3. Diga qual o problema ou problemas tratados.

Para o relatório de Ginger Vieira

NesNeste capítulo ocupar-nos-emos exclusivamente do conhecimento de coisas, do qual por seu turno teremos de distinguir dois tipos. 0 conhecimento de coisas, quando é do tipo a que chamamos conhecimento por contacto, é essencialmente mais simples do que qualquer conhecimento de verdades, e é logicamente independente do conhecimento de verdades, mas seria precipitado pressupor que os seres humanos alguma vez estão, de facto, em contacto com coisas sem ao mesmo tempo saber alguma verdade sobre elas. 0 conhecimento de coisas por descrição, pelo contrário, envolve sempre, como veremos (…) algum conhecimento de verdades como sua fonte e fundamento. Mas primeiro que tudo temos de clarificar o queremos dizer por “contacto” e o que queremos dizer por “descrição”.

Diremos que temos contacto com seja o que for do qual estamos directamente cientes, sem ser por intermédio de quaisquer processos de inferência on qualquer conhecimento de verdades. Assim, na presença da minha mesa tenho contacto com os dados dos sentidos que constituem a aparência da minha mesa - a sua cor, forma, lisura, etc.; tudo isto são coisas das quais tenho consciência imediata quando estou a ver e a tocar a minha mesa. Do tom particular de cor que estou a ver muitas coisas se podem dizer - posso dizer que é castanho, bastante escuro, e assim por diante. Mas tais afirmações, apesar de me fazerem saber verdades sobre a cor, não me fazem conhecer a cor em si melhor do que conhecia antes: no que respeita ao conhecimento da cor em si, ao contrário do conhecimento de verdades sobre ela, conheço a cor perfeita e completamente quando a vejo, e mais nenhum conhecimento de si própria é sequer teoricamente possível. Assim, os dados dos sentidos que constituem a aparência da minha mesa são coisas com as quais tenho contacto, coisas imediatamente conhecidas por mim exactamente como são.

0 meu conhecimento da mesa enquanto objecto físico, ao contrário, não é conhecimento directo. Embora limitado, é obtido por contacto com os dados dos sentidos que constituem a aparência da mesa. Vimos que é possível, sem absurdo, duvidar de que há de todo em todo uma mesa, ao passo que não é possível duvidar dos dados dos sentidos. 0 meu conhecimento é do tipo a que iremos chamar “conhecimento por descrição”. A mesa é o “objecto fisico que causa tais e tais dados dos sentidos”. Isto descreve a mesa por meio dos dados dos sentidos. Para saber seja o que for da mesa, temos de conhecer verdades que a liguem a coisas com as quais temos contacto: temos de saber que “tais e tais dados dos sentidos são causados por um objecto físico”. Não há qualquer estado mental no qual estejamos directamente cientes da mesa; todo o nosso conhecimento da mesa é na realidade conhecimento de verdades e, estritamente falando, a própria coisa que a mesa é não é de modo nenhum conhecida por nós. Conhecemos uma descrição, e sabemos que há apenas um objecto ao qual a descrição se aplica, apesar de o próprio objecto não ser directamente conhecido por nós. Em tal caso, dizemos que o nosso conhecimento do objecto é conhecimento por descrição.

Bertrand Russell, Os problemas da filosofia (Edições 70, 2008, págs. 107-109).
1. Isole as teses principais e os seus argumentos. 
2. Descreva o ato do conhecimento apresentado no texto.
3. Diga qual o problema ou problemas que aqui são tratados.

domingo, 28 de janeiro de 2018

MATRIZ PARA O 3ºTESTE DE FILOSOFIA - FEVEREIRO 2018

Foto: Dora Maar


A. Estrutura e Critérios de Avaliação 

Grupo I  - Questões de V e F  ou escolha múltipla 5x10 = 50 Pontos;
Grupo II  Texto com 4 perguntas- 4x25 pontos =100 Pontos; 
(A Resposta tem que ser estruturada. Evidenciar domínio dos conteúdos. Fundamentar bem as afirmações. Não ter erros científicos.)
Grupo III – Três questões de resposta curta. 2x20 +10 pontos = 50 Pontos


B. Conteúdos.
(Apenas 11G)
1. Lógica formal: principais argumentos dedutivos: silogismos, Modus Ponens e Modus Tollens, Condicionais e disjunções. Falácias formais.

(comum)
2. O domínio do discurso argumentativo - a procura de adesão do auditório.
a. Distinção entre Demonstração e Argumentação.
b. A retórica como arte da persuasão: o orador, o discurso e o auditório (Ethos, Logos e Pathos)
c. Principais argumentos informais: Indutivos, por Analogia e de Autoridade qualificada.
d. Principais falácias informais: Petição de princípio, ad verecundiam, ad hominem,ad ignorantiam, bola de neve (reação em cadeia), generalização apressada, boneco de palha, falso dilema.
e.  A crítica de Platão à Retórica. Argumentação de Górgias e de Sócrates. Os sofistas. Contexto e situação política e filosófica.
f. Persuasão e manipulação - os dois usos da retórica.
g. Argumentação, verdade e ser: Os dois usos da argumentação -  retórica e dialética.

(Apenas 11B)
3. O conhecimento e a racionalidade científica e tecnológica.
a. As questões da epistemologia. 
b. Conhecimento a priori e a posteriori
c. Tipos de conhecimento.

d. Em que consiste a descrição fenomenológica do conhecimento

e. A definição clássica de conhecimento: A teoria da Crença Verdadeira e Justificada.
f. Objeções a esta teoria. Os contraexemplos de Gettier.

C. Competências
1. Dominar os conhecimentos exigidos.
2. Compreender as várias teorias e definições. 
3. Expor de forma clara e objetiva o pensamento. 
4. Definir com rigor os conceitos filosóficos. 
5. Usar os conceitos de forma correta.
6. Justificar com razões fortes as afirmações proferidas. 
7. Aplicar corretamente os conhecimentos teóricos em situações diferentes.
8. Escrever com correção.


terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Aos meus alunos do 11º B

Olá a todos, espero que leiam o que estou aqui a escrever. Não tenho podido ir dar aulas porque tenho uma síndrome de vertigens periféricas que me impossibilita andar ou estar de pé. A recuperação é lenta de modo que não sei se na próxima quinta-feira poderei dar aulas, o mais certo é não poder ir. Dado que têm os trabalhos para fazer, sugeria que na aula de quinta, levassem as fotocópias com os textos de Hume e Descartes e tentassem fazer o resumo do texto. No final da aula enviam-me por correio eletrónico (a computador) que eu vejo e faço as correções necessárias, enviando-vos de novo. O trabalho fica parcialmente feito.
Se tiverem dúvidas contactem-me para o correio eletrónico logosferas@gmail.com.

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Os sofistas. Quem eram?Para os meus alunos do 11G realizarem a ficha e entregarem segunda. Obrigada.


 

FICHA Formativa – ARGUMENTAÇÃO E FILOSOFIA – Os Sofistas

Grupo 1 

A partir da informação contida no texto seguinte, enuncie algumas das caraterísticas que permitem distinguir a democracia ateniense do séc. V a. C. do regime democrático em vigor no nosso país.

«Os dias mais gloriosos da Grécia Antiga tiveram lugar no século V a. C. , ao longo de 50anos de paz entre dois períodos de guerra. O século começara com guerras entre a Grécia e a Pérsia e terminaria com uma guerra entre as cidades-estado da própria Grécia. No período intermédio floresceu a grandiosa civilização de Atenas. A Jónia, onde tinha surgido os primeiros filósofos, estivera sobre o domínio persa desde meados do século VI. Em 499, os gregos da Jónia rebelaram-se contra o rei persa, Dario. Depois de esmagar a revolta, Dario invadiu a Grécia para castigar os que tinham ajudado os rebeldes a partir da metrópole. Uma força militar constituída sobretudo por atenienses derrotou o exército invasor em Maratona, em 490. Xerxes, filho de Dario enviou uma expedição mais numerosa em 483, derrotando um corajoso batalhão de espartanos nas Termópilas e forçando os atenienses a fugir da sua cidade. Mas a sua armada foi derrotada perto da ilha de Salamina por uma marinha grega unificada, e uma vitória grega em terra, em Plateias, em 479, pôs fim à invasão. Depois das invasões, Atenas assumiu a liderança dos aliados gregos. Foram os atenienses que libertaram os gregos da Jónia, e era Atenas, apoiada por contribuições de outras cidades, que controlava a armada que assegurava a liberdade dos mares Egeu e Jónio. Aquilo que começara como uma federação deu origem a um Império Ateniense. Internamente, Atenas era uma democracia, o primeiro exemplo fidedigno dessa forma de organização política. “Democracia” é, em grego, a palavra que significa o governo do povo; e a democracia ateniense era um exemplo fiel de um tal regime. Atenas não era uma democracia moderna, na qual os cidadãos elegem representantes que formam um governo. Em vez disso, cada cidadão tinha o direito de participar em pessoa no governo, comparecendo numa assembleia geral onde podia ouvir os discursos dos líderes políticos e depois dar o seu voto. Para se ver o que isto significava em termos atuais, imagine-se que os membros do governo e da oposição falavam na televisão durante duas horas, após oque era apresentada uma moção e tomada uma decisão com base nos votos fornecidos por cada espectador ao premir o botão do “sim”, ou o botão do “não” no televisor. Para tornar o paralelo rigoroso, teria de acrescentar-se que apenas os cidadãos do sexo masculino com mais de 20 anos seria permitido premir o botão mas não às mulheres, nem às crianças, escravos ou estrangeiros. Os poderes judicial e legislativo eram, em Atenas, atribuídos por sorteio a membros da assembleia com mais de 30 anos; as leis eram aprovadas por um painel de mil cidadãos, escolhidos apenas por um dia; e os julgamentos mais importantes realizavam-se perante um júri de 501 cidadãos.»

Anthony Kenny,História concisa da Filosofia ocidental , Edições Temas e Debates, Lisboa, 1999, págs. 40-41

Grupo 2 
Texto 1

Dos escritos originais dos sofistas chegaram até nós poucos fragmentos. Eis alguns deles:

“Nunca me falta assunto num discurso.” 

 “A palavra é um poderoso tirano, capaz de realizar as obras mais divinas, apesar de ser o mais pequeno e invisível dos corpos. Com efeito, é capaz de apaziguar o medo e eliminar a dor, de produzir a alegria e excitar a compaixão.” Górgias

“[Os sofistas] são intermédios entre filósofos e políticos.” Pródico

Texto 2

«Os sofistas eram professores itinerantes que andavam de cidade em cidade oferecendo instrução especializada sobre vários temas. Uma vez que cobravam a transmissão dos seus conhecimentos, poderiam ser considerados os primeiros filósofos profissionais, não fosse o facto de ofereceram instrução e serviços numa área muito mais vasta do que a filosofia mesmo no seu sentido mais lato. O mais versátil destes, Hípias de Élis, arrogava-se ser conhecedor de matemática, astronomia, música, história (…), assim como detentor de competências práticas como as de alfaiate e sapateiro (…).Fizeram bom negócio na Atenas de meados do séc. V a. C., onde os jovens que tinham de se apresentar perante os tribunais ou desejavam fazer carreira política estavam dispostos a pagar quantias substanciais pela sua instrução e orientação. Os sofistas fizeram um estudo sistemático do debate forense e da persuasão retórica. Graças a este interesse escreveram sobre variados temas. Começaram com a gramática básica: Protágoras foi o primeiro a distinguir os géneros dos nomes e os tempos verbais (…). Depois listaram técnicas de argumentação e truques de advocacia (…) Proferiram ainda palestras públicas, fizeram exibições (…). Tomando tudo em consideração, os seus papéis englobavam aqueles que, na sociedade moderna, são desempenhados pelos assessores, advogados, profissionais de relações públicas e personalidades dos meios de comunicação social. Protágoras parece ter estado preparado para argumentar de ambos os lados de qualquer questão e gabou-se de conseguir sempre transformar o pior argumento no melhor.»

 Anthony Kenny, Filosofia Antiga , Edições Gradiva, Lisboa, 2010, págs. 46-47.

 1.

 A partir da análise dos textos anteriores, responda às questões formuladas  a propósito dos sofistas

.1.1. Em que período histórico viveram?

1.2. Quem eram?

1.3. O que faziam?

1.4. Qual foi a sua importância para a criação do regime democrático na Gréciado séc. V a. C. ?

1.5. Para eles a verdade existe? Porquê?

1.6. Utilizavam a retórica de uma forma ética ou não ética? Justifique.

                        Grupo 3

 Texto 1 “O homem é a medida de todas as coisas” 

(…).

 Na sua interpretação mais provável, isto significa que aquilo que, seja pela perceção seja pelo pensamento, parece a uma determinada pessoa ser verdade, é verdade para essa pessoa. Isto acaba com a verdade objetiva: nada pode ser absolutamente verdadeiro, mas apenas relativamente a um indivíduo. Quando as pessoas têm crenças contraditórias, não é verdade que uma delas tem razão e outra não. Demócrito, e depois Platão, objetaram que a doutrina de Protágoras se autodestruía pois se todas crenças são verdadeiras, então entre elas está a crença de que nem todas as crenças são verdadeiras.»

 Anthony Kenny, História concisa da Filosofia ocidental , Edições Temas e Debates, Lisboa, 1999, págs. 44-45.

 Texto 2

«O sofista da Grécia antiga, Protágoras, é visto como a principal fonte do relativismo (…). “O homem é a medida de todas as coisas”, diz. A sua posição é que a verdade o é para alguém. Não existe nenhuma verdade e ponto final. Uma resposta rápida (e correta) é questionar o status da afirmação de Protágoras tal como devíamos questionar qualquer afirmação que defenda o relativismo. “Todas as verdades são relativas”. Isso é relativo ou não? Se não for, então é uma auto refutação, por isso devíamos rejeitá-la. Se for, devíamos responder: “Isso está tudo muito certo, senhor Protágoras, mas porque haveríamos de ter em conta o que diz? Afinal, o senhor está apenas a falar de como as coisas lhe parecem a si, não como elas são”.  O senhor Protágoras bate com os pés e grita: “Mas eu sou o grande Protágoras que pensou nestas coisas e viu…” Aqui hesita –o que tem de dizer para nos influenciar não consegue dizê-lo com consistência, pois tem de dizer que os seus argumentos são melhores do que os dos outros e não é assim apenas relativamente a si. Tem de dizer que viu… ahm… ahm a verdade. Ponto final.»

Peter Cave, Duas vidas valem mais do que uma? , Academia do livro, Lisboa, 2008, pág. 88-89.

1. A partir da análise dos dois textos anteriores, responda às seguintes questões:

1.1. Esclareça o significado da afirmação:

“O homem é a medida de todas as coisas” 

1.2. Para os relativistas, a verdade existe?

1.3. Qual é a tese defendida pelos relativistas em relação à moral?

1.4. Uma das críticas de Platão ao relativismo é que “a doutrina de Protágoras se autodestruía”. Explique porquê.

Grupo 4 

«(…) é mesmo o filósofo que vos fala, aquele que ama o saber, e não um desses homens sem sombra de cultura, que amam apenas o triunfo das suas teses! Refiro-me aos que, em qualquer tipo de discussão, relegam para segundo plano a natureza real das questões a tratar, e se empenham exclusivamente em convencer os seus ouvintes das opiniões que eles mesmos sustentam (…). Se querem um conselho, preocupem-se pouco com Sócrates e muito mais com a verdade! Se vos parecer que o que eu digo é verdadeiro, pois dêem-me razão; caso contrário , apresentem-me tudo o que têm a objetar.»

Platão, Fédon, 5ª edição, Lisboa Editora, 1997, págs. 87-88.

1. A partir da análise do texto anterior, responda às seguintes questões:

1.1. Como é que se pode diferenciar, segundo Platão, o sofista do filósofo?

1.2. A verdade para Platão é relativa? Porquê?

1.3. Qual é, na perspetiva platónica, a relação entre a argumentação e a verdade?

1.4. De acordo com Platão, a retórica (entendida como a arte da utilização da linguagem para persuadir) deverá estar ao serviço de quê?





domingo, 7 de janeiro de 2018

Trabalho de grupo sobre dois Filósofos: René Descartes e David Hume

As Obras de leitura obrigatória:




René Descartes: Discurso do Método (Clique na hiperligação para aceder ao texto)

David Hume: Investigação sobre o Entendimento Humano (Clique na hiperligação para aceder ao texto)


Guião para a realização do trabalho.
1. Capítulos a analisar:

INVESTIGAÇÃO E OBJECTIVOS:

1. Além dos capítulos referidos da obra dos autores leia também obras de História da Filosofia.
2. Resuma cada um dos capítulos. Os temas, as teses, os argumentos, os conceitos fundamentais.

3. Responda às questões colocadas.
4. Elabore uma definição de todos os conceitos chave.
5. Contextualize a obra na época: principais opositores, cultura da época.
6. Coloque em evidência as ideias do autor e a sua importância para a história da Filosofia.
7. Elabore uma pequena biografia sobre o autor e dos autores citados

8. No final tente compreender e enunciar os problemas filosóficos que tratou no seu trabalho.


AVALIAÇÂO:

Escrito: (30%)



Compreensão e análise correcta do texto, resumo em 3 páginas
Resposta correcta às questões em 2 páginas


Oral: (70%)
Domínio dos conteúdos - Cada aluno deverá falar (sem ler) no mínimo 5 m sobre o tema 
Interesse filosófico da exposição oral, boa colocação dos problemas e resposta adequada e fundamentada aos mesmos.
Linguagem correta.
Dinâmica de grupo
Originalidade do diapositivo


Logística:



Grupo de trabalho – 2/3 alunos
Sete grupos .
Apresentação por escrito – 5 páginas (Espaçamento 1,5 letra 11)
Apresentação oral: 20m

Data de entrega do trabalho por escrito, (impresso em papel): 29 de Janeiro - TODOS OS GRUPOS

Leituras e questões por Grupo:
GRUPO 1
OBRA : DESCARTES "O DISCURSO DO MÉTODO" - 1ª Parte 

1. Quem e o quê critica Descartes no primeiro capítulo? Porquê?
2. Que se propõe fazer para atingir um conhecimento certo?
3. Qual o contexto filosófico/cultural e científico que motivou Descartes a escrever o Discurso do Método?
4. Qual os temas tratados no 1º Capítulo de “O Discurso do Método” Explique.


GRUPO 2
OBRA : DESCARTES "O DISCURSO DO MÉTODO" - 2ª Parte
 

1. Que tarefa se propõe Descartes levar a cabo? Porquê e para quê?
2. Quais as regras do método que Descartes propõe? (2ºCap)
3. Qual a importância do método na procura do conhecimento?
4. Que modelo científico serve de inspiração à Filosofia cartesiana

5. Que argumento é utilizado para justificar essa tarefa


GRUPO 3

Obra: DESCARTES - 4ª Parte de “ O Discurso do Método” 
1. No quarto capítulo Descartes conclui que há três ideias que são indubitáveis (certas). Quais são?
2. O que são ideias indubitáveis e como chega Descartes a essas ideias?
3. Como prova Descartes a existência de Deus?
4. Qual a relação alma corpo?

GRUPO 4
Obra: HUME "Investigação sobre o entendimento humano" Sessão II, III, 

1. Qual a diferença entre sensações/impressões e ideias?
2. Como se constituem as ideias?
3. Qual o argumento utilizado para defender que todo o conhecimento começa com as impressões?
4. Como se realizam as associações de ideias?


GRUPO 5

Obra: HUME " Investigação sobre o entendimento Humano" Sessão IV 
1. Qual a origem de todo o conhecimento? Porquê?
2. Que diferentes conhecimentos podem existir?
3. Que se entende por causalidade ou causação? Qual a sua utilidade?
4. Quais os dois tipos de raciocínios? Em que consistem?


GRUPO 6
Obra: HUME "Investigação sobre o Entendimento Humano" Sessão  VII

1.O que são acontecimentos contingentes?
2. Qual o tema da Sessão  7? Explique.
3. Existe uma conexão necessária entre dois fenómenos da natureza?
4. Como explica Hume a relação de causa/efeito?


Grupo 7
Leitura do manual adoptado - das páginas 143 à 169
 

1. Qual a resposta cartesiana ao cepticismo (argumentos)?
2. Será Descartes céptico? Porquê
3. Indique um argumento para refutar a filosofia cartesiana.

4. De que modo Hume responde a Descartes?
5.Relacione estas duas perspectivas sobre o conhecimento: o Empirismo e o Racionalismo: Descartes e Hume



Apresentações orais:
Grupo 1,2 e 3– 29 Janeiro
 Grupos 4 e 5- 26 e 1 de Fevereiro
Grupo 6 e 7 – 5 de Fevereiro




BOM TRABALHO!


sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

Identificação de falácias. Trabalho para realizar em casa.




Ficha de exercícios – Lógica informal. Avaliação de argumentos.





I - Identifique as seguintes falácias. Justifique.



1.       Os melhores filósofos nunca conseguiram provar
que existe uma alma independente do corpo, logo, a alma não existe.



2.       Nunca deves jogar. Uma vez que comeces a jogar verás que é difícil deixar o jogo. Em breve estarás a deixar todo o teu dinheiro no jogo e, inclusivamente, pode acontecer que te vires para o crime para suportar as tuas despesas e pagar as dívidas.



3.       Florbela Espanca era uma mulher adúltera logo a sua obra não tem qualquer valor artístico.



4.       Sabemos que Deus existe, porque a Bíblia o diz. E o que a Bíblia diz deve ser verdadeiro, dado que foi escrita por Deus e Deus não mente.



5.       João: Nós deveríamos ter leis menos rígidas em relação à legislação sobre o tabaco; Joana: Não, estás a dizer que todos deviam suportar a loucura suicida dos fumadores, estás a defender o caos.



6.       Ou usas os bens que o capitalismo te disponibilizou e tens de defender o capitalismo ou, se és contra, vais viver sozinho para a montanha e alimentas-te de ervas.



7.       O grande psicanalista Freud fumava, então o fumo deve ser bom.



8.       Os alunos do 11ºG leem bastante e são jovens, logo, no presente, os jovens leem mais.