terça-feira, 6 de janeiro de 2026

Texto para resumo Madalena Gomes 11E

Outro argumento que Hume atacou foi o dos milagres. A maioria das religiões afirma que milagres acontecem. Pessoas são ressuscitadas dos mortos, andam sobre a água ou curam doenças de forma repentina; imagens começam a chorar, e a lista continua. Mas deveríamos acreditar que milagres acontecem só porque nos disseram que acontecem? Hume pensava que não. Ele era profundamente cético quanto a essa ideia. Se alguém nos diz que um homem recuperou por milagre de uma doença, o que isso significa? Para que algo fosse um milagre, pensava Hume, era preciso desafiar uma lei da natureza. Uma lei da natureza era algo do tipo

“Ninguém morre e depois retoma à vida”, “Estátuas jamais conversam” ou “Ninguém pode andar sobre a água”. Há uma quantidade enorme de evidências de que essas leis da natureza são válidas. Contudo, se alguém testemunha um milagre, por que motivo deveríamos acreditar nele? Pense no que diria se um amigo entrasse correndo agora pela sala e dissesse que viu alguém a caminhar sobre a água.

Hume acreditava que sempre havia explicações mais plausíveis sobre o que acontecia. Se o

seu amigo disse que viu alguém caminhando sobre a água, é sempre mais provável que ele esteja a ser enganado ou que tenha se equivocado do que ter testemunhado um milagre genuíno. (…)

Embora tenha criticado sistematicamente os argumentos usados pelos crentes religiosos,

Hume nunca declarou abertamente que era ateu. Talvez não tenha sido. As suas obras publicadas podem ser lidas como se afirmassem a existência de uma inteligência divina por trás de cada coisa no universo, só que jamais podemos dizer muito sobre as qualidades dessa inteligência divina. Os poderes da razão, quando usados logicamente, de fato não dizem muito sobre as qualidades que esse “Deus” deve ter. Baseados nisso, alguns filósofos pensam que ele eram agnóstico. Mas é provável que tenha sido ateu no final da vida, embora tivesse desistido de sê-lo bem antes disso. Quando estava a morrer e um amigo foi visitá-lo em Edimburgo no verão de 1776, Hume deixou claro que não teriam uma conversa de leito de morte. Longe disso. James Boswell, cristão, perguntou a Hume se ele estava preocupado com o que aconteceria depois da sua morte. Hume disse que não tinha nenhuma esperança de sobreviver à morte.

 

NIGEL WARBURTON, UMA BREVE HISTÓRIA DA FILOSOFIA 

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