sábado, 14 de maio de 2022

Matriz para o 4º teste sumativo. Maio 2022



  1. Competências específicas da Filosofia da ciência:


  • Distinguir os conceitos do senso comum e conhecimento científico.

  • Definir os conceitos principais das teorias de Popper e Kuhn.

  • ( Estas competências saem apenas na escolha múltipla)


  1. Competências específicas de Filosofia da Religião:


  • Definir as posições teístas, agnósticas, ateístas, gnósticas e deístas sobre a existência de Deus.

  • Enunciar os argumentos e objeções das provas ontológica, cosmológica e do desígnio (teleológica) sobre a existência de Deus.

  • Explicar o fideísmo enquanto posição filosófica.

  • Explicitar o conceito de "Paradoxo" e "Cavaleiro da fé" na teoria de Kierkegaard.

  • Relacionar o fideísmo radical e moderado.

  • Enunciar o conteúdo da "aposta de Pascal".

  • Problematizar as teorias de Kierkegaard e Pascal. (objeções)

  • Formular o problema do Mal.

  • Formular os argumentos e as teses de Leibniz como resposta ao problema do Mal.

  • Colocar objeções à teoria de Leibniz.(Problematizar)


  1. Competências específicas de Filosofia da Arte:


  • Identificar as teses das diferentes teorias sobre a arte.

  • Definir os principais conceitos relacionados com as teorias sobre a arte.

  • Explicar as vantagens e desvantagens das várias teorias sobre a arte.


Estrutura:


CONCETUALIZAÇÃO: 10 perguntas de escolha múltipla (10x20 = 200 pontos);

ARGUMENTAÇÃO: 3 perguntas de explicação, justificação, argumentação, relação. (60+70+70 = 200 Pontos);

PROBLEMATIZAÇÃO: 3 perguntas de formulação e explicitação de problemas, de discussão de teorias e ideias de colocação de objeções às teorias. (60+70+70=200 Pontos)


Critérios de avaliação:


  • Mobilizar os conhecimentos adequados.

  • Saber fundamentar uma posição com bons argumentos.

  • Utilizar conceitos filosóficos.

  • Avaliar com rigor as teorias filosóficas.

  • Dominar as teorias filosóficas.

  • Analisar logicamente um texto.

  • Saber discutir os argumentos apresentados pelos filósofos.

  • Articular de forma clara as ideias.

sábado, 7 de maio de 2022

quinta-feira, 5 de maio de 2022

Texto para resumo Inês Pessoa 11E


1. Aprese
.ntação do autor (Kierkegaard) -Biografia

2. Breve resumo do assunto e da problemática que o texto trata.
3. Salientar o problema ou problemas levantados.
4. Esclarecer a resposta a esses problemas e os argumentos que a defendem
5. Análise crítica.

6. Conclusão

Um salto no escuro

Segundo Soren Kierkegaard, a religião não é um sistema filosófico, e por isso não deveríamos avaliar a fé religiosa de maneira filosófica. A verdadeira fé caracteriza-se por um  compromisso apaixonado; a crença formada “objetivamente”, portanto, pode não ter impacto na nossa vida.
A fé não é só questão daquilo em que acreditamos, mas de como acreditamos. O compromisso que a caracteriza requer uma decisão – um “salto” no desconhecido. Não é um ato intelectual. Na verdade, esse salto requer incerteza objetiva. Embora descreva a fé como “incompreensível”, Kierkegaard afirma também que a razão – caso ela reconheça seus limites – pode ajudar a entender o compromisso que assumimos na fé. Ele observou que “não podemos acreditar no absurdo contra o entendimento, porque o entendimento perceberá argutamente que isso é absurdo e impedir-nos-á de acreditarmos nele”.
Em outras palavras, a fé religiosa é incompreensível por estar além dos limites da razão. Mas a razão é capaz de reconhecer que tem limites, e também que a fé poderia se situar legitimamente fora deles. Para chegar à fé, temos de dar o salto. Se a fé fosse inteiramente insensata, diz Kierkegaard, isso inibiria a nossa capacidade de saltar. Mas ela não o é. Há um risco envolvido em dar o salto, mas ele não é inteiramente irracional.

O equilíbrio das evidências

Kierkegaard e William James consideram a razão limitada: há questões que ela não pode responder. A razão pode reconhecer os seus limites e ver que a fé pode justificar-se quando a primeira é limitada. Nenhum dos dois rejeita a razão per se, mas a ideia de que ela pode decidir em todas as questões de verdade, e repudiam a ideia de que todas as crenças se deveriam  basear apenas nas evidências disponíveis.
Mas é verdade que razão e as evidências são incapazes de resolver a questão da existência de Deus? Para muitos filósofos, o problema do mal [se Deus é descrito como perfeitamente bom, omnipotente e omnisciente, porque existe o mal?] fornece um argumento racional esmagador contra a existência de Deus (embora admitindo, claro, que a razão tem os seus limites). E se a fé não vai além da razão, eles acreditam também que a defesa de um Deus todo-poderoso e todo-misericordioso é fraca.
Kierkegaard e James crêem que, como a fé não é insensata, um salto de fé pode ser dado. Eles supõem que a crença em Deus não é insensata como a crença em fadas e duendes, por exemplo. Mas talvez estejam errados. Talvez a fé seja muito insensata. Em face das objeções que parecem mostrar que a crença em Deus é claramente irracional, cabe a quem insiste no contrário apresentar argumentos que sustentem essa modesta posição. Repetir que a crença exige um salto de fé não resolve esse problema.

Os limites da razão

Basear a crença na razão e nas evidências seria assim tão simples? Considere essas possibilidades:
1. Que acreditar em Deus seja tão racional quanto não acreditar (as evidências em ambos os casos  equilibram-se com exatidão).
2. Que não podemos saber como as evidências se equilibram.
3. Que a nossa crença precisa ser mais segura do que as evidências o permitem (em qualquer sentido), de modo que deveríamos considerar também outras questões.
Para alguns fideístas (...) a razão não pode decidir se devemos crer em Deus, mas isso não significa que não tenhamos nenhuma razão para crer.

terça-feira, 26 de abril de 2022

Temas para o trabalho de cidadania e para avaliação da oralidade

 Tema genérico:  Direitos humanos/ciência e novas tecnologias


Calendário das apresentações: 
Tema 1 - 21 de Abril/ 
Tema 2 e 3 - 28 Abril/ 
Tema 4 -2 Maio/ 
Tema 5 - 5 Maio/ 
Tema 6 -9 Maio/
Tema 7 - 12 Maio/
Tema 8 - 16 maio/
 Tema 9 e 10 - 26 Maio/
Tema 11 e 12 - 30 Maio


Critérios de avaliação do trabalho:
Classificação de 0 a 20 valores
Avaliação individual para PICD
Avaliação para a oralidade de Filosofia
1. Profundidade da Investigação e informação.
2. Capacidade para problematizar o tema.
3. Boa articulação do discurso (sem ler). Trabalhos lidos não são avaliados.
4. Originalidade no tratamento do tema e no diapositivo.



Grupos de dois alunos.

Cada grupo escolhe um tema/problema para apresentar oralmente em aula. 

Tempo: 15m da aula - Apresentação oral

Avaliação oralidade 10% na avaliação final da disciplina de Filosofia

Entrega de um ensaio argumentativo que faça uma reflexão sobre o problema proposto. 2 páginas. 

Avaliação para PICD


Temas:

1.       Inteligência artificial: Como pode a inteligência artificial modificar as relações humanas?

2.       Inteligência artificial: Como aplicar a AI na criação de melhores condições de trabalho?

3.       História e problemas da AI. Quais os problemas e vantagens da AI?

4.       Eutanásia e direito à vida. A eutanásia defende o direito à vida ou destrói esse direito?

5.       Clonagem: Quais as vantagens e os problemas criados pela possibilidade de clonagem?

6.       Clonagem: Poderá a clonagem pôr em risco a singularidade humana?

7.       Inseminação artificial. História, problemas e vantagens. Haverá limites éticos para a inseminação artificial?

8.       Inseminação artificial e novas famílias. Quais os novos modelos de família agora possíveis?

9.       Segurança e controle informático. Poderá o nosso direito à privacidade estar em risco?

10.   Relações virtuais: Poderá haver amor virtual?

11.   A arte e as novas tecnologias. Poderá o artista ser substituído por um computador?

12.   A religião e a ciência. Teremos ainda alguma necessidade da religião na era tecnológica e científica?

 

sexta-feira, 22 de abril de 2022

Texto para resumo Carla Lima 11B


O argumento ontológico e o conceito anselmiano de Deus

Santo Anselmo estava convencido de que, se aceitássemos apenas três premissas, estaríamos obrigados a aceitar a existência de Deus mediante uma reductio ad absurdum.3 Vejamos, então, quais são estas premissas:

  1. Deus existe no pensamento.
  2. Deus é um ser possível.
  3. Se algo existe no pensamento e podia existir na realidade, então podia ser maior do que é.

De início, precisamos examinar cada premissa em particular; posteriormente, apresentaremos o argumento como um todo. Não é surpreendente aqui o fato de haver conceitos ainda inexplicados. Portanto, convém elucidar a respeito de algumas noções importantes, tal como o conceito anselmiano de Deus. Que entende Anselmo sobre isto? O filósofo medieval define Deus como o ser maior do que o qual nenhum outro é pensado (ens quo maius cogitari nequit). No entanto, seguindo Rowe, é mais fácil compreender esta definição de Anselmo se fizermos uma ligeira alteração. Ao invés de utilizarmos a palavra “pensado”, entenderemos a expressão como “o ser maior do que o qual nenhum outro é possível”. Como afirma Rowe, “esta idéia diz que se um determinado ser é Deus, então nenhum ser possível pode ser maior que aquele” (Rowe, p. 44). Para tornar esta concepção mais clara, vejamos algumas propriedades comumente atribuídas ao Deus teísta. Ao afirmarmos ser Deus o maior de todos os seres possíveis, atribuímos-lhe as seguintes propriedades essenciais: onipotência, onisciência, suma bondade, eternidade, distância e independência do mundo e, finalmente, auto-existência. Destas propriedades essenciais acima elencadas destacaremos apenas alguns aspectos.

Onipotência é um conceito fundamental na concepção teísta. Dizer que Deus é onipotente significa afirmar que Deus pode fazer tudo aquilo no qual não envolva contradição nos termos (por exemplo, Deus não pode fazer um quadrado redondo), ademais, não pode fazer aquilo que seja contrário às suas propriedades essenciais (por exemplo, se Deus é sumamente bom, então não pode praticar o mal). O conceito de onisciência cumpre também um papel fundamental nesta concepção. Afirmar que Deus é onisciente significa dizer que Deus é infinitamente sábio (por exemplo, não possui limitações cognitivas como os seres humanos). Ser sumamente bom é praticar tão somente atos morais e a impossibilidade de praticar qualquer ato imoral (ou seja, as ações de Deus, moralmente falando, são as melhores possíveis). Ser eterno, distante e independente do mundo implica transcender as leis da física (por exemplo, Deus não está sujeito às leis do espaço e tampouco às leis do tempo; logo, pode ocupar dois lugares no espaço ao mesmo tempo e, além disso, estar presente em qualquer tempo — passado, presente e futuro. Por ser eterno, sempre existiu e jamais perecerá. Por ser auto-existente, não necessita da atividade causal de outros seres para existir (por exemplo, a existência da mesa depende da existência do marceneiro; Deus, ao contrário, basta-se a si mesmo).

Tais propriedades caracterizam seguramente a grandiosidade de Deus. É acaso possível haver ser maior? A grandiosidade de que fala Anselmo não é a grandeza física. Não se trata, por exemplo, de um grande prédio ou de um grande navio. Trata-se, antes, de um ser mais elevado e melhor, nomeadamente em termos cognitivos e morais.

Em termos cognitivos, pois é inegável a limitação cognitiva dos seres humanos. Mas Deus é onisciente, e por isso superior aos homens; ou seja, Deus certamente conhece tudo o que pode ser conhecido mas nós não conhecemos. Portanto, Deus supera os seres humanos, bem como os demais seres, em capacidades cognitivas.

 Em termos morais, Deus também é maior do que os seres humanos; a sua suma bondade contribui para a sua grandiosidade. Pelo fato de ser sumamente bom, Deus não pode praticar o mal (ao contrário de nós, que somos suficientemente não sagrados para cometermos o mal).

Em suma, se elencarmos ponto a ponto as propriedades atribuídas ao Deus teísta que Anselmo tem em mente, veremos que se trata do melhor ser possível, e também o mais elevado. Trata-se portanto do ser maior do que o qual nenhum outro é possível, tal como definira Anselmo.

 Pedro Merlussi Retirado DAQUI

quinta-feira, 17 de março de 2022

Texto para resumo Vicente 11A


Quadro: Albert Bierstadt, Tempestade na montanha 


“É natural que procuremos encontrar um padrão do gosto, uma regra capaz de conciliar as várias opiniões dos homens; ou pelo menos uma decisão reconhecida, aprovando uma opinião e condenando outra.

Há uma espécie de filosofia que condena qualquer esperança de sucesso nessa tentativa, concluindo pela impossibilidade de vir jamais a atingir qualquer padrão de gosto. Diz ela que há uma diferença muito grande entre o juízo e o sentimento. O sentimento está sempre certo –porque o sentimento não tem outro referente senão ele mesmo e é sempre real, quando alguém tem consciência dele. Mas nem todas as determinações do entendimento são certas, porque têm como referente algumas coisas para além delas mesmas, a saber, os factos reais e nem sempre são conformes a esse padrão. Entre mil e uma opiniões que pessoas diferentes podem ter a respeito do mesmo assunto, há uma e apenas uma que é justa e verdadeira e a única dificuldade é encontrá-la e confirmá-la. Pelo contrário, os mil e um sentimentos despertados pelo mesmo objeto são todos certos, porque nenhum sentimento representa o que realmente está no objeto. Ele limita-se a observar uma certa conformidade ou relação entre o objeto e os órgãos ou faculdades do espírito e, se essa conformidade realmente não existisse, o sentimento jamais poderia ter ocorrido. A beleza não é uma qualidade das próprias coisas, existe apenas no espírito que a contempla e cada espírito percebe uma beleza diferente. É possível até uma pessoa encontrar deformidade onde uma outra vê apenas beleza e qualquer indivíduo deve concordar com o seu próprio sentimento, sem ter a pretensão de regular o dos outros. Procurar estabelecer uma beleza real ou uma deformidade real é uma investigação tão infrutífera como procurar uma doçura real ou um amargor real. Conforme a disposição dos órgãos do corpo, o mesmo objeto tanto pode ser doce ou amargo e o provérbio popular afirma, com muita razão, que gostos não se discutem. É muito natural e mesmo absolutamente necessário aplicar este axioma ao gosto mental, além do gosto corpóreo e assim o senso comum, que tão frequentemente diverge da filosofia, neste caso, está de acordo com esta decisão.

David Hume, Do padrão de gosto

terça-feira, 15 de março de 2022

Texto para análise/resumo Tiago Gonçalves 11A

 


Mark Rothko "Red, Orange, Tan, and Purple", 1949 .

O mesmo Homero que agradava a Atenas e Roma há dois mil anos é ainda admirado em Paris e Londres. Todas as diferenças de clima, governo, religião e linguagem foram incapazes de obscurecer a sua glória. A autoridade ou o preconceito são capazes de dar uma voga temporária a um mau poeta ou orador, mas a sua reputação jamais poderá ser duradoura ou geral. Quando as suas composições forem examinadas pela posteridade ou por estrangeiros, o encanto será dissipado e os seus defeitos aparecerão como realmente são. Pelo contrário, no caso de um verdadeiro génio, quanto mais as suas obras durarem mais amplo será o seu sucesso, e mais sincera a admiração que despertam. Dentro de um círculo restrito há demasiado lugar para a inveja e o ciúme, e até a familiaridade com a pessoa pode diminuir o aplauso devido às suas obras. Quando desaparecerem estes obstáculos, as belezas que naturalmente estão destinadas a provocar sentimentos agradáveis manifestam naturalmente a sua energia. E sempre, enquanto o mundo durar, conservarão a sua autoridade sobre os espíritos humanos.

Vemos, portanto, que no meio de toda a variedade e capricho do gosto, há certos princípios gerais de aprovação ou de censura, cuja influência um olhar cuidadoso pode verificar em todas as operações do espírito. Há determinadas formas ou qualidades que, devido à estrutura original da constituição interna do espírito, estão destinadas a agradar e outras a desagradar. Se em algum caso particular elas deixam de ter efeito, é devido a qualquer deficiência ou imperfeição do órgão. Um homem cheio de febre não pretende que o seu paladar seja capaz de distinguir os sabores, nem outro com um ataque de icterícia teria a pretensão de pronunciar um veredicto a respeito das cores. Para todas as criaturas há um estado de saúde e um estado de enfermidade, e só do primeiro podemos esperar receber um verdadeiro padrão do gosto e do sentimento. Se, no estado saudável do órgão, se verificar uma uniformidade completa ou considerável das opiniões dos homens, podemos daí derivar uma ideia da perfeita beleza, da mesma maneira que a aparência dos objetos à luz do dia, aos olhos das pessoas saudáveis, é chamada a sua cor verdadeira e real mesmo que se reconheça que a cor é simplesmente um fantasma dos sentidos.

Apesar de todos os nossos esforços para determinar um padrão de gosto e reconciliar as opiniões discordantes das pessoas, permanecem ainda duas fontes de variação que, todavia, não são suficientes para confundir as fronteiras da beleza e da deformidade, mas que servem frequentemente para produzir diferenças de grau na nossa aprovação ou censura. Uma são os diferentes estados de espírito dos homens particulares; a outra são os costumes e opiniões particulares da nossa época e país. Os princípios gerais de gosto são uniformes na natureza humana: onde os juízos dos homens variam, algum defeito ou perversão nas faculdades pode geralmente ser observado. Estes resultam do preconceito ou da falta de prática ou da falta de delicadeza - e há aí razões justas para aprovar um gosto e condenar outro. Mas, onde a há diversidade na conceção interna ou da posição externa que de nenhum modo é censurável em qualquer dos lados da disputa e que não deixa lugar a que se prefira um em detrimento do outro, nesse caso um certo grau de diversidade nos juízos é inevitável e será útil procurar um padrão pelo qual podemos reconciliar opiniões contrárias.


David Hume, Do Padrão do Gosto (1757)

domingo, 13 de março de 2022

Matriz para o terceiro teste de Filosofia - Março 2022

 


Vermeer, Senhora Escrevendo Uma Carta e Sua Criada, 1670 
Óleo sobre tela, 71 x 59 cm, National Gallery of Ireland, Dublin

Estrutura

Prova para 90m

CONCETUALIZAÇÃO: Grupo 1 - 10 perguntas de seleção: Escolha múltipla. 10x20=200 Pontos

ARGUMENTAÇÃO: Grupo 2 – 2x50 +100= 200 pontos

1 Ensaio crítico (mínimo 20 linhas) para desenvolvimento de um tema à escolha entre 3 temas/problemas -100 Pontos

Estrutura: Esclarecer o problema; Mostrar as posições filosóficas sobre o problema; Articular os seus argumentos e contra argumentos; Escolher uma posição; fundamentar a sua posição.

 

PROBLEMATIZAÇÃO: Grupo 3 - Três perguntas de construção. 2x70+60 Pontos

Texto. Referência ao texto. Interpretação de texto.

 

Conteúdos/Competências específicas: 

 

1.Relacionar e distinguir a ciência e senso comum. Aspetos em comum e aspetos distintos.

2. Descrever as etapas do método científico: método indutivo e hipotético/dedutivo.

3. Compreender a importância do método para a credibilidade da ciência.

 

4. A proposta da filosofia das ciências de Popper: O falsificacionismo.

a)  Expor as objeções de Karl Popper e David Hume ao método indutivo.

b) Explicar os dois critérios para demarcar ciência e pseudociência: verificacionismo e falsificacionismo.

c)  Aplicar este critério a enunciados diversos.

d)  A proposta falsificacionista como critério de demarcação.

e)  Esclarecer o método das conjeturas e refutações.

 

5. A racionalidade científica. A questão da objetividade.
a) Contrastar duas posições (de Popper e Kuhn) sobre a objetividade da ciência.

b)   Problematizar a evolução contínua ou descontínua da ciência utilizando as teorias de Popper e Kuhn.

c)   Tomar uma posição crítica em relação ao problema e argumentar a favor de uma das posições.

 

6. A proposta da filosofia das ciências de Thomas Kuhn.
a)   Definir Paradigma.

b) Apresentar os critérios de escolha de uma teoria científica.

c)   Demonstrar o procedimento habitual da ciência: Paradigma 1; Ciência normal; Enigma; Anomalia; Crise; Ciência Extraordinária; Revolução científica; Paradigma 2

d)   Justificar a noção de incomensurabilidade dos paradigmas.

 

7. Teorias sobre a Arte.

a) Compreender as teses e vantagens de cada uma das teorias sobre a Arte: Teoria da Imitação/Representação; Teoria da Expressão; Teoria Formalista ou da Forma significante, teoria histórica e teoria institucional.

b) Expor os argumentos em que se fundamentam.

c) Contrapor objeções/limites a cada uma das teorias.

d) Exemplificar com obras de arte para ilustrar a argumentação.

e) Interpretar/avaliar uma obra segundo um destes critérios.

f)  Avaliar, com argumentos, a melhor teoria.

 

 

 

Critérios de correção:

Apresentar os conteúdos considerados relevantes de forma completa

Apresentar esses conteúdos de forma clara, articulada e coerente;

Evidenciar uma utilização adequada da terminologia filosófica;

Evidenciar a interpretação adequada dos documentos apresentados

Evidenciar capacidade de argumentação e de crítica.

Capacidade para contrapor razões e extrair conclusões.

 

quinta-feira, 10 de março de 2022

Texto para resumo Miguel Januário

Alfred Wallis

Teoria institucional

A teoria institucional da arte surgiu na década de sessenta, tendo sido sustentada por George Dickie7. Essa teoria enfatiza a importância da comunidade de conhecedores de arte na definição e ampliação dos limites daquilo que pode ser chamado de arte. Dickie define a obra de arte como um artefato que possui um conjunto de aspectos que lhe conferem o status de candidato à apreciação das pessoas da instituição do mundo da arte. A importância disso pode ser ilustrada pela obra de Alfred Wallis8. Wallis era um marinheiro que nada entendia de arte e que aos 70 anos, após a morte da esposa, decidiu pintar barcos na madeira para afugentar a solidão. Casualmente, dois pintores de passagem pelo lugar gostaram de suas telas e o descobriram como artista. Como resultado as obras de Wallis podem ser hoje vistas em vários museus ingleses. Como disse um crítico, Wallis tornou-se um artista sem sequer saber que era.
Há duas objeções principais à teoria institucional. A primeira é que ou os entendidos em arte decidem o que deve ser considerado uma obra de arte com base em razões ou o fazem arbitrariamente. Se eles o fazem com base em razões, essas razões constituem uma teoria da arte que não é a teoria institucional. Assim, alguém poderá dizer que os quadros de Wallis apresentam excelentes combinações de cores aliada a simplicidade formal. Mas essa é uma maneira de dizer, por exemplo, que eles possuem forma significante. Nesse caso a teoria institucional colapsa em outras concepções acerca do que é a arte. Suponhamos agora que os entendidos em arte decidam o que deve ser considerado obra de arte arbitrariamente. Ora, nesse caso não fica claro porque devemos dar qualquer importância à arte. Uma objeção adicional seria a de que a teoria institucional é viciosamente circular. Obras de arte são definidas como objetos que são aceitos como tais pelas pessoas que entendem de arte; e as pessoas que entendem de arte são definidas como as que aceitam certos objetos como sendo obras de arte.
Cláudio F. Costa
Retirado DAQUI

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2022

Texto para resumo

 Comparação entre as teorias de Popper e Kuhn


Embora Popper e Kuhn usem nas suas teorias uma linguagem diferente, ambos afirmam que elas têm muitos pontos em comum. Por exemplo, ambos dão grande importância às revoluções científicas e à substituição das teorias por outras. 

Onde existe maiores divergências entre as filosofias da ciência de Popper e Kuhn é nas questões relativas à ciência normal, que Popper vê como dogmática e acrítica, e ao progresso e à objetividade da ciência.

Para Popper, a prática científica, que corresponde à aplicação do método falsificacionista que garante ao mesmo tempo o progresso e a objetividade da ciência. A substituição de uma teoria refutada por outra constitui um progresso porque esta é objetivamente — devido ao uso de padrões lógicos — uma melhor aproximação à verdade do que a outra. 

Mas, para Kuhn, não há padrões independentes e objetivos que permitam comparar os paradigmas rivais e determinar qual é, de acordo com esses padrões, o melhor. Por esse motivo, as teorias científicas não são objetivas e, em rigor, não podemos falar de progresso da ciência.


QUADRO COMPARATIVO DAS TEORIAS DE POPPER E KUHN


Há progresso em ciência?

É a ciência é objetiva?

Popper

Sim. As teorias que substituem as teorias refutadas estão mais próximas da verdade e constituem um progresso relativamente a essas teorias.

Sim. Existem padrões racionais, estabelecidos no método científico, que permitem comparar as teorias e determinar qual é mais verosímil.

Kuhn

Não. Há mudanças de paradigmas, mas nada nos permite afirmar que o novo paradigma constitui um progresso relativamente ao antigo paradigma.

Não. Não há padrões objetivos que permitam determinar qual dos paradigmas em competição é verdadeiro ou se aproxima mais da verdade.


Álvaro Nunes, Crítica na Rede


 ma diferente noção de progresso


“As revoluções terminam com a vitória total de um dos campos antagonistas. Alguma vez esse grupo dirá que o resultado da sua vitória não constitui um progresso? Isso seria a mesma coisa que admitir que se tinham enganado e que os seus opositores tinham razão. Pelo menos para os vencedores, aquilo que resulta de uma revolução não pode deixar de constituir um progresso, estando até estes em excelente posição para assegurar que os futuros membros da sua comunidade irão olhar para a história com a mesma convicção (…)

Para sermos mais precisos, podemos ter de renunciar à noção, explícita ou implícita, de que as mudanças de paradigma aproximam os cientistas, e os que com eles aprendem, cada vez mais da verdade. (….)

O processo de desenvolvimento aqui descrito é um processo evolutivo a partir de uma origem primitiva – um processo cujos sucessivos estádios se caraterizam por uma compreensão da natureza cada vez mais detalhada e sofisticada. Mas nada do que foi ou será dito faz dele um processo em vista de algo. Essa lacuna terá perturbado muitos leitores.

Todos nós estamos muito acostumados a ver a ciência como uma tarefa que se aproxima cada vez mais de um fim estabelecido antecipadamente pela natureza.

Mas esse fim é necessário? Não podemos nós explicar a existência da ciência, e também o seu sucesso, em termos de uma evolução a partir do estado de conhecimento da comunidade num dado momento? (…)

O processo descrito como resolução de revoluções é o processo de seleção natural, no âmbito da comunidade científica, do modo mais apto para se poder exercer a ciência do futuro. (…) Todo o processo podia ter ocorrido, como nós hoje supomos que aconteceu no caso da evolução biológica, sem ser orientado para um fim determinado, para uma verdade científica perene, da qual cada estádio do desenvolvimento do conhecimento científico seria o exemplar mais acabado.” 


Thomas Kuhn, A Estrutura das Revoluções Científicas, Trad de Carlos Marques, Lisboa: Guerra&Paz, 2009, p.147.


texto para resumo

 Uma das maiores contribuições de Thomas Kuhn foi a noção de que a ciência é historicamente orientada. Essa noção foi apresentada em sua obra “A estrutura das Revoluções Científicas”, de 1962, que causou um grande impacto na filosofia da ciência.

Na época em que era aluno de pós-graduação em física teórica em Harvard, Kuhn, a pedido de seu orientador, ministrou um curso que apresentava a ciência física para não cientistas.

Assim, ele teve a oportunidade de examinar com calma alguns textos antigos, como os de Aristóteles, e desfazer suas conceções a respeito de teorias e práticas científicas que considerava antiquadas.

Os novos estudos empreendidos causaram um movimento na trajetória de Kuhn, que passou da física teórica à história e filosofia da ciência. No entanto, um movimento mais significativo estaria por vir: a relação entre a história e a ciência, até então compreendida a partir de uma noção acumulativa de ciência, estava restrita à descrição de fatos ocorridos e, por isso, era quase irrelevante ao trabalho científico.

Kuhn percebeu uma relação mais profunda entre a história e a ciência, muito além da compilação de fatos realizados por cientistas e de suas teorias. Uma história puramente descritiva abriga o risco de apresentar um excesso de informações que não têm relevância para a compreensão do objeto de estudo.

Outro risco dessa abordagem historiográfica é tratar a ciência a partir da biografia de cientistas, mas sem considerar o percurso intelectual que culminou em suas teorias, como se a causa da descoberta científica fosse a genialidade de certos indivíduos ou obra do acaso – tal como a anedota da maçã que caiu sobre a cabeça de Isaac Newton e o fez perceber a existência da gravidade.

“Talvez a ciência não se desenvolva pela acumulação de descobertas individuais”, suspeita Kuhn (2011, p. 20). É preciso entender que, embora a dinâmica aristotélica e a química flogística, por exemplo, não sejam teorias consideradas pelos cientistas contemporâneos, elas não são “um erro” ou “uma superstição”, não são menos científicas que as teorias que surgiram depois. Por isso, Kuhn afirma a seguir que: “teorias obsoletas não são em princípio acientíficas simplesmente porque foram descartadas” (2011, p. 21)

Essa abordagem historiográfica ainda pode, ao centrar-se na biografia de um cientista, como Einstein, apresentar seus opositores ou antecessores de forma depreciativa, sem considerar seus argumentos e o contexto histórico e até mesmo político em que estavam inseridos.

A história da ciência deve incluir, então, teorias que já foram descartadas. Por isso, não seria possível mais tratar o desenvolvimento científico a partir da noção de “acréscimo”. A partir da história da física, a área em que tinha maior conhecimento, Kuhn desenvolveu uma noção de história da ciência que analisa o trabalho científico e contempla o contexto histórico, social e político dos cientistas que pertenciam à comunidade científica da época.

A ciência, entendida como historicamente orientada, desenvolve-se de acordo com as seguintes etapas:

1) Adoção de um paradigma e o amadurecimento de uma ciência.

2) O período de ciência normal.

3) O período de crise – ciência extraordinária.

4) Período revolucionário – criação de um novo paradigma.

 

 

 

Fontes: KUHN, T. S. A Estrutura das Revoluções Científicas. Tradução de Beatriz Vianna Boeira e Nelson Boeira. São Paulo: Perspetiva, 2011.


texto para resumo




Não há indução probabilística. A experiência humana, tanto na vida comum como em ciência, adquire-se fundamentalmente através do mesmo procedimento: a invenção livre, injustificada e injustificável de hipóteses, antecipações ou expectativas, e a sua subsequente testagem. Esses testes não podem tornar a hipótese "provável". Podem apenas corroborá-la - e isto porque o "grau de corroboração" não é mais que uma designação ligada a uma informação ou a uma apreciação da severidade dos testes passados pela hipótese.

Mas quase todos os meses se publicam mais teorias da indução. é que há uma considerável força intuitiva na asserção de que a propriedade de uma lei aumenta com o número de casos observados que a verificam. Tentei explicar essa força intuitiva assinalando que não se distinguiu adequadamente grau de corroboração e probabilidade. Quer a minha explicação seja satisfatória quer não, a actual superabundância de teorias da indução insustentáveis deve ser altamente satisfatória até para um indutivista. (...)

Para ser mais específico, desafio qualquer pessoa que julgue que é possível aumentar a probabilidade uma teoria por meio de algum protocolo indutivo a explicar quatro coisas.

1) Por que é que os cientistas invariavelmente preferem uma teoria altamente testável cujo conteúdo vai muito além de todas as provas observadas, a uma hipótese ad hoc, concebida para explicar precisamente essas provas, e pouca coisa para além delas, ainda que esta última tenha de ser sempre mais provável do que a primeira relativamente a provas dadas. Como se há-de combinar a exigência de elevado conteúdo informativo de uma teoria – a exigência de conhecimento – com a exigência de probabilidade elevada, que significa falta de conteúdo e de conhecimento.

2) Como se há-de evitar obter probabilidades iguais a 1 para todas a leis ainda não refutadas, considerando que todas ela são instanciadas quase em toda a parte, pois tanto a lei “Todos os cisnes são brancos” , isto é “ Não há nenhum cisne não-branco” como a lei “Todos os cisnes são não-brancos” , isto é “Não há nenhum cisne branco” são instanciadas em todas as regiões onde não haja cisnes, isto é, segundo o nosso conhecimento atual , em quase todo o universo.

3) Como evitar obter, num universo infinito (ou num universo praticamente infinito) a probabilidade zero para todas as leis universais, considerando que uma lei universal acerca de um universo infinito pode sempre ser expressa como um produto infinito de proposições singulares. ( Por exemplo, “ Todos os cisnes são brancos” pode-se exprimir através de “Tudo tem a propriedade P” (em que ter a propriedade P é definido pela frase “ou ser branco ou não ser um cisne”



Karl Popper, O realismo e o objetivo da ciência, in Pós-escrito à lógica da descoberta científica – Vol.I, Dom Quixote, Lisboa, 1992, p.264,265,26

quarta-feira, 19 de janeiro de 2022

Texto para resumo/análise - Vicente 11A

O primeiro carácter do conhecimento científico, reconhecido até por cientistas e filósofos das mais diversas correntes, é a objectividade, no sentido de que a ciência intenta afastar do seu domínio todo o elemento afectivo e subjectivo, deseja ser plenamente independente dos gostos e das tendências pessoais do sujeito que a elabora. Numa palavra, o conhecimento verdadeiramente científico deve ser um conhecimento válido para todos. A objectividade da ciência, por isso, pode ser também, e talvez melhor, chamada intersubjectividade, até porque a evolução recente da ciência, e especialmente da Física, mostrou a impossibilidade de separar adequadamente o objecto do sujeito e de eliminar completamente o observador. Este reconhecimento que é essencial na teoria da relatividade e na nova Física quântica, torna o carácter da objectividade mais complexo e problemático do que parecia no século [XIX]; todavia, não elimina de modo algum da ciência o propósito radicalmente objectivo.
Outro carácter universalmente conhecido é a positividade, no sentido de uma plena aderência aos factos e de uma absoluta submissão à fiscalização da experiência. (...). O conceito de positividade como recurso à experiência e adesão aos factos era ainda mais vago, e, nesse tempo (no século [XIX]), demasiado restrito, não só em Filosofia, como no própria ciência; o que teria, por exemplo, excluído perentória e definitivarnente a astrofísica e toda a teoria atómica das quais os cientistas tiveram que reconhecer a legitimidade. Só recentemente, por obra de Einstein, e mais explicitamente de Heisenberg, a positívidade da ciência se precisou na operatividade dos conceitos científicos, segundo a qual um conceito não tem direito de cidadania ern ciência se não for definido mediante uma série de operações físicas, experiências e medidas ao menos idealmente possíveis. Tal precisão permite, por um lado, reconhecer claramente a não positividade de conceitos como o de espaço e de tempo absolutos e, por outro lado, admitir como positivos elementos não efectivamente experimentáveis, quando a não experimentalidade é devida à impossibilidade prática e não teórica, como a noção de ciclo perfeitamente reversível a toda a astrofísica. Tal previsão, além disso, permite compreender também a positividade da matemática. (...) Não no mesmo sentido das ciências experimentais. Introduzindo o conceito de operatividade, a positividade da matemática significa que as suas noções são implicitamente definidas pelo conjunto de axiomas e postulados formulados na sua base e segundo os quais as noções são utilizáveis.
O terceiro carácter do conhecimento científico reside na sua racionalidade. Não obstante a oposição de toda a corrente ernpirista, a ciência moderna é essencialmente racional, isto é, não consta de meros elementos empíricos mas é essencialmente uma construção do intelecto. (...) A ciência pode ser definida como urn esforço de racionalização do real; partindo de dados empíricos, através de sínteses cada vez mais vastas, o cientista esforça-se por abraçar todo o domínio dos factos que conhece num sistema racional, no qual de poucos princípios simples e universais possam logicamente deduzir-se as leis experimentais mais particulares de campos à primeira vista aparentemente heterogéneos.
Além disto, os cientistas modernos verificam unanimemente no conhecimento científico um carácter muito alheio à mentalidade científica do século [XIX], o da revisibilidade. Não há nem nas ciências experimentais, nem mesmo na matemática, posições definitivas e irreformáveis. Toda a verdade científica aparece, em certo sentido, como provisória, susceptível de revisão, de aperfeiçoamento, às vezes mesmo de uma completa reposição em causa. Todos os conhecimentos científicos são aproximados, quer pela imperfeição das observações experimentais em que se fundam, quer pela necessária abstracção e esquematização com que são tratados. Os conceitos de adequação total e perfeita devem ser substituídos pelos de aproximação e validez limitada. Esta nova mentalidade científica que deve ser mantida num só equilíbrio é principalmente o fruto de numerosas crises e revoluções da ciência (...).
Finalmente, um último carácter do conhecimento científico é a autonomia relativamente à Filosofia e à . A ciência tem o seu próprio campo de estudo, o seu método próprio de pesquisa, uma fonte independente de informações que é a Natureza. (...) Isto não significa que a Filosofia não possa e não deva levar a termo uma indagação crítica sobre a natureza da ciência, sobre os seus métodos e os seus princípios [uma indagação levada a cabo pela Epistemologia ) e que o cientista não possa tirar vantagem do conhecimento reflexivo, filosófico e crítico da sua mesma actividade de cientista. (...) Mas em nenhum caso a ciência poderá dizer-se dependente de um sistema filosófico ou poderá encontrar numa tese filosófica uma barreira-limite que impeça a priori a aplicação livre e integral do seu método de pesquisa. E o mesmo se dirá no que respeita à fé: ela poderá constituir uma norma directriz e prudencial para o cientista, enquanto homem e crente, nunca será uma norma positiva ou restritiva para a ciência enquanto tal.

F. Selvaggi, Enciclopédia Filosófica.