segunda-feira, 4 de maio de 2026

Matriz para o 4º Teste de Filosofia - MAIO 2026

 


Matriz do 4º Teste de Filosofia 11ºAno

Este elemento de avaliação é composto por DOIS TESTES, cada um é avaliado de 0 a 20 valores.

Cada teste avalia competências diferentes:

O primeiro teste avalia a competência do domínio dos conceitos (Conceptualização) que vale

40% na avaliação final.

O segundo teste destina-se a avaliar as competências de Problematização e Argumentação que

valem 30% na avaliação final.

Primeiro Teste – Conceptualização - 10 questões de escolha múltipla (10x14 pontos=140

pontos); 2 questões de definição de conceitos (2x30 pontos=60 pontos) Total – 200 Pontos

Segundo Teste – Problematização e Argumentação - As perguntas colocadas implicam

desenvolvimento/explicação/justificação. 

Grupo I: Inclui a análise de uma obra de arte. É constituído por duas perguntas (2x35 = 70 Pontos)

Grupo II: Inclui um texto com duas perguntas (2x35= 70 Pontos)

Grupo III: Inclui uma pergunta de desenvolvimento para elaborar um texto argumentativo (1x60 = 60 Pontos)  - Total: 200 Pontos 

Competência transversal: Comunicação/ Correção escrita.



Competências:

A.         Competências relativas à Filosofia da Arte:

  1. Problematizar a questão da definição e valor da arte.

  2. Distinguir os conceitos de “critério classificativo” e de “critério valorativo”.

  3. Distinguir teorias essencialistas de teorias não essencialistas da arte.

  4. Explicitar as teses e objeções das teorias essencialistas (representacionista, expressivista e formalista) 

  5. Explicitar as teses e objeções das teorias não essencialistas da arte (institucional e histórico-intencional).

  6. Apontar os critérios classificativos e valorativos apresentados pelas diferentes teorias da arte.

  7. Esclarecer os principais conceitos propostos por cada teoria da arte. 

  8. Aplicar os critérios classificativos e valorativos de cada teoria a obras de arte concretas. 

  9. Identificar os autores das teorias da arte (mimética/representacionista – Platão e Aristóteles; expressivista – Lev Tolstoi; formalista – Clive Bell; institucional – George Dickie; histórico-intencional – Jerrold Levinson). 

  10. Avaliar criticamente as diferentes teorias da arte tendo em conta a sua posição pessoal



B.         Competências relativas à Filosofia da Religião:

  1. Definir as posições teísta, agnóstica, ateia, fideísta e deísta sobre a existência e conhecimento de Deus.

  2. Explicar os argumentos e objeções das provas ontológica, cosmológica e teleológica (do desígnio) sobre a existência de Deus.

  3. Relacionar o fideísmo radical e moderado. (11ºE)

  4. Apresentar o argumento denominado “A aposta de Pascal” e respetivas objeções.

  5. Formular o problema do Mal. 

  6. Elaborar a resposta de Leibniz  ao problema do Mal.  (11ºE)

  7. Avaliar a resposta de Leibniz ao problema do Mal.  (11ºE)

  8. Tomar posição sobre as provas da existência de Deus. 



C.        Competências gerais: 

 - Aplicar os conhecimentos adquiridos a novas situações.

- Elaborar respostas bem articuladas.

- Justificar as respostas dadas.

- Analisar corretamente os textos e as obras apresentadas.

- Comentar uma frase aplicando os conhecimentos obtidos.

- Tomar posições críticas bem fundamentadas.


sábado, 11 de abril de 2026

Texto para resumo Francisco 11A

 Teoria da arte como expressão


Insatisfeitos com a teoria da arte como imitação (ou representação), muitos filósofos e artistas

românticos do século XIX propuseram uma definição de arte que procurava libertar-se das

limitações da teoria anterior, ao mesmo tempo que deslocava para o artista, ou criador, a chave

da compreensão da arte. Trata-se da teoria da arte como expressão. Teoria que, ainda hoje, uma

enorme quantidade de pessoas aceita sem questionar. Segundo a teoria da expressão,

Uma obra é arte se, e só se, exprime sentimentos e emoções do artista.

Vejamos o que parece concorrer a favor dela:

• São muitos e eloquentes os testemunhos de artistas que reconhecem a importância de

certas emoções sem as quais as suas obras não teriam certamente existido. Mais do que

isso, se é verdade, como parece, que a arte provoca em nós determinadas emoções ou

sentimentos, então é porque tais sentimentos e emoções existiram no seu criador e

deram origem a tais obras.

• Também nos oferece, como a teoria anterior, um critério que permite, com algum rigor,

classificar objetos como obras de arte. Com a vantagem acrescida de classificar como

arte todas as obras que não imitam nada, o que acontece frequentemente na literatura

e quase sempre na música e na arte abstrata.

• Mais uma vez oferece um critério valorativo: uma obra é tanto melhor quanto melhor

conseguir exprimir os sentimentos do artista que a criou.

Uma teoria como esta manifesta-se frequentemente em juízos como “Este é um livro exemplar

em que o autor nos transmite o seu desespero perante uma vida sem sentido” ou como “O autor

do filme filma magistralmente os seus próprios traumas e obsessões”. (...)

Uma teoria como esta manifesta-se frequentemente em juízos como “Este é um livro exemplar

em que o autor nos transmite o seu desespero perante uma vida sem sentido” ou como “O autor

do filme filma magistralmente os seus próprios traumas e obsessões”.

Mas também ela se irá revelar uma teoria insatisfatória. As razões são semelhantes às que

apresentei contra a teoria da arte como imitação, pelo que tentarei aqui ser mais breve.

O primeiro ponto apresenta várias falhas. Desde logo, é também empiricamente refutado

porque há obras que não exprimem qualquer emoção ou sentimento. Podemos até admitir que

o emaranhado espesso de linhas coloridas do quadro de Pollock exprime algo ao deixar

registados na tela os seus gestos (é geralmente incluído na corrente artística conhecida como

expressionismo abstracto). Mas podemos dizer o mesmo de YKB 103 de Yves Klein e da maior

parte dos quadros de Mondrian ou de Vasarely? O grande compositor Richard Strauss, autor de

vários poemas sinfónicos como o célebre Assim Falava Zaratustra, afirmou que as suas obras

eram fruto de um trabalho paciente e minucioso no sentido de as aperfeiçoar, eliminando desse

modo os defeitos inerentes a qualquer produto emocional. E que dizer da chamada música

aleatória (música feita com o recurso a sons produzidos ao acaso)? Que emoções estarão a ser

expressas? Além disso, mesmo que uma obra de arte provoque certas emoções em nós, daí não

se segue que essas emoções tenham existido no seu autor. Se a ingestão de dez copos de vinho

seguidos provoca em mim o sentimento de euforia, daí não se segue que o vinicultor que

produziu o vinho estivesse eufórico. Trata-se, portanto, de uma inferência falaciosa. Tal como na

definição de arte como imitação, o mesmo se passa aqui, pois acaba por não se verificar a

condição necessária segundo a qual todas as obras de arte exprimem emoções. É, assim, uma

má definição.

A deficiência em relação ao critério de classificação é praticamente a mesma apontada à teoria

da imitação. A única diferença é que, neste caso, uma maior quantidade de objetos pode ser

classificados como arte. Mas nem todas as obras de arte são, de facto, classificadas como tal.


Aires Almeida, https://criticanarede.com/aalmeidateoriasessencialistasdaarte.html

quinta-feira, 19 de março de 2026

Texto para resumo Tiago Silva 11A

 


Trata-se, como é óbvio, da afirmação de que o estético é sentimento e não conhecimento. Tal é dito logo no próprio título do parágrafo: "O juízo de gosto é estético". Estético, com efeito, significa, de acordo como respetivo texto, algo de subjetivo; e mesmo de tão subjetivo que nem as próprias qualidades segundas, com toda a sua tradição sobretudo moderna de simples produtos do sujeito a partir das qualidades

Só os sentimentos podem ser verdadeiramente, posto que exclusivamente, subjetivos; só eles são , pela sua própria-natureza, de quem os tem, e não podem portanto ser algo de objetivo, que aí esteja para as diversas consciências deles tomarem consciência. Não é aliás outra coisa o que já Descartes dizia nas Meditações, ao perguntar se, na verdade, "há coisa mais íntima ou mais interior que a dor" 6. O estético é portanto, para Kant, antes de tudo, o sentimento de prazer e de dor do sujeito. Como ele  próprio escreve, resumindo tudo: "Estético significa aquilo cujo princípio determinante não pode ser senão subjetivo. Toda a relação das representações, mesmo a das sensações, pode ser objetiva (esta relação significa neste caso: o que é real numa representação empírica);mas não a relação das representações ao sentimento de prazer e de dor, que não designa nada no objeto e na qual o sujeito sente como é afetado pela representação". E pois o sentimento que está na base da estética de Kant e que depois é caracterizado como desinteressado, universal sem conceito, finalidade sem fim e necessário. E assim caracterizado, com efeito, porque o estético em Kant é sem dúvida, antes de tudo, sentimento, prazer, mas não é um sentimento, um prazer qualquer. Também o "agradável", ao nível dos sentidos, e o "bom", ao nível quer do "útil" quer do "perfeito", são ocasião de uma satisfação, de um comprazimento, e nem por isso eles são o estético. (…)

O prazer estético é, assim, desinteressado, isto é, não sugere a posse do objeto e nem mesmo a sua existência, bastando a sua simples representação. E, ao contrário, o agradável implica o interesse, porque cria uma tendência, do mesmo modo que o bom é igualmente interessado, mas no seu caso através do conceito. Do ponto de vista da quantidade, porsua vez, apresenta-se com pretensões à universalidade, apesar de não ter conceito e de ser mesmo um sentimento, pelo que é irredutivelmente subjetivo.”

J.A Encarnação Reis, a Função do estético

quarta-feira, 11 de março de 2026

Texto para resumo Tiago Camarinha 11A

 


A ciência como actividade social

A filosofia tradicional da ciência é implacavelmente individualista. Centra-se em agentes individuais e nas condições que devem satisfazer para que as suas crenças tenham apoio apropriado. À primeira vista, isto é uma limitação curiosa, pois é evidente que a ciência contemporânea (e a maior parte da ciência do passado) é uma actividade social. Os cientistas apoiam-se uns nos outros para obter resultados, amostras, técnicas e muitas outras coisas. As suas interacções são com frequência cooperativas, e por vezes competitivas. Além disso, nas sociedades em que se leva a cabo a maior parte da investigação científica, o trabalho coordenado da ciência situa-se numa rede de relações sociais que ligam laboratórios a agências governamentais, a instituições educativas e a grupos de cidadãos. Poderá a filosofia da ciência ignorar simplesmente este contexto social?

Muitos filósofos pensam que sim. Vale a pena recordar, contudo, que uma das principais influências no desenvolvimento da ciência moderna, Francis Bacon, estava explicitamente preocupado com a ciência como actividade social e que os fundadores da Royal Society tentaram criar uma instituição que seguisse as directrizes de Bacon. Além disso, como a discussão anterior da revolução coperniciana parece mostrar, a noção de racionalidade social (ou colectiva) é filosoficamente importante. Em 1543, a escolha entre copernicianismo e a astronomia tradicional centrada na Terra não era clara; a discussão evoluiu porque alguns cientistas estavam dispostos a entregar-se à exploração de cada uma das perspectivas. Isso foi bom — mas o que tinha de bom era uma característica da comunidade, e não dos indivíduos. Caso uma das posições rivais tivesse estagnado e todos os membros da comunidade se tivessem dedicado a um único ponto de vista, teria sido difícil acusar qualquer indivíduo singular de um erro de racionalidade. Não teria sido, contudo, uma comunidade racional.

Este é um exemplo elementar de uma característica social da ciência que exige uma abordagem mais alargada da racionalidade do que é comum nas discussões filosóficas. Uma maneira de entender por que razão alguns métodos ou princípios merecem ser designados “racionais” é sugerir que o padrão último para avaliá-los é em termos da sua capacidade para dar lugar a crenças verdadeiras. Do mesmo modo, poder-se-ia supor que as instituições ou métodos de organização da investigação contam como racionais se for provável que aumentem as hipóteses de um estado futuro em que os membros da comunidade acreditam na verdade. (Esconde-se aqui complicações, que irão surgir daqui a pouco, mas podemos ignorá-las para já.) Não é difícil pensar em maneiras de promover a diversidade numa comunidade científica. Talvez o sistema educativo possa encorajar algumas pessoas a assumir grandes riscos e outras a seguir estratégias relativamente seguras. Talvez o sistema de recompensas por conquistas científicas possa ser configurado de maneira a que os indivíduos gravitem na direcção de linhas de investigação que pareçam negligenciadas. As técnicas comuns de modelagem matemática revelam que estruturas institucionais como estas produzem resultados colectivamente racionais em situações que parecem ocorrer repetidamente na história das ciências. Descobre-se assim que factores que se poderia pensar serem antitéticos à procura racional da verdade — distorções individuais ou interesse em recompensas sociais — desempenham efectivamente um papel positivo na actividade colectiva.


Philip Kitcher, Filosofia da Ciência,in Encyclopedia Britannica

 

quinta-feira, 5 de março de 2026

Texto para resumo 11ºA Rebeca

 

Quando os cientistas têm de escolher entre teorias rivais, dois homens comprometidos completamente com a mesma lista de critérios de escolha podem, contudo, chegar a conclusões diferentes. Talvez interpretem a simplicidade de maneira diferente, ou tenham convicções diferentes sobre o âmbito de campos em que o critério de consistência se deva aplicar. Ou talvez concordem sobre estas matérias, mas difiram quanto aos pesos relativos a atribuir a estes ou a outros critérios, quando vários deles se desenvolvem em conjunto. No que respeita a divergências deste género, nenhum conjunto de critérios de escolha já proposto é útil. Pode explicar-se por que razão homens particulares fizeram escolhas particulares em tempos particulares. Mas, para este propósito, devemos ir além da lista de critérios partilhados, para as características dos indivíduos que fizeram a escolha. Quer dizer, há que lidar com características que variam de um cientista para outro sem com isso pôr minimamente em risco a sua adesão aos cânones que tornam científica a ciência. Embora tais cânones existam não são por si suficientes para determinar as decisões dos cientistas individuais.

Algumas das diferenças que tenho em mente resultam da experiência anterior do indivíduo como cientista. [...] Quanto do seu trabalho dependeu de conceitos e técnicas impugnados pela nova teoria? Outros fatores importantes para a escolha ficam fora das ciências. [...] O Romantismo Alemão predispôs aqueles que afetou para o reconhecimento e a aceitação da conservação da energia. [...] Ainda outras diferenças significativas são funções da personalidade. Alguns cientistas põem mais ênfase do que outros na originalidade e, portanto, têm mais vontade de correr riscos. [...] Toda a escolha individual entre teorias rivais depende de uma mistura de fatores objetivos e subjetivos, ou de critérios partilhados e individuais.

Como é que os filósofos da ciência puderam negligenciar, durante tanto tempo, os elementos subjetivos que, garantem eles, entram regularmente nas escolhas entre teorias reais feitas pelos cientistas individuais? Por que razão estes elementos lhes parecem apenas um índice da fraqueza humana, e não um índice da natureza do conhecimento científico?

Thomas Kuhn, "Objetividade, juízo de valor e escolha entre teorias", in A Tensão Essencial, Lisboa, Edições 70, 1989, pp. 385-389.

segunda-feira, 2 de março de 2026

Texto para resumo Petra 11A

 

"Kuhn não pode estar mais em desacordo com esta visão não histórica da ciência [de Popper e outros autores]e da filosofia da ciência, que reduz esta última à análise da estrutura lógica da ciência. Do seu ponto de vista, a história da ciência tem um papel central na filosofia da ciência. Podemos mesmo dizer que o seu trabalho filosófico é uma tentativa de desenvolver uma filosofia da ciência com base na história da ciência. A função da história da ciência, pensa ele, não é apenas fornecer alguns exemplos de investigações científicas bem-sucedidas para ilustrar uma certa concepção da ciência. É, ao contrário, o estudo de casos significativos da história da ciência que nos permite saber o que a ciência é. A história é, assim, o ponto de partida do filósofo da ciência na sua tentativa de compreender a ciência tal como ela é praticada pelos cientistas.

Que revela a história da ciência sobre a ciência? Antes de mais, que tanto a concepção indutivista como a falsificacionista da ciência estão erradas. A atividade científica não se processa do modo como uns e outros afirmam, mas antes de acordo com o seguinte esquema:

Ciência normal ➝ crise e ciência extraordinária ➝ revolução científica ➝ nova ciência normal

(...)

Uma área de investigação torna-se uma ciência madura quando existe consenso entre os investigadores que nela trabalham relativamente aos problemas a investigar, as leis a aplicar, e os métodos e os instrumentos a usar nesse campo de investigação. (...) Isto é, quando existe aquilo a que Kuhn chama paradigma, um conjunto de problemas, soluções — teorias e leis — práticas metodológicas e princípios metafísicos, que são aceites pela generalidade dos praticantes daquele campo. Uma ciência madura é dominada apenas por um paradigma, que estabelece o que é ou não legítimo investigar dentro de uma ciência e coordena e dirige a investigação nessa ciência. São exemplos de paradigmas a física de Aristóteles, a mecânica de Newton, o eletromagnetismo de Maxwell e a seleção natural de Darwin. Aquilo que, segundo Kuhn, distingue ciências de não-ciências não é, como pensam os indutivistas, o facto de as teorias científicas poderem ser verificadas, ou, como pensa Popper, o facto de poderem ser falsificadas, mas o de existir ou não num determinado campo de investigação um paradigma aceite pela generalidade dos seus praticantes. (...)

Podemos (...) dizer que um paradigma é constituído por

  • Um feito científico exemplar, que sirva como modelo para a investigação futura a realizar;
  • Problemas, métodos, instrumentos e técnicas sugeridos por este feito científico;
  • Crenças metafísicas acerca dos tipos de objetos e de fenómenos que constituem o mundo."

Álvaro Nunes, “Ciência e Objetividade”, in https://criticanarede.com/anunescienciaeobjetivid

Matriz para o 3º teste de 12 de março


Este elemento de avaliação é composto por dois testes, cada um é avaliado de 0 a 20 valores.

Cada teste avalia competências diferentes: 

  • O primeiro teste avalia a competência do domínio dos conceitos e análise. A competência de Conceptualização vale 40% na avaliação final.
  • O segundo teste destina-se a avaliar as competências de Problematização e Argumentação que valem 30% na avaliação final.

1.    ESTRUTURA E COTAÇÕES:


TESTE 1 - CONCEPTUALIZAR 

Grupo I

10 perguntas de escolha múltipla - 10x14= 140 Pontos

Grupo II

Esclarecer conceitos:

2x30 = 60 Pontos

TOTAL - 200 Pontos 

TESTE 2 - ARGUMENTAR/PROBLEMATIZAR

As perguntas colocadas implicam desenvolvimento/explicação/justificação.

Questão 1 - 40

Questão 2 - 50

Questão 3 - 60

Questão 4 - 50

TOTAL = 200 Pontos

2. CONTEÚDOS

Estatuto do Conhecimento Científico

1.1. Conhecimento Vulgar e Conhecimento Científico;

 1.2. Ciência e Construção - validade e verificabilidade das hipóteses

1.2.1. O método científico: método indutivo e método hipotético-dedutivo;

1.2.2. A crítica de Popper ao método indutivo;

1.2.3. O problema da demarcação - a crítica de Popper ao critério de verificabilidade. 

O critério de falsificabilidade.

1.2.4. O método das Conjeturas e Refutações;

1,2.5. Os graus de falsificabilidade das teorias;

1.2.6. Críticas ao Falsificacionismo;

1.3. A Racionalidade científica e a Questão da Objetividade.

1.3.1. O problema da evolução da ciência e da objetividade do conhecimento: 

as perspetivas de Popper e Kuhn;

1.3.2. A perspetiva de Popper - eliminação do erro e seleção das teorias mais aptas; 

progresso do conhecimento e aproximação à verdade;

1.3.3. A perspetiva de Kuhn – Pré-ciência - Paradigma - ciência normal – anomalia – crise - ciência extraordinária -revolução científica- Nova ciência normal.

1.3.4. A tese da incomensurabilidade dos paradigmas; argumentos e consequências.

1.3.5. Os critérios objetivos e subjetivos para a escolha e novas teorias;

1.3.6. Críticas à teoria de Kuhn;

1.3.7. Relação entre as perspetivas de Kuhn e Popper acerca da evolução e objetividade do conhecimento científico - continuidade e descontinuidade.

Competências específicas:

Distinguir entre senso comum e conhecimento científico;

Contrapor as posições de Popper e Bachelard acerca da relação entre senso comum e conhecimento científico;

Identificar o método indutivo e o método hipotético-dedutivo a partir de exemplos;

Criticar o critério de verificabilidade de acordo com a teoria de Popper;

Criticar o método indutivo de acordo com Popper;

Explicar o critério falsificacionista como critério de demarcação;

Formular o problema da demarcação;

Explicar os graus de falsificabilidade das teorias científicas;

Identificar as teorias mais falsificáveis.

Compreender o método de Conjeturas e Refutações;

Explicitar a perspetiva de Popper sobre a evolução e objetividade da ciência;

Caracterizar etapas do desenvolvimento da ciência de acordo com Kuhn;

Definir os conceitos: paradigma; ciência normal, Anomalia, Crise, Ciência Extraordinária e Revolução científica;

Problematizar a tese da incomensurabilidade dos Paradigmas;

Explicitar a perspetiva de Kuhn sobre a evolução e objetividade da ciência;

Nomear os critérios subjetivos e objetivos na escolha de teorias;

Identificar as críticas às teorias de Popper e Kuhn;

Contextualizar as críticas às teorias tendo em conta a prática científica

Relacionar as teorias de Popper e Kuhn acerca da evolução e objetividade da ciência.

Fundamentar uma posição crítica sobre as teorias estudadas.


terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Resumo de texto: Lourenço 11A




O critério da demarcação

Também podemos ver, novamente sem grande rigor, como a ideia de falsificação leva à solução de Popper para o segundo problema e encontrar uma distinção entre ciência e pseudociência. Caracterizar esta distinção - mostrar 'o critério de demarcação', como Popper o designa - ajudar-nos-á a compreender o que é a ciência. Conduzir-nos-á também a pôr sob dúvida práticas a que se dá por vezes demasiada atenção, em particular, aquelas que se confundem com a ciência. Popper trabalhou por uns tempos com o freudiano Alfred e é esclarecedor, neste contexto, dizer algumas palavras sobre o freudianismo.
Suponhamos que eu o incomodo a si com a minha teoria freudiana de que o desejo sexual inconsciente por figuras maternas está na base do comportamento masculino. Eu exijo-lhe provas e dirigimo-nos a um bar para observar o modo como os clientes interagem com o homem e com a mulher que estão ao balcão. Um cliente homem escolhe a mulher quando decide pedir uma bebida e eu exclamo 'Ah ah! O seu desejo inconsciente pela mãe levou-o a interagir primeiro com ela! Isto prova a minha teoria.' Mas se as coisas tivessem acontecido de maneira diferente e o cliente se tivesse dirigido ao homem atrás do balcão, eu poderia dizer também sem dificuldade 'Ah ah! Ele está a tentar ultrapassar o seu desejo pela mãe evitando a mulher do bar! Isto prova a minha teoria.'
O problema em Freud e até certo ponto, na ótica de Popper, em Marx, é que as perspetivas destes não são falsificáveis. Uma hipótese freudiana não tem consequências empíricas e é por isso que devemos hesitar em considerá-las científica. O que distingue a ciência da mera pseudociência como o freudianismo é precisamente a testabilidade das hipóteses científicas. As teorias científicas têm consequências que podemos inspecionar através da observação. (…)

Dificuldades da perspetiva de Popper
Há todo um conjunto de preocupações associadas à conceção da ciência de Popper, apesar de ele ter contornado o problema da indução e de ter conseguido distinguir a ciência dos pretensos candidatos a esse estatuto. Podemos perceber as dificuldades ao pensar como é que a perspetiva falsificacionista funciona supostamente na prática. Por exemplo, devemos pensar nos cientistas como alguém que tenta genuinamente falsificar, e não provar, as suas teorias? (…)
deve esperar-se que acreditemos que os cientistas devam ser ou sejam falsificacionistas? Dão eles saltos de alegria quando descobrem que a teoria sobre a qual trabalham, porventura à décadas, é falsa? Devia ser assim? Não é descabido pensar que os esforços de Popper para evitar o problema da indução o fizeram cair em algo que não se parece com a ciência tal como é praticada ou mesmo tal como deve ser praticada. Uma olhadela à história da ciência chega para sugerir que os próprios cientistas não pensam que o seu trabalho consiste em remover falsidades, mas em encontrar verdades. Seja como for, a perspetiva de Popper parece ignorar a dimensão social da ciência tal como esta é praticada, um facto explorado por filósofos posteriores como Thomas Khun e Paul Feyerabend.

James Garvey, The Twenty Greatest Philosophy Books (London, 2006). Trad. Carlos Marques.
Imagem: tradução inglesa da obra A Lógica da Descoberta Científica.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

Texto para resumo Laura 11A


Falsificabilidade

Assim, segundo Popper, a ciência é uma sequência de conjeturas. As teorias científicas são propostas como hipóteses, e são substituídas por novas hipóteses quando são falsificadas. No entanto, esta maneira de ver a ciência suscita uma questão óbvia: se as teorias científicas são sempre conjeturais, então o que torna a ciência melhor do que a astrologia, a adoração de espíritos ou qualquer outra forma de superstição sem fundamento? Um não popperiano responderia a esta questão dizendo que a verdadeira ciência prova aquilo que afirma, enquanto a superstição consiste apenas em palpites. Mas, segundo a conceção de Popper, mesmo as teorias científicas são palpites — pois não podem ser provadas pelas observações: são apenas conjeturas não refutadas.

Popper chama a isto o “problema da demarcação” — qual é a diferença entre a ciência e outras formas de crença? A sua resposta é que a ciência, ao contrário da superstição, pelo menos é falsificável, mesmo que não possa ser provada. As teorias científicas estão formuladas em termos precisos, e por isso conduzem a previsões definidas. As leis de Newton, por exemplo, dizem-nos exatamente onde certos planetas aparecerão em certos momentos. E isto significa que, se tais previsões fracassarem, poderemos ter a certeza de que a teoria que está por detrás delas é falsa. Pelo contrário, os sistemas de crenças como a astrologia são irremediavelmente vagos, de tal maneira que se torna impossível mostrar que estão claramente errados. A astrologia pode prever que os escorpiões irão prosperar nas suas relações pessoais à quinta-feira, mas, quando são confrontados com um escorpião cuja mulher o abandonou numa quinta-feira, é natural que os defensores da astrologia respondam que, considerando todas as coisas, o fim do casamento provavelmente acabou por ser melhor. Por causa disto, nada forçará alguma vez os astrólogos a admitir que a sua teoria está errada. A teoria apresenta-se em termos tão imprecisos que nenhumas observações efetivas poderão falsificá-la.

Ciência e pseudociência

O próprio Popper usa este critério de falsificabilidade para distinguir a ciência genuína não só de sistemas de crenças tradicionais, como a astrologia e a adoração de espíritos, mas também do marxismo, da psicanálise de várias outras disciplinas modernas que ele considera negativamente “pseudociências”. Segundo Popper, as teses centrais dessas teorias são tão irrefutáveis como as da astrologia. Os marxistas preveem que as revoluções proletárias serão bem-sucedidas quando os regimes capitalistas estiverem suficientemente enfraquecidos pelas suas contradições internas. Mas, quando são confrontados com revoluções proletárias fracassadas, respondem simplesmente que as contradições desses regimes capitalistas particulares ainda não os enfraqueceram suficientemente. De maneira semelhante, os psicanalistas defendem que todas as neuroses adultas se devem a traumas de infância, mas quando são confrontados com adultos perturbados que aparentemente tiveram uma infância normal dizem que ainda assim esses adultos tiveram de atravessar traumas psicológicos privados quando eram novos. Para Popper, estes truques são a antítese da seriedade científica. Os cientistas genuínos dirão de antemão que descobertas observacionais os fariam mudar de ideias, e abandonarão as suas teorias se essas descobertas se realizarem. Mas os marxistas e psicanalistas apresentam as suas ideias de tal maneira, defende Popper, que nenhumas observações possíveis os farão alguma vez modificar o seu pensamento.

 

David Papineau, “Methodology”, in Philosophy: A Guide Through the Subject, org. A. C. Grayling (Oxford University Press, 1998).

https://criticanarede.com/leit_falsificacionismo.html

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

Texto para resumo Inês Nascimento 11A

 


Encontrar boas teorias

A teoria de Popper não diz que são igualmente boas todas as teorias que ainda não foram falsificadas. Algumas teorias são melhores do que outras. O que faz uma teoria não falsificada ser preferível a outra é o facto de poder ser mais facilmente falsificada. Mas o que faz uma teoria ser mais facilmente falsificada do que outra? Uma forma de uma teoria ser mais facilmente falsificada deve-se à sua maior abrangência. Consideremos estas duas teorias acerca da gravidade:

Todos os objectos caem em direcção ao centro da Terra.
Em Londres todos os objectos caem em direcção ao centro da Terra.

A primeira teoria é mais abrangente. Prevê tudo o que a segunda prevê e prevê ainda muito mais. Sendo que prevê mais, é mais fácil de falsificar do que a segunda teoria.

Uma teoria é também mais facilmente falsificada se fizer previsões mais precisas. Consideremos a afirmação:

Todas as pessoas felizes usam cores brilhantes.

Trata-se de uma asserção bastante vaga. O que é exactamente a felicidade e como podemos medi-la? Onde está precisamente a fronteira entre ser feliz e não o ser? O que se deve considerar brilhante? Estas e outras questões levantam-se assim que resolvemos testar a afirmação. E é claro, dada a sua vagueza, alguém que esteja interessado em defendê-la pode sempre fugir ao que parece uma falsificação, dizendo “Bem, não era propriamente isso que queria dizer com “brilhante"”, ou “Esta pessoa não é propriamente alguém que eu consideraria “feliz"”. A vagueza faz uma afirmação ser muito mais difícil de falsificar.

Uma teoria que faz previsões precisas e sem ambiguidades acerca de fenómenos quantificáveis e mensuráveis é muito mais fácil de falsificar. Por exemplo, a teoria de que todas as pedras pesam precisamente 500g pode ser facilmente falsificável com a ajuda de uma simples balança. Os instrumentos de medida, como os manómetros ou os termómetros, fornecem aos cientistas ferramentas eficazes para testar as suas teorias.

Stephen 

Law in

https://criticanarede.com/fildaciencia.html

domingo, 8 de fevereiro de 2026

Texto para resumo Gui 11A

 

“Estamos, pois, constantemente em busca de uma teoria verdadeira (uma teoria verdadeira e relevante), ainda que não possamos nunca dar razões (razões positivas) para mostrar que encontrámos realmente a teoria verdadeira que buscávamos. Ao mesmo tempo, podemos ter boas razões – isto é, boas razões críticas – para pensar que aprendemos algo de importante: que progredimos em direção à verdade. Pois podemos, primeiro, ter aprendido que uma determinada teoria não é verdadeira segundo o estado presente da discussão crítica; e, em segundo lugar, podemos ter encontrado algumas razões provisórias para acreditar (sim, até para acreditar) que uma teoria nova se aproxima mais da verdade que as suas antecessoras.

Para ser menos abstrato, vou dar um exemplo histórico.

As teorias de Einstein foram muito discutidas pelos filósofos, mas poucos salientaram o importante facto de que Einstein não acreditava que a relatividade especial fosse verdadeira: logo desde o início, ele chamou a atenção para o facto de ela poder ser, quando muito, apenas uma aproximação (já que era válida apenas para o movimento não-acelerado). Encaminhou-se, assim, para uma aproximação maior, a relatividade geral. E, mais uma vez, fez notar, que essa teoria também não podia ser verdadeira, mas sim somente uma aproximação. De facto, buscou uma melhor aproximação durante quase 40 anos, até à sua morte.(…)

Einstein buscou a verdade, e pensou ter razões -razões críticas- que lhe indicavam que não a tinha encontrado. Ao mesmo tempo, deu, ele e muitos outros, razões críticas que indicaram que tinha feito grandes progressos na direção da verdade que as suas teorias resolviam problemas que as respetivas antecessoras não eram capazes de resolver, e que se aproximavam mais da verdade do que as suas rivais conhecidas.

Este exemplo pode apoiar a minha afirmação de que ao substituir o problema da justificação pelo problema da crítica não precisamos de abandonar nem a teoria clássica da verdade como correspondência com os factos, nem a aceitação da verdade como um dos nossos padrões da crítica. Outros valores são a relevância para os nossos problemas e o poder explicativo.

Por conseguinte, ainda que eu mantenha de que o que é mais frequente é nós não encontrarmos a verdade, e não sabermos sequer quando é que a encontrámos, retenho a ideia clássica de verdade absoluta ou objetiva como ideia reguladora; quer isto dizer, como padrão em relação ao qual nos podemos posicionar abaixo.”

Karl Popper, O realismo e o objetivo da ciência, Lx, 1992, Dom Quixote, pp 58,59

sábado, 7 de fevereiro de 2026

Texto para resumo Tiago 11E




Entre o conhecimento comum e o conhecimento cientifico a rutura nos parece tão nítida que estes dois tipos de conhecimento não poderiam ter a mesma filosofia. O empirismo é a filosofia que convém ao conhecimento comum. O empirismo encontra aí sua raiz, as suas provas, o seu desenvolvimento. Ao contrário, o conhecimento científico é solidário com o racionalismo e, quer se queira ou não, racionalismo está ligado a. ciência, o racionalismo reclama fins científicos. Pela atividade cientifica, o racionalismo conhece uma atividade dialética que prescreve uma extensão constante dos métodos. Desde então, quando o conhecimento vulgar e o conhecimento científico registram o mesmo fato, este mesmo fato não tem certamente o mesmo valor epistemológico nos dois conhecimentos. Que o "odor" da eletricidade seja um desinfetante e que o ozônio seja um poderoso oxidante que desinfeta, não há entre estes dois conhecimentos uma mudança de valor de conhecimento? De um facto verdadeiro, a química teórica fez um conhecimento verídico. Por ele só, este duplo sentido do verdadeiro e do verídico retém a ação polar do conhecimento. Este duplo sentido permite reunir os dois grandes valores epistemológicos que explicam a fecundidade da ciência contemporânea. A ciência contemporânea é feita da pesquisa dos fatos verdadeiros e da síntese das leis verídicas. As leis verídicas da ciência têm uma fecundidade de verdades, elas prolongam as verdades de fato por verdades de direito. O racionalismo pelas suas sínteses do verdadeiro abre uma perspetiva de descobertas. O materialismo racionalista, depois de ter acumulado os factos verdadeiros e organizado as verdades dispersadas, ganhou uma surpreendente força de previsão. A ordenação das substâncias apaga progressivamente a contingência de seu ser, ou. em outras palavras, cada ordenação suscita descobertas que preenchem as lacunas que faziam acreditar na contingência do ser material. Apesar de suas riquezas aumentadas, suas riquezas transbordantes. a química se ordena num vasto domínio de racionalidade. E não é a menor lição da química contemporânea nos mostrar, além do racionalismo da identidade, a racionalidade do múltiplo.

Gaston Bachelard, Le Matérialisme rationnel, 1953, pp

Texto para resumo - Carolina 11E

 


A refutabilidade e instabilidade da ciênciaNa sua procura de explicações sistemáticas, as ciências devem reduzir a indeterminação indicada da linguagem comum ao remodelá-la. A química física, por exemplo, não se satisfaz com a generalização, formulada de uma maneira vaga, segundo a qual a água solidifica quando é suficientemente arrefecida, já que o objectivo desta disciplina é o de explicar, entre outras coisas, por que a água e o leite que bebemos congelam a certas temperaturas, embora a essas temperaturas não aconteça o mesmo com a água do oceano. Para atingir este objectivo, a química física deve então introduzir distinções claras entre vários tipos de água e entre várias quantidades de arrefecimento. Várias técnicas reduzem a vagueza e aumentam a especificidade das expressões linguísticas. Para muitos propósitos, contar e medir são as técnicas mais eficientes, e talvez sejam também as mais conhecidas. Os poetas podem cantar a infinidade de estrelas que permanecem no céu visível, mas o astrónomo quer especificar o seu número exacto. O artesão que trabalha com metais pode ficar satisfeito por saber que o ferro é mais duro do que o chumbo, mas o físico que quer explicar este facto tem de ter uma medida precisa da diferença em dureza. Uma consequência óbvia, mas importante, da precisão assim introduzida é a de que as proposições se tornam susceptíveis de ser testadas pela experiência de uma maneira mais crítica e cuidada. As crenças pré-científicas são frequentemente insusceptíveis de ser sujeitas a testes experimentais definidos, simplesmente porque essas crenças são compatíveis de uma maneira vaga com uma classe indeterminada de factos que não são analisados. As proposições científicas, como têm de estar de acordo com dados da observação bem especificados, enfrentam riscos maiores de ser refutadas por esses dados.

Nas diferenças entre a ciência moderna e o senso comum já mencionadas, está implícita a diferença importante que deriva de uma estratégia deliberada da ciência que a leva a expor as suas propostas cognitivas ao confronto repetido com dados observacionais criticamente comprovativos, procurados sob condições cuidadosamente controladas. Isto não significa, no entanto, que as crenças do senso comum sejam invariavelmente erradas, ou que não tenham quaisquer fundamentos em factos empiricamente verificáveis. Significa que, por uma questão de princípio estabelecido, as crenças do senso comum não são sujeitas a testes sistemáticos realizados à luz de dados obtidos para determinar se essas crenças são fidedignas e qual é o alcance da sua validade.

 

Ernest Nagel
The Structure of Science, Nova Iorque, Harcourt, Brace & World, 1961
Tradução de Pedro Galvão

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Texto para resumo Alexandre Feijão 11E e Carolina 11A

O que é a ciência?

Paul Davies
A ciência tem de envolver mais do que a mera catalogação de factos e do que a descoberta, através da tentativa e erro, de maneiras de proceder que funcionam. O que é crucial na verdadeira ciência é o facto de envolver a descoberta de princípios que subjazem e conectam os fenómenos naturais.
Apesar de concordar completamente que devemos respeitar a visão do mundo de povos indígenas não europeus, não penso que coisas como a astronomia maia, a acupunctura chinesa, etc., obedeçam à minha definição. O sistema ptolemaico de epiciclos alcançou uma precisão razoável ao descrever o movimento dos corpos celestes, mas não havia qualquer teoria propriamente dita subjacente ao sistema. A mecânica newtoniana, pelo contrário, não apenas descrevia os movimentos dos planetas de modo mais simples, conectava o movimento da Lua com a queda da maçã. Isto é verdadeira ciência, pois revela coisas que não podemos saber de nenhuma outra maneira.
Terá a astronomia maia ou a acupunctura chinesa alguma vez conduzido a uma previsão que não tenha falhado nem seja trivial e que tenha conduzido a novos conhecimentos sobre o mundo? Muitas pessoas tropeçaram no facto de que certas coisas funcionam, mas a verdadeira ciência consiste em saber por que razão as coisas funcionam. Tenho uma atitude de abertura em relação à acupunctura, mas se tal coisa funcionar, apostaria muito mais numa explicação baseada em impulsos nervosos do que em misteriosas correntes de energia cuja realidade física nunca foi demonstrada.
Por que razão nasceu a ciência na Europa? Na época de Galileu e Newton a China era muito mais avançada tecnologicamente. Contudo, a tecnologia chinesa (como a dos aborígenes australianos) foi alcançada por tentativa e erro, refinados ao longo de muitas gerações. O boomerang não foi inventado partindo da compreensão dos princípios da hidrodinâmica para depois conceber um instrumento. A bússola (descoberta pelos chineses) não envolveu a formulação dos princípios do magnetismo. Estes princípios emergiram da (verdadeira, segundo a minha definição) cultura científica da Europa. Claro que, historicamente, surgiu também alguma ciência de descobertas acidentais que só mais tarde foram compreendidas. Mas os exemplos mais óbvios da verdadeira ciência — tais como as ondas de rádio, a energia nuclear, o computador, a engenharia genética — emergiram, todos eles, da aplicação de uma compreensão teórica profunda que já existia — muitas vezes há muito tempo — antes da tecnologia que se procurava.
As razões que determinaram que tenha sido a Europa a dar à luz a ciência são complexas, mas têm certamente muito a ver com a filosofia grega e a sua noção de que os seres humanos podiam alcançar uma compreensão do modo como o mundo funciona por intermédio do pensamento racional, e com as três religiões monoteístas — o judaísmo, o cristianismo e o islamismo — e a sua noção de uma ordem na natureza, ordem essa que era real, legiforme, criada e imposta por um Grande Arquitecto.
Apesar de a ciência ter começado na Europa, é universal e está agora à disposição de todas as culturas. Podemos continuar a dar valor aos sistemas de crenças das outras culturas, ao mesmo tempo que reconhecemos que o conhecimento científico é algo de especial que transcende a cultura.
Tradução de Desidério Murcho