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sábado, 23 de setembro de 2023

Texto para resumo/análise Gonçalo Alegre 11A e António 11I





















Em todo o conhecimento, há um "cognoscente" e um "conhecido", um sujeito e um objeto encontram-se face a face. A relação que existe entre os dois é o próprio conhecimento.
 A oposição dos dois termos não pode ser suprimida; esta oposição significa que os dois termos são originariamente separados um do outro, transcendentes um ao outro. Os dois termos da relação não podem ser separados. O sujeito só é sujeito em relação a um objeto e o objeto só é objeto em relação a um sujeito. Cada um deles é o que é em relação ao outro. Estão ligados um ao outro por uma estreita relação; condicionam-se reciprocamente. A sua relação é uma correlação.
A relação constitutiva do conhecimento é dupla, mas não é reversível. O facto de desempenhar o papel de sujeito em relação a um objeto é diferente do facto de desempenhar o papel de objeto em relação a um sujeito. No interior da correlação, sujeito e objeto não são, portanto, permutáveis, a sua função é na sua essência diferente. (...) A função do sujeito consiste em apreender o objeto; a do objeto em poder ser apreendido pelo sujeito e em sê-lo efetivamente.
Considerada do lado do sujeito, esta apreensão pode ser descrita como uma saída do sujeito para fora da sua própria esfera e como uma incursão na esfera do objeto, a qual é, para o sujeito, transcendente e heterogénea. O sujeito apreende as determinações do objeto e, ao aprendê-las, introdu-las, fá-las entrar na sua própria esfera. O sujeito não pode captar as propriedades do objeto senão fora de si mesmo, pois a oposição do sujeito e do objeto não desaparece na união que o ato do conhecimento estabelece entre eles; permanece indestrutível. A consciência dessa oposição é um aspeto essencial da consciência do objeto. O objeto, mesmo quando é apreendido, permanece para o sujeito algo exterior; é sempre o objectum, quer dizer, o que está diante dele. O sujeito não pode captar o objeto sem sair de si (sem se transcender); mas não pode ter consciência do que é apreendido, sem entrar em si, sem se reencontrar na sua própria esfera.
O conhecimento realiza-se, por assim dizer, em três tempos: o sujeito sai de si, está fora de si e regressa finalmente a si. O facto de que o sujeito saia de si para apreender o objeto não muda nada neste. O objeto não se torna por isso imanente. As características do objeto, se bem que sejam apreendidas e como que introduzidas na esfera do sujeito, não são, contudo, deslocadas. Apreender o objeto não significa fazê-lo entrar no sujeito, mas sim reproduzir neste as determinações do objeto numa construção que terá um conteúdo idêntico ao do objeto. Esta construção operada no conhecimento é a "imagem" do objeto. O objeto não é modificado pelo sujeito, mas sim o sujeito pelo objeto. Apenas no sujeito alguma coisa se transformou pelo ato do conhecimento. No objeto nada de novo foi criado; mas no sujeito nasce a consciência do objeto com o seu conteúdo, a imagem do objeto.

N. HARTMANN, Princípios metafísicos do conhecimento.  
     

1. Como se descreve o conhecimento segundo a teoria fenomenológica? 

2. O que caracteriza a relação sujeito objeto? 

3. O que significa dizer que o objeto é transcendente ao sujeito? 

4. Quais as etapas/momentos de apreensão do objeto? 

5. O que resulta da relação sujeito/objeto?

quarta-feira, 22 de setembro de 2021

Correção do exercício sobre fenomenologia

 

1.     Como se descreve o conhecimento segundo a teoria fenomenológica?

O conhecimento descreve-se como um fenómeno que coloca em relação dois termos: o sujeito e o objecto. Dá-se uma apreensão do objecto – aquilo que é conhecido, ou cognoscente – pelo sujeito, aquele que conhece.  Estes dois termos são distintos um do outro e opostos nas sua funções mas simultaneamente existem um para o outro no acto do conhecimento.

 

2.     O que caracteriza a relação sujeito objeto?

Caracteriza-se esta relação por ser uma correlação: o objecto só é para um sujeito e o sujeito para um objecto. Nesta relação cada um dos termos não pode permutar funções, o sujeito nunca pode ser objecto e vice versa. Diz-se por isso que é uma relação irreversível, pois nenhum dos termos se pode converter no outro ou alterar as sua funções. Apesar de serem existentes apenas na relação, os dois termos têm identidades separadas e opostas que não podem ser reduzidas ou alteradas.

 

3.     O que significa dizer que o objecto é transcendente ao sujeito?

Dizer que o objecto é transcendente ao sujeito significa que este se encontra fora da esfera do sujeito, opaco e resistente à apropriação. O objecto está sempre diante do sujeito como um outro, que se deixa captar nas suas determinações apenas quando o sujeito sai da sua esfera e permanece fora de si mas permanece, mesmo depois de apreendido, como exterior ao sujeito e este não o pode modificar, acrescentar ou retirar nada à sua natureza.

 

4.     Quais as etapas/momentos de apreensão do objecto?

A apreensão do objecto pelo sujeito dá-se em três momentos: o sujeito sai da sua esfera, permanece fora de si para captar as determinações do objecto e regressa a si com a consciência do que foi apreendido.

 



5.     O que resulta da relação sujeito/objecto?

O que resulta deste acto é uma imagem/representação do objecto em tudo idêntica a este mas construída mentalmente pelo sujeito que se altera pelo novo conhecimento adquirido.