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quinta-feira, 5 de março de 2026

Texto para resumo 11ºA Rebeca

 

Quando os cientistas têm de escolher entre teorias rivais, dois homens comprometidos completamente com a mesma lista de critérios de escolha podem, contudo, chegar a conclusões diferentes. Talvez interpretem a simplicidade de maneira diferente, ou tenham convicções diferentes sobre o âmbito de campos em que o critério de consistência se deva aplicar. Ou talvez concordem sobre estas matérias, mas difiram quanto aos pesos relativos a atribuir a estes ou a outros critérios, quando vários deles se desenvolvem em conjunto. No que respeita a divergências deste género, nenhum conjunto de critérios de escolha já proposto é útil. Pode explicar-se por que razão homens particulares fizeram escolhas particulares em tempos particulares. Mas, para este propósito, devemos ir além da lista de critérios partilhados, para as características dos indivíduos que fizeram a escolha. Quer dizer, há que lidar com características que variam de um cientista para outro sem com isso pôr minimamente em risco a sua adesão aos cânones que tornam científica a ciência. Embora tais cânones existam não são por si suficientes para determinar as decisões dos cientistas individuais.

Algumas das diferenças que tenho em mente resultam da experiência anterior do indivíduo como cientista. [...] Quanto do seu trabalho dependeu de conceitos e técnicas impugnados pela nova teoria? Outros fatores importantes para a escolha ficam fora das ciências. [...] O Romantismo Alemão predispôs aqueles que afetou para o reconhecimento e a aceitação da conservação da energia. [...] Ainda outras diferenças significativas são funções da personalidade. Alguns cientistas põem mais ênfase do que outros na originalidade e, portanto, têm mais vontade de correr riscos. [...] Toda a escolha individual entre teorias rivais depende de uma mistura de fatores objetivos e subjetivos, ou de critérios partilhados e individuais.

Como é que os filósofos da ciência puderam negligenciar, durante tanto tempo, os elementos subjetivos que, garantem eles, entram regularmente nas escolhas entre teorias reais feitas pelos cientistas individuais? Por que razão estes elementos lhes parecem apenas um índice da fraqueza humana, e não um índice da natureza do conhecimento científico?

Thomas Kuhn, "Objetividade, juízo de valor e escolha entre teorias", in A Tensão Essencial, Lisboa, Edições 70, 1989, pp. 385-389.

segunda-feira, 2 de março de 2026

Texto para resumo Petra 11A

 

"Kuhn não pode estar mais em desacordo com esta visão não histórica da ciência [de Popper e outros autores]e da filosofia da ciência, que reduz esta última à análise da estrutura lógica da ciência. Do seu ponto de vista, a história da ciência tem um papel central na filosofia da ciência. Podemos mesmo dizer que o seu trabalho filosófico é uma tentativa de desenvolver uma filosofia da ciência com base na história da ciência. A função da história da ciência, pensa ele, não é apenas fornecer alguns exemplos de investigações científicas bem-sucedidas para ilustrar uma certa concepção da ciência. É, ao contrário, o estudo de casos significativos da história da ciência que nos permite saber o que a ciência é. A história é, assim, o ponto de partida do filósofo da ciência na sua tentativa de compreender a ciência tal como ela é praticada pelos cientistas.

Que revela a história da ciência sobre a ciência? Antes de mais, que tanto a concepção indutivista como a falsificacionista da ciência estão erradas. A atividade científica não se processa do modo como uns e outros afirmam, mas antes de acordo com o seguinte esquema:

Ciência normal ➝ crise e ciência extraordinária ➝ revolução científica ➝ nova ciência normal

(...)

Uma área de investigação torna-se uma ciência madura quando existe consenso entre os investigadores que nela trabalham relativamente aos problemas a investigar, as leis a aplicar, e os métodos e os instrumentos a usar nesse campo de investigação. (...) Isto é, quando existe aquilo a que Kuhn chama paradigma, um conjunto de problemas, soluções — teorias e leis — práticas metodológicas e princípios metafísicos, que são aceites pela generalidade dos praticantes daquele campo. Uma ciência madura é dominada apenas por um paradigma, que estabelece o que é ou não legítimo investigar dentro de uma ciência e coordena e dirige a investigação nessa ciência. São exemplos de paradigmas a física de Aristóteles, a mecânica de Newton, o eletromagnetismo de Maxwell e a seleção natural de Darwin. Aquilo que, segundo Kuhn, distingue ciências de não-ciências não é, como pensam os indutivistas, o facto de as teorias científicas poderem ser verificadas, ou, como pensa Popper, o facto de poderem ser falsificadas, mas o de existir ou não num determinado campo de investigação um paradigma aceite pela generalidade dos seus praticantes. (...)

Podemos (...) dizer que um paradigma é constituído por

  • Um feito científico exemplar, que sirva como modelo para a investigação futura a realizar;
  • Problemas, métodos, instrumentos e técnicas sugeridos por este feito científico;
  • Crenças metafísicas acerca dos tipos de objetos e de fenómenos que constituem o mundo."

Álvaro Nunes, “Ciência e Objetividade”, in https://criticanarede.com/anunescienciaeobjetivid

sexta-feira, 12 de março de 2021

Texto para resumo 11ºA (Margarida) e 11ºB (Sebastião)

 


O Valor dos testes

Existe um género de “enunciado” ou “hipótese” que os cientistas repetidamente submetem a testes sistemáticos. Tenho em mente os enunciados que consistem nas melhores conjeturas de um investigador sobre a maneira adequada de relacionar o seu próprio problema com o corpo do conhecimento científico aceite. Ele pode, por exemplo, conjeturar que [...] a obesidade dos seus ratinhos experimentais se deve a uma componente específica da respetiva dieta; ou que um padrão espetral recentemente descoberto se deve compreender como efeito do spin nuclear. Em cada caso, os passos seguintes na sua investigação visam provar ou testar a conjetura ou hipótese. Se ela passar testes suficientes ou bastante minuciosos, o cientista fez uma descoberta ou, pelo menos, resolveu o enigma que se propusera. Se não, deve abandonar completamente o enigma, ou tentar resolvê-lo com a ajuda de algumas outras hipóteses. Muitos problemas de investigação, embora decerto não todos, tomam esta forma. Testes deste género são uma componente normal do que denominei "ciência normal" ou "investigação normal", um empreendimento que explica a esmagadora maioria do trabalho feito na ciência básica. No entanto, em nenhum sentido usual esses testes se dirigem à teoria corrente. Pelo contrário, quando empenhado num problema de investigação normal, o cientista deve pôr como premissa a teoria corrente, a qual constitui as regras do seu jogo. O seu objetivo é resolver um enigma, de preferência um que outros não resolveram, e a teoria corrente é necessária para definir esse enigma e para garantir que, com o brilhantismo suficiente, ele possa ser resolvido. É natural que o praticante de tal empreendimento deva testar muitas vezes a solução conjetural do enigma, que o seu engenho lhe sugere. Mas só a sua conjetura pessoal é testada. Se falhar o teste, só a sua própria capacidade, e não o corpo da ciência vulgar, é impugnada. Em suma, embora ocorram frequentemente testes na ciência normal, estes testes são de um género especial, porque em última instância é o cientista individual, e não a teoria comum, que é testado.

Thomas Kuhn, "Lógica da descoberta ou Psicologia da Investigação", in A Tensão Essencial, Lisboa, Edições 70, 1989, pp. 328-329.

 

domingo, 23 de fevereiro de 2020

Texto para resumo Gonçalo 11B


Kuhn defende que a mudança de paradigmas não é um processo racional. A ideia é que não há qualquer padrão de racionalidade que irá avaliar e criticar os paradigmas sob um ponto de vista comum, já que cada paradigma possui seu conjunto de regras que só tem sentido dentro de sua própria teoria. Ora, se a pesquisa científica muda de método assim que mudam os paradigmas, então não existe um padrão comum que possa avaliar paradigmas concorrentes. Portanto, esses paradigmas ou modelos científicos são incomensuráveis, ou seja, incomparáveis. Isso quer dizer que, tomando dois exemplos de explicação das órbitas planetárias, é impossível comparar e dizer que modelo está certo ou errado, ou qual é mais plausível do que o outro: a teoria de Newton ou a de Ptolomeu. O conceito de verdade científica relativiza-se ao paradigma científico em causa. Um outro argumento de Kuhn para a incomensurabilidade dos paradigmas é o de que se a realidade da pesquisa científica é determinada pelos paradigmas, então cada teoria científica descreverá uma realidade diferente. E, portanto, toda disputa científica será absurda já que o que se disputa são duas realidades distintas. Logo, cada paradigma descreve sua realidade e é incomensurável com qualquer outro.
A escolha entre paradigmas ou teorias científicas consiste, de acordo com Kuhn, em disputas retóricas. A disputa entre dois paradigmas nada tem a ver com experimentos, análises metodológicas ou deduções, mas sim com o quão hábil forem os cientistas para estabelecerem suas regras, seus modelos, suas questões e sua ciência normal. Isto quer dizer que o fato de o modelo heliocêntrico do sistema solar ser considerado uma teoria verdadeira é conseqüência somente da habilidade de persuasão de seus defensores e não de uma determinação da argumentação racional nem de experiências acumuladas.
A teoria que Kuhn defende em seu livro sobre o avanço do conhecimento científico é uma teoria contrária à de que o conhecimento é produzido mediante um processo de acumulação de informações. Segundo ele, o processo acontece através de rupturas completas e súbitas de um paradigma para o outro. Nada do que foi pesquisado ou organizado no paradigma anterior será aproveitado no desenvolvimento futuro, pois são modificações de mundos e de nada adianta utilizarmos dados de um mundo em outro mundo totalmente diferente. A produção de conhecimento não é cumulativa e progressiva, mas fragmentada; assim, “(…) a transição [entre paradigmas] tem de ocorrer subitamente (embora não necessariamente num instante) ou então não ocorre jamais”.

Eduardo Dayrell de Andrade Goulart, Mudar de paradigma


quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

Texto para resumo - Mariana Fernandes - 11D

Thomas Kuhn (EUA - 1922/1996)
Os cientistas gostam de pensar que contribuem para a marcha constante do progresso. Cada nova descoberta corrige deficiências, traz aperfeiçoamentos ao conhecimento e torna a verdade cada vez mais clara. Voltam os olhos para a história da ciência e observam um contínuo desenvolvimento, convenientemente assinalado pelas grandes descobertas.

Essa visão, entretanto, é ilusória, segundo o historiador de ciência Thomas Kuhn, no livro The Structure of Scientific Revolutions (1962). A ciência não é uma transição suave do erro à verdade, mas sim uma série de crises ou revoluções, expressas como "mudanças de paradigmas".

Kuhn define "paradigma" como uma série de suposições, métodos e problemas típicos, que determinam para uma comunidade científica quais são as questões importantes, e qual a melhor maneira de lhes responder. (A óptica newtoniana e a psicanálise freudiana são bons exemplos.) Os estudos de Kuhn revelaram duas coisas: que os paradigmas são persistentes e que um derruba o outro de uma só tacada e não com pequenos golpes. O progresso científico é mais para uma série de transformações do que um crescimento orgânico -- Eureka

A vantagem de um paradigma é que ele concentra a pesquisa. Sem um paradigma, investigadores diferentes acumulam pilhas diferentes de dados quase ao acaso e ficam ocupados em dar um sentido ao caos e derrotar as teorias concorrentes para progredir de forma consistente. O problema com os paradigmas é que eles tendem tornar-se fechados e rígidos. Novos avanços tornam-se cada vez mais esotéricos e acessíveis apenas a quem os professa. Os cientistas que têm alguma coisa a oferecer mas rejeitam o paradigma, são frequentemente descartados como "excêntricos". Caminhos de pesquisa potencialmente frutíferos são bloqueados porque não partem de premissas aceites. Embora possibilite descobertas, todo paradigma, é também um tipo de cegueira: ele dispõe-nos a ver algumas coisas e a ignorar inteiramente outras.

Os paradigmas, entretanto, têm de sofrer mudanças quando os modelos antigos são convincentemente desafiados por novas evidências. Foi o que aconteceu, por exemplo, quando Galileu descobriu que Júpiter tinha luas e com isso ajudou a derrubar a astronomia Ptolomaica. (Nessas ocasiões, é claro que muitos, inclusive a Igreja, agarram-se desesperadamente aos velhos paradigmas.) O ponto central de Kuhn é que as mudanças de paradigmas, por serem bruscas e dilacerantes, desafiam a imagem idealizada da ciência como um progresso gradual e constante em direcção à Verdade. Enquanto um paradigma se mostrar eficiente -- enquanto uma comunidade científica o aceitar e ele explicar razoavelmente bem a natureza -- as pesquisas e as descobertas serão graduais e cumulativas. Porém, as inovações (observações inesperadas e anomalias) não são facilmente assimiladas pelos paradigmas. Pelo menos, não por muito tempo. Revoluções científicas -- mudanças de paradigmas -- são inevitáveis e necessárias, na medida que as teorias reinantes são incompletas ou cegas.

O que torna isso interessante para todos, não só para os cientistas, é que a mudança de um paradigma científico frequentemente acarreta uma nova, e às vezes atemorizante, visão do mundo. A revolução de Copérnico tirou o homem do centro do mundo e forçou-o a ver sob novas luzes a criação e o lugar que nela ocupa. Kepler, Newton e seus pares imaginaram um universo mecânico funcionando como um relógio -- um relógio no qual Deus nunca precisou dar corda novamente – o determinismo-. A relatividade de Einstein e a incerteza de Heisenberg, embora altamente técnicas nos detalhe, infiltraram-se na consciência popular, e o mundo aparece mais relativo e incerto do que nunca. A parte mais assustadora de todas é que o próximo paradigma não pode ser previsto, já que vemos o futuro através do paradigma que temos no presente.
o texto é uma síntese sobre a filosofia de Kuhn. retirada do Blog "Filosofia e ideias". 
Pode realizar uma pequena biografia de Kuhn.

quinta-feira, 7 de maio de 2015

quinta-feira, 15 de maio de 2014

Texto para resumo Kleber Sibingo 11I



Texto sobre a natureza dos Paradigmas científicos.

Os cientistas gostam de pensar que contribuem para a marcha constante do progresso. Cada nova descoberta corrige deficiências, traz aperfeiçoamentos ao conhecimento e torna a verdade cada vez mais clara. Voltam os olhos para a história da ciência e observam um contínuo desenvolvimento, convenientemente assinalado pelas grandes descobertas.

Essa visão, entretanto, é ilusória, segundo o historiador de ciência Thomas Kuhn, no livro The Structure of Scientific Revolutions (1962). A ciência não é uma transição suave do erro à verdade, mas sim uma série de crises ou revoluções, expressas como "mudanças de paradigmas".

Kuhn define "paradigma" como uma série de suposições, métodos e problemas típicos, que determinam para uma comunidade científica quais são as questões importantes, e qual a melhor maneira de lhes responder. (A óptica newtoniana e a psicanálise freudiana são bons exemplos.) Os estudos de Kuhn revelaram duas coisas: que os paradigmas são persistentes e que um derruba o outro de uma só tacada e não com pequenos golpes. O progresso científico é mais para uma série de transformações do que um crescimento orgânico -- Eureka

 
A vantagem de um paradigma é que ele concentra a pesquisa. Sem um paradigma, investigadores diferentes acumulam pilhas diferentes de dados quase ao acaso e ficam ocupados em dar um sentido ao caos e derrotar as teorias concorrentes para progredir de forma consistente. O problema com os paradigmas é que eles tendem tornar-se fechados e rígidos. Novos avanços tornam-se cada vez mais esotéricos e acessíveis apenas a quem os professa. Os cientistas que têm alguma coisa a oferecer mas rejeitam o paradigma, são frequentemente descartados como "excêntricos". Caminhos de pesquisa potencialmente frutíferos são bloqueados porque não partem de premissas aceites. Embora possibilite descobertas, todo paradigma, é também um tipo de cegueira: ele dispõe-nos a ver algumas coisas e a ignorar inteiramente outras.

Os paradigmas, entretanto, têm de sofrer mudanças quando os modelos antigos são convincentemente desafiados por novas evidências. Foi o que aconteceu, por exemplo, quando Galileu descobriu que Júpiter tinha luas e com isso ajudou a derrubar a astronomia Ptolomaica. (Nessas ocasiões, é claro que muitos, inclusive a Igreja, agarram-se desesperadamente aos velhos paradigmas.) O ponto central de Kuhn é que as mudanças de paradigmas, por serem bruscas e dilacerantes, desafiam a imagem idealizada da ciência como um progresso gradual e constante em direcção à Verdade. Enquanto um paradigma se mostrar eficiente -- enquanto uma comunidade científica o aceitar e ele explicar razoavelmente bem a natureza -- as pesquisas e as descobertas serão graduais e cumulativas. Porém, as inovações (observações inesperadas e anomalias) não são facilmente assimiladas pelos paradigmas. Pelo menos, não por muito tempo. Revoluções científicas -- mudanças de paradigmas -- são inevitáveis e necessárias, na medida que as teorias reinantes são incompletas ou cegas.

O que torna isso interessante para todos, não só para os cientistas, é que a mudança de um paradigma científico frequentemente acarreta uma nova, e às vezes atemorizante, visão do mundo. A revolução de Copérnico tirou o homem do centro do mundo e forçou-o a ver sob novas luzes a criação e o lugar que nela ocupa. Kepler, Newton e seus pares imaginaram um universo mecânico funcionando como um relógio -- um relógio no qual Deus nunca precisou dar corda novamente – o determinismo-. A relatividade de Einstein e a incerteza de Heisenberg, embora altamente técnicas nos detalhe, infiltraram-se na consciência popular, e o mundo aparece mais relativo e incerto do que nunca. A parte mais assustadora de todas é que o próximo paradigma não pode ser previsto, já que vemos o futuro através do paradigma que temos no presente.

 Retirado daqui

Thomas Kuhn e Ciência Normal


Ficha sobre T. Kuhn  (1922/1996)- 11º C - Para entregar até quarta-feira /21 de Maio/ Logosfera

[...A] «ciência normal» refere-se à investigação firmemente baseada numa ou mais realizações científicas passadas, realizações essas que uma certa comunidade científica reconhece por um tempo como base do trabalho que realiza. Essas realizações aparecem hoje em dia descritas nos manuais científicos, sejam eles elementares ou avançados, embora raramente na sua forma original. Estes manuais expõem o corpo teórico aceite, exemplificam muitas ou todas as suas aplicações bem-sucedidas e comparam estas aplicações com observações e experiências científicas exemplares. Antes de estes livros se tornarem populares no início do século XIX (e mais recentemente nas ciências que atingiram a maturidade mais tarde), muitos dos clássicos famosos da ciência desempenhavam uma função semelhante. A Física de Aristótles, o Almagesto de Ptolomeu, os Principia e a Óptica de Newton, a Electricidade de Franklin, a Química de Lavoisier e a Geologia de Lyell – estas e muitas outras obras serviram durante um tempo para definir implicitamente os problemas e métodos legítimos dentro de um campo de pesquisa para as gerações subsequentes de investigadores. Estas obras desempenharam este papel porque tinham em comum duas características essenciais. A realização científica que representavam era suficientemente inovadora para atrair um grupo de aderentes estável, afastando-os de formas rivais de actividade científica. Simultaneamente, eram de tal modo indefinidas que uma grande variedade de problemas eram deixados em aberto, ficando o grupo de investigadores que entretanto se reorganizara com a tarefa de procurar resolvê-los.

Referir-me-ei daqui em diante às realizações científicas que partilham estas duas características como «paradigmas», um termo muito próximo de «ciência normal». Ao escolhê-lo, quis sugerir que alguns exemplos aceites de prática científica concreta – exemplos que reúnem leis, teorias, aplicações e instrumentos – fornecem modelos que dão lugar a uma determinada tradição de investigação científica coerente. Falo das tradições que os historiadores descrevem sob rubricas como «astronomia ptolomaica» (ou «coperniciana»), «dinâmica aristotélica» (ou «newtoniana»), «óptica corpuscular» (ou «óptica ondulatória»), e assim por diante. O estudo dos paradigmas, incluindo muitos que são bastante menos especializados do que aqueles a que me referi acima, é aquilo que prepara fundamentalmente o estudante para se tornar membro da comunidade científica no seio da qual exercerá a sua prática. Pelo facto de se associar a homens que aprenderam as bases do seu campo de trabalho com os mesmos modelos, a sua prática subsequente dificilmente suscitará discordância aberta sobre questões fundamentais. Os homens cuja investigação se baseia em paradigmas partilhados empenham-se em seguir as mesmas regras e critérios de prática científica. Esse comprometimento e o consenso aparente que ele produz são requisitos da ciência normal, isto é, do nascimento e continuação de uma determinada tradição de estudo científico.

Thomas S. Khun, A estrutura das revoluções científicas (1963)(Lisboa, Guerra e Paz, 2009), pp. 31-32.

1. O que é e como funcionam os cientistas no período de "Ciência normal"?
2. Quais os critérios pelos quais determinadas obras teóricas constituem paradigmas de investigação?
3. O que é um Paradigma? Dê exemplos.
4. Qual a função destes Paradigmas?
5. A ciência evolui, então, de forma descontínua. Explique.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Como nascem os paradigmas



Poderemos pensar: " Não somos macacos" mas a verdade é que muitos procedimentos são mesmo assim, aceitamos porque nos acomodamos à solução que nos dão, para não criar conflitos. De algum modo, se aceitarmos este procedimento nas ciências, não poderíamos explicar a mudança.E, sem dúvida, as concepções de mundo, mudam mesmo com o tempo.