sexta-feira, 8 de maio de 2026

Texto para resumo Camila 11E - (Ver Regras pra a o resumo nas ligações à direita, ver versão do blogue na web)


Tal como noutras formas de fideísmo, Pascal parte da ideia de que não há provas adequadas de que Deus existe, nem de que não existe. Deste ponto de vista, há como que um empate das provas a favor e contra a existência de Deus. Contudo, este ponto de partida é uma consideração pessoal e subjectiva; não é o resultado de um exame cuidadoso e exaustivo das provas a favor e contra a existência de Deus. Concluir adequadamente que as provas para um lado e para o outro se anulam ou equilibram é muito mais difícil do que parece à primeira vista. Isto porque não basta apresentar algumas provas duvidosas; é preciso ser exaustivo e procurar as melhores provas a favor da existência de Deus. Depois, é preciso examiná-las para ver se são todas deficientes. (...) Como é evidente, fica-se surpreendido, e com razão, que seja um crente a declarar que afinal não há provas adequadas da existência de Deus. Nesse caso, por que razão continua ele a acreditar que Deus existe? Não seria muitíssimo mais razoável suspender a crença e adoptar uma posição agnóstica? Perante qualquer crença, seja ela religiosa ou não, há sempre três atitudes. Vejamos no caso da crença de que Deus existe: 1. Acreditar que Deus existe. 2. Acreditar que Deus não existe. 3. Não acreditar que Deus existe, nem que não existe. 1 é a posição de uma pessoa crente e 2 a de uma ateia. Ambas têm uma crença relativa à existência de Deus, e ambas contrastam com a posição 3, que é a da pessoa agnóstica. Esta última nem acredita que Deus existe, nem acredita que não existe; limita-se a suspender a crença. Isto é algo que fazemos muitas vezes. Por exemplo, é de prever que as pessoas, na sua maioria, não acreditam que existem extraterrestres inteligentes que pesam duzentos quilos; mas também não acreditam que não existem. Simplesmente, não têm qualquer crença quanto a isso. Este aspecto elementar da lógica da crença não é rejeitado por Pascal; porém, o seu raciocínio desenvolve-se pressupondo que, na prática, tanto faz acreditar que Deus não existe como não acreditar que existe, porque em ambos os casos não somos crentes. De modo que Pascal formula a questão em termos de duas alternativas apenas: acreditar ou não? E a resposta de Pascal é que é irracional não acreditar em Deus, se pensarmos cuidadosamente nas alternativas: 

  Deus existe e acredito; ganho o infinito. 

  Deus existe e não acredito; perco o infinito. 

  Deus não existe e acredito; o que perco não é significativo. 

  Deus não existe e não acredito; o que ganho não é significativo. 

 Chama-se aposta de Pascal à atitude de apostar na crença porque é a mais vantajosa das quatro alternativas. É a mais vantajosa porque promete um ganho infinito, nada de substancial se perdendo caso se perca a aposta. Em contraste, se não acreditarmos, arriscamo-nos a perder o infinito, e o que se ganha, se Deus realmente não existir, é negligenciável.

Desidério Murcho, retirado do Blogue "Estado da Arte"

quarta-feira, 6 de maio de 2026

Texto resumo Carolina 11E

" Um princípio fundamental de muitos sistemas teológicos, tanto ocidentais como orientais, é o de que podemos ligar-nos directamente e (absolutamente) com a coisa mais real: DEUS. Segundo estes sistemas, Deus é a realidade que subjaz à realidade de tudo, incluindo a realidade da experiência e do mundo exterior.Portanto, se a ciência não puder construir uma ponte entre a experiência e a realidade talvez a religião possa. Poderá o conhecimento de que Deus existe fornecer a ponte necessária entre a experiência e a realidade -entre os nossos estados mentais subjectivos e o mundo exterior? Talvez. Mas só se soubermos que Deus existe. Muitas pessoas pensam que sabem que Deus existe. Mas podem estar enganadas -mesmo que Deus exista de facto. (...) a sua crença verdadeira pode não estar baseada em provas adequadas, mas antes em considerações irrelevantes.Para que uma crença seja conhecimento, tem não apenas de ser verdadeira mas também de satisfazer uma condição complementar.Um candidato plausível a tal condição é o facto de a crença ter de estar baseada em provas adequadas. Assim, precisamos de perguntar: existirão provas adequadas quanto à existência de Deus? Parece claro que existe: o Universo. O mero facto de o Universo existir sugere que o Universo deve ter surgido de algures.Tudo tem de vir de algures. As mesas, as cadeiras, as árvores e por aí fora, não se limitam a surgir do nada.As mesase as cadeiras são feitas por pessoas, as árvores vêm das sementes e assim por diante. Também o Universo tem de vir de algum lado -teve de ter uma causa externa. Tudo tem de ter uma causa externa. E a única coisa que poderia ter causado o Universo é Deus. Mas esta aparente resposta óbvia cria um problema igualmente óbvio: se tudo tem de vir de algures, de onde vem Deus? Talvez não tenhamos de explicar de onde vem Deus porque Deus, ao contrário do Universo, existe sem qualquer causa externa. Nesse caso, contudo, estamos a contradizer grosseiramente a própria hipótese de que tudo tem de vir de algures. Sem essa hipótese, a existência do Universo deixa de constituir uma prova a favor da existência de Deus." Daniel Kolak e Raymond Martin Sabedoria sem respostas. Uma breve introdução à Filosofia,2002, Lisboa, Temas e Debates

segunda-feira, 4 de maio de 2026

Matriz para o 4º Teste de Filosofia - MAIO 2026

 


Matriz do 4º Teste de Filosofia 11ºAno

Este elemento de avaliação é composto por DOIS TESTES, cada um é avaliado de 0 a 20 valores.

Cada teste avalia competências diferentes:

O primeiro teste avalia a competência do domínio dos conceitos (Conceptualização) que vale

40% na avaliação final.

O segundo teste destina-se a avaliar as competências de Problematização e Argumentação que

valem 30% na avaliação final.

Primeiro Teste – Conceptualização - 10 questões de escolha múltipla (10x14 pontos=140

pontos); 2 questões de definição de conceitos (2x30 pontos=60 pontos) Total – 200 Pontos

Segundo Teste – Problematização e Argumentação - As perguntas colocadas implicam

desenvolvimento/explicação/justificação. 

Grupo I: Inclui a análise de uma obra de arte. É constituído por duas perguntas (2x35 = 70 Pontos)

Grupo II: Inclui um texto com duas perguntas (2x35= 70 Pontos)

Grupo III: Inclui uma pergunta de desenvolvimento para elaborar um texto argumentativo (1x60 = 60 Pontos)  - Total: 200 Pontos 

Competência transversal: Comunicação/ Correção escrita.



Competências:

A.         Competências relativas à Filosofia da Arte:

  1. Problematizar a questão da definição e valor da arte.

  2. Distinguir os conceitos de “critério classificativo” e de “critério valorativo”.

  3. Distinguir teorias essencialistas de teorias não essencialistas da arte.

  4. Explicitar as teses e objeções das teorias essencialistas (representacionista, expressivista e formalista) 

  5. Explicitar as teses e objeções das teorias não essencialistas da arte (institucional e histórico-intencional).

  6. Apontar os critérios classificativos e valorativos apresentados pelas diferentes teorias da arte.

  7. Esclarecer os principais conceitos propostos por cada teoria da arte. 

  8. Aplicar os critérios classificativos e valorativos de cada teoria a obras de arte concretas. 

  9. Identificar os autores das teorias da arte (mimética/representacionista – Platão e Aristóteles; expressivista – Lev Tolstoi; formalista – Clive Bell; institucional – George Dickie; histórico-intencional – Jerrold Levinson). 

  10. Avaliar criticamente as diferentes teorias da arte tendo em conta a sua posição pessoal



B.         Competências relativas à Filosofia da Religião:

  1. Definir as posições teísta, agnóstica, ateia, fideísta e deísta sobre a existência e conhecimento de Deus.

  2. Explicar os argumentos e objeções das provas ontológica, cosmológica e teleológica (do desígnio) sobre a existência de Deus.

  3. Relacionar o fideísmo radical e moderado. (11ºE)

  4. Apresentar o argumento denominado “A aposta de Pascal” e respetivas objeções.

  5. Formular o problema do Mal. 

  6. Elaborar a resposta de Leibniz  ao problema do Mal.  (11ºE)

  7. Avaliar a resposta de Leibniz ao problema do Mal.  (11ºE)

  8. Tomar posição sobre as provas da existência de Deus. 



C.        Competências gerais: 

 - Aplicar os conhecimentos adquiridos a novas situações.

- Elaborar respostas bem articuladas.

- Justificar as respostas dadas.

- Analisar corretamente os textos e as obras apresentadas.

- Comentar uma frase aplicando os conhecimentos obtidos.

- Tomar posições críticas bem fundamentadas.