quinta-feira, 9 de maio de 2019

11ºE - Relatório Beatriz Dias

1. Apresentação do site de onde é retirado o texto
2. Breve resumo do assunto e da problemática que o texto trata.
3. Salientar o problema ou problemas levantados.
4. Esclarecer a resposta a esses problemas e os argumentos que a defendem
5. Análise crítica.
6. Conclusão

Blaise Pascal era um filósofo e matemático francês que, no século XVII, argumentou a favor da existência de Deus recorrendo à ideia de “aposta” – a aposta de Pascal. No post Deus existe ou não? Vai uma aposta? encontra uma explicação simples e sumária desse argumento. Pascal formulou o argumento em termos matemáticos, como explica Leonard Mlodinow.
“Pascal fez uma análise pormenorizada dos prós e dos contras do dever para com Deus como se estivesse a calcular matematicamente a sensatez de uma aposta.
A sua grande inovação foi o método de pesar estes prós e contras, um conceito a que se dá hoje o nome de esperança matemática.
A esperança matemática é um importante conceito, não só nos jogos de azar como na tomada de decisões. Com efeito, a aposta de Pascal é muitas vezes considerada a fundação da disciplina matemática da teoria dos jogos, o estudo quantitativo das estratégias de decisão óptimas nos jogos.
O raciocínio de Pascal era o seguinte. Admitamos que não sabemos se Deus existe ou não, e, por conseguinte, atribuamos uma probabilidade de 50% para cada uma das proposições. Como pesar esta probabilidade na decisão de levar ou não uma vida piedosa? Se vivermos piedosamente e Deus existir, argumentava Pascal, o nosso ganho – a felicidade eterna – é infinito. Se, por outro lado, Deus não existir, a nossa perda, ou lucro negativo, é pequena – os sacrifícios da piedade. E, para pesar estes possíveis ganhos e perdas, Pascal propunha que se multiplicasse a probabilidade de cada resultado possível pela sua recompensa e se somasse tudo, formando uma espécie de recompensa média ou esperada. Por outras palavras, a esperança matemática do nosso lucro com a piedade é metade de infinito (o ganho se Deus existir) menos metade de um número pequeno (a nossa perda se Ele não existir). Pascal sabia o suficiente sobre o infinito para saber que a resposta deste cálculo era infinito, pelo que o lucro esperado com a piedade é infinitamente positivo. E assim, concluiu Pascal, qualquer pessoa sensata deve seguir as leis de Deus. Hoje, chama-se a este argumento a aposta de Pascal.”

Leonard Mlodinow, O Passeio do Bêbado, Editorial Bizâncio, Lisboa, 2009, pág. 92.

Retirado do blogue "Dúvida metódica"

quinta-feira, 2 de maio de 2019

segunda-feira, 29 de abril de 2019

segunda-feira, 22 de abril de 2019

quinta-feira, 11 de abril de 2019

Correção da prova de Março 2019

 Bansky,



1. Compare a partir dos textos as perspetivas de Popper e Kuhn acerca da objetividade da ciência.

Para Kuhn não há verdadeiro progresso ou evolução porque os paradigmas que se vão sucedendo são incomensuráveis, isto é, não podem ser comparados porque apresentam diferentes formas de trabalhar, de selecionar fenómenos e novos princípios metafísicos.


Há, portanto, na evolução da ciência, cortes abruptos que correspondem a revoluções científicas, de mudanças de paradigma. As revoluções científicas sucedem-se a períodos criativos em que há teorias diferentes e a comunidade científica não forma consenso acerca de nenhuma delas. A escolha de uma teoria pela comunidade científica equivale a um acordo sobre a forma proposta de explicar os fenómenos. Uma vez acordado, ele torna-se exemplar e guia a comunidade para um desenvolvimento desta conceção dando origem a um novo paradigma e a uma nova fase de ciência normal. Todavia não há objetividade na escolha dos Paradigmas visto que este consenso é muitas vezes impossível e a escolha é influenciada por fatores externos aos critérios objetivos.
Segundo o texto:” a substituição de uma teoria científica dominante é como uma conversão religiosa, pois a comunidade científica não é um agente racional coletivo que, de uma maneira objetiva, pesa razões a favor e contra as teorias concorrentes”.

Para Popper, a ciência evolui no sentido de uma aproximação à verdade na medida em que se faz eliminando os erros das teorias e substituindo-as por outras mais abrangentes e consistentes com os factos observados. Visto que a ciência se faz num processo racional de conjeturas e refutações em que o papel da subjetividade tende a diminuir pois o cientista trabalha no sentido de fazer previsões arriscadas de modo a testar de os limites de cada teoria. Embora não haja qualquer espécie de certezas pois o progresso científico é um sistema em aberto e nenhuma teoria é verdadeira mas apenas provisoriamente corroborada. A substituição de uma teoria por outra é um processo de seleção em que as novas teoria aperfeiçoam as antigas na medida em que não cometem os mesmos erros da anterior, explicam os fenómenos das anteriores e ainda explicam novos fenómenos. Daí haver continuidade na evolução científica.
Segundo o texto: a comunidade científica avança com base numa argumentação sólida sustentada por indícios empíricos sólidos.

2. Aquilo que chamamos ciência, segundo a perspetiva do filósofo das ciências Thomas Kuhn, passa por períodos muito distintos. Descreva os períodos de evolução da ciência.

Para Kuhn as teorias científicas funcionam como paradigmas, isto é trazem consigo uma visão do mundo e certos métodos de trabalho, assim como princípios metodológicos e metafísicos. Os cientistas ao aceitarem uma teoria como um novo paradigma científico trabalham no sentido de ampliar os seus resultados e confirmar as suas previsões. A comunidade científica trabalha no âmbito dos paradigmas e não os põe em causa, mesmo que surjam anomalias. O processo de desenvolvimento da Ciência começa com a instituição de um Paradigma e o trabalho científico visa tornar mais consistente e abrangente esse paradigma resolvendo os enigmas que este vai colocando à medida que vai sendo alargado na explicação de outros fenómenos. Este período de resolução de enigmas caracteriza-se por ser acrítico, pois não há disposição para pôr em causa as metodologias de trabalho que foram aceites, assim como os princípios e a validade das teorias, Kuhn chama-lhe um Período de Ciência Normal. Com o desenvolvimento teórico e prático do Paradigma vão surgindo anomalias que se vão acumulando até pôr em causa a atividade que está a ser feita, entra-se numa crise em que a descrença em relação ao modelo seguido leva ao seu abandono e começam a surgir novas teorias concorrentes que explicam as anomalias anteriormente irresolúveis.. Neste período, denominado Ciência Extraordinária, a comunidade científica tem de escolher uma teoria que pela sua abrangência, simplicidade, precisão, consistência e fecundidade, assim como o prestígio do cientista que a apresenta, possa ser unificadora da comunidade e possa constituir um novo Paradigma. Quando isso acontece dá-se uma revolução científica, isto é: a substituição de um Paradigma por outro.

3. Esta obra de Banski pode ser considerada uma obra de arte porque satisfaz os critérios que definem uma obra de arte, segundo as teorias da arte como imitação ou representação, a arte como expressão e a arte como forma significante.
Primeiramente representa uma criança de forma fiel pois facilmente se identifica a realidade que trata a pintura, trata-se de representar uma criança entre furiosa e triste, com alguma coisa que a perturba. Também expressa  o sentimento de indignação do artista perante o estado do mundo estar até na infância dependente das relações com uma máquina e com as redes sociais e a comunicação que é feita a partir desta. Essa indignação é clara e está presente na forma como o rapaz transmite a sua angústia e a sua frustração por não ter “Gostos” nem amigos nem mensagens. Pode ainda ser interpretado como uma falta de comunicação geral na sua vida, uma espécie de vazio comunicacional. Por fim, poderemos falar na emoção estética que estas formas nos podem transmitir, como se a criança sobressaísse na parede rugosa também ela presa nessa cidade onde não há nenhum vestígio de humanidade.

4. O conceito de arte é um conceito em aberto porque nenhuma definição pode adequar-se à pluralidade de géneros e de obras que são consideradas arte, daí que todas as definições são incompletas porque não se aplicam a toda a arte mas apenas a algumas obras, deixando de fora outras que são igualmente arte mas que não podem ser vistas á luz de um determinado conceito. Assim, a teoria de arte como representação tem como objeção, o facto de não sabermos se a obra representa bem ou não objetos inexistentes próprios da imaginação, assim como não sabemos se a arte abstrata representa alguma coisa, parece que não representa nada. No entanto ninguém pode negar que a arte abstrata seja arte. No caso da teoria de arte como expressão, não podemos saber os sentimentos do artista se este já morreu e também não podemos falar em sentimentos no caso de arte abstrata ou no caso do artista fingir sentimentos que não possui (cínico). Em relação à forma significante há duas objeções fortes, embora esta teoria se possa adaptar a todo o tipo de obras, desde a arquitetura, música fica por explicar o que é uma forma significante, os seus defensores afirmarão que é a forma que produz uma emoção estética, mas se perguntarmos o que é uma emoção estética os autores responderão que é a forma significante que algumas obras revelam, este raciocínio é uma petição de princípio e, como tal, não é válido. Há ainda outra objeção que é o caso de podermos não sentir emoção estética por obras que são de arte sem qualquer dúvida, a sensibilidade do público pode não estar apta a deixar-se envolver esteticamente por uma obra como a Mona Lisa e, no entanto é inquestionável que se trata de uma obra de arte.

terça-feira, 26 de março de 2019

Correcção do exercício de revisões.


Tema: O conhecimento científico.

1. Falso.( A linguagem não é a única característica que distingue o senso comum do conhecimento científico, há outras como o método, o sistema, a crítica, a evolução)
2. Verdadeiro.
3. Verdadeiro.
4. Verdadeiro.
5. Verdadeiro.
6. Falso. (O "defeito" do critério de verificabilidade é que não serve para descrever uma lei científica. Como uma lei é universal é impossível verificar empiricamente todos os casos)
7. Falso. (A experiência é limitada logo, não podemos verificar empiricamente uma afirmação universal)
8. Demarcação.
9. Falso. (A Psicanálise não é uma ciência mas uma pseudociência).
10. Verdadeiro.
11. Falso. ( A investigação científica começa com um facto problema a partir do qual se coloca uma hipótese de explicação da qual se deduzem consequências empíricas que irão ser testadas)
12. Falso. (O método indutivo parte da observação de casos particulares , dos quais se retira um padrão comum que depois se generaliza para todos. Exemplo: Estes cisnes observados são brancos, logo, todos os cisnes são brancos).
13. Verdadeiro.
14. Falso. ( Parte de um facto/problema e de uma hipótese teórica)
15. Verdadeiro.
16. Verdadeiro.
17. Verdadeiro.
18. Verdadeiro.
19. Falso. ( A revolução científica consiste na mudança de paradigma científico por parte da comunidade científica)
20. Verdadeiro.

terça-feira, 19 de março de 2019

Matriz para o teste de 27 de Março de 2019


Pintura contemporânea Mark Rothko

Estrutura:

Prova para 90m
Texto. Referência ao texto.
Quatro perguntas de construção. 4x30 =120 Pontos 
16 perguntas de seleção: Escolha múltipla. 16x5=80 Pontos
Conteúdos/Competências específicas: 
1. Relacionar e distinguir a ciência e senso comum. Aspetos em comum e aspetos distintos.
2. Explicar em que consiste o método indutivo e o método hipotético e/ou dedutivo.
3. Expor as objeões de Karl Popper ao método indutivo.
4. Enunciar o problema da indução.
5. A proposta da filosofia das ciências de Popper: O falsificacionismo.
a. Esclarecer o significado da proposição: "a ciência progride por conjeturas e refutações"
b. Explicar os dois critérios para demarcar ciência e pseudociência: verificacionismo e falsificacionismo.
c. Identificar os enunciados científicos e não científicos segundo estes dois critérios.
2.b. Distinguir o método falsificacionista do método verificacionista
6. A racionalidade científica. A questão da objetividade.
6.a. Contrastar duas posições (de Popper e Kuhn) sobre a objetividade da ciência.
6.b. Problematizar a evolução contínua ou descontínua da ciência utilizando as teorias de Popper e Kuhn.
6.c. Tomar uma posição crítica em relação ao problema e argumentar a favor de uma das posições.
7.A proposta da filosofia das ciências de  Thomas Kuhn.
7.a. Apresentar os critérios de escolha de uma teoria científica.
7.b. Demonstrar o procedimento habitual da ciência: Paradigma 1; Ciência normal; Enigma; Anomalia; Crise; Ciência Extraordinária; Revolução científica; Paradigma 2
7.c. Justificar a noção de incomensurabilidade dos paradigmas.
7.d. Definir o paradigma e a sua importância na história da ciência.
8. Teorias sobre a Arte.
a.  Compreender as teses e vantagens de cada uma das teorias sobre a Arte: Teoria da Imitação/Representação; Teoria da Expressão; Teoria Formalista ou da Forma significante.
b. Contrapor objecções a cada uma das teorias.
c. Interpretar uma obra segundo um destes critérios.
d. Avaliar, com argumentos, a melhor teoria.

Matéria de Revisões:
Descartes: As etapas do método, a dúvida metódica e as primeiras verdades evidentes. 

Competências Gerais:
Dominar os conhecimentos exigidos.
Compreender as várias regras e aplica-las. de forma correta.
Expor de forma clara e objetiva o pensamento.
Aplicar os conhecimentos adquiridos a novas situações.
Avaliar e identificar os argumentos e teses (conclusão) dos textos.
Justificar com razões fortes as afirmações proferidas.
Escrever corretamente.

 Critérios de correção:
Apresentar os conteúdos considerados relevantes de forma completa
Apresentar esses conteúdos de forma clara, articulada e coerente;
Evidenciar uma utilização adequada da terminologia filosófica;
Evidenciar a interpretação adequada dos documentos apresentados
Evidenciar capacidade de argumentação e de crítica.


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segunda-feira, 18 de março de 2019

quarta-feira, 13 de março de 2019

Texto para resumo Miguel Pop 11D

O que é a arte?
Definir a Arte é uma das questões mais complicadas para a Filosofia. Uma definição absoluta ou de caráter universal da Arte é o que os pensadores da Estética e da Filosofia da Arte vêm tentando desenvolver, porque isso implica, também, numa possível essência da Arte, a qual foi questionada bastante pelo filósofo Immanuel Kant.
A falta dessa definição pode inviabilizar o que pode ser Arte ou não e o que pode ser uma boa Arte ou não. Implicará também quais métodos seguir para ser um artista de fato. É a tentativa de formalizar os trabalhos artísticos.
E se já possui como “costume intelectual” um pensamento que, ao passar do tempo e com a experiência de gerações e mais gerações, a partir de uma definição sobre um determinado objeto de estudo, este vai se tornando mais sólido e mais claro, como um axioma à lá cartesiano, no sentido de que seria um instrumento que bem manejado levaria o homem à verdade ou, pelo menos, à aceitação de um conceito universal, na Arte isso tudo se inverte, pois uma teoria realmente aceitável sobre ela demonstra estar cada vez mais longe se comparando no tempo de Platão. A cada momento, a cada movimento artístico, novas teorias são criadas e se distanciam do que se esperava ser a Arte.
Seguindo essa lógica, não é fácil encontrar uma teoria correta da Arte, como se fosse encontrar uma teoria correta da Física, como a Relatividade de Albert Einstein. Não que a Relatividade seja fácil de ser encontrada, mas que ao passar do tempo ela se solidifica, se complementa com novos estudos ou persiste por muito tempo antes de ser derrubada por outra conjectura, o que não acontece normalmente no mundo artístico, pois sempre há insuficiência das teorias neste mundo.
Porém, essa toda dificuldade de definir a arte é devido ao uso de uma lógica predominantemente ocidental. Weitz (1956, p.2) diz que “a arte, tal como a lógica do conceito mostra, não tem nenhum conjunto de propriedades necessárias e suficientes; logo, uma teoria acerca dela é logicamente impossível e não apenas factualmente impossível”. Ou seja, a lógica predominante, a razão ocidental, não pode criticar a arte diretamente, pois a sua linguagem é conceitual e a linguagem artística não é conceitual. A experiência artística é transgressiva com a linguagem conceitual, onde esta linguagem é característica da lógica formal ou da razão dominante ocidental.
Weitz (1956, p.2) diz que “a teoria estética -- toda ela -- está errada em princípio ao pensar que uma teoria correta é possível uma vez que adultera radicalmente a lógica do conceito de arte. É falsa a sua principal contenda de que a 'arte' é susceptível de uma definição real ou de outro tipo de definição verdadeira”.
A arte, tal como a lógica do conceito mostra, não tem nenhum conjunto de propriedades necessárias e suficientes; logo, uma teoria acerca dela é logicamente impossível e não apenas factualmente impossível.

quarta-feira, 6 de março de 2019

domingo, 3 de março de 2019

TEXTO PARA RESUMO - Kevin Romero - 11D

Thomas Kuhn e Che Guevara

[...A] «ciência normal» refere-se à investigação firmemente baseada numa ou mais realizações científicas passadas, realizações essas que uma certa comunidade científica reconhece por um tempo como base do trabalho que realiza. Essas realizações aparecem hoje em dia descritas nos manuais científicos, sejam eles elementares ou avançados, embora raramente na sua forma original. Estes manuais expõem o corpo teórico aceite, exemplificam muitas ou todas as suas aplicações bem-sucedidas e comparam estas aplicações com observações e experiências científicas exemplares. Antes de estes livros se tornarem populares no início do século XIX (e mais recentemente nas ciências que atingiram a maturidade mais tarde), muitos dos clássicos famosos da ciência desempenhavam uma função semelhante. A Física de Aristótles, o Almagesto de Ptolomeu, os Principia e a Óptica de Newton, a Electricidade de Franklin, a Química de Lavoisier e a Geologia de Lyell – estas e muitas outras obras serviram durante um tempo para definir implicitamente os problemas e métodos legítimos dentro de um campo de pesquisa para as gerações subsequentes de investigadores. Estas obras desempenharam este papel porque tinham em comum duas características essenciais. A realização científica que representavam era suficientemente inovadora para atrair um grupo de aderentes estável, afastando-os de formas rivais de actividade científica. Simultaneamente, eram de tal modo indefinidas que uma grande variedade de problemas eram deixados em aberto, ficando o grupo de investigadores que entretanto se reorganizara com a tarefa de procurar resolvê-los. 

Referir-me-ei daqui em diante às realizações científicas que partilham estas duas características como «paradigmas», um termo muito próximo de «ciência normal». Ao escolhê-lo, quis sugerir que alguns exemplos aceites de prática científica concreta – exemplos que reúnem leis, teorias, aplicações e instrumentos – fornecem modelos que dão lugar a uma determinada tradição de investigação científica coerente. Falo das tradições que os historiadores descrevem sob rubricas como «astronomia ptolomaica» (ou «coperniciana»), «dinâmica aristotélica» (ou «newtoniana»), «óptica corpuscular» (ou «óptica ondulatória»), e assim por diante. O estudo dos paradigmas, incluindo muitos que são bastante menos especializados do que aqueles a que me referi acima, é aquilo que prepara fundamentalmente o estudante para se tornar membro da comunidade científica no seio da qual exercerá a sua prática. Pelo facto de se associar a homens que aprenderam as bases do seu campo de trabalho com os mesmos modelos, a sua prática subsequente dificilmente suscitará discordância aberta sobre questões fundamentais. Os homens cuja investigação se baseia em paradigmas partilhados empenham-se em seguir as mesmas regras e critérios de prática científica. Esse comprometimento e o consenso aparente que ele produz são requisitos da ciência normal, isto é, do nascimento e continuação de uma determinada tradição de estudo científico. 

Thomas S. Khun, A estrutura das revoluções científicas (Lisboa, Guerra e Paz, 2009), pp. 31-32.

Arte como expressão

Caverna de Chauvet, arte pré-histórica com 36.000 anos

(...) É antes de mais, necessário deixar de considerar (a arte) um meio para o prazer e considerá-la uma das condições da vida humana. Vista deste modo, é impossível deixar de reparar que a arte é um dos meios das pessoas se relacionarem.

Toda a arte faz aquele que a aprecia entrar num certo tipo de relação, quer com aquele que a produziu ou está produzindo, quer com todos aqueles que simultânea, prévia ou posteriormente, recebem a mesma impressão artística.

Tal como as palavras, que ao transmitir pensamentos e experiências das pessoas, servem como um meio de união entre elas, também a arte atua de forma semelhante. A particularidade desta última forma de relacionamento, e que a distingue do tipo de relacionamento por meio de palavras, consiste nisto: enquanto por meio de palavras uma pessoa transmite a outra os seus pensamentos, pela arte transmite as suas emoções.
(...)
A arte é uma atividade humana que consiste nisto: em uma pessoa conscientemente, por intermédio de certos sinais externos, levar a outras pessoas a sentimentos de que teve experiência e que estas sejam contagiadas por tais sentimentos e deles também tenham experiência.
A arte não é, como os metafísicos dizem, a manifestação de alguma ideia misteriosa de belo ou de Deus ; não é, como os psicólogos estéticos dizem, um jogo que serve para descarregar o excesso de energia acumulada; não é apenas a expressão das emoções de uma pessoa através de sinais externos; não é a produção de objetos que agradem; e acima de tudo, não é prazer; mas é um meio de união entre pessoas, unindo-as nos mesmo sentimentos, indispensável à vida e ao progresso em direção ao bem-estar dos indivíduos e da humanidade. (…)
Os sentimentos com que o artista contagia os outros podem ser os mais variados -muito fortes ou muito fracos, muito importantes ou muito insignificantes, muito maus ou muito bons: sentimentos de amor pelo seu próprio país, de entrega e submissão ao destino ou a Deus expressos numa peça dramática, arrebatamentos de amantes descritos numa novela, sentimentos de volúpia expressos num quadro, coragem expressa numa marcha triunfal, felicidade evocada numa dança, humor evocado numa história divertida, o sentimento de serenidade transmitido por uma paisagem ou por uma canção de embalar, ou o sentimento de admiração evocado por um belo arabesco - tudo isso é arte.
Desde que os espectadores ou ouvintes sejam contagiados pelos mesmos sentimentos que o autor sentiu, há arte."

Leão Tolstoi, O que é a Arte.Leão Tolstoi, O que é a arte?
Tradução de Aires de Almeida

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

Texto para resumo - Mariana Fernandes - 11D

Thomas Kuhn (EUA - 1922/1996)
Os cientistas gostam de pensar que contribuem para a marcha constante do progresso. Cada nova descoberta corrige deficiências, traz aperfeiçoamentos ao conhecimento e torna a verdade cada vez mais clara. Voltam os olhos para a história da ciência e observam um contínuo desenvolvimento, convenientemente assinalado pelas grandes descobertas.

Essa visão, entretanto, é ilusória, segundo o historiador de ciência Thomas Kuhn, no livro The Structure of Scientific Revolutions (1962). A ciência não é uma transição suave do erro à verdade, mas sim uma série de crises ou revoluções, expressas como "mudanças de paradigmas".

Kuhn define "paradigma" como uma série de suposições, métodos e problemas típicos, que determinam para uma comunidade científica quais são as questões importantes, e qual a melhor maneira de lhes responder. (A óptica newtoniana e a psicanálise freudiana são bons exemplos.) Os estudos de Kuhn revelaram duas coisas: que os paradigmas são persistentes e que um derruba o outro de uma só tacada e não com pequenos golpes. O progresso científico é mais para uma série de transformações do que um crescimento orgânico -- Eureka

A vantagem de um paradigma é que ele concentra a pesquisa. Sem um paradigma, investigadores diferentes acumulam pilhas diferentes de dados quase ao acaso e ficam ocupados em dar um sentido ao caos e derrotar as teorias concorrentes para progredir de forma consistente. O problema com os paradigmas é que eles tendem tornar-se fechados e rígidos. Novos avanços tornam-se cada vez mais esotéricos e acessíveis apenas a quem os professa. Os cientistas que têm alguma coisa a oferecer mas rejeitam o paradigma, são frequentemente descartados como "excêntricos". Caminhos de pesquisa potencialmente frutíferos são bloqueados porque não partem de premissas aceites. Embora possibilite descobertas, todo paradigma, é também um tipo de cegueira: ele dispõe-nos a ver algumas coisas e a ignorar inteiramente outras.

Os paradigmas, entretanto, têm de sofrer mudanças quando os modelos antigos são convincentemente desafiados por novas evidências. Foi o que aconteceu, por exemplo, quando Galileu descobriu que Júpiter tinha luas e com isso ajudou a derrubar a astronomia Ptolomaica. (Nessas ocasiões, é claro que muitos, inclusive a Igreja, agarram-se desesperadamente aos velhos paradigmas.) O ponto central de Kuhn é que as mudanças de paradigmas, por serem bruscas e dilacerantes, desafiam a imagem idealizada da ciência como um progresso gradual e constante em direcção à Verdade. Enquanto um paradigma se mostrar eficiente -- enquanto uma comunidade científica o aceitar e ele explicar razoavelmente bem a natureza -- as pesquisas e as descobertas serão graduais e cumulativas. Porém, as inovações (observações inesperadas e anomalias) não são facilmente assimiladas pelos paradigmas. Pelo menos, não por muito tempo. Revoluções científicas -- mudanças de paradigmas -- são inevitáveis e necessárias, na medida que as teorias reinantes são incompletas ou cegas.

O que torna isso interessante para todos, não só para os cientistas, é que a mudança de um paradigma científico frequentemente acarreta uma nova, e às vezes atemorizante, visão do mundo. A revolução de Copérnico tirou o homem do centro do mundo e forçou-o a ver sob novas luzes a criação e o lugar que nela ocupa. Kepler, Newton e seus pares imaginaram um universo mecânico funcionando como um relógio -- um relógio no qual Deus nunca precisou dar corda novamente – o determinismo-. A relatividade de Einstein e a incerteza de Heisenberg, embora altamente técnicas nos detalhe, infiltraram-se na consciência popular, e o mundo aparece mais relativo e incerto do que nunca. A parte mais assustadora de todas é que o próximo paradigma não pode ser previsto, já que vemos o futuro através do paradigma que temos no presente.
o texto é uma síntese sobre a filosofia de Kuhn. retirada do Blog "Filosofia e ideias". 
Pode realizar uma pequena biografia de Kuhn.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2019

Correção teste Fevereiro 2019



1. (11D) O conhecimento científico e o senso comum são dois tipos de conhecimento ou duas formas de sabedoria que se podem completar para a constituição de uma visão mais equilibrada e justa do mundo. Por vezes apontam para soluções opostas, outras vezes o senso comum acaba por assumir as posições científicas, outras ainda a ciência acaba por explicar velhas crenças do senso comum, como conclusão poderíamos dizer que ambos se preocupam por encontrar soluções satisfatórias para os vários problemas práticos que se vão colocando, embora o conhecimento científico também tenha uma ambição teórica visto que ele quer explicar através de teorias abrangentes, vários fenómenos diferentes, enquanto que o senso comum não é teórico mas prático, vai acumulando um saber fruto das experiências e dos costumes passados fundamentados na “perceção” direta do mundo, na sua aparência imediata e na transmissão oral “ contextualizadas na perceção e na língua” como refere o texto.  O ideal de objetividade da ciência corta com esta visão do mundo imediata e apresenta-nos uma outra natureza fruto de uma investigação metódica  e de uma experimentação artificial e construída racionalmente . A linguagem científica pretende ultrapassar as ambiguidades comuns da língua e , para isso, encontrou uma simbologia matemática consensual entre a comunidade científica e precisa nos elementos que evoca.
Deste modo, o conhecimento científico por ser metódico e por querer atingir uma explicação universal dos fenómenos a partir de um conjunto de hipóteses racionais que forçam a natureza a responder às suas questões, acaba com a espontaneidade do senso comum e com a sua subjetividade prática e utilitária. De facto a ciência não aspira apenas à solução dos problemas quotidianos, ela visa compreender a natureza como um todo, as suas leis e as relações uniformes entre os fenómenos.

Há uma lentidão e resistência do senso comum a ideias novas que possam entrar em contradição com aquilo que habitualmente pensa o que se traduz numa dimensão conservadora e fortemente tradicional que pode resultar como travão para um avanço demasiado rápido das tecnologias que resultam da investigação científica. Este fator pode ser encarado positivamente como adequação entre um pensar coletivo, mais lento na assimilação de novas práticas e ideias, e a comunidade e interesses mercantis da ciência, mais rápidos e sempre em mutação. O senso comum é acrítico, isto é, não se deixa refutar mesmo que novos factos possam desmentir as suas crenças. Esta característica produz uma sensação de desfasamento que pode identificar o senso comum com o preconceito uma vez que se agarra a verdades eternas que nada têm que as justifique senão a tradição. Contrariamente, o conhecimento científico tem uma forte exigência  crítica sobre si próprio; as teorias científicas exigem o confronto com a experiência e a contínua revisão e aperfeiçoamento  das suas teorias de acordo com os testes a que vão sendo sujeitas. Estas características a crítica e a revisão constante, dão credibilidade e segurança ao conhecimento científico. Por estar continuamente a ser revisto, aperfeiçoado, e retificado ou refutado através de testes empíricos, este conhecimento evolui e está em constante e rápida mudança. 

O senso comum é útil para servir de limite aos excessos da ciência mas também pode constituir um obstáculo ao seu avanço porque tem dificuldade em aceitar e compreender tudo o que não se adapta ou está na margem das suas certezas. Parte dos dados dos sentidos ( o que se faz, o que se ouve, o que se pensa, o que acontece) e acumula factos de áreas diferentes que são também produto de diferentes costumes culturais, por exemplo a mesma doença pode ter vários tratamentos tradicionais consoante a área geográfica ou cultural, o seu procedimento não é pois metódico nem organizado mas fragmentado e ocasional, enquanto o conhecimento científico é um tipo de saber organizado em disciplinas científicas como a Biologia, a História etc e que pretende ser universal, a mesma metodologia científica é imposta a todas as comunidades científicas seja qual for o lugar no mundo.

2..Segundo Popper a prática científica não é afetada pelo problema da indução levantado por
Hume. Porquê? Na sua resposta comece por apresentar o problema da indução levantado
por Hume.
O problema da indução, tal como é exposto por David Hume, consiste em demonstrar que a
crença na indução não está justificada porque ultrapassa a experiência e a razão, isto é, não
pode ser justificada nem empiricamente nem racionalmente. Acreditamos que a natureza é
uniforme e, por isso acreditamos que aquilo que aconteceu de uma determinada maneira irá
acontecer do mesmo modo no futuro. Esse é o pressuposto que garante as nossas
generalizações futuras, mas esse pressuposto já resulta ele próprio de uma generalização e de
uma previsão, isto é, aquilo que garante a validade de uma indução é conseguido através da
indução, utiliza-se o mesmo processo para validar algo que devia ser validado por um outro
conhecimento onde se pudesse fundar. Há assim um raciocínio falacioso, uma petição de
princípio.
A crítica de Popper à indução coloca-se em 3 passos:
a) Não há observação neutra pois esta já é direcionada por um problema teórico.
b) As leis científicas não resultam de uma generalização a partir de casos particulares porque
elas são universais e a generalização só é válida para os casos observados.
c) A conclusão de um raciocínio indutivo é sempre provável, assim as leis científicas teriam de
ser probabilísticas e não são, logo não podem resultar de um raciocínio indutivo.
A teoria epistemológica de Popper ultrapassa o indutivismo da ciência ao propor um novo
método: o falsificacionismo. O falsificacionismo é, simultaneamente, um critério de
demarcação científica, isto é, um critério para separar conhecimento científico e não científico;
e, por outro lado, uma nova forma de compreender a metodologia das ciências propondo
como realmente científica uma metodologia hipotética e dedutiva e não indutiva.
A resposta integra os aspetos seguintes, ou outros igualmente relevantes. Apresentação da
justificação de Popper para que o método da discussão crítica não estabeleça coisa alguma: – o
método científico é o método da discussão crítica, e consiste em testar (empiricamente)
teorias que são propostas como respostas a problemas; – testar uma teoria implica pô-la à
prova, e pôr uma teoria à prova consiste em tentar falsificar/refutar a teoria em causa,
sujeitando-a a «testes rigorosos»; – caso a teoria não supere os testes (empíricos) a que foi
submetida, considera-se que foi falsificada, devendo ser rejeitada ou revista/reformulada, e
novamente submetida a testes; – caso a teoria supere os testes (empíricos) a que foi
submetida, não se pode considerar que foi confirmada (apenas se pode considerar que foi
corroborada), pois existe a possibilidade de um teste (empírico) futuro a falsificar; – (o método
crítico funciona negativamente, pois) uma teoria, ainda que supere testes (empíricos)
rigorosos, nunca pode ser estabelecida como verdadeira (nem como provavelmente
verdadeira): apenas se pode afirmar que «parece ser a melhor que está disponível».

3. Será que o conhecimento científico vai evoluindo no sentido de se aproximar da
verdade? 2 Posições sobre este problema Thomas Kuhn e Karl Popper.
Para Kuhn não há verdadeiro progresso ou evolução porque os paradigmas que se vão
sucedendo são incomensuráveis, isto é, não podem ser comparados porque apresentam
diferentes formas de trabalhar, de selecionar fenómenos e novos princípios metafísicos.
Há, portanto, na evolução da ciência, cortes abruptos que correspondem a revoluções
científicas, de mudanças de paradigma. As revoluções científicas sucedem-se a períodos
criativos em que há teorias diferentes e a comunidade científica não forma consenso acerca de
nenhuma delas. A escolha de uma teoria pela comunidade científica equivale a um acordo
sobre a forma proposta de explicar os fenómenos. Uma vez acordado, ele torna-se exemplar e
guia a comunidade para um desenvolvimento desta conceção dando origem a um novo
paradigma e a uma nova fase de ciência normal. Todavia não há objetividade na escolha dos
Paradigmas visto que este consenso é muitas vezes impossível e a escolha é influenciada por
fatores externos aos critérios objetivos.
Para Popper, a ciência evolui no sentido de uma aproximação à verdade na medida em que se
faz eliminando os erros das teorias e substituindo-as por outras mais abrangentes e
consistentes com os factos observados. Visto que a ciência se faz num processo racional de
conjeturas e refutações em que o papel da subjetividade tende a diminuir pois o cientista
trabalha no sentido de fazer previsões arriscadas de modo a testar de os limites de cada teoria.
Embora não haja qualquer espécie de certezas pois o progresso científico é um sistema em
aberto e nenhuma teoria é verdadeira mas apenas provisoriamente corroborada. A
substituição de uma teoria por outra é um processo de seleção em que as novas teoria
aperfeiçoam as antigas na medida em que não cometem os mesmos erros da anterior,
explicam os fenómenos das anteriores e ainda explicam novos fenómenos. Daí haver
continuidade na evolução científica.

4.(1para o 11E) A tese empirista de D. Hume sobre a conexão causal é a seguinte:
a) Não há nenhuma impressão de conexão causal; ora se não há impressão
também não pode haver ideia, visto que, segundo o empirismo não há ideias sem impressões
sensíveis.
b) A impressão que temos é da repetição de fenómenos em sucessão no tempo
e contiguidade no espaço: “O mesmo objeto é seguido pelo mesmo evento”. Esta repetição de
um fenómeno a seguir ao outro leva-nos a estabelecer a crença de que estes andam sempre
ligados, isto é, se sucede um, logo a seguir tem de suceder outro.
c) Esta crença a que chamamos relação de causa efeito ou conexão causal não está
justificada nem empiricamente nem racionalmente, porque “ não há nada que produza
qualquer impressão, e consequentemente nada que possa sugerir qualquer ideia de poder ou
conexão necessária”, o que temos a impressão é de fenómenos singulares, isolados embora
sucedendo-se uns aos outros; logo não há conhecimento mas um hábito psicológico que é
criado pela sucessiva repetição dos fenómenos que se apresentam ligados. Se o conhecimento
de causa efeito tem a sua origem na experiência e de modo nenhum é “apriori” (argumento do
ser racional que nada soubesse do mundo, jamais poderia ter a noção de causa efeito) então é
um conhecimento de facto e é contingente, todavia julgamos e pensamos como uma conexão
necessária e, portanto, ultrapassamos a experiência.
d) Logo, para concluir não há uma explicação empírica para uma conexão
necessária, ela é apenas fruto do costume, um hábito psicológico.


4. (11E)O texto relata duas formas de entender a Lua: uma mais emocional, imediata e prática e outra mais racional, metódica e teórica. A primeira corresponde ao conhecimento dito “vulgar”, ao conhecimento que todos têm a partir da experiência quotidiana; o segundo diz respeito a um conhecimento mais elaborado, o conhecimento científico e tecnológico. Como é referido no texto: “A lua é linda” é uma proposição que traduz uma emoção subjetiva e a expressão pode ter vários sentidos; em contrapartida “ A Lua fica a 384 400Km da Terra” é uma proposição que corresponde a um juízo de facto, tem valor de verdade e anuncia uma propriedade objetiva da Lua, esta linguagem é numérica e por isso, universal e objetiva. A linguagem destes dois tipos de conhecimento é diferente e visa um fim diferente. Por outro lado, quando se descreve “A lua cheia condiciona as marés” está a descrever-se um facto mas sem explicar a razão pela qual isso acontece, na proposição seguinte “são provocadas pela variação da intensidade da força gravitacional”, estabelece-se uma relação causal que explica o facto da lua condicionar as marés. O conhecimento científico adianta razões e, por isso, procura uma racionalidade que seja confirmada ou refutada metodicamente por testes empíricos, contrariamente o conhecimento vulgar, reconhece a influência da Lua pois indutivamente generalizou a partir da observação, mas não explica porquê.