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quarta-feira, 17 de novembro de 2021

Proposta de correção do teste de de 5 Novembro



Versão A

ARGUMENTAR (1-60/2 e 3 -70 Pontos – Total 200 Pontos)

Grupo I

1. Os céticos apresentam razões para duvidar da verdade do conhecimento, uma das razões, aquela que está implícita no texto, é apelidada de argumento da regressão infinita. Este argumento põe em causa a justificação do conhecimento pois afirma que nenhum conhecimento está justificado, logo, não pode haver conhecimento, visto que a justificação é uma condição necessária para que este aconteça. O argumento parte do princípio de que para justificar qualquer crença é preciso fazê-lo apelando a outra crença, ora haverá sempre uma crença que é um ponto de partida e que não está justificada, sendo assim não podemos confiar em nenhum conhecimento pois não existe qualquer justificação última que suporte a cadeia de justificações. Descartes supera este argumento cético com a demonstração do cogito como uma crença fundante/básica que se autojustifica pois para duvidar é preciso pensar e não há necessidade, por isso, de procurar mais nenhuma justificação para o ato puro do pensamento visto ele se apresentar de uma forma evidente e inquestionável.  

2. A ideia do cogito “ Penso, logo existo” surge com clareza e distinção de modo a ser de tal modo evidente que o pensamento só a poderia considerar verdadeira, pois não poderia ser de outro modo. A ideia do cogito não surge de uma dedução mas de uma intuição, como uma certeza que nada poderia mudar nem nenhuma dúvida afetar. A certeza de ser um ser pensante é mais evidente do que a certeza de ter um corpo, pois essa certeza de ter um corpo não resiste à dúvida. Descartes compreende com o Cogito que a verdade é um acordo da razão consigo própria, e só a razão é juiz do conhecimento e pode distinguir o verdadeiro do falso. Compreende ainda através do cogito que o conhecimento humano é possível pois a verdade encontra-se claramente demonstrada a partir dessas verdades primárias (metafísicas), ou crenças básicas. A partir dessas crenças básicas, certezas que não precisam de outras crenças para se justificarem porque pelo pensamento concebe-se claramente que se autojustificam. Assim, a partir de fundamentos seguros é possível deduzir com segurança outras certezas metafísicas, como a existência de Deus e a distinção corpo/alma. Poder-se-ia conhecer outras verdades sobre as ciências por simples raciocínio dedutivo  e, deste modo reconstruir todo o edifício do conhecimento que se encontrava destruído pelas dúvidas céticas.

 

Através do método da dúvida sobre as fontes do conhecimento, Descartes encontra a sua primeira verdade indubitável: “Penso, logo existo”. O Cogito é uma ideia evidente, clara, distinta e inata, a primeira crença básica a priori da filosofia cartesiana. Permite-nos inferir que é possível um conhecimento a priori que não necessita da justificação da experiência e que se fundamenta apenas na razão. Permite-nos também concluir que é verdadeiro tudo o que se apresente com clareza e distinção à razão, isto é todas as ideias evidentes que a razão vê claramente que não poderiam ser de outro modo e não se confundem ou derivam de outras ideias. A partir desta crença básica é possível construir os alicerces seguros do conhecimento de modo a escapar ao ceticismo.

Objeções: Não podemos conhecer nada do mundo a partir do cogito, logo ele não é um bom fundamento para todo o conhecimento em geral.

 

3.

A definição tradicional de conhecimento coloca três condições necessárias para a definição; Ter uma crença, que essa crença seja verdadeira e que esteja bem justificada com razões. Essas três condições são necessárias e nenhuma delas por si é suficiente. Porque é necessário ter uma crença? Porque o conhecimento corresponde a um estado mental em que se S sabe que P, então acredita nisso que sabe. Seria contraditório afirmar que S sabe que P, e ao mesmo tempo não acredita no que sabe. Exemplo: Sei que o mar tem ondas, mas não acredito nisso. Portanto, saber P implica uma crença, S acredita em P. Também é necessário que essa crença seja verdadeira, porque o conhecimento não depende da convicção com que o sujeito acredita em P (sendo P uma qualquer proposição) P tem que ser do mesmo modo como S acredita, o conhecimento é factivo. Se, por outro lado, esta crença em P não tem qualquer justificação, não há boas  razões para acreditar que P é verdadeira então, também não há conhecimento, há apenas um palpite, uma suposição ao acaso.
Por outro lado não é suficiente ter apenas uma crença para ter conhecimento porque nem todas as crenças são conhecimento, como por exemplo “Acredito em Extraterrestres”, acreditar não é o mesmo que saber que existem. Também não é suficiente ter uma crença verdadeira para ter conhecimento porque uma crença pode ser verdadeira por acaso, e o conhecimento não pode ser por acaso, e por outro lado não é suficiente ter uma boa justificação, podemos ter boas justificações para acreditar em falsidades, depende dos nossos estados cognitivos. Aristóteles tinha razões para acreditar que a Terra era plana, e a Terra não é plana. Objeções: Contraexemplos de Gettier em que se coloca a possibilidade de estarem as três condições satisfeitas e mesmo assim não haver conhecimento pois não há uma relação causal entre a justificação e o que torna a crença verdadeira.

 

Grupo III

PROBLEMATIZAR (2x10)

1-O problema aflorado no texto diz respeito à dúvida na perceção sensorial das coisas corpóreas; Descartes afirma que essas perceções são obscuras e confusas e que, por isso, podem não corresponder ao modo como as coisas corpóreas são. Os sentidos captam certas propriedades que são transitórias e particulares, como o tamanho de uma vela, que pode ser grande ou pequeno, de uma matéria que se altera com o calor e que não permanece sempre igual não havendo forma de ter um conhecimento claro e distinto dos particulares. Podemos compreender, no entanto, como diz no texto, que as coisas corpóreas têm todas certas propriedades gerais que são universais e que podem ser conhecidas matematicamente como a sua extensão, posição e forma. O texto chama a atenção para o problema da racionalização do mundo corpóreo que pode ser conhecido com rigor pela sua extensão e que essa é a substância que todas as coisas corpóreas têm, por oposição ao pensamento que não tem extensão.

 

2-O Argumento utilizado para provar a existência de Deus é o seguinte:  Vejo claramente que sou imperfeito porque erro muito e há mais perfeição em quem não erra do que em quem erra. Qual então a causa da minha ideia de perfeição? Não posso ser eu, que sou imperfeito, não pode ser a natureza que não sei se existe, e não me parece mais perfeita que eu. A causa deve ser mais perfeita que a ideia  (por princípio a causa é mais perfeita que a cópia, sendo que Deus é a origem da ideia, neste aspeto a ideia tem menos ser que a sua origem ou causa) a causa só pode existir, visto que nenhuma ideia existe sem uma causa. Logo, a causa da minha ideia de perfeito só pode ser um ser com todas as perfeições, esse ser só pode ser Deus.

 

O argumento é circular. Como posso ter a certeza que não me engano quando penso que sou imperfeito? Só posso ter a certeza de que existo, ora, não posso ter a certeza dos meus raciocínios pois a possibilidade de existência de um "génio maligno" ainda não foi afastada, sendo assim nenhum raciocínio terá validade e a prova da existência de Deus é uma dedução, não uma intuição, é portanto um raciocínio com premissas e conclusão.   Se sei que existe Deus a partir de um raciocínio, é porque pressuponho que existe um Deus antes mesmo de o provar, pois só a existência de Deus me pode dar a garantia da validade dos meus raciocínios na medida em que afasta a possibilidade de um "génio maligno" enganador. Existe, então, um raciocínio  circular, uma petição de princípio no argumento que prova a existência de Deus. Muitos filósofos consideram o argumento da prova da existência de Deus falacioso, uma petição de princípio, um desses filósofos é David Hume. Portanto, para concluir trata-se de, por um lado, preciso de Deus para confiar nas minhas ideias e raciocínios e, por outro lado,  é através delas que  provo a existência de Deus.

 

Versão B

Grupo I

1. No texto há uma referência à dúvida metódica, que consiste num método de examinar todas as fontes do nosso conhecimento considerando falsa toda a crença que se pudesse apresentar com um certo grau de dúvida. Com este método é possível duvidar das perceções dos sentidos, da realidade e até de Deus. Descartes conclui, no entanto que se duvida é necessário, isto é, não pode deixar de existir enquanto substância pensante. O cogito consiste assim na intuição de um conhecimento que se apresenta de forma tão clara e distinta à razão que não pode deixar de ser verdadeiro. Este modelo de clareza e distinção vai ser o critério de verdade de todo o conhecimento e aplicado a todas as ciências. O cogito apresenta-se como uma crença fundante que se auto justifica e, deste modo, demonstra a falsidade do argumento cético da regressão infinita.

2. As três crenças básicas que Descartes coloca como fundantes de todo o conhecimento são: A noção de que se penso existo, e que sendo o pensamento mais evidente que a existência da substância corpórea, infere-se que são duas substâncias distintas  que interagem mas não se mistura. O corpo é de uma substância que ocupa espaço, forma e posição, apelidada de substância extensa enquanto a substância pensante não tem nenhuma destas qualidades. Para que o sistema cartesiano fique completo, isto é, possa superar as dúvidas e voltar a confiar nos raciocínios e na existência de um mundo fora da mente. É necessário que exista um Deus que não seja enganador e que possa conferir substância aos pensamentos, logo terá de existir um Deus omnipresente, omnipotente e omnisciente.

Objeções: O cogito parece uma verdade incontornável, quanto às outras verdades são questionáveis.

O corpo e o pensamento(alma) serem substâncias diferentes parece contrariar a noção de que o pensamento é algo que surge do nada e não precisa de uma entidade que o produza.

A existência de Deus, podemos colocar em causa as provas dadas por Descartes pois são insuficientes para provar a existência de Deus.

3. (Igual à versão A)

Grupo III

1. Igual nas duas versões

2. O problema do ceticismo é tentar demonstrar com argumentos que o conhecimento verdadeiro não é possível porque não há forma de sabermos que determinada crença é verdadeira, as crenças que temos não estão justificadas (regressão infinita), ou haverá sempre acerca do mesmo assunto uma tal diversidade de opiniões que não há autoridade imparcial ou critério que possa saber que tem razão.

Poderia considerar-se que o ceticismo se contradiz, uma vez que nega ao homem o acesso à verdade e se coloca como uma teoria verdadeira.

Por outro lado, a atitude da dúvida permite ser crítica em relação ao conhecimento e assim recusar falsas crenças.

A dúvida metódica foi a forma encontrada por Descartes para superar as dúvidas e as incertezas dos céticos que punham em causa a possibilidade de um conhecimento verdadeiro. Com a dúvida metódica, Descartes conseguiu demonstrar que há verdades indubitáveis e que se auto justificam, isto é, não necessitam de outras crenças para se justificarem, assim contraria o argumento da regressão infinita utilizado pelos céticos para criticar o conhecimento, estes defendiam que nenhuma crença estava justificada porque necessitava sempre de outra que a justificasse e, assim ou haveria uma crença fundante que não precisava de nenhuma outra para se justificar (como pensa Descartes) ou então não seria possível o conhecimento visto que, as crenças que constituem o conhecimento não se podiam justificar.

 

 

 

terça-feira, 8 de junho de 2021

Correção do 4º teste 11A -Junho 2021

     

Christo - artista plástico A Ponte Neuf coberta, Paris 1985

 Grupo II

1. Explique porque é que as limitações da teoria da arte como expressão constituem um problema para a sua definição de arte.

As limitações que podemos apontar à teoria da arte como expressão é o facto de que não temos acesso aos estados mentais do artista. Na maior parte dos casos não temos nenhum documento ou relato que nos permita identificar quais foram os sentimentos ou emoções que estiveram na origem da criação da obra de arte, o que torna impossível saber se os sentimentos que o espectador experiência são os mesmos que o criador da obra de arte. (10pts)

Parece ser uma exigência injusta e irrealista que o artista tenha de sentir sempre aquilo que a obra de arte exprime. Um dos exemplos que podemos identificar é a produção artística em massa por parte de um compositor ou de um artista plástico. Podem produzir uma melodia ou uma pintura triste a pedido de alguém, mas não significa que estejam a experienciar esse sentimento. (10pts)

Parece existir também obras de arte que não expressam sentimentos, como um vaso ou um serviço de porcelana, no entanto conseguimos reconhecer o estatuto de obra de arte a estas peças devido ao conjunto de cores e de formas que apresentam, bem como ao conteúdo histórico e artístico que carregam. (10pts)

 

 

2. Qual a definição de arte defendida pela teoria formalista e as principais vantagens que esta teoria traz para a compreensão da experiência estética?

Uma obra é arte se, e só se, tiver uma forma significante e provocar emoções estéticas. A Forma significante é a combinação de cores, linhas e formas, capaz de provocar a emoção estética (condição necessária e suficiente para uma obra ser arte). A "Emoção estética" é um tipo particular de emoção que as pessoas (sensíveis) experimentam quando estão perante uma obra de arte. (10pts) 

A emoção estética provocada pela forma significante presente na verdadeira arte reflete a capacidade desta nos mostrar a natureza das coisas. A emoção estética é um resultado da apreciação desinteressada de uma obra com uma determinada forma, que traduz artisticamente um significado sobre o mundo. (10pts)

Esta teoria tem a vantagem de ser abrangente e conseguir explicar porque é que sentimos uma emoção estética perante uma obra de arte. Tem também a vantagem de basear o estatuto ou a qualidade das obras de arte em fatores objetivos. (10pts)

 3. Identifique a analogia feita no seguinte argumento e explique-a. Formule uma objeção ao argumento.

“De facto, vemos que algumas coisas, carecem de conhecimento, como os corpos naturais, operam por causa de um fim, o que é manifesto porque sempre ou com maior frequência operam do mesmo modo, para atingirem aquilo que é ótimo. Donde, é patente que não é por acaso, mas por intenção, que atingem o fim. As coisas, porém, que não possuem conhecimento, não tendem para um fim a não ser dirigidas por algum cognoscente e inteligente, assim como a seta pelo lançador de setas. Logo, existe algo inteligente, pelo qual todas as coisas naturais são ordenadas para um fim: e isso, dizemos que é Deus”.        

S.Tomás de Aquino

 

 Aspetos a focar na resposta:

a) Identificação da analogia: “Assim como a seta é dirigida para um fim pelo lançador de setas, 

também as coisas que não possuem inteligência nem conhecimento  como os corpos naturais são dirigidos para um fim por um ser inteligente -Deus” 10

b) Explicação: Comparação entre uma seta e o mundo/natureza. Muitas coisas apesar de não  possuírem conhecimento operam para um fim, isto é, operam de uma forma consistente para 

atingirem o seu fim que é o ótimo. Isto não acontece por mero acaso mas por intenção, como 

uma seta não atinge o alvo por mero acaso mas porque é dirigida por um ser inteligente e dotado de uma intenção (arqueiro). Esta analogia visa provar que existe um ser inteligente que intencionalmente dirige as coisas da natureza para atingirem o que é ótimo, porque essas coisas por não possuírem conhecimento não podem saber o que é ótimo. Esse ser só pode ser Deus. 10

c) Objeção – 1.Argumento inválido porque a conclusão não se segue das premissas. As premissas refere alguns precisam de ser ordenados por um ser inteligente para um fim. Não se segue que seja apenas um o ser inteligente ordenador e também não se segue que sejam todas as coisas.

c. A seleção natural como teoria que tem por base o aperfeiçoamento gradual, o que significa que à partida os seres naturais não estão igualmente preparados para atingirem o seu fim e muitos simplesmente não o atingem e desaparecem. Ainda a noção de um acaso que é determinante para a sobrevivência de uma espécie. (10)

4. A imperfeição original das criaturas põe limites à ação do Criador que tende para o bem. E como a matéria mesma é um efeito de Deus, não pode ser ela mesma a fonte do mal e de sua imperfeição. Mostramos que essa fonte se encontra nas formas ou ideais dos possíveis, e que não é algo oriundo de Deus (In: Teodiceia, 31).

Esclareça o problema do mal e, partindo do texto, apresente a resposta de Leibniz a este problema.

a) Formulação do problema:

Se Deus existe é omnipotente e benevolente

Se Deus é omnipotente impede o mal de existir

O mal existe,

Logo Deus não é omnipotente

Se Deus é omnipotente e quer o mal

Então Deus não é benevolente

Portanto, se o mal existe, Deus não existe 15

 

b) Resposta de Leibniz

- O mal existe ele é como um bem menor para atingir um bem maior

O mal é necessário para podermos atingir um bem maior. Por exemplo, sem mal não poderia existir santidade ou heroicidade. O homem não tem a noção do desígnio total de Deus em relação às criaturas pois ele não tem a visão da totalidade mas apenas de uma parte. Logo o mal é consistente com a existência de Deus. A origem do mal não é Deus mas as possibilidades criadas pelo livre-arbítrio do homem. Tal como o texto diz : "A imperfeição original das criaturas põe limites à ação do Criador" . O Mal não tem origem em Deus mas sim nas criaturas que pelo facto de serem criaturas têm uma condição imperfeita (mal metafísico). Apesar dessa imperfeição Deus criou o melhor dos mundos possíveis. O texto acrescenta que o mal se encontra "nas formas dos possíveis" isto é, nas possibilidades que a criatura tem de se aperfeiçoar ou não, e nisso consiste o seu livre arbítrio.  O livre-arbítrio permite a escolha do mal, mas sem essa possibilidade a criatura também não se poderia superar, isto é, escolher o bem.15

Grupo III

Perguntas de resposta breve sem necessidade de desenvolvimento.

1. Formule o argumento ontológico em duas premissas e uma conclusão.

Se é verdade que "Deus é o ser maior que o qual nada pode ser pensado" então Ele tem de existir

pois se não existisse ele não seria "o ser maior que o qual nada pode ser pensado", não seria Deus

logo, Deus existe 

ou

Deus existe no intelecto como "o ser maior que o qual nada pode ser pensado"

se apenas existisse no intelecto e não na realidade não seria "o ser maior que o qual nada pode ser pensado" 

logo, Deus tem que existir na realidade


2. Identifique pelo menos uma limitação à teoria histórica da arte.

 

  • Os artistas podem não ter o direito de propriedade sobre algumas obras.

  • Há obras de arte que não foram criadas com a intenção de serem vistas como obra de arte.

  • Esta teoria não explica como surgiu a primeira obra de arte.



quinta-feira, 6 de maio de 2021

Critérios de correção 11A -28 Abril

 

Critérios de correção do teste do 11 A – Dia 28 de Abril

 

Grupo I 

Versão A                Versão B

1.C            1.C

2.B            2.A

3.B            3. C

4.C            4.C

5.B            5.B

6.C            6.B

7.A            7.C

8.C            8.B

9.A            9.C

10.C          10.A

 

Grupo II

1. Aspetos a focar na resposta:

A Identificação do argumento – cosmológico (7,5)

Formulação -Todas as coisas têm uma causa, as coisas não podem ser causas de si próprias (porque teriam de existir antes de existir o que é absurdo), também não pode haver regressão infinita de causas ( pois não poderíamos ordenar a cadeia causal por causa intermédia e última), terá de haver uma primeira causa que é Deus. (7,5) Pode ser inserida nas objeções.

Duas objeções: a) Pode não ser Deus a primeira causa porque tendo que ser omnipotente, podemos evocar outros seres omnipotentes que não sejam o Deus teísta. (7,5) 

b) Contradição entre a premissa que diz que tudo tem uma causa e a conclusão que afirma que Deus não tem causa, ou Deus teria de ter uma causa ou há contradição. (7,5)  

 

2. Questão em aberto. 

Deus existe porque …

O aluno deve apresentar de forma clara a sua posição (5)

Deve utilizar um ou dois argumentos consistentes para fundamentar a sua posição (15)

Deve colocar uma ou outra dúvida e responder (5)

Deve apresentar uma conclusão (5)

3. 

a) Explicar que a aposta de Pascal consiste em partir de uma posição agnóstica e equacionar o benefício e o prejuízo de acreditar em Deus. Isto é feito porque Deus sendo incognoscível para a razão, só pode ser verdadeiro para quem tem fé, é portanto uma aposta pessoal (10). 

b)Essa aposta tem as seguintes vantagens: Se acreditarmos em Deus e Deus existir temos um ganho infinito, se acreditarmos e não existir, perdemos alguns prazeres finitos; Se não acreditarmos e Deus não existir não perdemos nem ganhamos nada; se não acreditarmos e Deus existir temos uma perda infinita. (10)

c) Avaliação: Válida porque nos permite percecionar o ganho pessoal da fé. (10)

ou

Inválida porque pressupõe que possa existir fé através de uma motivação interesseira. Ninguém acredita porque lhe é vantajoso acreditar, seria uma falsa fé. (10)

 


Grupo III

 

Popper responde sim. Segundo a visão do filósofo, a ciência evolui pela eliminação de teorias erradas (10pts). Esta evolução dá-se sujeitando as várias teorias a tentativas de refutação. Uma vez refutadas, as teorias são substituídas por outras que não só explicam o que a teoria anterior explicava como também aquilo que ela não conseguiu explicar (10pts).

 Apesar de nunca conseguirmos atingir a verdade de uma vez por todas, vamos progressivamente aproximando-nos dela, conseguindo teorias mais verossímeis que outras (10pts).

 Já Kuhn diria que embora esta nova teoria nos permite praticar melhor aquilo a que chama “ciência normal” não é possível falar de um progresso em direção à verdade tal como em Popper (10pts). 

 Para o autor, a ciência desenvolve-se descontínuamente através da substituição de paradigmas - conjunto de teorias básicas, problemas, métodos, visão metafísica e valores (10pts). 

Estes paradigmas são incomensuráveis, isto é, são impossíveis de comparar totalmente e, portanto, quando um é substituído por outro, o próprio modo de ver o mundo altera-se, não sendo possível dizer que um se aproxima mais da verdade que o outro (10pts).  




 

segunda-feira, 3 de maio de 2021

Critérios de correção do teste 11 B – Dia 27 de Abril


Grupo I 

Versão A        Versão B

  1. d           b

  2. a            a

  3. c            a

  4. c            a

  5. d           d

  6. b           c

  7. a           c

  8. b           b

  9. a           d

  10. a           a

Grupo II

1.

 Aspetos a focar na resposta:

a) Identificação da analogia: “Assim como a seta é dirigida para um fim pelo lançador de setas, 

também as coisas que não possuem inteligência nem conhecimento  como os corpos naturais são dirigidos para um fim por um ser inteligente -Deus” 10

b) Explicação: Comparação entre uma seta e o mundo/natureza. Muitas coisas apesar de não  possuírem conhecimento operam para um fim, isto é, operam de uma forma consistente para 

atingirem o seu fim que é o ótimo. Isto não acontece por mero acaso mas por intenção, como 

uma seta não atinge o alvo por mero acaso mas porque é dirigida por um ser inteligente e dotado de uma intenção (arqueiro). Esta analogia visa provar que existe um ser inteligente que intencionalmente dirige as coisas da natureza para atingirem o que é ótimo, porque essas coisas por não possuírem conhecimento não podem saber o que é ótimo. Esse ser só pode ser Deus. 10

b) Objeção – 1.Argumento inválido porque a conclusão não se segue das premissas. As premissas refere alguns precisam de ser ordenados por um ser inteligente para um fim. Não se segue que seja apenas um o ser inteligente ordenador e também não se segue que sejam todas as coisas.

2. A seleção natural como teoria que tem por base o aperfeiçoamento gradual, o que significa que à partida os seres naturais não estão igualmente preparados para atingirem o seu fim e muitos simplesmente não o atingem e desaparecem. Ainda a noção de um acaso que é determinante para a sobrevivência de uma espécie. (10)


2.

Questão em aberto. Deus existe porque…

O aluno deve apresentar de forma clara a sua posição 10

Deve utilizar um ou dois argumentos consistentes  15

Deve colocar uma ou outra dúvida e responder 2,5

Deve apresentar uma conclusão 2,5



3. 

a) Formulação do problema:

Se Deus existe é omnipotente e benevolente

Se Deus é omnipotente impede o mal de existir

O mal existe,

Logo Deus não é omnipotente

Se Deus é omnipotente e quer o mal

Então Deus não é benevolente

Portanto, se o mal existe, Deus não existe 15

 

b) Resposta de Leibniz

- O mal existe ele é como um bem menor para atingir um bem maior

O mal é necessário para podermos atingir um bem maior. Por exemplo sem mal não poderia existir santidade. O homem não tem a noção do desígnio total de Deus em relação às criaturas pois ele não tem a visão da totalidade mas apenas de uma parte. Logo o mal é consistente com a existência de Deus. Deus criou o melhor dos mundos possíveis.- A origem do mal não é Deus mas as possibilidades criadas pelo livre-arbítrio do homem. O mal deriva das imperfeições da criatura e não do criador (mal metafísico). O livre-arbítrio permite a escolha do mal, mas sem essa possibilidade a criatura também não se poderia superar, isto é, escolher o bem.15

Grupo III

Critérios de correção:

Popper responde sim. Segundo a visão do filósofo, a ciência evolui pela eliminação de teorias erradas (10pts). Esta evolução dá-se sujeitando as várias teorias a tentativas de refutação. Uma vez refutadas, as teorias são substituídas por outras que não só explicam o que a teoria anterior explicava como também aquilo que ela não conseguiu explicar (10pts). Apesar de nunca conseguirmos atingir a verdade de uma vez por todas, vamos progressivamente aproximando-nos dela, conseguindo teorias mais verosímeis que outras (10pts).

Já Kuhn diria que embora esta nova teoria nos permita melhor praticar aquilo a que chama “ciência normal” não é possível falar de um progresso em direção à verdade tal como em Popper (10pts)

Para o autor, a ciência desenvolve-se descontinuamente através da substituição de paradigmas - conjunto de teorias básicas, problemas, métodos, visão metafísica e valores (10pts). Estes paradigmas são incomensuráveis, isto é, são impossíveis de comparar totalmente e, portanto, quando um é substituído por outro, o próprio modo de ver o mundo altera-se, não sendo possível dizer que um se aproxima mais da verdade que o outro (10pts).  

segunda-feira, 18 de janeiro de 2021

Correção do 2º Teste 1º Semestre 11B - versão A e B

Prova de avaliação de filosofia

11º Ano de Escolaridade - Duração da Prova: 90 minutos - Ano Letivo: 2020 / 2021

 

                Professora : Helena Serrão          Paço de Arcos 8 Janeiro de 2021

 

 

VERSÃO A

Grupo 1

(5x10 =50 Pontos)

Escolha a opção correta:

 

1. De acordo com a análise tradicional do conhecimento,

 (A) se sabemos que uma certa pessoa nasceu em 2001, então acreditamos que ela nasceu nesse ano.

(B) para sabermos que uma certa pessoa nasceu em 2001, basta que essa pessoa tenha nascido nesse ano.

(C) para sabermos que uma certa pessoa nasceu em 2001, basta termos uma justificação para que tenha nascido nesse ano.

(D) se acreditamos que uma certa pessoa nasceu em 2001, então sabemos que essa pessoa nasceu nesse ano.

 

2. Se é vermelho, então tem cor. 2. O vestido é vermelho.

(A) As frases 1 e 2 expressam proposições “a posteriori”

(B) A frase 1 expressa uma proposição “a  posteriori”, a frase 2 expressa uma proposição “a priori”

(C) As frases 1 e 2 expressam proposições “a priori”.

(D) A frase 1 expressa uma proposição “a priori”, a frase 2 expressa uma proposição “a posteriori”

 

3. Hume considera que

(A) não há distinção entre impressões e ideias.

(B) não há relação entre impressões e ideias.

(C) as impressões são cópias das ideias.

(D) as ideias são cópias das impressões.

 

4.  De acordo com Hume, a impressão que origina a ideia de causa/efeito

(A) é a razão e o raciocínio.

(B) é uma ideia complexa fruto da imaginação.

(C) é a impressão de conexão necessária.

(D) é a conjunção constante entre dois factos

 

5. A relação causa/efeito fundamenta-se:

(A) Nas impressões sensíveis.

(B) Numa conexão necessária entre factos.

(C) Num costume ou hábito fruto da repetição.

(D) Na razão: é uma relação “a priori”.

 

6. Hume não ultrapassa o ceticismo porque:

(A) Hume não é cético.

(B) Admite a possibilidade de uma dúvida radical.

(C) Não encontra uma forma infalível de justificar as nossas crenças sobre o mundo.

(D) Não encontra fundamentos para a existência de Deus.

 

7. Considere os seguintes enunciados relativos à comparação entre as teorias do conhecimento de Descartes e de David Hume.

1. Para o primeiro, todas as ideias são inatas; para o segundo, nenhuma ideia é inata. 2. Os dois autores defendem que há ideias que têm origem na experiência. 3. Para o primeiro, o conhecimento tem de ser indubitável; para o segundo, pode não ser indubitável. 4. Os dois autores defendem que não há conhecimento sem experiência.

Deve afirmar-se que

 (A) 2 e 3 são corretos; 1 e 4 são incorretos. (B) 1, 3 e 4 são corretos; 2 é incorreto. (C) 1 e 4 são corretos; 2 e 3 são incorretos. (D)  1, 2 e 3 são corretos;4 é incorreto.

 

8. Descartes considera que o cogito é um conhecimento especialmente seguro, porque é

(A) resiste ao próprio processo de dúvida.

(B) confirmado pela experiência.

(C) a consequência do conhecimento.

(D) obtido pelos sentidos

 

9. Identifique o par de termos que permite completar adequadamente a afirmação seguinte. A dúvida cartesiana é  _______; por isso, Descartes não é um filósofo  _______.

 (A) cética … empirista

(B) metódica … racionalista

(C) hiperbólica … empirista

(D) metódica … cético

 

10. A principal finalidade do método proposto por Descartes é

(A) estabelecer os fundamentos do conhecimento.

(B) provar que os sentidos são certos

(C) mostrar que existe um ser perfeito.

(D) descobrir quais são as ideias obscuras

 

 

Grupo 2

(1-20 pontos+2-30 Pontos +3-30 Pontos +4- 40 Pontos)=120 Pontos)

 

 Leia o texto com atenção e responda com objetividade e clareza às seguintes questões:

 

"Todos admitirão prontamente que existe uma diferença considerável entre as perceções da mente, quando um homem sente a dor de um calor excessivo ou o prazer de um ardor moderado, e quando ele depois traz à memória a sua sensação ou a antecipa mediante a sua imaginação. “

David Hume, Investigação sobre o entendimento humano.

 

1.Diga quais são as perceções da mente de que fala o texto e a sua importância para o conhecimento.

 

1. Impressões e ideias são perceções mentais, isto é, constituem todo o conteúdo da mente que podemos conhecer. As primeiras são originais e antecedem as segundas que são cópias feitas da memória das impressões vividas. Podemos ter ideias de objetos nunca antes vividos, se associarmos ideias simples, formando assim ideias complexas como a ideia de vampiro. Podemos também antecipar o prazer ou a dor vividas pela expectativa de as voltarmos a viver. Seja pela memória ou pela imaginação as perceções pensadas, ideias, não são nunca tão fortes e intensas como as vividas, impressões,  pois o original é sempre mais forte e perfeito que a cópia. Hume conclui que as impressões são atos originais e que não existem ideias sem na origem estar a impressão interna ou externa equivalente.

 

Todos os objetos da razão ou da investigação humanas podem ser naturalmente divididos em dois tipos, a saber, as relações de ideias e as questões de facto. [...] O contrário de toda e qualquer questão de facto continua a ser possível, porque não pode jamais implicar contradição, e a mente concebe-o com a mesma facilidade e nitidez, como se fosse perfeitamente conforme à realidade. Que o Sol não vai nascer amanhã não é uma proposição menos inteligível nem implica maior contradição do que a afirmação de que ele vai nascer.

D. Hume, Investigação sobre o Entendimento Humano, Lisboa, IN-CM, 2002, pp. 41-42 (adaptado)

 

 

2. Explique qual o problema que Hume coloca no texto e distinga, com exemplos, esses dois tipos de conhecimento que são referidos.

 

2. Cenário de resposta A

 Resposta integra os aspetos seguintes, ou outros igualmente relevantes. Distinção entre as questões de facto e as relações de ideias: – as verdades acerca das relações de ideias são verdades necessárias ou demonstrativamente certas (OU que podem ser descobertas pela razão); (em contrapartida,) as questões de facto apenas podem ser decididas recorrendo à experiência; – o contrário de uma verdade acerca de relações de ideias implica uma contradição e, portanto, é logicamente impossível; (ao invés,) o contrário de uma verdade acerca de questões de facto não implica uma contradição e, portanto, é logicamente possível.

A resposta integra os aspetos seguintes, ou outros igualmente relevantes. Apresentação do problema da indução: – a indução não está justificada, uma vez que a tentativa de a justificar por meio da experiência é circular (OU a tentativa de a justificar por meio do raciocínio indutivo se baseia, ela própria, no raciocínio indutivo, que, precisamente, necessita de justificação).Portanto, saber que o Sol vai nascer amanhã é uma previsão e como tal baseia-se no que aconteceu no passado, faz-se uma generalização indutiva, se até agora o sol sempre nasceu, amanhã irá nascer. Essa probabilidade pode não ocorrer, porque só podemos ter conhecimento por experiência, e não temos experiência do futuro a não ser que façamos um raciocínio indutivo.

 

3. “O fogo é causa do fumo, logo sempre que há fogo, há fumo”” Para Hume esta afirmação não está justificada, logo não é conhecimento. Porquê?~

 

Não há nenhuma impressão de conexão causal; isto é de uma conexão necessária entre dois fenómenos como o fogo e o fumo. As impressões que nos são dadas são de contiguidade no espaço, prioridade temporal e conjunção constante.

 

b) A impressão que temos é da repetição de fenómenos em sucessão no tempo e contiguidade no espaço: “Vemos os dois fenómenos repetidamente juntos, e quanto mais isso acontece mais forte é a crença que um não pode existir sem o outro, isto é, que um é causa do outro.

 

c) Esta crença a que chamamos relação de causa efeito ou conexão causal não está justificada nem empiricamente nem racionalmente, porque “ não há nada que produza qualquer impressão, e consequentemente nada que possa sugerir qualquer ideia de poder ou conexão necessária”, a relação é formada na mente  fruto do hábito e do costume. Não é um conhecimento mas uma crença subjetiva.

 

 

d) Se o conhecimento de causa efeito tem a sua origem na experiência e de modo nenhum é apriori (argumento do ser racional que nada soubesse do mundo, jamais poderia ter a noção de causa efeito) então é um conhecimento de facto e é contingente, todavia julgamos e pensamos como se houvesse uma conexão necessária e, portanto ultrapassamos a experiência.

 

Logo, para concluir, não uma justificação empírica nem racional para uma conexão necessária entre dois fenómenos, ela é apenas fruto do costume, um hábito psicológico, logo não é um conhecimento objetivo.

 

 

4. Relacione as teorias empirista e racionalista em relação aos seguintes tópicos:  Deus, Ideias inatas, possibilidade do conhecimento.

4.1. Defenda uma posição pessoal em relação a este problema: Qual a origem do conhecimento? Na sua resposta tenha em conta a afirmação de uma posição e a apresentação de uma razão para justificar a posição tomada.

 

A teoria racionalista defendida por Descartes, fundamenta o conhecimento na razão e na capacidade desta retirar ideias a partir de outras ideias de forma evidente e dedutiva sem recorrer à experiência - ideias inatas. Quanto ao Empirismo rejeita as ideias inatas da Razão, e a noção de conhecimento "a priori"  do mundo (é apenas um conhecimento racional e revela o modo com  a razão funciona) Defende a tese de que nada existe na mente que não tenha passado antes pelos sentidos, todo o conhecimento sobre o mundo tem origem na experiência é, portanto, “a posteriori”.  Fundamenta-se na noção de que qualquer conceito para ter um significado tem que se referir a uma sensação/impressão qualquer, essas sensações são simples e a mente neste primeiro momento capta apenas as sensações e depois por abstração e generalização forma os conceitos ou ideias, estas não são tão vivas como as sensações ou impressões o que quer dizer que são posteriores a estas. Os empiristas dão o exemplo das crianças que começam por ter sensações e só depois as articulam numa linguagem. O raciocínio que o entendimento faz para chegar ao conhecimento, segundo os empiristas é a indução, por acumulação de experiências que se repetem, generaliza-se para todos os casos e assim se obtém um conhecimento 

 

Comparação das perspetivas de Descartes e de Hume acerca da origem da ideia de Deus:‒ Descartes afirma que «o pensamento de alguma coisa de mais perfeito do que o eu [...] se devia a alguma natureza que fosse, efetivamente, mais perfeita», ou seja, que a ideia de perfeição não pode ter tido origem num ser imperfeito como ele (porque duvidar é uma imperfeição, e ele duvida) e que Deus é uma substância independente do pensamento (substância divina);‒ Hume, em contrapartida, afirma que as ideias, «por mais compostas e sublimes que sejam», são copiadas «de uma sensação ou sentimento precedente», ou seja, que a ideia de Deus é uma ideia composta, formada pela associação e pela ampliação de ideias simples provenientes da observação das operações da nossa mente;‒ segundo Descartes, a ideia de Deus não tem origem empírica / é inata;‒ em contrapartida, Hume considera que a ideia de Deus tem origem empírica, fruto da imaginação e não corresponde a uma entidade independente  do pensamento.

 

O racionalismo fundamenta as ideias claras e distintas na existência de um Deus não enganador, essas ideias são verdades evidentes e inquestionáveis , logo é possível um conhecimento do mundo com certezas (dogmatismo), enquanto para Hume todo o conhecimento do mundo sendo obtido por indução é apenas provável, não conseguindo fundamentar o conhecimento em crenças indubitáveis, e sendo crítico acerca dos limites que podemos encontrar para justificar as nossas crenças – ceticismo moderado.

 

 

Grupo 3

(2x15Pontos) Responda apenas a duas das seguintes questões:

 

 

1. Segundo a teoria tradicional de conhecimento como crença verdadeira e justificada porque é que não podemos saber que a Lua é feita de queijo? Justifique.

 

Não podemos saber que a Lua é feita de queijo porque é falso. A Lua não é feita de queijo mas sim de matéria rochosa, sendo assim esta crença é falsa. O conhecimento é factivo, podemos acreditar em crenças falsas mas não podemos conhecer falsidades.

 

 

2.  Na filosofia de Descartes, que importância tem o “Cogito”?

Através do método da dúvida sobre as fontes do conhecimento, Descartes encontra a sua primeira verdade indubitável: “Penso, logo existo”. O Cogito é uma ideia evidente, clara, distinta e inata, a primeira crença básica a priori da filosofia cartesiana. Permite-nos inferir que é possível um conhecimento a priori que não necessita da justificação da experiência e que se fundamenta apenas na razão. Permite-nos também concluir que é verdadeiro tudo o que se apresente com clareza e distinção à razão, isto é todas as ideias evidentes que a razão vê claramente que não poderiam ser de outro modo e não se confundem ou derivam de outras ideias. A partir desta crença básica é possível construir os alicerces seguros do conhecimento de modo a escapar ao ceticismo.

 

3. Porque é a filosofia de Hume considerada um ceticismo moderado?

 

Porque apesar das nossas crenças sobre o mundo não terem uma justificação nem lógica nem empírica infalível, não abandonamos essas crenças porque elas são o produto do hábito que é, para Hume, o verdadeiro guia do conhecimento.


VERSÃO B

Grupo 1

(5x10 =50 Pontos)

Escolha a opção correta:

 

1. Hume não ultrapassa o ceticismo porque:

(A) Não encontra uma forma infalível de justificar as nossas crenças sobre o mundo.

(B) Não encontra fundamentos para a existência de Deus.

(C) Admite a possibilidade de uma dúvida radical.

(D) Hume não é cético.

 

 

2. Considere os seguintes enunciados relativos à comparação entre as teorias do conhecimento de Descartes e de David Hume.

1. Para o primeiro, todas as ideias são inatas; para o segundo, nenhuma ideia é inata. 2. Os dois autores defendem que há ideias que têm origem na experiência. 3. Para o primeiro, o conhecimento tem de ser indubitável; para o segundo, pode não ser indubitável. 4. Os dois autores defendem que não há conhecimento sem experiência.

Deve afirmar-se que

 (A) 1 e 4 são corretos; 2 e 3 são incorretos. (B) 1, 2 e 3 são corretos; 4 é incorreto. (C) 2 e 3 são corretos; 1 e 4 são incorretos. (D) 1, 3 e 4 são corretos; 2 é incorreto.

 

3. Descartes considera que o cogito é um conhecimento especialmente seguro, porque é

(A) obtido por um processo a priori.

(B) imune ao próprio processo de dúvida.

 (C) confirmado pela experiência.

(D) o fundamento do conhecimento.

 

4. Identifique o par de termos que permite completar adequadamente a afirmação seguinte. A dúvida cartesiana é  _______; por isso, Descartes não é um filósofo  _______.

(A) metódica … cético

(B) cética … empirista

(C) metódica … racionalista

(D) hiperbólica … empirista

 

5. A principal finalidade do método proposto por Descartes é

(A) descobrir quais são as ideias claras e distintas.

(B) estabelecer os fundamentos do conhecimento.

(C) provar que os sentidos nos enganam.

(D) mostrar que existe um ser perfeito.

 

6. De acordo com a análise tradicional do conhecimento,

(A) se acreditamos que uma certa pessoa nasceu em 2001, então sabemos que essa pessoa nasceu nesse ano.

(B) se sabemos que uma certa pessoa nasceu em 2001, então acreditamos que ela nasceu nesse ano.

(C) para sabermos que uma certa pessoa nasceu em 2001, basta que essa pessoa tenha nascido nesse ano.

(D) para sabermos que uma certa pessoa nasceu em 2001, basta termos uma justificação para que tenha nascido nesse ano.

 

7. Considere as frases seguintes. 1.A relva é verde.2.Se a relva é verde, é colorida. É correto afirmar que

(A)ambas exprimem conhecimento a posteriori.

(B)1 exprime conhecimento a priori; 2 exprime conhecimento a posteriori.

(C)1 exprime conhecimento a posteriori; 2 exprime conhecimento a priori

(D)ambas exprimem conhecimento a priori.

 

8. Hume considera que

(A) as impressões são cópias das ideias.

(B) as ideias são cópias das impressões.

(C) não há distinção entre impressões e ideias.

(D) não há relação entre impressões e ideias.

 

9.  De acordo com Hume, a impressão que origina a ideia de causa/efeito

(A) é a sucessão constante entre dois factos

(B) é a razão e o raciocínio.

(C) é uma ideia complexa fruto da imaginação.

(D) é a impressão de conexão necessária.

 

10. A relação causa/efeito tem origem:

(A) Num costume ou hábito fruto da repetição.

(B) Numa conexão necessária entre factos.

(C) Nas impressões sensíveis.

(D) Na razão: é uma relação “a priori”.

 

 

Grupo 2

(4x30=120 Pontos)

 

Todas as respostas exigem justificação.

 

Leia o texto seguinte.

[...] Quando analisamos os nossos pensamentos ou ideias, por mais complexos ou sublimes que possam ser, sempre constatamos que eles se decompõem em ideias simples copiadas de alguma sensação ou sentimento precedente. Mesmo quanto àquelas ideias que, à primeira vista, parecem mais distantes dessa origem, constata-se, após um exame mais apurado, que dela são derivadas. A ideia de Deus, no sentido de um Ser infinitamente inteligente, sábio e bondoso, deriva da reflexão sobre as operações da nossa própria mente e de aumentar sem limites aquelas qualidades de bondade e de sabedoria.

 

David Hume, «Investigação sobre o Entendimento Humano», in Tratados Filosóficos

 

1. Nomeie e distinga os tipos de perceção da mente, segundo Hume.

 

Impressões e ideias são perceções mentais, isto é, constituem todo o conteúdo da mente que podemos conhecer. As primeiras são originais e antecedem as segundas que são cópias feitas da memória das impressões vividas. Podemos ter ideias de objetos nunca antes vividos, se associarmos ideias simples, formando assim ideias complexas como a ideia de vampiro. Podemos também antecipar o prazer ou a dor vividas pela expectativa de as voltarmos a viver. Seja pela memória ou pela imaginação as perceções pensadas, ideias, não são nunca tão fortes e intensas como as vividas, impressões,  pois o original é sempre mais forte e perfeito que a cópia. Hume conclui que as impressões são atos originais e que não existem ideias sem na origem estar a impressão interna ou externa equivalente.

 

As impressões podem ser simples ou complexas e podem ser interiores ou exteriores, sendo que as primeiras são vividas pela sensibilidade e as segundas resultam de um sentimento, paixão ou dor vividos interiormente pelo sujeito. As ideias podem ser ainda gerais quando resultam da associação de ideias simples, de acordo com a sua semelhança para a formação dos conceitos, ou complexas quando são  fruto da associação de ideias simples através da imaginação.

 

1.2. Explicite, a partir do texto, a origem da ideia de Deus na filosofia de Hume.2. Confronte as ideias expressas no texto de Hume com o racionalismo de Descartes. Na sua resposta, deve abordar, pela ordem que entender, os seguintes aspetos:−−inatismo;−−valor da ideia de Deus.

 

“A ideia de Deus, no sentido de um Ser infinitamente inteligente, sábio e bondoso, deriva da reflexão sobre as operações da nossa própria mente e de aumentar sem limites aquelas qualidades de bondade e de sabedoria.” Significa que a ideia de Deus é uma ideia complexa fruto da imaginação que associa ideias simples e com elas origina uma nova ideia, ideia complexa que por estar afastada das impressões é obscura e não corresponde a algo do qual possamos ter uma impressão, nesse aspeto Deus resulta da composição e liberdade do nosso pensamento e não a algo que possamos atribuir uma existência de facto(conteúdo factual).

 

Comparação das posições de Descartes e de Hume sobre a importância do conhecimento

a priori Hume defende que o conhecimento a priori estabelece relações de ideias (ou relações entre conceitos), ao passo que Descartes defende que algum conhecimento a priori é acerca do mundo;

Hume considera que o conhecimento a priori não tem importância como meio para descobrir o mundo – com esse tipo de conhecimento, «não aprendemos nada de substancial acerca do mundo» –, ao passo que Descartes defende que o conhecimento do mundo mais importante é a priori e parte de ideias inatas à razão,  fundamentais para sabermos a verdade, servem-nos de guia para poder distinguir o verdadeiro do falso e são o fundamento de todo o conhecimento. Hume como empirista, rejeita a existência de ideias inatas pois faz depender a origem das ideias das impressões sensíveis resultantes da experiência.

Os empiristas, como Hume, consideram que as verdades conhecidas a priori são «não-instrutivas», ou seja, não são informativas (ou não têm conteúdo factual), "jamais poderá sugerir-nos a ideia de qualquer objeto distinto", ao passo que os racionalistas, como Descartes, consideram que as verdades conhecidas a priori são certas (ou evidentes, ou claras e distintas), são aspetos fundamentais do mundo e delas se deduzem outras verdades acerca do mundo.

Comparação das perspetivas de Descartes e de Hume acerca da origem da ideia de Deus:‒ Descartes afirma que «o pensamento de alguma coisa de mais perfeito do que o eu [...] se devia a alguma natureza que fosse, efetivamente, mais perfeita», ou seja, que a ideia de perfeição não pode ter tido origem num ser imperfeito como ele (porque duvidar é uma imperfeição, e ele duvida) e que Deus é uma substância independente do pensamento (substância divina);‒ Hume, em contrapartida, afirma que as ideias, «por mais compostas e sublimes que sejam», são copiadas «de uma sensação ou sentimento precedente», ou seja, que a ideia de Deus é uma ideia composta, formada pela associação e pela ampliação de ideias simples provenientes da observação das operações da nossa mente;‒ segundo Descartes, a ideia de Deus não tem origem empírica / é inata;‒ em contrapartida, Hume considera que a ideia de Deus tem origem empírica, fruto da imaginação e não corresponde a uma entidade independente  do pensamento.

 

2. Tendo em conta que «o Sol não vai nascer amanhã não é uma proposição menos inteligível nem implica maior contradição do que a afirmação de que ele vai nascer», como explica Hume que estejamos convencidos de que o Sol vai nascer amanhã?

 

O Sol vai nascer amanhã é uma previsão e representa um conhecimento de facto. A resposta integra os aspetos seguintes, ou outros igualmente relevantes. Apresentação do problema da indução: – a indução não está justificada, uma vez que a tentativa de a justificar por meio da experiência é circular (OU a tentativa de a justificar por meio do raciocínio indutivo se baseia, ela própria, no raciocínio indutivo, que, precisamente, necessita de justificação).Portanto, saber que o Sol vai nascer amanhã é uma previsão e como tal baseia-se no que aconteceu no passado, faz-se uma generalização indutiva, se até agora o sol sempre nasceu, amanhã irá nascer. Essa probabilidade pode não ocorrer, porque só podemos ter conhecimento por experiência, e não temos experiência do futuro a não ser que façamos um raciocínio indutivo.

Este problema ficou conhecido como o problema da indução. Consiste em demonstrar que a crença na indução não está justificada porque ultrapassa a experiência e a razão, isto é, não pode ser justificada nem empiricamente nem racionalmente. Acreditamos que a natureza é uniforme e, por isso acreditamos que aquilo que aconteceu de uma determinada maneira irá acontecer do mesmo modo no futuro. Esse é o pressuposto que garante as nossas generalizações futuras, mas esse pressuposto já resulta ele próprio de uma generalização e de uma previsão, isto é, aquilo que garante a validade de uma indução é conseguido através da indução, utiliza-se o mesmo processo para validar algo que devia ser validado por um outro conhecimento onde se pudesse fundar.  Há assim um raciocínio falacioso, uma petição de princípio.

 

3. “Onde há fumo há sempre fogo” Para Hume esta afirmação não está justificada, logo não é conhecimento. Porquê? (Explicite o problema da relação de causa-efeito).

 

3. Não há nenhuma impressão de conexão causal; isto é de uma conexão necessária entre dois fenómenos como o fogo e o fumo. As impressões que nos são dadas são de contiguidade no espaço, prioridade temporal e conjunção constante.

 

b) A impressão que temos é da repetição de fenómenos em sucessão no tempo e contiguidade no espaço: “Vemos os dois fenómenos repetidamente juntos, e quanto mais isso acontece mais forte é a crença que um não pode existir sem o outro, isto é, que um é causa do outro.

 

c) Esta crença a que chamamos relação de causa efeito ou conexão causal não está justificada nem empiricamente nem racionalmente, porque “ não há nada que produza qualquer impressão, e consequentemente nada que possa sugerir qualquer ideia de poder ou conexão necessária”, a relação é formada na mente  fruto do hábito e do costume. Não é um conhecimento mas uma crença subjetiva.

 

 

d) Se o conhecimento de causa efeito tem a sua origem na experiência e de modo nenhum é apriori (argumento do ser racional que nada soubesse do mundo, jamais poderia ter a noção de causa efeito) então é um conhecimento de facto e é contingente, todavia julgamos e pensamos como se houvesse uma conexão necessária e, portanto ultrapassamos a experiência.

 

Logo, para concluir, não uma justificação empírica nem racional para uma conexão necessária entre dois fenómenos, ela é apenas fruto do costume, um hábito psicológico, logo não é um conhecimento objetivo.

 

 

Grupo 3

(2x15Pontos)

 

 

1. Há uma questão que, na evolução do pensamento filosófico ao longo dos séculos, sempre desempenhou um papel importante: Que conhecimento pode ser alcançado pelo pensamento puro, independente da perceção sensorial? Existirá um tal conhecimento? Qual a principal razão apresentada para responder afirmativa ou negativamente?

 

Modelo de conhecimento verdadeiro para os racionalistas é o modelo matemático porque tem necessidade lógica e validade universal. Os filósofos racionalistas defendem a possibilidade de um conhecimento substancial sobre o mundo completamente “a priori”.

 

Quanto ao Empirismo rejeita as ideias inatas da Razão, e a noção de conhecimento "a priori"  do mundo (é apenas um conhecimento racional e revela o modo com  a razão funciona) Defende a tese de que nada existe na mente que não tenha passado antes pelos sentidos, todo o conhecimento sobre o mundo tem origem na experiência é, portanto, “a posteriori”.  Fundamenta-se na noção de que qualquer conceito para ter um significado tem que se referir a uma sensação/impressão qualquer, essas sensações são simples e a mente neste primeiro momento capta apenas as sensações e depois por abstração e generalização forma os conceitos ou ideias, estas não são tão vivas como as sensações ou impressões o que quer dizer que são posteriores a estas. Os empiristas dão o exemplo das crianças que começam por ter sensações e só depois as articulam numa linguagem. O raciocínio que o entendimento faz para chegar ao conhecimento, segundo os empiristas é a indução, por acumulação de experiências que se repetem, generaliza-se para todos os casos e assim se obtém um conhecimento.

 

 

2. Relacione o Cogito com o solipsismo cartesiano.

 

A dúvida cartesiana é colocada sobre todo o conhecimento, deste modo nada resiste à dúvida universal que serve como método de análise de todas as ideias mesmo aquelas que são à partida verdadeiras como a matemática, com a suposição de um génio maligno enganador, a dúvida hiperbólica permite rejeitar como falso  e duvidoso todas as crenças, deste modo há uma espécie de solipsismo ou solidão do cogito pois ela parece ser a única certeza de todo o sistema sendo a única ideia indubitável. Se considerarmos que a argumentação sobre Deus que permite a Descartes sair deste solipsismo é falaciosa, então a única verdade que podemos ter como certa é que pensamos, cada sujeito está assim sozinho sem nada mais existir de real (no sentido de existir com segurança).

 

 

3. Qual a importância do cogito para a filosofia cartesiana?

Através do método da dúvida sobre as fontes do conhecimento, Descartes encontra a sua primeira verdade indubitável: “Penso, logo existo”. O Cogito é uma ideia evidente, clara, distinta e inata, a primeira crença básica a priori da filosofia cartesiana. Permite-nos inferir que é possível um conhecimento a priori que não necessita da justificação da experiência e que se fundamenta apenas na razão. Permite-nos também concluir que é verdadeiro tudo o que se apresente com clareza e distinção à razão, isto é todas as ideias evidentes que a razão vê claramente que não poderiam ser de outro modo e não se confundem ou derivam de outras ideias. A partir desta crença básica é possível construir os alicerces seguros do conhecimento de modo a escapar ao ceticismo.