a. A epistemologia. (Definir e problematizar)
Estrutura e cotações
Competências Gerais
Grupo 1 - CONCEPTUALIZAÇÃO
OLÁ a Todos! Aqui estão alguns materiais para apoiar os vossos trabalhos filosóficos! Esperemos que sejam úteis!
Estrutura e cotações
1.
Realização no dia 20 maio 11A e 28 maio 11I
2.
Duração 60m
3.
Mínimo 25 linhas/máximo 40 linhas
F Folha A4 Pautada Nome do aluno/turma/nº e o problema a ser tratado
4. Avaliação: Competência: Argumentação/Problematização/Comunicação
5.
Estrutura:
1º - Apresentação do problema e da razão
porque escolheu esse problema.
2º - Apresentação da sua posição pessoal
3º - Apresentação das razões pelas quais
considera a sua posição preferível em relação a outras posições possíveis.
4º - Apresentação de alguns problemas que
podem ser colocados à posição que tomou.
5º - Conclusão
6.
Critérios de avaliação:
a)
Discurso bem estruturado/coerência e consistência
entre as várias partes – 30%
b)
Argumentação forte – 30%
c)
Boa apresentação e desenvolvimento do problema –
25%
d)
Correção escrita – 15%
Problemas filosóficos a serem discutidos:(DEVE ESCOLHER UM DESTES PROBLEMAS )
1.
Será que existe um Deus absoluto e criador?
2.
Seremos livres ou temos um destino já
predeterminado?
3.
O que faz a nossa identidade? O nosso corpo? A
nossa mente? Ambos?
4.
Será benéfico legalizar a Eutanásia?
5.
O que é a Arte?
6.
Como posso ter a certeza dos meus conhecimentos?
C Será a Internet um incentivo ao narcisismo? Será o narcisismo perigoso?
Como é evidente, fica-se surpreendido, e com razão, que seja um crente a declarar que afinal não há provas adequadas da existência de Deus. Nesse caso, por que razão continua ele a acreditar que Deus existe? Não seria muitíssimo mais razoável suspender a crença e adoptar uma posição agnóstica?
Perante qualquer crença, seja ela religiosa ou não, há sempre três atitudes. Vejamos no caso da crença de que Deus existe:
1 é a posição de uma pessoa crente e 2 a de uma ateia. Ambas têm uma crença relativa à existência de Deus, e ambas contrastam com a posição 3, que é a da pessoa agnóstica. Esta última nem acredita que Deus existe, nem acredita que não existe; limita-se a suspender a crença. Isto é algo que fazemos muitas vezes. Por exemplo, é de prever que as pessoas, na sua maioria, não acreditam que existem extraterrestres inteligentes que pesam duzentos quilos; mas também não acreditam que não existem. Simplesmente, não têm qualquer crença quanto a isso.
Este aspecto elementar da lógica da crença não é rejeitado por Pascal; porém, o seu raciocínio desenvolve-se pressupondo que, na prática, tanto faz acreditar que Deus não existe como não acreditar que existe, porque em ambos os casos não somos crentes. De modo que Pascal formula a questão em termos de duas alternativas apenas: acreditar ou não? E a resposta de Pascal é que é irracional não acreditar em Deus, se pensarmos cuidadosamente nas alternativas:
Chama-se aposta de Pascal à atitude de apostar na crença porque é a mais vantajosa das quatro alternativas. É a mais vantajosa porque promete um ganho infinito, nada de substancial se perdendo caso se perca a aposta. Em contraste, se não acreditarmos, arriscamo-nos a perder o infinito, e o que se ganha, se Deus realmente não existir, é negligenciável.
A aposta de Pascal compreende-se mais claramente com outro exemplo. Imagine-se que alguém nos propõe um negócio mafioso que custa apenas dois reais. Se existir vida em Marte, esses dois reais rendem-nos duzentos milhões de reais. Se não existir vida em Marte, só perdemos os dois reais. Contudo, se recusarmos delicadamente o negócio, o mafioso puxa da pistola e diz-nos que, nesse caso, se existir vida em Marte, teremos de pagar duzentos milhões de reais. Mas se tivermos a sorte de não existir vida em Marte, diz-nos ele com um sorriso benevolente, guardando a pistola, poupamos os dois reais e nada mais acontece. Eis as alternativas:
Caso isto nos fosse proposto, o mais vantajoso seria, evidentemente, abrir a carteira e apostar dois reais na existência de vida em Marte. No máximo, perdemos dois reais — mas talvez ganhemos duzentos milhões. E se não apostarmos, arriscamo-nos a ter de pagar duzentos milhões de reais. Claro que neste caso seria irracional não apostar na existência de vida em Marte.
E é isto que Pascal tinha em mente. Do seu ponto de vista, é irracional não ser crente porque no máximo perde-se tempo com rituais e tudo isso, mas talvez ganhemos o infinito. Em contraste, se não formos crentes, o que se ganha é pouco importante, mas arriscamo-nos a perder o infinito.
Terá Pascal razão?
Desidério Murcho in O Estado da Arte
A filosofia da religião tem como objectivo investigar por processos estritamente racionais as crenças religiosas fundamentais, com o fim de determinar o seu significado e de saber se são justificadas.
Embora sejam várias as crenças que interessam à filosofia da religião, a mais importante é a crença na existência de Deus. A respeito desta crença existem dois problemas principais:
Iremos falar destes dois problemas em seguida, embora a nossa atenção se vá centrar no segundo. De modo geral, entende-se que uma crença está justificada quando as provas a seu favor mostrem que essa crença é verdadeira ou bastante provável. Um exemplo ajudará a perceber a ideia. Imagine que um astrónomo comunica à comunidade científica que as suas investigações o levam a pensar que existe um planeta, até então desconhecido, entre Neptuno e Plutão. O astrónomo que faz esta afirmação pode ser muito reputado, mas é óbvio que nenhum outro astrónomo a vai considerar verdadeira a menos que ele a justifique. Os outros astrónomos vão querer saber que provas tem ele a favor dela e só a considerarão verdadeira se essas provas forem tais que mostrem que ela é verdadeira ou, pelo menos, bastante provável. Em princípio, as provas que o astrónomo pode utilizar são de dois tipos: argumentos e indícios empíricas. Neste caso, dado o conteúdo da afirmação, mesmo que os argumentos fossem muito fortes seria pouco provável que os astrónomos se contentassem apenas com argumentos. Eles só considerariam a afirmação provada quando tivessem acesso a dados empíricos favoráveis, por exemplo, imagens do planeta obtidas por telescópio.
A situação não é muito diferente em filosofia da religião. Para que uma afirmação seja aceite ela tem de passar por um processo de justificação semelhante. A diferença principal está em que a maior parte das crenças religiosas não podem, ao contrário das afirmações sobre planetas, ser justificadas por intermédio de indícios empíricas. Não é possível provar, devido à própria natureza de Deus, por meios empíricos a Sua existência. É por essa razão que a investigação dessa crença pertence à filosofia e não à ciência. Para percebermos melhor isto temos de abordar a questão da definição de Deus.
O problema da definição ou da natureza de Deus é um problema complexo e difícil. Por esse motivo, a nossa abordagem será forçosamente breve. Contudo, podemos dizer que envolve duas questões principais. Uma, a da definição propriamente dita, isto é, a questão de saber que propriedades devem ser atribuídas a Deus; e outra, a de saber se essas propriedades podem ser descritas de modo a serem combinadas numa definição coerente de Deus.
A primeira questão deu origem a duas doutrinas filosoficamente mais relevantes, o teísmo e o deísmo, que embora tenham elementos em comum diferem em certos aspectos de forma importante. O teísmo é a concepção da natureza de Deus segundo a qual Deus é um ser pessoal, espiritual, imutável, omnipresente, criador do universo, transcendente (que está fora do espaço e do tempo), omnipotente (que pode tudo), omnisciente (que sabe tudo), sumamente bom e necessário. Os teístas admitem a revelação, por intermédio, por exemplo, de um livro sagrado como a Bíblia ou o Corão, ou de milagres e profecias, e pensam que Deus intervém no mundo, assegurando a sua existência contínua. Os deístas, pelo contrário, recusam-se a aceitar qualquer forma de revelação como fonte de conhecimento de Deus. Para eles, os únicos conhecimentos legítimos da natureza de Deus são os que derivam de processos racionais de investigação. O deísmo, tal como o teísmo, afirma que existe um Deus pessoal e transcendente, que criou o mundo e que estabeleceu as leis que o regem, mas, ao contrário do teísmo, nega que Deus intervenha no curso dos acontecimentos do mundo seja de que maneira for e que responda às preces e necessidades humanas.
Teste 1: CONCEPTUALIZAÇÃO
Grupo I: 10 Perguntas de escolha múltipla (10 x 15 = 150 Pontos).
Grupo II: 2 Perguntas de definições de conceitos (25 + 25 = 50 Pontos).
TOTAL 200 Pontos.
Teste 2: ARGUMENTAÇÃO/PROBLEMATIZAÇÃO:
Um grupo com cinco perguntas.
Destas cinco perguntas, duas incluem textos.
Todas as perguntas implicam justificação e desenvolvimento, isto é, para além de dominar os conteúdos o aluno deve interpretar, comentar, explicar e criticar.
5x40 Pontos – TOTAL 200 pontos
A prova visa avaliar duas competências: Conceptualização e Argumentação/Problematização. A competência transversal é a comunicação/correção escrita. A prova é constituída por dois testes, em função de cada competência. Cada grupo tem uma pontuação de 0 a 20 valores.
A. Competências relativas à Filosofia da Ciência:
Formular os problemas da Filosofia da Ciência.
Distinguir senso comum de conhecimento científico.
Identificar etapas do método indutivo.
Explicar o problema da Indução para David Hume e Popper.
Identificar etapas do método hipotético-dedutivo.
Formular o problema da demarcação científica.
Explicitar o verificacionismo e o falsificacionismo enquanto critério de demarcação.
Comparar os critérios de demarcação verificacionista e falsificacionista.
Enunciar objeções aos critérios verificacionista e falsificacionista.
Explicar o método das Conjeturas e Refutações de Popper.
Esclarecer o conceito de Conjetura.
Relacionar a noção de “verosimilhança” e “verdade”.
Explicitar a noção de teoria corroborada.
Distinguir corroboração de confirmação.
Justificar a Ciência enquanto processo cumulativo de conhecimentos.
Identificar etapas do desenvolvimento da ciência da ciência para Kuhn.
Caracterizar as diferentes etapas do desenvolvimento.
Definir paradigma.
Explicitar a tese da incomensurabilidade de paradigmas.
Justificar a Ciência enquanto processo não cumulativo de conhecimentos.
Distinguir o processo cumulativo de não cumulativo de conhecimentos.
B. Competências gerais:
- Compreender, em linhas gerais, a história da ciência e os métodos científicos.
- Definir os conceitos nucleares da unidade sobre o estatuto do conhecimento científico.
- Aplicar os conhecimentos adquiridos a novas situações.
- Elaborar respostas bem articuladas.
- Justificar as respostas dadas.
- Analisar um texto filosófico.
- Comentar uma frase aplicando os conhecimentos obtidos.
É importante distinguir frases que fazem
afirmações factuais sobre o mundo das que não o fazem. Tanto quem fala treta
como quem faz pseudociência produz frases com a intenção de convencer a sua
audiência de que alguma afirmação factual está sendo feita, quando na realidade
não está. Por exemplo, um político, ao lhe ser perguntado como alcançará um
certo objetivo à luz de uma dada crítica, pode responder: “o importante é
assegurar que, seguindo adiante, criemos processos robustos que entregarão os
serviços que o povo corretamente espera serem da melhor qualidade, e é por isso
que dei passos no sentido de garantir que as nossas políticas responderão às
necessidades existentes”. Ele é bem-sucedido em usar o tempo disponível,
utiliza o seu tom de voz e a sua expressão facial para passar uma impressão
possivelmente falsa dos seus estados afetivos e valores, e acaba não dizendo
nada (ou ao menos nada além das banalidades esperadas). A função deste tipo de
treta, como diz Frankfurt, não é originar crenças na audiência, pelo menos
crenças sobre o assunto em questão, mas antes provocar crenças sobre o próprio
político e os seus bons serviços.
James Ladyman, Filosofia da pseudociência
E os cientistas usam também o raciocínio indutivo? A resposta é sim. Consideremos uma doença genética conhecia pelo nome de síndroma de Down (S. D.) Os geneticistas dizem-nos que os pacientes de S. D. têm um cromossoma a mais: 47 em vez de 46. Como o sabem? Porque examinaram um vasto número de pacientes com síndroma de Down e verificaram que tinham um cromossoma a mais. Então, raciocinando indutivamente, concluíram que os pacientes com S. D. são todos os pacientes com um cromossoma a mais. O facto de os doentes com S. D. examinados terem um cromossoma a mais não prova, rigorosamente falando, que isso acontece com todos os pacientes de S. D. É possível, embora altamente improvável, que a amostra estudada não seja representativa.
Este exemplo não é caso único. De facto, os cientistas usam o raciocínio indutivo sempre que a partir de um número limitado de casos e de dados formulam conclusões gerais que pretendem valer para todos os casos e dados (é o que fazem constantemente). Consideremos o princípio de que um corpo exerce uma atracão gravitacional sobre outro. Como é óbvio, Newton não examinou todo e qualquer corpo existente no universo para chegar a este princípio – não poderia. Viu que tal princípio era verdadeiro para o Sol e os planetas e para alguns objetos movendo-se perto da superfície da Terra. A partir desses dados inferiu que o princípio da gravitação universal era verdadeiro para todos os objetos. Mais uma vez trata-se de uma inferência indutiva: o facto de o princípio valer para alguns objetos não garante que valha para todos.
Muitos filósofos e cientistas pensam ser óbvio que a ciência se baseia em raciocínios indutivos, pelo menos em grande parte. Mas…»
SAMIR OKASHA, Philosophy of Science – A Very Short Introduction, Oxford, Oxford University Press, pp. 20-23 (adaptado).