terça-feira, 8 de junho de 2021

Correção do 4º teste 11A -Junho 2021

     

Christo - artista plástico A Ponte Neuf coberta, Paris 1985

 Grupo II

1. Explique porque é que as limitações da teoria da arte como expressão constituem um problema para a sua definição de arte.

As limitações que podemos apontar à teoria da arte como expressão é o facto de que não temos acesso aos estados mentais do artista. Na maior parte dos casos não temos nenhum documento ou relato que nos permita identificar quais foram os sentimentos ou emoções que estiveram na origem da criação da obra de arte, o que torna impossível saber se os sentimentos que o espectador experiência são os mesmos que o criador da obra de arte. (10pts)

Parece ser uma exigência injusta e irrealista que o artista tenha de sentir sempre aquilo que a obra de arte exprime. Um dos exemplos que podemos identificar é a produção artística em massa por parte de um compositor ou de um artista plástico. Podem produzir uma melodia ou uma pintura triste a pedido de alguém, mas não significa que estejam a experienciar esse sentimento. (10pts)

Parece existir também obras de arte que não expressam sentimentos, como um vaso ou um serviço de porcelana, no entanto conseguimos reconhecer o estatuto de obra de arte a estas peças devido ao conjunto de cores e de formas que apresentam, bem como ao conteúdo histórico e artístico que carregam. (10pts)

 

 

2. Qual a definição de arte defendida pela teoria formalista e as principais vantagens que esta teoria traz para a compreensão da experiência estética?

Uma obra é arte se, e só se, tiver uma forma significante e provocar emoções estéticas. A Forma significante é a combinação de cores, linhas e formas, capaz de provocar a emoção estética (condição necessária e suficiente para uma obra ser arte). A "Emoção estética" é um tipo particular de emoção que as pessoas (sensíveis) experimentam quando estão perante uma obra de arte. (10pts) 

A emoção estética provocada pela forma significante presente na verdadeira arte reflete a capacidade desta nos mostrar a natureza das coisas. A emoção estética é um resultado da apreciação desinteressada de uma obra com uma determinada forma, que traduz artisticamente um significado sobre o mundo. (10pts)

Esta teoria tem a vantagem de ser abrangente e conseguir explicar porque é que sentimos uma emoção estética perante uma obra de arte. Tem também a vantagem de basear o estatuto ou a qualidade das obras de arte em fatores objetivos. (10pts)

 3. Identifique a analogia feita no seguinte argumento e explique-a. Formule uma objeção ao argumento.

“De facto, vemos que algumas coisas, carecem de conhecimento, como os corpos naturais, operam por causa de um fim, o que é manifesto porque sempre ou com maior frequência operam do mesmo modo, para atingirem aquilo que é ótimo. Donde, é patente que não é por acaso, mas por intenção, que atingem o fim. As coisas, porém, que não possuem conhecimento, não tendem para um fim a não ser dirigidas por algum cognoscente e inteligente, assim como a seta pelo lançador de setas. Logo, existe algo inteligente, pelo qual todas as coisas naturais são ordenadas para um fim: e isso, dizemos que é Deus”.        

S.Tomás de Aquino

 

 Aspetos a focar na resposta:

a) Identificação da analogia: “Assim como a seta é dirigida para um fim pelo lançador de setas, 

também as coisas que não possuem inteligência nem conhecimento  como os corpos naturais são dirigidos para um fim por um ser inteligente -Deus” 10

b) Explicação: Comparação entre uma seta e o mundo/natureza. Muitas coisas apesar de não  possuírem conhecimento operam para um fim, isto é, operam de uma forma consistente para 

atingirem o seu fim que é o ótimo. Isto não acontece por mero acaso mas por intenção, como 

uma seta não atinge o alvo por mero acaso mas porque é dirigida por um ser inteligente e dotado de uma intenção (arqueiro). Esta analogia visa provar que existe um ser inteligente que intencionalmente dirige as coisas da natureza para atingirem o que é ótimo, porque essas coisas por não possuírem conhecimento não podem saber o que é ótimo. Esse ser só pode ser Deus. 10

c) Objeção – 1.Argumento inválido porque a conclusão não se segue das premissas. As premissas refere alguns precisam de ser ordenados por um ser inteligente para um fim. Não se segue que seja apenas um o ser inteligente ordenador e também não se segue que sejam todas as coisas.

c. A seleção natural como teoria que tem por base o aperfeiçoamento gradual, o que significa que à partida os seres naturais não estão igualmente preparados para atingirem o seu fim e muitos simplesmente não o atingem e desaparecem. Ainda a noção de um acaso que é determinante para a sobrevivência de uma espécie. (10)

4. A imperfeição original das criaturas põe limites à ação do Criador que tende para o bem. E como a matéria mesma é um efeito de Deus, não pode ser ela mesma a fonte do mal e de sua imperfeição. Mostramos que essa fonte se encontra nas formas ou ideais dos possíveis, e que não é algo oriundo de Deus (In: Teodiceia, 31).

Esclareça o problema do mal e, partindo do texto, apresente a resposta de Leibniz a este problema.

a) Formulação do problema:

Se Deus existe é omnipotente e benevolente

Se Deus é omnipotente impede o mal de existir

O mal existe,

Logo Deus não é omnipotente

Se Deus é omnipotente e quer o mal

Então Deus não é benevolente

Portanto, se o mal existe, Deus não existe 15

 

b) Resposta de Leibniz

- O mal existe ele é como um bem menor para atingir um bem maior

O mal é necessário para podermos atingir um bem maior. Por exemplo, sem mal não poderia existir santidade ou heroicidade. O homem não tem a noção do desígnio total de Deus em relação às criaturas pois ele não tem a visão da totalidade mas apenas de uma parte. Logo o mal é consistente com a existência de Deus. A origem do mal não é Deus mas as possibilidades criadas pelo livre-arbítrio do homem. Tal como o texto diz : "A imperfeição original das criaturas põe limites à ação do Criador" . O Mal não tem origem em Deus mas sim nas criaturas que pelo facto de serem criaturas têm uma condição imperfeita (mal metafísico). Apesar dessa imperfeição Deus criou o melhor dos mundos possíveis. O texto acrescenta que o mal se encontra "nas formas dos possíveis" isto é, nas possibilidades que a criatura tem de se aperfeiçoar ou não, e nisso consiste o seu livre arbítrio.  O livre-arbítrio permite a escolha do mal, mas sem essa possibilidade a criatura também não se poderia superar, isto é, escolher o bem.15

Grupo III

Perguntas de resposta breve sem necessidade de desenvolvimento.

1. Formule o argumento ontológico em duas premissas e uma conclusão.

Se é verdade que "Deus é o ser maior que o qual nada pode ser pensado" então Ele tem de existir

pois se não existisse ele não seria "o ser maior que o qual nada pode ser pensado", não seria Deus

logo, Deus existe 

ou

Deus existe no intelecto como "o ser maior que o qual nada pode ser pensado"

se apenas existisse no intelecto e não na realidade não seria "o ser maior que o qual nada pode ser pensado" 

logo, Deus tem que existir na realidade


2. Identifique pelo menos uma limitação à teoria histórica da arte.

 

  • Os artistas podem não ter o direito de propriedade sobre algumas obras.

  • Há obras de arte que não foram criadas com a intenção de serem vistas como obra de arte.

  • Esta teoria não explica como surgiu a primeira obra de arte.



domingo, 6 de junho de 2021

Correção do 4ºTeste -11B -Junho 2021

Baskiat


Grupo II

1. Qual a tese defendida pela teoria da arte como expressão e quais as vantagens desta teoria.

A teoria da arte como expressão defende que uma obra é uma obra de arte se e só se expressar as emoções do seu autor. (10pts).

Apontar pelo menos duas vantagens: 

- explica a razão pela qual sentimos certas emoções ao contemplar certas obras: se o autor expressa as suas emoções na obra é de esperar que a pessoa que a contempla também as experiencie. (10pts)

- É abrangente o suficiente para incluir os casos explicados pela teoria da arte como representação assim como aqueles que ela não conseguia explicar - uma obra pode não representar algo e ainda assim expressar as emoções do seu autor. (10pts)

- Oferece um critério claro para distinguir o que é ou não arte e também nos permite distinguir boa de má arte. (10pts)


2.   Qual a definição de arte avançada pela Teoria da Arte como Forma Significante e que problemas lhe podemos apontar.

 A teoria formalista define arte como aquilo que possui uma forma significante (conjunção de linhas e cores) que provoca uma emoção estética (10pts). 

Podemos apontar algumas limitações a esta teoria (aponta pelo menos 2 das 4): 

a definição é circular: a forma significante é o que provoca uma emoção estética e uma emoção estética é o que é suscitado por uma forma significante (10pts); menospreza a importância da representação - será que o que importa nas obras de arte é apenas a sua forma? (10pts); resolve os casos de disputa recorrendo à noção de que existem pessoas com mais ou menos sensibilidade, sendo que esta explicação suscita algumas dúvidas, parece ser ad hoc, ou é um critério vago (10pts); não explica as obras de arte que são indistinguíveis de objectos comuns como por exemplo algumas das obras de Andy Warhol - será que tanto os objetos comuns como as obras do artista provocam emoção estética? Nenhuma provoca? Ou só as obras do artista? Se sim, porquê, se são indistinguíveis dos objetos comuns? (10pts).


3.                  “Examinemos então este ponto dizendo: Deus é ou não é. Mas para que lado nos vamos inclinar? A razão não pode determinar nada. Existe um caos sem fim que nos separa. Um jogo está sendo jogado no final desta distância infinita, onde se sairá com cruz ou coroa. O que vamos apostar? Racionalmente não o podemos fazer. Não há razões para defender um ou outro.”                                                                                                                                                   Pascal, Pensamentos

 Recorrendo ao texto identifique a posição de partida de Pascal e esclareça o significado da denominada “Aposta de Pascal”. 

 a) Interpretação do texto: A existência de Deus não pode ser provada pela razão, “a razão não pode determinar nada” : A posição de Pascal é agnóstica pois conclui que nos separa uma distância infinita da compreensão e do conhecimento de Deus. Teremos então de apostar sem nenhuma razão que nos possa guiar na aposta, é portanto uma aposta baseada na fé, na crença sem provas.(10)

b)Explicar que a aposta de Pascal consiste em partir de uma posição agnóstica e equacionar o benefício e o prejuízo de acreditar em Deus. Isto é feito porque Deus sendo incognoscível para a razão, só pode ser verdadeiro para quem tem fé, é portanto uma aposta pessoal (10). 

c)Essa aposta tem as seguintes vantagens: Se acreditarmos em Deus e Deus existir temos um ganho infinito, se acreditarmos e não existir, perdemos alguns prazeres finitos; Se não acreditarmos e Deus não existir não perdemos nem ganhamos nada; se não acreditarmos e Deus existir temos uma perda infinita. (10)

4.«Existe, pois, sem a menor dúvida, “alguma coisa maior do que a qual nada pode ser pensado” tanto no intelecto como na realidade.»                             Santo Anselmo, Proslogion


Designação: trata-se do argumento ontológico, é um argumento a priori que parte da definição do conceito de Deus como “ a coisa maior que a qual nada pode ser pensado”. (5)

 Constituição do argumento: Se Deus é o ser maior que o qual nada pode ser pensado é,  grosso modo, o argumento de que Deus, sendo “o ser maior que o qual nada pode ser pensado” tem de existir, pois se Ele não existisse, então seria possível conceber um Deus existente, que seria maior “que o ser maior que o qual nada pode ser pensado”, o que é absurdo. (15)

Objeção: Gaunilo argumentou que deve haver algo errado com ele, porque se não houver então podemos usar a sua lógica de provar coisas que não temos razão para acreditar que sejam verdade.

Por exemplo, Gaunilo argumentou que era possível construir um argumento com exatamente a mesma forma que o argumento ontológico, que se propõe  provar a existência da ilha perfeita: a ilha perfeita deve existir, pois se não, então seria possível conceber uma ilha maior do que a ilha do que a ilha perfeita, o que é absurdo.

Se o argumento ontológico funciona, então, de acordo com Gaunilo, o argumento para a existência da ilha perfeita funciona também.(10)

 

Grupo III

1. Arte é algo sobre o qual se tem direitos de pro
priedade e em relação ao qual houve uma “intenção séria e duradoura de ser vista como uma obra de arte - isto é, vista do modo como as obras de arte preexistentes são ou foram corretamente vistas”(15pts).

 

2. VA Formulação -Todas as coisas têm uma causa, as coisas não podem ser causas de si próprias. Não pode haver regressão infinita de causas ( pois não poderíamos ordenar a cadeia causal por causa intermédia e última), logo, terá de haver uma primeira causa que é Deus. (15)

VB -Teísmo: corrente de pensamento identificada na filosofia da religião como aquela que afirma e acredita na existência de um Deus criador, omnipresente, omnisciente, omnipotente e interventivo. ( Aceita-se a definição geral que designa o termo como identificando uma crença num só Deus ou em vários). Teísta: Aquele que tem a crença num só Deus...(15)

 

 

 

domingo, 30 de maio de 2021

Texto para resumo Tomás Antunes 11A

Polímnia, Monte Calvo

A poesia não me pede propriamente uma especialização pois a sua arte é uma arte do ser. Também não é tempo ou trabalho o que a poesia me pede. Nem me pede uma ciência nem uma estética nem uma teoria. Pede-me antes a inteireza do meu ser, uma consciência mais funda do que a minha inteligência, uma fidelidade mais pura do que aquela que eu posso controlar. Pede-me uma intransigência sem lacuna. Pede-me que arranque da minha vida que se quebra, gasta, corrompe e dilui uma túnica sem costura. Pede-me que viva atenta como uma antena, pede-me que viva sempre, que nunca me esqueça. Pede-me uma obstinação sem tréguas, densa e compacta.

Pois a poesia é a minha explicação com o universo, a minha convivência com as coisas, a minha participação no real, o meu encontro com as vozes e as imagens. Por isso o poema não fala de uma vida ideal mas sim de uma vida concreta: ângulo da janela, ressonância das ruas, das cidades e dos quartos, sombra dos muros, aparição dos rostos, silêncio, distância e brilho das estrelas, respiração da noite, perfume da tília e do orégão.

É esta relação com o universo que define o poema como poema, como obra de criação poética. Quando há apenas relação com uma matéria há apenas artesanato.

É o artesanato que pede especialização, ciência, trabalho, tempo e uma estética. Todo o poeta, todo o artista é artesão de uma linguagem. Mas o artesanato das artes poéticas não nasce de si mesmo, isto é, da relação com uma matéria, como nas artes artesanais. O artesanato das artes poéticas nasce da própria poesia a qual está consubstancialmente unido. Se um poeta diz «obscuro», «amplo», «barco», «pedra» é porque estas palavras nomeiam a sua visão do mundo, a sua ligação com as coisas. Não foram palavras escolhidas esteticamente pela sua beleza, foram escolhidas pela sua realidade, pela sua necessidade, pelo seu poder poético de estabelecer uma aliança. E é da obstinação sem tréguas que a poesia exige que nasce o «obstinado rigor» do poema. O verso é denso, tenso como um arco, exatamente dito, porque os dias foram densos, tensos como arcos, exatamente vividos. O equilíbrio das palavras entre si é o equilíbrio dos momentos entre si.

E no quadro sensível do poema vejo para onde vou, reconheço o meu caminho, o meu reino, a minha vida.

Sophia de Mello Breyner, Arte Poética II, in Obra Poética III, Ed. Caminho, 1999, Lisboa, 95-96.

quarta-feira, 26 de maio de 2021

Texto para resumo Salomé 11A

Federico de Madrazo y Kuntz

A Teoria Histórica apresenta uma definição real de arte que é simultaneamente processualista e relacional. Levinson defende assim que a natureza da arte reside em propriedades não manifestas associadas ao modo como se processa a sua criação e que estas podem ser entendidas como separadamente necessárias e conjuntamente suficientes para haver arte em qualquer circunstância possível. Segundo Levinson, a arte é necessariamente retrospetiva, uma vez que a criação artística estabelece uma relação apropriada com a atividade e o pensamento humanos que se traduziram na história efetiva da arte. É essa relação que determina aquilo que a arte é, o seu carácter ontológico, e explica a unidade da arte através do tempo.

A definição histórica de arte é formulada por Levinson do seguinte modo: X é uma obra de arte se, e só se, X é um objeto acerca do qual uma pessoa ou pessoas, possuindo a propriedade apropriada sobre X, têm a intenção não-passageira de que este seja perspetivado-como-uma-obra-de-arte, i.e., perspetivado de qualquer modo (ou modos) como foram ou são perspetivadas corretamente obras de arte anteriores. A definição histórica indica condições necessárias e suficientes para haver arte, aplicando-se assim – acredita Levinson – a toda a arte possível. Fornece ainda um critério de identificação que permite distinguir as obras de arte dos meros objetos comuns que não são arte. Para que possamos avaliá-la convenientemente, consideremos cada uma das condições apontadas.

A primeira condição é a do direito de propriedade: o artista não pode transformar em arte objetos que não lhe pertençam ou em relação aos quais não esteja devidamente autorizado a agir pelos seus proprietários. Com esta condição Levinson reduz substancialmente o universo de possibilidades da criação artística e afasta-se definitivamente da imagem caricatural do artista que faz arte através da mera nomeação de um qualquer objeto que passa então a usufruir do estatuto de obra de arte. A oposição à teoria Institucional de Dickie é uma presença declarada na proposta Histórica, e este é um dos pontos que a tornam mais evidente.

A segunda condição é a existência de um certo tipo de intenção que relaciona a arte do presente com a arte do passado. Ter uma intenção, neste caso, é ter um propósito ou uma finalidade em mente, e desenvolver uma ação para o atingir. Esta pode consistir em fazer, apropriar-se ou conceber algo. A teoria é, pois, um caso de internalismo histórico, uma vez que supõe que a relação entre o passado e o presente não se faz através de características das próprias obras, mas sim das intenções do artista. Embora possamos não ter acesso às intenções do artista, que são, obviamente, estados psicológicos, é possível conhecê-las através de pistas, como o contexto de criação, o género a que a obra pertence, etc. Inferimos as intenções do artista através de aspetos concretos da obra porque a obra, ela própria, não é mental.

Paula Mateus, A teoria histórica de Levinson

https://repositorio.ul.pt/bitstream/10451/24224/1/Paulo%20Mateus.pdf

quarta-feira, 19 de maio de 2021

Texto para resumo Matilde 11A e Vasco Fernandes 11ºB



[…] 

"A teoria institucional da arte surgiu na década de sessenta, tendo sido sustentada por George Dickie. Essa teoria enfatiza a importância da comunidade de conhecedores de arte na definição e ampliação dos limites daquilo que pode ser chamado de arte. Dickie define a obra de arte como um artefacto que possui um conjunto de aspetos que lhe conferem o status de candidato à apreciação das pessoas da instituição do mundo da arte. A importância disso pode ser ilustrada pela obra de Alfred Wallis. Wallis era um marinheiro que nada entendia de arte e que aos 70 anos, após a morte da esposa, decidiu pintar barcos na madeira para afugentar a solidão. Casualmente, dois pintores de passagem pelo lugar gostaram de suas telas e o descobriram como artista. Como resultado as obras de Wallis podem ser hoje vistas em vários museus ingleses. Como disse um crítico, Wallis tornou-se um artista sem sequer saber que era.

Há duas objeções principais à teoria institucional. A primeira é que ou os entendidos em arte decidem o que deve ser considerado uma obra de arte com base em razões ou o fazem arbitrariamente. Se eles o fazem com base em razões, essas razões constituem uma teoria da arte que não é a teoria institucional. Assim, alguém poderá dizer que os quadros de Wallis apresentam excelentes combinações de cores aliada a simplicidade formal. Mas essa é uma maneira de dizer, por exemplo, que eles possuem forma significante. Nesse caso a teoria institucional colapsa em outras conceções acerca do que é a arte. Suponhamos agora que os entendidos em arte decidam o que deve ser considerado obra de arte arbitrariamente. Ora, nesse caso não fica claro porque devemos dar qualquer importância à arte. Uma objeção adicional seria a de que a teoria institucional é viciosamente circular. Obras de arte são definidas como objetos que são aceites como tais pelas pessoas que entendem de arte; e as pessoas que entendem de arte são definidas como as que aceitam certos objetos como sendo obras de arte."

Cláudio F. Costa, Teorias da Arte, in Crítica na rede

sexta-feira, 14 de maio de 2021

Critérios para a realização do ensaio filosófico

Criatividade (10%)                             

Mostra um pensamento pessoal e não se limita a repetir argumentos estudados. Demonstra uma apreensão de conhecimentos sobre o tema que quer tratar e, a partir destes, consegue apresentar os argumentos e organizar os conteúdos que quer defender de forma original e autónoma.

Rigor / Coerência (20%)  

Composição do ensaio sem ideias contraditórias. Manter uma linha de pensamento uniforme. Não se limitar a escrever palavras soltas, mas desenvolver argumentos que suportam a tese que se quer defender. O texto deve manter uma aparência limpa e cuidada, tal como o conteúdo do mesmo.

Estrutura (30%)

Composição fluida, isto é, com um seguimento de ideias natural. Começar por introduzir o tema e a problemática a discutir. Depois dar alguns exemplos que mostrem a sua pertinência para depois partir para a parte da argumentação e conclusão do trabalho.

Argumentação (40%)

Apresentação de argumentos fortes e possíveis contra-argumentos à tese defendida. Usar exemplos, mas apenas como ilustrações do argumento.


Estrutura do Ensaio Filosófico

Tema: Identificar o tema do ensaio - ex.: “Neste ensaio irei abordar o tema da arte…”

Problema: Expor o problema em causa assim como as possíveis soluções (teses) - ex.: “O problema a que irei tentar dar resposta é o seguinte: a arte expressa sentimentos? São várias as soluções possíveis. A teoria expressivista defende…”

Tomada de posição: Indicar qual a sua posição em relação ao problema - ex.: “Defendo que toda a arte provoca uma emoção estética. A minha posição é que…”

Argumentos: Avançar no mínimo um ou dois argumentos a favor da sua tese. Caso se esteja indeciso explicar porquê indicando os argumentos de cada uma das teses que o deixam em estado de indecisão.

Problematização: Apresentar objeções contra a posição que se defende e tentar responder a essas objeções.

Conclusão: Pequena síntese do que foi escrito, expondo as conclusões a que se chegou.

sábado, 8 de maio de 2021

Texto para resumo Pedro Castro 11B e Mafalda 11A

 
Van Gogh, Worn Out: At Eternity's Gate (1890)
 
"(...) a verdadeira arte é expressão imaginativa da emoção. Por «expressão» Collingwood quer dizer algo bastante específico - não uma irrupção ou uma manifestação involuntária da emoção, nem um despertar deliberado da emoção, mas antes a clarificação de um sentimento inicialmente vago que através da sua expressão se torna claro. O processo de criar uma obra de arte é um refinamento desta emoção e ao mesmo tempo uma maneira de o artista ganhar uma espécie de conhecimento de si precisamente através da clarificação daquilo que sente (...)
 
A expressão bem sucedida de uma emoção permite ao observador ou à audiência ganhar consciência dela, exactamente como o processo de criação artística isola a natureza dessa emoção particular para a pessoa que dela tem experiência e que a expressa (...)

O observador deve expressar emoções, diz Collingwood, tal como o artista, e torna-se assim um artista no decorrer do próprio processo de apreciar arte. O artista mostra aos observadores da obra de arte como expressar a emoção particular que se encontra na obra. O valor da arte tanto para o criador como para os consumidores encontra-se na sua capacidade para clarificar e individualizar emoções. (...)

A noção de verdadeira arte de Collingwood admite muitas coisas que não são obviamente arte; ao mesmo tempo, exclui alguns casos paradigmáticos de arte. Inclui demasiado porque parece implicar que qualquer expressão imaginativa de emoção irá ser automaticamente qualificada como obra de arte - uma posição muitíssimo contra-intuitiva. É óbvio que a expressão de uma emoção não precisa de ser uma obra de arte. A expressão de emoções, mesmo no sentido em que Collingwood usa o termo expressão, não é certamente uma condição suficiente para que algo seja uma obra de arte. Por exemplo, a transferência e contratransferência entre um psicoterapeuta e o seu cliente poderia muito bem ter a forma de uma sentimento vago, quase inconsciente, aperfeiçoado numa emoção precisamente expressa; contudo poucas pessoas defenderiam que é, por isso, uma obra de arte. Talvez, contudo, na terminologia de Collingwood, tal não consistia numa expressão imaginativa de emoções. Porém, poder-se-ia fazer uma objecção semelhante a partir do interior da teoria de Collingwood: a sua descrição do papel apropriado do observador de uma pintura parece transformar esse observador num artista. O observador reexprime a emoção que se encontra no âmago da obra. Se esta for uma leitura correcta de Collingwood neste aspecto - e a sua teoria é notavelmente escorregadia - então é simplesmente implausível."
 
Nigel Warburton, O que é a Arte?, pp. 62-63; 72.
 
 

quinta-feira, 6 de maio de 2021

Critérios de correção 11A -28 Abril

 

Critérios de correção do teste do 11 A – Dia 28 de Abril

 

Grupo I 

Versão A                Versão B

1.C            1.C

2.B            2.A

3.B            3. C

4.C            4.C

5.B            5.B

6.C            6.B

7.A            7.C

8.C            8.B

9.A            9.C

10.C          10.A

 

Grupo II

1. Aspetos a focar na resposta:

A Identificação do argumento – cosmológico (7,5)

Formulação -Todas as coisas têm uma causa, as coisas não podem ser causas de si próprias (porque teriam de existir antes de existir o que é absurdo), também não pode haver regressão infinita de causas ( pois não poderíamos ordenar a cadeia causal por causa intermédia e última), terá de haver uma primeira causa que é Deus. (7,5) Pode ser inserida nas objeções.

Duas objeções: a) Pode não ser Deus a primeira causa porque tendo que ser omnipotente, podemos evocar outros seres omnipotentes que não sejam o Deus teísta. (7,5) 

b) Contradição entre a premissa que diz que tudo tem uma causa e a conclusão que afirma que Deus não tem causa, ou Deus teria de ter uma causa ou há contradição. (7,5)  

 

2. Questão em aberto. 

Deus existe porque …

O aluno deve apresentar de forma clara a sua posição (5)

Deve utilizar um ou dois argumentos consistentes para fundamentar a sua posição (15)

Deve colocar uma ou outra dúvida e responder (5)

Deve apresentar uma conclusão (5)

3. 

a) Explicar que a aposta de Pascal consiste em partir de uma posição agnóstica e equacionar o benefício e o prejuízo de acreditar em Deus. Isto é feito porque Deus sendo incognoscível para a razão, só pode ser verdadeiro para quem tem fé, é portanto uma aposta pessoal (10). 

b)Essa aposta tem as seguintes vantagens: Se acreditarmos em Deus e Deus existir temos um ganho infinito, se acreditarmos e não existir, perdemos alguns prazeres finitos; Se não acreditarmos e Deus não existir não perdemos nem ganhamos nada; se não acreditarmos e Deus existir temos uma perda infinita. (10)

c) Avaliação: Válida porque nos permite percecionar o ganho pessoal da fé. (10)

ou

Inválida porque pressupõe que possa existir fé através de uma motivação interesseira. Ninguém acredita porque lhe é vantajoso acreditar, seria uma falsa fé. (10)

 


Grupo III

 

Popper responde sim. Segundo a visão do filósofo, a ciência evolui pela eliminação de teorias erradas (10pts). Esta evolução dá-se sujeitando as várias teorias a tentativas de refutação. Uma vez refutadas, as teorias são substituídas por outras que não só explicam o que a teoria anterior explicava como também aquilo que ela não conseguiu explicar (10pts).

 Apesar de nunca conseguirmos atingir a verdade de uma vez por todas, vamos progressivamente aproximando-nos dela, conseguindo teorias mais verossímeis que outras (10pts).

 Já Kuhn diria que embora esta nova teoria nos permite praticar melhor aquilo a que chama “ciência normal” não é possível falar de um progresso em direção à verdade tal como em Popper (10pts). 

 Para o autor, a ciência desenvolve-se descontínuamente através da substituição de paradigmas - conjunto de teorias básicas, problemas, métodos, visão metafísica e valores (10pts). 

Estes paradigmas são incomensuráveis, isto é, são impossíveis de comparar totalmente e, portanto, quando um é substituído por outro, o próprio modo de ver o mundo altera-se, não sendo possível dizer que um se aproxima mais da verdade que o outro (10pts).  




 

terça-feira, 4 de maio de 2021

Texto para resumo Matilde 11B e Lívia 11A

 

"Como sugeri, objetos ansiosos como O Embaixador, Uma Verdadeira Obra de Arte e a Fonte apresentam uma espécie de filosofia visual que aborda e responde à questão da arte. Mas tratá-los como um substituto adequado à filosofia é um erro. São na sua maioria meros remoques. A filosofia tem mais a dizer sobre esta questão do que é possível através de uma obra de arte visual. Este livro, na medida em que é uma obra de filosofia, provavelmente não deveria acabar como uma peça em exposição numa galeria de arte. A filosofia é um envolvimento crítico com ideias através de palavras. Envolve argumentos e contra-argumentos, exemplos e contraexemplos. Os filósofos não se limitam a expressar as suas crenças; justificam-nas com provas e argumentos. Raciocinam, definem, clarificam. Acima de tudo, os filósofos estão interessados na verdade, numa tentativa constante de ir além das aparências. (...).

A questão da arte parece mais adequada a uma resposta filosófica do que a uma resposta artística. Contudo, tal não significa que a filosofia tenha uma resposta simples. De facto, um dos resultados do estudo da filosofia é a tomada de consciência de que a maioria das perguntas aparentemente simples não tem uma resposta simples.

(...)

Dada a dificuldade de dizer algo positivo e verdadeiro acerca da arte, pode ser tentador rejeitar em bloco a questão da arte. Para quê darmo-nos ao trabalho de filosofar acerca de obras de arte? Barnett Newman sugeriu que os artistas precisam tanto da teoria da arte como as aves a ornitologia. Mas há uma verdadeira questão aqui, que merece ser examinada, precisamente por ser tão enigmática. E quanto mais os artistas põem em causa a noção do que é arte, mais enigmática parece tornar-se. A questão torna-se mais evidente perante objectos ansiosos. Contudo, assim que reconhecemos a questão, pode tornar-se igualmente intratável quando consideramos as principais tendências da arte. Vale certamente a pena dedicar alguma energia à tentativa de responder à questão, ou pelo menos a mostrar por que não pode ser respondida." 

Nigel Warburton, O que é a Arte?, pp. 16-18.

segunda-feira, 3 de maio de 2021

Critérios de correção do teste 11 B – Dia 27 de Abril


Grupo I 

Versão A        Versão B

  1. d           b

  2. a            a

  3. c            a

  4. c            a

  5. d           d

  6. b           c

  7. a           c

  8. b           b

  9. a           d

  10. a           a

Grupo II

1.

 Aspetos a focar na resposta:

a) Identificação da analogia: “Assim como a seta é dirigida para um fim pelo lançador de setas, 

também as coisas que não possuem inteligência nem conhecimento  como os corpos naturais são dirigidos para um fim por um ser inteligente -Deus” 10

b) Explicação: Comparação entre uma seta e o mundo/natureza. Muitas coisas apesar de não  possuírem conhecimento operam para um fim, isto é, operam de uma forma consistente para 

atingirem o seu fim que é o ótimo. Isto não acontece por mero acaso mas por intenção, como 

uma seta não atinge o alvo por mero acaso mas porque é dirigida por um ser inteligente e dotado de uma intenção (arqueiro). Esta analogia visa provar que existe um ser inteligente que intencionalmente dirige as coisas da natureza para atingirem o que é ótimo, porque essas coisas por não possuírem conhecimento não podem saber o que é ótimo. Esse ser só pode ser Deus. 10

b) Objeção – 1.Argumento inválido porque a conclusão não se segue das premissas. As premissas refere alguns precisam de ser ordenados por um ser inteligente para um fim. Não se segue que seja apenas um o ser inteligente ordenador e também não se segue que sejam todas as coisas.

2. A seleção natural como teoria que tem por base o aperfeiçoamento gradual, o que significa que à partida os seres naturais não estão igualmente preparados para atingirem o seu fim e muitos simplesmente não o atingem e desaparecem. Ainda a noção de um acaso que é determinante para a sobrevivência de uma espécie. (10)


2.

Questão em aberto. Deus existe porque…

O aluno deve apresentar de forma clara a sua posição 10

Deve utilizar um ou dois argumentos consistentes  15

Deve colocar uma ou outra dúvida e responder 2,5

Deve apresentar uma conclusão 2,5



3. 

a) Formulação do problema:

Se Deus existe é omnipotente e benevolente

Se Deus é omnipotente impede o mal de existir

O mal existe,

Logo Deus não é omnipotente

Se Deus é omnipotente e quer o mal

Então Deus não é benevolente

Portanto, se o mal existe, Deus não existe 15

 

b) Resposta de Leibniz

- O mal existe ele é como um bem menor para atingir um bem maior

O mal é necessário para podermos atingir um bem maior. Por exemplo sem mal não poderia existir santidade. O homem não tem a noção do desígnio total de Deus em relação às criaturas pois ele não tem a visão da totalidade mas apenas de uma parte. Logo o mal é consistente com a existência de Deus. Deus criou o melhor dos mundos possíveis.- A origem do mal não é Deus mas as possibilidades criadas pelo livre-arbítrio do homem. O mal deriva das imperfeições da criatura e não do criador (mal metafísico). O livre-arbítrio permite a escolha do mal, mas sem essa possibilidade a criatura também não se poderia superar, isto é, escolher o bem.15

Grupo III

Critérios de correção:

Popper responde sim. Segundo a visão do filósofo, a ciência evolui pela eliminação de teorias erradas (10pts). Esta evolução dá-se sujeitando as várias teorias a tentativas de refutação. Uma vez refutadas, as teorias são substituídas por outras que não só explicam o que a teoria anterior explicava como também aquilo que ela não conseguiu explicar (10pts). Apesar de nunca conseguirmos atingir a verdade de uma vez por todas, vamos progressivamente aproximando-nos dela, conseguindo teorias mais verosímeis que outras (10pts).

Já Kuhn diria que embora esta nova teoria nos permita melhor praticar aquilo a que chama “ciência normal” não é possível falar de um progresso em direção à verdade tal como em Popper (10pts)

Para o autor, a ciência desenvolve-se descontinuamente através da substituição de paradigmas - conjunto de teorias básicas, problemas, métodos, visão metafísica e valores (10pts). Estes paradigmas são incomensuráveis, isto é, são impossíveis de comparar totalmente e, portanto, quando um é substituído por outro, o próprio modo de ver o mundo altera-se, não sendo possível dizer que um se aproxima mais da verdade que o outro (10pts).