segunda-feira, 22 de maio de 2017

Correção do teste de Filosofia de 15 de Maio.






1. Em que consiste o método indutivo em ciência? Qual a posição de Popper acerca do método indutivo? Justifique.

Para os defensores do método indutivo, a constituição de uma lei científica resulta de uma generalização a partir de observações repetidas e sistemáticas de um fenómeno particular.  Segundo os defensores do método indutivo, a repetição de experiências particulares e a obtenção de dados, permite encontrar um padrão e depois generalizar esse padrão para todos os casos não observados. A conquista de um padrão matemático que está na origem da lei revela uma constante que une vários fenómenos e possibilita fazer  previsões para o futuro.
Popper refuta esta teoria e defende que a indução não é o método que permite a constituição das leis científicas. Primeiro porque nenhuma observação se faz sem antes ter um problema teórico e, segundo, porque as leis são universais e necessárias, enquanto a conclusão de um raciocínio indutivo é sempre provável.
Embora seja um procedimento comum a algumas ciências como a Biologia, o método indutivo não permite a construção de leis universais e necessárias, só permite leis probabilísticas.  Se há leis universais e necessárias em ciência, então, das duas uma, ou não são científicas pois não são resultados de generalizações a partir de observações particulares, ou são científicas mas não são indutivas, são antes resultado de um método diferente: Hipotético/Dedutivo e Falsificacionista.
2.Relacione estes dois tipos de conhecimento: senso comum e conhecimento científico.

O conhecimento científico e o senso comum divergem no sentido em que há uma lentidão e resistência do senso comum a ideias novas que possam entrar em contradição com aquilo que habitualmente se pensa. O senso comum é acrítico, isto é, não se deixa refutar mesmo que novos factos possam desmentir as suas crenças. Esta característica produz uma sensação de desfasamento que pode identificar o senso comum com o preconceito uma vez que se agarra a verdades eternas que nada têm que as justifique senão a tradição. Contrariamente o conhecimento científico pauta-se por estar continuamente a ser revisto, aperfeiçoado, e rectificado ou refutado através de testes empíricos, essa característica permite uma evolução mais rápida e uma abertura constante a novas formas de explicação que possam satisfazer a constante crítica a que está sujeito  conhecimento científico. O senso comum é útil para servir de limite aos excessos da ciência mas também pode constituir um obstáculo ao seu avanço porque tem dificuldade em aceitar e compreender tudo o que não se adapta ou está na margem das suas certezas. Partem dos dados dos sentidos e acumulam factos, mas se o segundo tira as suas conclusões a partir da experiência, o primeiro formula certas hipóteses que constituem uma directriz através da qual organiza os dados da experiência e a interroga de um determinado modo, sistemático e racional e não apenas ocasional. São assim diferentes percepções da realidade.

3. O Racionalismo e o empirismo são teorias filosóficas que pretendem dar uma resposta ao problema de saber qual a origem do conhecimento. A teoria racionalista defendida por Descartes, fundamenta o conhecimento na razão e na capacidade desta retirar ideias a partir de outras ideias de forma evidente e dedutiva sem recorrer à experiência - ideias inatas. O Modelo de conhecimento verdadeiro para os racionalistas é o modelo matemático porque tem necessidade lógica e validade universal. Descartes é um filósofo racionalista porque defende a possibilidade de um conhecimento “a priori”. O critério da verdade do conhecimento é a evidência das ideias, uma vez que uma ideia é tão clara e distinta que se apresenta inquestionável à razão, essa ideia é verdadeira. Segundo o modelo matemático estas ideias são como axiomas que servem como fundamentos para outros conhecimentos deduzidos a partir delas. O Racionalismo defende que o conhecimento verdadeiro é a priori, isto é , independente da experiência. Poderíamos rejeitar todas as informações que derivam das sensações do mundo, o tacto, o cheiro, a visão dos objectos, restariam as ideias que são formadas pela razão e por ela intuídas e, que não tendo origem na experiência porque não derivam dela, são válidas por si, e tão claras e evidentes à Razão que esta vê, segundo a sua luz natural, que não poderiam ser de outro modo. Os Racionalistas crêem que estas ideias podem ser os princípios (crenças básicas) de todo o conhecimento e que a partir delas, por um raciocínio dedutivo se pode chegar a outros conhecimentos sobre a realidade , que, se dedução for feita correctamente, serão igualmente verdadeiros.


Quanto ao Empirismo rejeita as ideias inatas da Razão, e a noção de conhecimento "a priori" . Defende a tese de que nada existe na mente que não tenha passado antes pelos sentidos, todo o conhecimento tem origem na experiência é, portanto formado “a posteriori”.  Fundamenta-se na noção de que qualquer conceito para ter um significado tem que se referir a uma sensação/impressão qualquer, essas sensações são simples e a mente neste primeiro momento capta apenas as sensações e depois por abstracção e generalização forma os conceitos ou ideias, estas não são tão vivas como as sensações ou impressões o que quer dizer que são posteriores a estas. Os empiristas dão o exemplo das crianças que começam por ter sensações e só depois as articulam numa linguagem. O raciocínio que o entendimento faz para chegar ao conhecimento, segundo os empiristas é a indução, por acumulação de experiências que se repetem, generaliza-se para todos os casos e assim se obtém um conhecimento 
4. Um bom orador é capaz de persuadir qualquer pessoa sobre qualquer assunto, mesmo que nada saiba sobre ele, (não tem necessidade de conhecer o que é justo) apenas tem que parecer que conhece face à multidão (que aparente sê-lo à multidão que deve julgar). Deste modo a Retórica é uma falsa Arte porque manipula e ilude parecendo aquilo que não é. Concentra-se na forma de tornar o discurso agradável e não com o seu conteúdo de verdade.
Para Platão a questão principal do discurso e do conhecimento não é a persuasão, um orador não deve ter o propósito de persuadir, isto é, de conseguir a concordância de todos, o seu único propósito deve ser a verdade. Ora para os sofistas,  a verdade não existe ou se existe nada se pode saber sobre ela, logo,  o homem é a medida de todas as coisas, só ele pode decidir em cada situação o que é verdade, mas essa verdade varia de homem para homem de acordo com os seus interesses e perspectivas. Para os sofistas só podemos ter opiniões e todas as opiniões valem o mesmo, a sua aceitação por parte do auditório depende apenas do modo como a defendemos, daí que a arte de argumentar e a eloquência sejam importantes e decisivas. A educação dos jovens deve ter como principal disciplina a Retórica porque com ela se alcança o sucesso.
Para Platão, a verdade não pode ser uma mera opinião aprendida com outros, implica um conhecimento, uma investigação racional que afasta todas as opiniões.  A opinião é uma aparência de verdade, mesmo quando verdadeira a opinião ainda não é conhecimento. Para ser conhecimento tem de estar justificada com razões, não razões que a tornem mais agradável e verosímil, mas razões que a demonstrem, isto é que mostrem que é assim e não pode ser de outro modo


Grupo III
2. A tese empirista de D. Hume sobre a conexão causal é a seguinte:
Esta crença a que chamamos relação de causa efeito ou conexão causal não está justificada nem empiricamente nem racionalmente, porque “ não há nada que produza qualquer impressão, e consequentemente nada que possa sugerir qualquer ideia de poder ou conexão necessária”, o que temos a impressão é de fenómenos singulares, isolados embora sucedendo-se uns aos outros;  logo não há conhecimento mas um hábito psicológico que é criado pela sucessiva repetição dos fenómenos que se apresentam ligados. Se o conhecimento de causa efeito tem a sua origem na experiência e de modo nenhum é “apriori” (argumento do ser racional que nada soubesse do mundo, jamais poderia ter a noção de causa efeito) então é um conhecimento de facto e é contingente, todavia julgamos e pensamos como se houvesse uma conexão necessária e, portanto ultrapassamos a experiência.
Logo, para concluir não uma explicação empírica para uma conexão necessária, ela é apenas fruto do costume, um hábito psicológico.

quarta-feira, 3 de maio de 2017

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Temas/problemas da cultura científica -tecnológica para uma dissertação/trabalho


TEMAS:

1. A Clonagem Humana. Quais os dilemas éticos envolvidos? Quais os limites éticos da Clonagem?
Manual "Arte de Pensar" 243/275

2. Inseminação Artificial, tecnologias reprodutivas e família tradicional. Como entender a família hoje? Natureza ou cultura? Manual do 11ºAno "Criticamente", 266/285


3. A Inteligência Artificial. Será possível a reconstrução do cérebro humano? Terão as máquinas pensamento?
Manual "Arte de Pensar", 221/227 Ler este ARTIGO

4. Ciência e Religião. Um conflito?  Criacionismo ou Darwinismo?
Daniel Dennett, 147/154 Ver  AQUI artigo importante. Procurar textos item Religião "Logosfera"

5. A Bioética e o Direito à vida. Justifica-se a eutanásia? Deverá a ciência ajudar a morrer?
Manual do 10ºAno "Diálogos", 135/157

6. O PROBLEMA DA VERDADE. A VERDADE É UMA EVIDÊNCIA OU UMA CONSTRUÇÃO? aqui

7. Imortalidade da alma. Existirá vida depois da morte?
VER PLATÃO, Fédon, página 39 à 61

8. Tema alternativo: Qual o contributo de Freud e da Psicanálise para o conhecimento integral do homem?

9. Filosofia e sentido da vida.
Textos do manual adotado.
Ler também Kierkegaard e os Estádios de existência. Ler este autor, textos na "Logosfera".Ver aqui

10. O que é a tortura? Haverá alguma justificação para a tortura? Ler Nietzsche "Para a genealogia da moral" Pág 66 à 80
Contrapor com outro autor.

TEXTOS NA FOTOCOPIADORA DA ESCOLA


2. OBJECTIVOS

Saber ler e resumir as ideias principais dos textos apresentados.

Problematizar filosoficamente os temas.

Apresentar com clareza as teses e os argumentos propostos.

Colocar objecções possíveis às teses propostas.

Investigar com recurso a vários suportes.



3. AVALIAÇÃO
ESCRITA
5 Páginas

Rigor, clareza e interesse filosófico do trabalho apresentado.
Estrutura: Introdução, Síntese do trabalho e Conclusão com resposta à pergunta
Colocar bem os problemas e apresentar respostas argumentadas.
Apresentação e organização  do trabalho escrito: Apresentação 5%; Investigação realizada 15%; Correto resumo do texto 30%; Resposta à pergunta 25%; Problematização e argumentação 25%

ORAL
(Cada aluno deve apresentar 4m de oralidade sem leitura - mínimo)
Sem leitura. Clareza das ideias e da linguagem. Profundidade dos conhecimentos adquiridos. Assimilação correta dos conteúdos. Boa problematização do tema. Capacidade de gerar diálogo.
Oral com Dispositivo visual. Domínio dos conteúdos 40%; Interesse filosófico e linguagem 30%; Dinâmica de grupo e capacidade de gerar diálogo 10%; ; Qualidade e criatividade do dispositivo visual 20%



ENTREGA DO TRABALHO ESCRITO PARA TODOS OS TEMAS:  22 OU 23  de MAIO
VALE 20% DA AVALIAÇÃO DO 3º PERÍODO




Apresentações orais: 

TEMA 1,2- 22 ou 23 de MAIO

TEMA 3,4 - 24 ou 25 de MAIO/

TEMA 5,6 - 29 ou 30 DE MAIO

TEMA 7 - 31 ou 1 de Junho


segunda-feira, 13 de março de 2017

segunda-feira, 6 de março de 2017

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Matriz para o Teste de Filosofia de Fevereiro de 2017


Estrutura e Critérios de Avaliação 
Grupo I  - Questões de V e F  ou escolha múltipla 5x10 = 50 Pontos; 
Grupo II  Texto com 4 perguntas- 3x30 +20= 110 Pontos; 
(A Resposta tem que ser estruturada. Evidenciar domínio dos conteúdos. Não ter erros científicos.)
Grupo III - Questão de desenvolvimento. 40 Pontos Correcção escrita. Capacidade de exposição lógica. Ideias claras. Domínio dos conteúdos. (A filosofia cartesiana ou a filosofia de David Hume)


Conteúdos
1. O domínio do discurso argumentativo - a procura de adesão do auditório.
a. Distinção Demonstração e Argumentação.
b. A retórica como arte da persuasão: o orador, o discurso e o auditório (Ethos, Logos e Pathos)
c. Principais argumentos informais: Indutivos, por Analogia e de autoridade qualificada.
d. Principais falácias informais: Petição de princípio, ad verecundiam, ad hominem,ad ignorantiam, bola de neve (reação em cadeia), generalização apressada, boneco de palha, falso dilema.
e.  A crítica de Platão à Retórica. Argumentação de Górgias e de Sócrates. Os sofistas. Contexto e situação política e filosófica.
f. Persuasão e manipulação - os dois usos da retórica.
3. O conhecimento e a racionalidade científica e tecnológica.
a. As questões da epistemologia. 
b. Conhecimento "a priori" e "a posteriori"
c. Tipos de conhecimento.
d. Em que consiste a descrição fenomenológica do conhecimento
e. A definição clássica de conhecimento: A teoria da Crença Verdadeira e Justificada.
f. Objecções a esta teoria. Os contra-exemplos de Gettier (opcional)
4. Teorias explicativas do conhecimento.
A. O racionalismo inatista de Descartes 
O contexto da época: conflito entre duas formas de conhecimento.
O ceticismo da época. Argumentos.
A dúvida metódica: etapas e natureza da dúvida cartesiana.
A primeira verdade "Penso, logo existo"
A existência de ideias inatas. As três ideias inatas: Cogito; alma distinta do corpo e Deus.
A unidade do conhecimento humano. A inspiração matemática
A dúvida metódica. (natureza e etapas)
As provas da existência de Deus.
B. O empirismo de David Hume
A origem das ideias.
A relação de causa-efeito.
O conhecimento de relação de ideias e questões de facto.

Conclusão.
Competências:
1. Dominar os conhecimentos exigidos.

2. Compreender as várias teorias. 
3. Expor de forma clara e objectiva o pensamento. 
4. Definir com rigor os conceitos filosóficos. 
5. Usar de forma correcta os conceitos. 
6. Justificar com razões fortes as afirmações proferidas. 
7. Escrever correctamente. 

BOM ESTUDO E BOAS IDEIAS!!

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Ficha 5. A Retórica. Exemplo



FICHA 5- LÓGICA INFORMAL - A Arte da Retórica – História
Exemplo do discurso retórico.
«Desejo falar–vos, hoje, sobre a tragédia da Europa. Este nobre continente, englobando no seu todo as mais agradáveis e civilizadas regiões da Terra, gozando de um clima temperado e equilibrado, é a terra natal de todas as raças originais do mundo ocidental. É a fonte da fé cristã e da ética cristã. É a origem da maior parte da cultura, das artes, da filosofia e da ciência tanto dos antigos como dos modernos tempos. Se a Europa tivesse alguma vez ficado unida na partilha do seu património comum, não haveria limite à felicidade, à prosperidade e à glória dos seus trezentos ou quatrocentos milhões de habitantes. Mas foi da Europa que jorrou essa série de assustadoras quezílias nacionalistas, originadas pelas nações teutónicas, a que nós assistimos ainda neste século XX e no nosso tempo, arruinando a paz e frustrando as expectativas de toda a humanidade. E a que situação foi a Europa reduzida? Alguns dos mais pequenos Estados fizeram, na realidade, uma boa recuperação, mas, sobre largas áreas, uma vasta e agitada massa de atormentados, famintos, ansiosos e desnorteados seres humanos olham pasmados, das ruínas de suas cidades e de seus lares, esquadrinhando os negros horizontes por algum novo perigo, tirania ou terror. Por entre os vencedores há uma babel de vozes dissonantes; por entre os vencidos o mal humorado silêncio do desespero. É tudo o que Europeus, agrupados em tantos antigos Estados e nações, é tudo o que os Poderes Germânicos obtiveram rasgando–se uns aos outros, espalhando destruição em todo o redor.”
Discurso de Winston Churchill  em Zurique, 1946

1.     Isole e identifique os argumentos que Churchill utiliza nesta elocução. Justifique a sua resposta com os exemplos do texto.
Resposta; Argumento condicional, na sua forma padrão ficaria: Se a Europa tivesse ficado unida na partilha do seu território comum então não haveria limite à felicidade, à prosperidade e à glória dos seus trezentos ou quatrocentos milhões de habitantes.
Mas a Europa não ficou unida 
Logo, não houve felicidade, paz e prosperidade para os seus habitantes.
Argumento dedutivo, falácia da negação do antecedente.
2.     Indique a/as falácia/s cometidas. Justifique.
Falácia de apelo à misericórdia: E a que situação foi a Europa reduzida? Alguns dos mais pequenos Estados fizeram, na realidade, uma boa recuperação, mas, sobre largas áreas, uma vasta e agitada massa de atormentados, famintos, ansiosos e desnorteados seres humanos olham pasmados, das ruínas de suas cidades e de seus lares, esquadrinhando os negros horizontes por algum novo perigo, tirania ou terror.
Falácia de dados não relevantes, apelo à misericórdia (ad misericordiam)  dado que recorre a um mecanismo que apela à emoção e à piedade exagerando a enumeração de adjectivos sentimentais. Mecanismo irracional que visa provocar o"pathos" da audiência. Argumento inválido, pois pretende convencer o auditório a atribuir a culpa do estado da Europa aos povos germânicos que despoletaram a guerra que dividiu os povos europeus.

3.     Formule a conclusão que poderemos retirar deste discurso.

 "O resultado que os poderes germânicos conseguiram rasgando-se uns aos outros, foi a miséria e a destruição da Europa”





  1. Aponte a razão pela qual a Retórica não é considerada uma arte.
  2. Qual a designação que é dada à Retórica?
  3. Qual a analogia que é feita? Com que fim?
A COMUNICAÇÃO ARGUMENTATIVA

Objectivo: Ganhar a adesão do auditório = persuadir.
Como? Com base na argumentação racional ou com base na manipulação? Os dois lados da Retórica.
Envolve 3 polos (intervenientes): O orador, a mensagem e o auditório
ETHOS (orador ou ponto de vista do orador)
Apresentação, locução, carisma, forma de expressão, carácter.
LOGOS (a mensagem) Argumentos do orador organizados em discurso. Argumentos fortes ou fracos, válidos ou inválidos.
PATHOS ( auditório)Objectivo: ponderar a aceitação da mensagem. Provocar a emoção e a simpatia no auditório. Adaptar o discurso ao tipo de auditório de modo a poder ser mais facilmente aceite.

         Bom uso da retórica implica a subordinação a princípios éticos:
          Princípio ético, por excelência, o reconhecimento da autonomia, da capacidade de escolha do auditório.
         Esclarecimento da situação, das várias alternativas e dos seus pressupostos e consequências.
         Exige liberdade de expressão do pensamento.
         Na persuasão o auditório e o orador são colocados em pé de igualdade.
         São dadas razões para aceitar algo, com argumentos válidos.
         Não são omitidos os objectivos, há transparência.
         Mau uso da retórica  a argumentação degenera numa forma de ludibriar o auditório, em função dos interesses do orador. Manipulação
         Manipulação – uso indevido da argumentação com o intuito de levar os interlocutores a aderir acrítica e involuntariamente às propostas do orador.
         O orador assume uma atitude superior, de instrumentalização do auditório.
         São cometidas falácias lógicas com  poder psicológico.
           Apela-se à emoção.
         São omitidos dados relevantes.


Argumentação discursiva.



Em 20 de Outubro de 1931, com 62 anos, Mahatma Gandhi decide gravar a sua voz para que desta forma este discurso ecoasse para sempre no tempo.
"Há um poder misterioso indefinível que permeia tudo, sinto-o apesar de não o ver."
 


Há um poder misterioso indefinível que permeia tudo, sinto-o apesar de não o ver.
É esse poder invisível que se faz sentir e ainda desafia toda a prova, porque é tão diferente de tudo o que vejo através dos meus sentidos. Ele transcende os sentidos.

Mas é possível questionar a existência de Deus até um certo ponto.
Mesmo em assuntos comuns, sabemos que as pessoas não sabem quem as governa ou por quem e como são governadas e ainda assim sabem que há um poder que, certamente, vai regendo.

Na minha viagem do ano passado em Mysore eu conheci muitos aldeões pobres e percebi que eles não sabiam quem governava Mysore. Eles simplesmente disseram que algum Deus governava.
Se o conhecimento dessas pobres pessoas era tão limitado sobre os seus governantes, eu que sou infinitamente menor em relação a Deus, não me surpreendo se não perceber a presença de Deus - o Rei dos Reis.

No entanto, eu sinto-me, como os aldeões pobres se sentiam sobre Mysore. Que não há ordem no universo, existe uma lei inalterável que rege tudo e todos os seres que existe ou vidas.
Não é uma lei cega. Nenhuma lei cega pode governar a conduta do ser vivo. E graças às pesquisas maravilhosas de Sir JC Bose pode agora ser provado que até mesmo a matéria é a vida.

Essa lei, que rege toda a vida é Deus. E a lei e o legislador são um. Eu não posso negar a lei ou o legislador, porque eu sei tão pouco sobre ela ou ele. Assim como minha negação ou a ignorância da existência de um poder terrestre de nada me vai valer, tal como a  minha negação de Deus e Sua lei não vai me libertar de sua operação.

Mas a sua aceitação humilde faz com que a jornada da vida seja mais fácil, tal como a aceitação da lei terrena torna a vida mais fácil.

Eu percebo vagamente, que enquanto tudo ao meu redor está sempre mudando, sempre morrendo, lá está - subjacente a toda a mudança - um poder vivo que é imutável, que mantém todos juntos, que cria, recria e se dissolve.

Esse poder que dá vida em forma de espírito é Deus, e já que nada do que eu vejo apenas através dos sentidos pode ou vai persistir, só Ele é.

E é esse poder benevolente ou malevolente? Eu vejo isso como puramente benevolente, pois posso ver que no meio da morte a vida persiste, no meio da mentira a verdade persiste, no meio das trevas a luz persiste.

Assim entendo que Deus é vida, luz, verdade. Ele é amor. Ele é o Bem supremo.

M
as Ele não é um Deus, que apenas satisfaz o intelecto, se é que ele o faz.
Deus para ser Deus governa o coração e transforma-o. Ele deve expressar-se em cada pequeno acto do Seu devoto.


Isso só pode ser feito através de uma compreensão definitiva, mais real do que os cinco sentidos - que podem sempre produzir percepções.
As percepções dos sentidos, podem ser - e muitas vezes são -  falsas e enganosas, por mais reais que possam parecer para nós. Quando há compreensão para além dos sentidos esta é infalível.

Está provado, pela conduta e pelo carácter transformados daqueles que se sentiram a presença real de Deus dentro si. Tal testemunho encontra-se nas experiências de uma linha ininterrupta de profetas e sábios em todos os países. Rejeitar esta evidência é negar-se a si mesmo.

Esta compreensão é precedida por uma fé inamovível. Aquele que é, em sua própria pessoa a prova viva da presença de Deus pode fazê-lo por uma fé viva.

Uma vez que a própria fé não pode ser provada por indícios exteriores o caminho mais seguro é acreditar no governo moral do mundo e, portanto, na supremacia da lei moral , a lei da verdade e do amor. O exercício da fé vai ser o mais seguro, onde há uma clara determinação sumariamente a rejeitar tudo o que é contrário à verdade e amor.

Confesso que não tenho nenhum argumento para convencer através da razão. A fé transcende a razão. Tudo o que eu posso aconselhar é a não tentar o impossível.
Como isolar os argumentos deste discurso?
1. Tenha em atenção as frases a vermelho. Poderemos com elas isolar o principal da argumentação:
Argumento 1.
 Deus governa o coração daqueles que crêem nele e transforma a sua conduta.
Negar as evidências é negar-se a si próprio
A transformação da conduta dos profetas é uma evidência.
Logo, Negar a tansformação da conduta dos profetas é negar-se a si próprio.
Ficaria o seguinte silogismo.
Todos os que negam as evidências são pessoas que se negam a si próprias.
Todos os que negam a transformação da conduta dos profetas são pessoas que negam evidências
Todos os que negam a transformação da conduta dos profetas negam-se a si próprios.









sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Análise do filme “12 Homens em fúria” de Sidney Lumet EUA – 1957

O FILME: "12 Homens em fúria" "Twelve angry men"

FICHA 1 - 2º PERÍODO - Depois de ver o filme responda às seguintes questões:



Será curioso verificar que a duração real deste filme - 1h e 30m (aprox) é a mesma duração da ficção, como se o tempo das personagens fosse o nosso tempo e nós também jurados. Há uma  evidente aproximação entre as personagens e nós, espectadores. Este efeito produz uma tensão realista e uma interrogação pessoal; e se fosse eu? Como reagiria eu nesta situação? Em cada uma das personagens há uma característica humana diversa mas familiar, a sala é deste modo um pequeno palco da humanidade. Poderemos observar a dificuldade do discurso racional em impor-se às emoções, hábitos e preconceitos. A argumentação racional é, no entanto, a única que pode aproximar-nos da verdade, num caminho de análise e decisão pelo melhor juízo. Mas esse caminho de difícil e moroso acaba muitas vezes atropelado.
Depois de ver o filme, tente analisar os seguintes aspectos:

1. O que está em causa no filme?
2. Que poder demonstra ter a personagem principal?
3. Saliente alguns dos argumentos decisivos para mudar a opinião dos jurados.
4. O que pretende demonstrar a argumentação da personagem principal?
5. Faça um retrato de duas das personagens. O que as leva a decidir imediatamente pela culpabilidade do réu?
6. Elabore um juízo pessoal e fundamentado sobre o filme.

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Correção do teste de 20 Outubro

Versão A

GRUPO I

1. "Todos os problemas são solucionáveis." Proposição Universal afirmativa. 
"Alguns elementos poluentes do ar não são detectáveis através de análises" Proposição Particular Negativa. "
"Nenhum homossexual pode dar sangue" Todos os homossexuais não são possibilitados de dar sangue." Proposição Universal Negativa

2. Sujeito Distribuído, predicado não distribuído

Sujeito não distribuído, predicado distribuído
Ambos distribuídos.

3. Subcontrária - Indeterminada

Contraditória - Falsa
Subalterna Indeterminada.
Explicação/justificação. Duas proposições subcontrárias podem ser ambas verdadeiras mas não podem ser ambas falsas. dada a proposição verdadeira a sua subcontrária pode ser V ou F, logo, é indeterminado o seu valor de verdade.
Duas proposições contraditórias negam-se mutuamente. Se uma é verdadeira a outra é necessariamente falsa.
Duas proposições Subalternas têm a seguinte regra de inferência válida: Se a Universal é verdadeira a sua particular é também verdadeira, mas se a particular é verdadeira a universal pode ser verdadeira ou falsa. A proposição dada é particular, logo, nada podemos saber acerca do valor de verdade da sua universal subalterna.

4. O Conceito refere uma classe de objectos bem como as características que é comum a todos os elementos dessa classe. O termo é a palavra ou palavras que exprime o o conceito. Exemplo "Árvore"

O Juízo é uma relação entre conceitos que refere um certo conhecimento sobre o mundo, daí que tenha valor de verdade, sendo verdadeiro se aquilo que se pensa ou diz estiver em adequação com a realidade e falso se tal não acontecer. A proposição é a frase declarativa que expressa um juízo. Exemplo: " As árvores morrem de pé."

5. A Lógica é uma ciência que estuda as condições de validade dos raciocínios ou argumentos. Pretende enunciar as regras através das quais podemos inferir uma proposição de outra de modo a que a inferência seja válida.


6. "Nenhum dos veículos motor que há por todo o lado, é rápido e enfadonho." UNIVERSAL NEGATIVA.  A proposição contraditória de outra é a sua negação. Dada a proposição ser particular afirmativa, a sua contraditória terá de negar a qualidade e quantidade da proposição dada.


GRUPO II

Escolha Múltipla:

1. C
2. A
3. B
4. A
5. A
6. B
7. A
8. C
9. B
10.C

GRUPO III


1. Termo Maior: Vaidosas

Termo Menor: Estrelas de cinema
Termo Médio: Pessoas excêntricas.

2. Falácia da ilícita do Termo Menor. O termo Menor "Bonito" está distribuído na conclusão e não está na premissa onde ocorre (ocorre na premissa como predicado de uma proposição universal afirmativa), logo a inferência é inválida pois um termo não pode ter mais extenção na conclusão do que na premissa onde ocorre.


3. Todas as pessoas inspiradoras são pessoas com ideias claras.

Nenhuma pessoa com ideias claras é palavrosa.
Logo, nenhuma pessoa palavrosa é inspiradora.
4ª Figura, modo AEE

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VERSÃO B

GRUPO I

1. "Algumas religiões não oficiais são religiões com muitos professores"
Proposição Particular Afirmativa; Todos os telemóveis são menos preciosos que uma maçã" Proposição Universal Afirmativa; Todos os que trabalham a recibos verdes não são pessoas com garantia de trabalho" Universal Negativa. 
2. Nenhum termo distribuído; Sujeito distribuído, predicado não; Nenhum termo distribuído.
3.Contrária falsa, Contraditória falsa, Subalterna verdadeira. Justificação:
Duas proposições contraditórias negam-se mutuamente. Se uma é verdadeira a outra é necessariamente falsa.
Duas proposições Subalternas têm a seguinte regra de inferência válida: Se a Universal é verdadeira a sua particular é também verdadeira, mas se a particular é verdadeira a universal pode ser verdadeira ou falsa. A proposição dada é particular, logo, nada podemos saber acerca do valor de verdade da sua universal subalterna. A regra da inferência entre duas proposições contrárias permite que ambas possam ser falsas mas não possam ser ambas verdadeiras, logo se uma é verdadeira a outra é necessariamente falsa.

4. O Conceito refere uma classe de objectos bem como as características que é comum a todos os elementos dessa classe. O termo é a palavra ou palavras que exprime o o conceito. Exemplo "Árvore"

O Juízo é uma relação entre conceitos que refere um certo conhecimento sobre o mundo, daí que tenha valor de verdade, sendo verdadeiro se aquilo que se pensa ou diz estiver em adequação com a realidade e falso se tal não acontecer. A proposição é a frase declarativa que expressa um juízo. Exemplo: " As árvores morrem de pé."

5. A verdade é uma qualidade/característica das proposições. É o conteúdo expresso numa proposição que pode ser verdadeiro ou falso. será verdadeiro se , entre o que é dito na proposição e a realidade houver uma adequação e falso se essa adequação não ocorrer. A validade é uma qualidade/característica dos raciocínios/argumentos, caracteriza o argumento cuja conclusão se segue necessariamente das premissas. A validade é uma consequência da forma como as premissas e a conclusão estão  ordenadas e é independente do conteúdo das proposições que compõem o argumento, isto é, pode haver argumentos válidos com proposições falsas. Mas a regra de validade dos argumentos (dedutivos) é que não podem ter premissas verdadeiras e conclusão falsa.

6. "Alguns refugiados não são vítimas de injustiça"  A proposição dada tem uma dupla negação, logo é uma afirmação visto que duas negações negam-se mutuamente , sendo assim a proposição dada é universal afirmativa. A proposição contraditória de outra é a sua negação. Dada a proposição ser particular afirmativa, a sua contraditória terá de negar a qualidade e quantidade da proposição dada, logo, tem necessariamente que ser Particular negativa.

Escolha múltipla: 

GRUPO II

1.A

2. B
3. A
4. A
5. B
6. A
7. C
8. B
9. C
10. C

GRUPO III

1. Nenhum artista é convencional
Todos os burocratas são convencionais
Logo, nenhum burocrata é artista.

2. Falácia da Ilícita do termo maior ou falácia do termo maior não distribuído. O Termo maior "Astrónomos" está distribuído na conclusão, visto que está a falar de todos e não está distribuído na premissa. Infringe a regra de validade que exige que um termo não possa ter mais extensão na conclusão do que na premissa onde ocorre.

3. Todas as pessoas inspiradoras são pessoas com ideias claras.
Nenhuma pessoa com ideias claras é palavrosa.
Logo, nenhuma pessoa palavrosa é inspiradora.
4ª Figura, modo AEE

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Exercícios de revisões do silogismo


Analisa os seguintes silogismos quanto à validade, modo e figura.
1.
Todos os portugueses são europeus
Todos os portugueses são humanos
Logo, todos os humanos são europeus
 2.
Todos os elefantes são ruminantes
Todos os elefantes são herbívoros
Logo, todos os herbívoros são ruminantes
 3.
Os algarvios são portugueses
Os minhotos são portugueses
Logo, os minhotos são algarvios
4.
Os gatos são mamíferos
Os porcos são mamíferos
Logo, os porcos são gatos
 5.
Todos os hindus são orientais
Alguns homens são hindus
Logo, todos os homens são orientais  
 6.
Nenhum burro é aviador
Nenhum vigarista é burro
Logo, nenhum vigarista é aviador 
7.
Todos os lagartos são répteis
Alguns animais são lagartos
Logo, todos os animais são répteis
 8.
Todos os bancos são confortáveis.
Alguns bancos oferecem juros altos
Logo, todos os juros altos são confortáveis

9. Coloque na forma padrão do silogismo categórico, os seguintes argumentos:

A- Estive a ler alguns livros escritos por Heidegger.

- E então?

- Ao fim de poucas páginas adormeci.

- Acontece, andas com um ar cansado.

- Nada disso. O que eu acho é que os livros de Heidegger não são grandes livros. Se fossem, não provocavam sono e a verdade é que provocam.

B - Agora chama-se famosa à pessoa que é estrela de televisão. Mas eu acho que é errado e simplista, revelador de um baixo nível de exigência
- Para mim, famosos  só são alguns grandes cientistas, pensadores e artistas. As estrelas de televisão, não.

10. Construa um silogismo válido da 2ª Figura cujo termo médio seja “Vertebrado”

terça-feira, 18 de outubro de 2016

Ficha 2 . Revisões para o teste de Outubro de 2016 -11E e A


Caros alunos, aqui vão uns exercícios para resolver, poderão preparar-se magistralmente para o teste. As respostas serão dadas amanhã, dia 19 às 11h.

1. 1. Nas proposições categóricas afirmativas universais (A), que termo está distribuído?
a. Unicamente o sujeito.
b. Somente o Predicado.
c. O sujeito e o predicado.
d. Nem o sujeito nem o predicado.


2. Num silogismo categórico, o termo médio é:
a. O sujeito da conclusão.
b. O predicado da conclusão.
c. O termo presente nas premissas mas não na conclusão.

3. Nos seguintes silogismos o termo maior está distribuído?
a) Os Angolanos falam português
Os Brasileiros falam português
Logo, os Brasileiros são Angolanos.
O Termo Maior é "Angolanos" e não está distribuído na conclusão, mas está distribuído na premissa visto que se refere a todos.

b) Algumas acções espontâneas são acções benéficas.
Todas as acções benéficas são altruístas
Logo, Algumas acções espontâneas são altruístas.
O termo maior é "altruístas" e não está distribuído nem na conclusão nem na premissa onde ocorre.

4. Qual dos seguintes silogismos é válido? Porquê? (Só para 11A)
a) Todos  os factos são respeitáveis
Tudo o que é respeitável  é bom
Logo, alguns factos são bons.
Válido

c) Nenhum político é amigo da verdade
Todos os amigos da verdade são filósofos
Logo, nenhum filósofo é político.
Inválido, falácia da ilícita do termo menor. O termo menor "Filósofos" ocorre distribuído na conclusão e não distribuído na segunda premissa, o que significa que na conclusão estamos a falar do conjunto de todos e na premissa de alguns. Inferência inválida.

5. Nos seguintes silogismos há algum termo distribuído na conclusão que não esteja nas premissas?
a) Alguns homens ricos não trabalham muito
Alguns emigrantes trabalham muito.
Logo, alguns emigrantes não são homens ricos.

O Termo maior "homens ricos" está distribuído na conclusão e não está na premissa onde ocorre.

b) Todos os lagartos são répteis
Alguns animais são lagartos
Logo, Alguns animais são répteis
Não


6. Verifique a figura e o modo dos seguintes silogismos:
a) O sonho não é um sucessão lógica de imagens.
Todos os sonhos são miragens.
Logo, nenhuma miragem é uma sucessão lógica de imagens.
Figura: 3ª  Modo: EAE

b) Os Árabes não têm a mesma origem dos indo-europeus
Os Turcos não têm a mesma origem dos indo-europeus.
Logo, os Turcos não são árabes
Figura: 2ª  Modo: EEE

7. Coloque na forma padrão do silogismo categórico o seguinte argumento:


Fico aterrado só de pensar que pessoas que defendem o uso de armas nucleares podem tornar-se líderes das grandes potências. E isto porque lhes falta sensibilidade moral. O melhor para todos nós é impedir que se tornem líderes de grandes potências. 

Todos os que defendem o uso de armas nucleares não têm sensibilidade moral
Alguns líderes das grandes potências defendem o uso de armas nucleares
Logo, alguns líderes das grandes potências não têm sensibilidade moral.


8. Coloque na forma padrão e classifique as seguintes proposições:

a. Há verdades inconvenientes. "Algumas verdades são inconvenientes" Particular afirmativa
b. Nem todos os animais aquáticos são peixes. " Alguns animais aquáticos não são peixes." Particular Negativa
c. Os vampiros encontram prazer no sangue. " Todos os vampiros são personagens que encontram prazer no sangue." Universal afirmativa
d. Não há ateus crentes em dogmas. "Nenhum ateu é um crente em dogmas" Universal negativa

9. Determine a distribuição de cada um dos termos das proposições.
a) Sujeito não distribuído, predicado não distribuído.
b) Sujeito não distribuído, predicado distribuído.
c) Sujeito distribuído,predicado não distribuído
d) Sujeito e predicado distribuídos.


10. Se a seguinte proposição “Nenhum animal de sangue frio é domesticável” for verdadeira, infira o valor de verdade das proposições opostas – contraditória, contrária e subalterna.
Contraditória: Falsa
Contrária: Falsa.
Subalterna: Verdadeira

11. Negue a seguinte proposição “Alguns desportistas são atletas de alta competição”. Justifique.
"Nenhum desportista é atleta de alta competição." Negar uma proposição é negar a qualidade e a quantidade da proposição dada.

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Lógica: PARA ORGANIZAR OS CONCEITOS. (1/4 Aula de Lógica)




Street Art, David Walker


A. Ponto teórico prévio:



Compreender os instrumentos do pensamento e do discurso permite-nos compreender a sua estrutura.


São esses instrumentos que permitem o conhecimento.


É a análise desses instrumentos, isto é da estrutura do pensamento, que é o trabalho da Lógica. A verdade não é objecto de estudo da Lógica mas sim das outras ciências.


Esse trabalho pretende determinar e explicar a validade dos nossos raciocínios, que se traduzem em argumentos quando são expressos numa linguagem.


A lógica estuda, portanto, a estrutura do pensamento, a forma e as condições da validade dos raciocínios ou argumentos.


B. Os instrumentos que estruturam o pensamento:



1. Os Conceitos ou Termos


O primeiro elemento que compõe a estrutura do pensamento é o conceito.


O conceito é uma abstracção, ou ideia. É produto do pensamento e pretende pensar e referir classes de objectos com as mesmas características.


Cada conceito tem assim, uma compreensão e uma extensão.


A compreensão do conceito implica o seu significado, a ideia que lhe subjaz.


Por exemplo “estrela”: “astro com luz própria” esta é a ideia ou significado do conceito.


A sua extensão corresponde a todos os elementos que têm estas características.


A extensão de um conceito é inversamente proporcional à sua compreensão.


Porque para compreender estrela tenho de compreender o que é um astro e tenho de compreender o que significa ter luz própria, mas para compreender astro eu não preciso de compreender estrela, logo o conceito de astro tem mais extensão mas menos compreensão.


Aos conceitos, quando expressos numa linguagem , chamamos Termos Gerais. Distinguem-se dos termos singulares que expressam nomes, classes com apenas um elemento.Na lógica formal ou dedutiva podemos formalizar os conceitos substituindo-os por letras porque o seu conteúdo é irrelevante.(chamam-se variáveis).


2. Os Juízos ou Proposições


A relação entre conceitos/termos permite o conhecimento do mundo. Exemplo:


“O Sol é uma estrela. “ ou “ O Sol não é um planeta” Ao relacionar conceitos fazemos juízos, isto é declarações sobre os conceitos. Nestas declarações pode-se afirmar ou negar um conceito de outro.


Os juízos são frases declarativas que têm valor de verdade, Isto é, podem ser verdadeiras ou falsas. Serão verdadeiras quando o conteúdo do que é pensado e dito corresponde à realidade e falsas se isso não ocorrer.


Há frases que não são juízos porque não são verdadeiras nem falsas. Por exemplo:


“Aconselho-te a pagar impostos” ou “ Importas-te de fechar a porta!”


As frases que contêm juízos quando expressos numa linguagem chamam-se proposições. Na linguagem da lógica formal porque podemos substituir a linguagem natural por uma linguagem simbólica, uma vez que em lógica formal o conteúdo do que se diz é irrelevante e apenas interessa a forma lógica ou estrutura do raciocínio.


São muitos os juízos/proposições que fazemos sobre a realidade. Vamos estudar apenas três tipos de proposições, as mais elementares:


Categóricas: Forma lógica: A é B Exemplo: “Estrela é um astro com luz própria.” Estudadas por Aristóteles.


Condicionais ou hipotéticas: Forma lógica: Se A então B Exemplo: “Se as estrelas são astros então são corpos do universo”


Disjuntivas: Ou A ou B “ Ou as estrelas são acessíveis ao homem ou só podemos fazer conjecturas sobre elas.”


3. Os Raciocínios ou Argumentos.


Com os juízos/proposições podemos construir raciocínios. Os raciocínios quando expressos numa linguagem chamam-se argumentos. Os raciocínios/argumentos são inferências em que de uma ou mais proposições retiramos uma outra que é a conclusão. Os elementos que constituem o argumento são as premissas (as proposições que sustentam racionalmente a conclusão) e a conclusão ( proposição sustentada e justificada pelas premissas). Os argumentos são o objecto de estudo da lógica. A propriedade de um argumento é a validade. Serão válidos os argumentos em que as premissas sustentam a conclusão e inválidos se isso não acontecer, isto é, se as premissas não sustentarem a conclusão. Sendo essa definição apropriada para a lógica formal e informal, isto é para todo o tipo de argumentos. Quando inválidos cometem falácias, erros de raciocínio.


4. Argumentos dedutivos e indutivos


A. Os argumentos dedutivos são estudados na lógica formal porque podem ser reduzidos a uma forma lógica.


Os argumentos dedutivos utilizam nas premissas e conclusão proposições do tipo que vimos acima. Sendo chamados de Silogismos (se utilizam proposições categóricas) Hipotéticos (se utilizam proposições hipotéticas) e Disjuntivos (Se utilizam proposições disjuntivas).


A validade na lógica formal é independente do conteúdo daquilo que se diz e depende apenas da forma lógica. Há formas lógicas válidas e formas inválidas ou falaciosas. Como este tipo de argumentos preserva na conclusão a verdade das premissas, podemos enunciar a validade dedutiva do seguinte modo: se admitirmos a verdade das premissas a conclusão tem de ser verdadeira (não pode ser falsa). Pois num argumento dedutivo a verdade das premissas sustenta a verdade da conclusão. Mas se as premissas forem falsas o argumento pode ser válido (porque tem uma forma válida) mas aí já não está assegurada a verdade da conclusão, que tanto pode ser verdadeira como falsa. Estes argumentos embora válidos não são sólidos. Um argumento dedutivo válido não pode, portanto, ter premissas verdadeiras e conclusão falsa.


B. Para além dos raciocínios/argumentos dedutivos há outros tipos de raciocínios/argumentos não dedutivos ou indutivos que são estudados pela lógica informal. Estes não podem ser reduzidos a uma forma lógica, a sua validade depende do conteúdo das premissas e da conclusão. Nos argumentos não dedutivos válidos se as premissas forem verdadeiras a conclusão é provavelmente verdadeira mas pode ser falsa. Ao contrário dos argumentos dedutivos, a conclusão não é necessariamente verdadeira se as premissas forem verdadeiras, mas apenas, provavelmente verdadeira.


Nestes argumentos a conclusão acrescenta conhecimento às premissas, enquanto na dedução isso não acontece. Por outro lado estes argumentos são menos rigorosos uma vez que a conclusão pode não manter a verdade das premissas.


Serão válidos se as premissas sustentarem racionalmente a conclusão, se isso não acontecer, é porque o argumento comete uma falácia, assim sendo as premissas não sustentam a conclusão e o argumento não é válido.

Responda, numa folha, às seguintes questões:


1. O que estuda a Lógica?


2. Quais os instrumentos da lógica?


3. O que é um Conceito/Termo?


4. Qual o conceito com maior extensão “Frase” ou “Juízo”?


5. O que é um juízo/proposição?


6. O que é um argumento?


7. Distinga verdade e validade lógicas.


8. O que determina a validade de um argumento dedutivo?


9. Distinga argumentos dedutivos de argumentos indutivos (não dedutivos).