quinta-feira, 19 de março de 2026

Texto para resumo Tiago Silva 11A

 


Trata-se, como é óbvio, da afirmação de que o estético é sentimento e não conhecimento. Tal é dito logo no próprio título do parágrafo: "O juízo de gosto é estético". Estético, com efeito, significa, de acordo como respetivo texto, algo de subjetivo; e mesmo de tão subjetivo que nem as próprias qualidades segundas, com toda a sua tradição sobretudo moderna de simples produtos do sujeito a partir das qualidades

Só os sentimentos podem ser verdadeiramente, posto que exclusivamente, subjetivos; só eles são , pela sua própria-natureza, de quem os tem, e não podem portanto ser algo de objetivo, que aí esteja para as diversas consciências deles tomarem consciência. Não é aliás outra coisa o que já Descartes dizia nas Meditações, ao perguntar se, na verdade, "há coisa mais íntima ou mais interior que a dor" 6. O estético é portanto, para Kant, antes de tudo, o sentimento de prazer e de dor do sujeito. Como ele  próprio escreve, resumindo tudo: "Estético significa aquilo cujo princípio determinante não pode ser senão subjetivo. Toda a relação das representações, mesmo a das sensações, pode ser objetiva (esta relação significa neste caso: o que é real numa representação empírica);mas não a relação das representações ao sentimento de prazer e de dor, que não designa nada no objeto e na qual o sujeito sente como é afetado pela representação". E pois o sentimento que está na base da estética de Kant e que depois é caracterizado como desinteressado, universal sem conceito, finalidade sem fim e necessário. E assim caracterizado, com efeito, porque o estético em Kant é sem dúvida, antes de tudo, sentimento, prazer, mas não é um sentimento, um prazer qualquer. Também o "agradável", ao nível dos sentidos, e o "bom", ao nível quer do "útil" quer do "perfeito", são ocasião de uma satisfação, de um comprazimento, e nem por isso eles são o estético. (…)

O prazer estético é, assim, desinteressado, isto é, não sugere a posse do objeto e nem mesmo a sua existência, bastando a sua simples representação. E, ao contrário, o agradável implica o interesse, porque cria uma tendência, do mesmo modo que o bom é igualmente interessado, mas no seu caso através do conceito. Do ponto de vista da quantidade, porsua vez, apresenta-se com pretensões à universalidade, apesar de não ter conceito e de ser mesmo um sentimento, pelo que é irredutivelmente subjetivo.”

J.A Encarnação Reis, a Função do estético

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