terça-feira, 6 de outubro de 2015

Argumentos e salsichas

A máquina de salsichas da razão

Aquilo que é maravilhoso num argumento sólido é o seu poder de preservar a verdade. Tomemos, por exemplo, o argumento seguinte:


   1. Francisco é um homem.
   2. Todos os homens vivem na terra.
   Conclusão: Francisco vive na terra.

Este argumento forma-se de duas afirmações, ou premissas, e de uma conclusão. Num argumento dedutivo, como este, as premissas implicam supostamente a conclusão. O argumento, se válido, fornece-nos uma garantia lógica: se as premissas são verdadeiras, a conclusão também o é. Neste caso, o argumento é válido. As premissas implicam realmente a conclusão.
É claro que se introduzirmos num argumento dedutivamente válido uma ou mais falsidades, não há qualquer garantia quanto ao que obteremos. A conclusão pode, ainda assim, ser verdadeira. Mas pode ser falsa. (Suponhamos, por exemplo, que a primeira premissa do nosso argumento é falsa: o Francisco não é um homem – é um extra-terrestre que vive no planeta Plutão; então a nossa conclusão é falsa.)
Portanto, um argumento dedutivo válido preserva a verdade. Se introduzirmos premissas verdadeiras, temos a garantia lógica de que sai uma conclusão verdadeira. Se estivermos interessados em ter convicções que sejam realmente verdadeiras, trata-se de um belo resultado.
Para aqueles que gostam de analogias, podemos dizer que as formas válidas de argumentos dedutivos funcionam um pouco como as máquinas de salsichas. A única diferença é que em vez de introduzirmos carne de salsicha e de saírem do outro lado salsichas, é-nos dada a garantia de que se introduzirmos premissas verdadeiras, sairão conclusões verdadeiras.



A máquina de salsichas indutiva

A argumentação dedutiva não é a única forma de argumentação sólida. Há também os raciocínios indutivos. Eis um exemplo de um argumento indutivo:


  1. A maçã um tem sementes.
2.          2. A maçã dois tem sementes.
      3. A maçã três tem sementes.
    [...]
  1000. A maçã mil tem sementes.
  Conclusão: Todas as maçãs têm sementes.

Este argumento tem mil premissas (embora eu não me tenha dado ao trabalho de listar mais do que quatro). Num argumento indutivo, as premissas apoiam supostamente a conclusão. Aqui, a palavra-chave é apoiam. É claro que estes argumentos não são (e não pretendem ser) dedutivamente válidos. As premissas não implicam dedutivamente a conclusão. Não há garantia lógica de que a maçã seguinte não terá sementes, apesar das muitas maçãs que examinámos até agora. Apesar disso, supomos que o facto de todas as maçãs que examinámos até agora terem sementes torna extremamente razoável que concluamos que todas têm. As premissas, supomos, tornam a verdade da conclusão bastante provável. Se isto é correcto, os argumentos indutivos sólidos também têm a qualidade de preservar a verdade à maneira da máquina das salsichas. Introduzam-se premissas verdadeiras num argumento indutivo sólido e sai provavelmente uma conclusão verdadeira do outro lado.
Uma vez mais, se é a verdade que buscamos, trata-se de um belo resultado.

Stephen Law, The War for Children’s Minds (Londres & Nova Iorque, 2006). Trad. Carlos Marques.

1. Qual o problema tratado no texto?
2. Que comparação é feita? 
3. O que se pretende mostrar com essa comparação?

domingo, 4 de outubro de 2015

De que trata a Lógica?


Ao usarmos as palavras lógico e lógica estamos a participar numa tradição de pensamento que se origina na Filosofia grega, quando a palavra logos – significando linguagem-discurso e pensamento-conhecimento – conduziu os filósofos a indagar se o logos obedecia ou não a regras, possuía ou não normas, princípios e critérios para seu uso e funcionamento. A disciplina filosófica que se ocupa com essas questões chama-se lógica.
A lógica é um dos campos da filosofia, e pode ser considerada uma disciplina introdutória para qualquer estudo filosófico. Isso acontece porque a lógica lida com raciocínios e argumentos, e raciocínios e argumentos fazem parte de qualquer reflexão filosófica, seja ela no campo da teoria do conhecimento, da ética, da filosofia política ou da estética.
Hoje em dia temos a lógica tradicional e a lógica matemática ou simbólica. A lógica tradicional é mais simples e mais acessível que a lógica matemática, mas nem por isso tem menos importância. Pelo contrário, a lógica matemática desenvolveu-se graças aos avanços da lógica tradicional. A base da lógica tradicional foi formulada pelo filósofo grego Aristóteles e foi reelaborada durante a Idade Média. Na segunda metade do século XIX a lógica teve um enorme desenvolvimento até chegar a seu estágio actual, a lógica matemática ou simbólica.
Os estudiosos definem a lógica de diversas maneiras:
"O estudo da lógica é o estudo dos métodos e princípios usados para distinguir o raciocínio correto do incorreto." Irving Coppi

"A lógica trata de argumentos e inferências. Um de seus propósitos básicos é apresentar métodos capazes de identificar os argumentos logicamente válidos, distinguindo-os dos que não são logicamente válidos." Wesley Salmon

"A tarefa da lógica sempre foi a de classificar e organizar as inferências válidas, separando-as daquelas que não o são. A importância desta organização não deve ser subestimada, pois usam-se as inferências (de preferência válidas) tanto na vida comum como nas ciências formais, sendo um exemplo a matemática." Jesus Eugênio de Paula Assis

Estas definições têm alguma coisa em comum. Todas elas se referem a inferências válidas, a raciocínios correctos, a leis do pensamento. O homem sempre foi fascinado pelo pensar e pelas regras deste pensar.

Voltemos ao nosso raciocínio inicial:
Todos os homens são mortais.
Sócrates é homem.
Logo, Sócrates é mortal.

 Este raciocínio é correto. Sócrates é mortal! Temos três proposições. As duas primeiras proposições servem de evidência para a última. Vamos dizer isto em outras palavras: Temos duas premissas que servem de evidência para a conclusão.
Estamos a estudar as relações entre as proposições. Estamos a estudar o argumento, examinando se ele é válido ou inválido. Essa é a tarefa da lógica. Não estamos a discutir as ideias de Sócrates e da sua condição de homem.
Tradicionalmente a lógica foi considerada um portal de acesso ao estudo da filosofia e das ciências.Faz sentido. Discutir e argumentar faz parte do debate sobre qualquer questão. No caso das ciências, conhecer um pouco de lógica pode ser muito valioso. As ciências foram construídas usando procedimentos lógicos e o método científico pode ser visto como lógica aplicada. 
Heidi Strecker, filósofa e educadora in O que é a lógica?


A argumentação tem determinadas exigências:

“- Que espécie de gente vive por aqui?
- Naquela direção – disse o Gato, levantando a pata direita – vive um Chapeleiro, e naquela, uma Lebre de Março. Vai visitar o que quiseres, são ambos loucos.
- Mas eu não quero estar ao pé de gente louca – respondeu a Alice.
- Oh, não podes evitá-lo – disse o Gato. – Aqui todos são loucos. Eu sou louco. Tu és louca.
- Como é que sabes que sou louca? Perguntou a Alice.
- Tens de ser, de outro modo não estarias aqui.
Alice não achava que isso provasse coisa nenhuma (…).”

Lewis Carroll, Alice no país das maravilhas, tradução de Maria Filomena Duarte, Edições D. Quixote, Lisboa, 1988, págs. 66-67.

Será que o Gato está a argumentar bem ?

sábado, 3 de outubro de 2015

Lógica. Argumentos Dedutivos e não-dedutivos.Validade e verdade.

Argumentos dedutivos e argumentos não-dedutivos


Critérios de avaliação
Embora um argumento possa ter diferentes objectivos, o seu propósito fundamental é, habitualmente, demonstrar que uma conclusão é verdadeira ou, ao menos, provavelmente verdadeira. Assim, os argumentos podem ser avaliados e considerados melhores ou piores na medida em que cumprem ou deixam de cumprir este propósito. Examinaremos, de seguida, quatro critérios para fazer essa avaliação:

1) São todas as premissas verdadeiras?
2) É a conclusão ao menos provável, dada a verdade das premissas?
3) São as premissas relevantes para a verdade da conclusão?
4) É a conclusão vulnerável a nova evidência?

Nem todos estes critérios são aplicáveis a todos os argumentos. Se, por exemplo, um argumento pretende apenas mostrar que determinada conclusão se segue de um determinado conjunto de premissas, sejam ou não essas premissas verdadeiras, então o critério 1 é inaplicável; e, conforme o caso, os critérios 3 e 4 podem também ser inaplicáveis. Neste momento, porém, preocupar-nos-emos com o caso mais comum em que é propósito de um argumento estabelecer que a sua conclusão é, de facto, verdadeira ou provavelmente verdadeira.


Verdade das premissasO critério 1 não é, por si só, adequado para a avaliação de argumentos; mas fornece um bom ponto de partida: não importa quão bom um argumento possa ser, não poderá estabelecer a verdade da sua conclusão se alguma das suas premissas for falsa.
Avaliemos o seguinte argumento quanto ao critério 1:

“Dado que hoje em dia todos os americanos são isolacionistas, a história registará que, no início do século XXI, os Estados Unidos falharam como defensores da democracia mundial.”

A premissa ‘Hoje em dia todos os americanos são isolacionistas’ é indubitavelmente falsa; logo, o argumento não estabelece que os Estados Unidos irão falhar como defensores da democracia mundial. Isto não significa, evidentemente, que a conclusão é falsa; significa, sim, que o argumento é inútil quanto a determinar a sua verdade ou falsidade.

Frequentemente, a verdade ou falsidade de uma ou mais premissas é desconhecida; e, assim, o argumento falha em estabelecer a sua conclusão tanto quanto sabemos. Em tais casos, falta-nos informação suficiente para aplicarmos com segurança o critério 1, e poderemos ter necessidade de suspender o juízo até que informação adicional esteja disponível.
Avaliemos o seguinte argumento quanto ao critério 1:

“Há muitas civilizações extraterrestres avançadas na nossa galáxia. Muitas dessas civilizações geram sinais electromagnéticos suficientemente poderosos para serem detectados na Terra. Logo, temos a possibilidade de detectar sinais gerados por civilizações extraterrestres.”

Ainda não sabemos se as premissas deste argumento são ou não verdadeiras. Não podemos, portanto, fazer melhor do que suspender o juízo até que disponhamos de meios para determinar com segurança a verdade ou a falsidade das premissas. este argumento não convenceria fosse quem fosse da verdade da sua conclusão — pelo menos, não neste momento.

O critério 1 apenas requer que as premissas sejam verdadeiras; mas, na prática, um argumento só comunica a verdade da sua conclusão se as pessoas a quem se dirige souberem que as suas premissas são verdadeiras. Se um argumentador sabe que as suas premissas são verdadeiras mas as pessoas a quem se dirige não, então, de modo a provar-lhes que a sua conclusão é verdadeira, o argumentador deve fornecer argumentos adicionais, a fim de estabelecer a verdade das premissas.
Suponhamos que o vidro de uma janela se quebrou. Uma garotinha apresenta o seguinte argumento:

“O Ricardo partiu o vidro. Eu vi-o.”Se formularmos o argumento na representação canónica, teremos:

Eu vi o Ricardo partir o vidro.
Logo, o Ricardo partiu o vidro.
Suponhamos que temos razões para acreditar que a criança não viu tal coisa. Se avaliarmos o argumento segundo o critério 1, veremos que, ainda que a criança esteja a dizer a verdade, o seu argumento falha em estabelecer a sua conclusão para nós, pelo menos enquanto não soubermos que a sua premissa é verdadeira. O melhor que teríamos a fazer, no momento, seria suspender o juízo e procurar nova evidência.

Outra limitação ao critério 1 é que a verdade das premissas — ou o facto de serem conhecidas como verdadeiras — não basta para garantir que a conclusão é verdadeira. A verdade das premissas é uma condição necessária, mas não suficiente, para estabelecer a verdade da conclusão. Num bom argumento, as premissas devem ainda sustentar a conclusão.
Avalie-se o seguinte argumento quanto ao critério 1:

“Todos os assassinos matam. Logo, os soldados que matam, na batalha, são assassinos.”
Dado que a premissa é verdadeira, o argumento satisfaz o critério 1. No entanto, falha em estabelecer a conclusão, porque a premissa deixa em aberto a possibilidade de algumas pessoas que matam não serem assassinas. Talvez seja esse o caso dos soldados, na batalha; a premissa, pelo menos, não fornece qualquer boa razão para se pensar que não é. Assim, a premissa, embora verdadeira, não sustenta adequadamente a conclusão. O argumento nada prova.

Estes exemplos demonstram a necessidade de estabelecer critérios adicionais para a avaliação de argumentos, critérios para avaliar o grau em que um conjunto de premissas fornece evidência a favor de uma conclusão. Há, a este respeito, dois parâmetros principais que se devem ter em conta. Um é probabilístico: a conclusão pode ser mais ou menos provável, dadas as premissas. O outro parâmetro é a relevância das premissas relativamente à conclusão. Estes dois parâmetros são, respectivamente, o objecto dos nossos dois critérios de avaliação seguintes.


Validade e probabilidade indutivaO critério 2 avalia os argumentos relativamente à probabilidade da conclusão, dada a verdade das premissas. A este respeito, os argumentos podem ser classificados em duas categorias: dedutivos e indutivos.
Um argumento dedutivo é uma argumento cuja validade ou invalidade pode ser explicada pela sua forma lógica, exclusivamente. Se for válido, então a sua conclusão segue-se necessariamente das suas premissas básicas. (Salvo especificação em contrário, usaremos o termo ‘dedutivo’ como sinónimo de ‘dedutivamente válido’.) Mais precisamente, um argumento é dedutivo se é impossível ter todas as premissas básicas verdadeiras e conclusão falsa. Um argumento indutivo, por contraste, é um argumento cuja conclusão não se segue necessariamente das suas premissas: há uma certa probabilidade que a conclusão seja verdadeira se as premissas o são, mas há também a probabilidade que seja falsa.
A probabilidade de uma conclusão, dado um conjunto de premissas, é chamada ‘probabilidade indutiva’. A probabilidade indutiva de um argumento dedutivo é máxima; isto é, é igual a 1 (a probabilidade é habitualmente medida numa escala de 0 a 1). A probabilidade indutiva de um argumento indutivo é tipicamente (porventura sempre) menor do que 1.
Eis dois exemplos de argumentos dedutivos:

Nenhum mortal pode deter o passar do tempo. Você é mortal. Logo, você não pode deter o passar do tempo.”

“Alguns porcos têm asas. Tudo o que tem assas canta. Logo, alguns porcos cantam.”

Os dois argumentos a seguir apresentados são indutivos:

“Não há evidência segura de terem existido seres humanos com mais de 3 metros de atura. Logo, nunca houve humanos com mais de 3 metros de altura.”

“Quimicamente, o cloreto de potássio é muito semelhante ao sal de mesa. Logo, o cloreto de potássio sabe como o sal de mesa.”

Estes exemplos ilustram o facto de que a validade dedutiva e a validade indutiva são independentes da verdade efectiva das premissas e da conclusão. Logo, o critério 2 é independente do critério 1 e não é, por si só, adequado para a avaliação de argumentos. Note-se, por exemplo, que os dois argumentos dedutivos apresentados exibem combinações diferentes de verdade e falsidade. As premissas e a conclusão do primeiro são todas verdadeiras, ao passo que todas as afirmações que figuram no segundo são falsas. Qualquer combinação de verdade e falsidade é possível, seja num argumento dedutivo seja num argumento indutivo, excepto que nenhum argumento dedutivo (válido) pode, por definição, ter todas as premissas verdadeiras e conclusão falsa.

Um argumento dedutivo (válido) cujas premissas básicas são todas verdadeiras diz-se ‘sólido’. Um argumento sólido estabelece com certeza que a sua conclusão é verdadeira.
O argumento seguinte é sólido (é dedutivamente válido e as suas premissas são verdadeiras):

Toda a gente tem um e um só pai biológico. Os irmãos verdadeiros têm o mesmo pai biológico. Ninguém é o seu próprio pai biológico. Logo, não há qualquer pessoa cujo pai biológico seja também seu irmão verdadeiro.”
Note-se que quando dizemos que num argumento dedutivo (válido) é impossível todas as premissas serem verdadeiras e a conclusão falsa, o termo ‘impossível’ deve ser entendido num sentido muito forte. Significa não apenas “impossível na pratica” mas “logicamente impossível”; isto é, impossível na sua própria concepção.
A distinção é ilustrada pelo seguinte exemplo:

“A Susana lê o Wall Street Journal. Logo, a Susana tem mais de 3 meses de idade.”

Apesar de ser impossível na prática alguém que não tem mais de 3 meses de idade ler o Wall Street Journal, isso é, ainda assim, coerentemente concebível; a ideia em si mesma não envolve qualquer contradição. É, assim, logicamente possível (embora praticamente impossível) a conclusão ser falsa e a premissa verdadeira. Por outras palavras, a conclusão, ainda que altamente provável, não se segue necessariamente da premissa. Logo, o argumento não é dedutivo (não dedutivamente válido).
Por outro lado, o argumento pode ser transformado num argumento dedutivo mediante a adição de uma premissa:

Todos os leitores do Wall Street Journal têm mais de 3 meses de idade. A Susana lê o Wall Street Journal. Logo, a Susana tem mais de 3 meses de idade.”Deste modo, não é só praticamente impossível as premissas serem verdadeiras e a conclusão falsa: é logicamente impossível. Este novo argumento é, pois, dedutivo.
Nem sempre é óbvio se um argumento determinado é ou não dedutivo

 Trad. e adapt. de Nolt, John, et al., 1988, Schaum’s Outline of Theory and Problems of Logic, New York, McGraw-Hill, 1998.

quarta-feira, 27 de maio de 2015

FILOSOFIA DE VIDA

domingo, 24 de maio de 2015

Correcção do teste de 18 de maio


1. Tal como diz o texto  a constituição de leis resulta de uma generalização e antecipa o futuro através da previsão, considera que o funcionamento da ciência é, assim, indutivo, contrariamente a Popper que afirma que a indução não é o método para a constituição das leis e para a previsão de factos futuros, mas sim a dedução lógica a partir de leis que são hipóteses teóricas. O método indutivo consiste na generalização teórica  a partir de dados observacionais, retirando dos factos singulares repetições e constantes que são comuns a todos os factos observados e que permitem a elaboração de leis  válidas para todos os casos semelhantes. Assim o procedimento consiste em recolher dados, retirar uma hipótese que possa ser testada e confirmada pela experiência e depois generalizar e fazer previsões. Popper  coloca objecções à validade deste método, embora ele seja um procedimento comum a algumas ciências como a Biologia. Este problema ficou conhecido como o problema da indução. Consiste em demonstrar que a crença na indução não está justificada porque ultrapassa a experiência e a razão, isto é, não pode ser justificada nem empiricamente nem racionalmente. Acreditamos que a natureza é uniforme e, por isso acreditamos que aquilo que aconteceu de uma determinada maneira irá acontecer do mesmo modo no futuro. Esse é o pressuposto que garante as nossas generalizações futuras, mas esse pressuposto já resulta ele próprio de uma generalização e de uma previsão, isto é, aquilo que garante a validade de uma indução é conseguido através da indução, utiliza-se o mesmo processo para validar algo que devia ser validado por um outro conhecimento onde se pudesse fundar.  Há assim um raciocínio falacioso, uma petição de princípio.A crítica de Popper ao método indutivo contesta a imparcialidade da observação que já está submetida a uma teoria e a um problema e não é feita ao acaso.
A teoria epistemológica de Popper ultrapassa o indutivismo da ciência ao propor um novo método: o falsificacionismo, este método propõe que a dedução dos facto que podem ocorrer a partir de uma hipóteses científica e os factos que não podem ocorrer. Esse raciocínio é dedutivo e não dedutivo pois retiram-se as consequências práticas a partir de uma hipótese teórica e geral  O falsificacionismo é, simultaneamente, um critério de demarcação científica, isto é, um critério para separar conhecimento científico e não científico; e, por outro lado, uma nova forma de compreender a metodologia das ciências propondo como realmente científica  uma metodologia hipotética e dedutiva e não indutiva. O método hipotético-dedutivo privilegia a criatividade intelectual e a colocação dos problemas e das hipóteses assim como a dedução a partir destas,  de consequências observáveis. Ultrapassa o problema do método indutivo que não pode justificar as leis da natureza, e que é por si um problema visto que carece de fundamento racional.

2. Para Kuhn as teorias científicas funcionam como paradigmas, isto é trazem consigo uma visão do mundo e certos métodos de trabalho, assim como princípios metodológicos e metafísicos. Os cientistas ao aceitarem uma teoria como um novo paradigma científico trabalham no sentido  de ampliar os seus resultados e confirmar as suas previsões. A comunidade científica trabalha no âmbito dos paradigmas e não os põe em causa, mesmo que surjam anomalias. O processo de desenvolvimento da Ciência começa com a instituição de um Paradigma e o trabalho científico visa tornar mais consistente e abrangente esse paradigma resolvendo os enigmas que este vai colocando à medida que vai sendo alargado na explicação de outros fenómenos. Este período de resolução de enigmas caracteriza-se por ser acrítico, pois não há disposição para pôr em causa as metodologias de trabalho que foram aceites, assim como os princípios e a validade das teorias, Kuhn chama-lhe um Período de Ciência Normal. Com o desenvolvimento teórico e prático do Paradigma vão surgindo anomalias que se vão acumulando até pôr em causa a actividade que está a ser feita, entra-se numa crise em que a descrença em relação ao modelo seguido leva ao seu abandono e começam a surgir novas teorias concorrentes que explicam as anomalias anteriormente irresolúveis.. Neste período, denominado Ciência Extraordinária, a comunidade científica tem de escolher uma teoria que pela sua abrangência, simplicidade, precisão, consistência e fecundidade, assim como o prestígio do cientista que a apresenta, possa ser unificadora da comunidade e possa constituir um novo Paradigma. Quando isso acontece dá-se uma revolução científica, isto é: a substituição de um Paradigma por outro.

3. Para Kuhn não há verdadeiro progresso ou evolução porque os paradigmas que se vão sucedendo são incomensuráveis, isto é, não podem ser comparados porque apresentam diferentes formas de trabalhar, de seleccionar fenómenos e novos princípios metafísicos.
Há, portanto, na evolução da ciência, cortes abruptos que correspondem a revoluções científicas, de mudanças de paradigma. As revoluções científicas sucedem-se a períodos criativos em que há teorias diferentes e a comunidade científica não forma consenso acerca de nenhuma delas. A escolha de uma teoria pela comunidade científica equivale a um acordo sobre a forma proposta de explicar os fenómenos. Uma vez acordado, ele torna-se exemplar e guia a comunidade para um desenvolvimento desta concepção dando origem a um novo paradigma e a uma nova fase de ciência normal. Todavia não há objectividade na escolha dos Paradigmas visto que este consenso é muitas vezes impossível e a escolha é influenciada por factores externos aos critérios objectivos.

Para Popper, a ciência evolui no sentido de uma aproximação à verdade na medida em que se faz eliminando os erros das teorias e substituindo-as por outras mais abrangentes e consistentes com os factos observados. Visto que a ciência se faz num processo racional de conjecturas e refutações em que o papel da subjectividade tende a diminuir pois o cientista trabalha no sentido de fazer previsões arriscadas de modo a testar de os limites de cada teoria. Embora não haja qualquer espécie de certezas pois o progresso científico é um sistema em aberto e nenhuma teoria é verdadeira mas apenas provisoriamente corroborada. A substituição de uma teoria por outra é um processo de selecção  em que as novas teoria aperfeiçoam as antigas na medida em que não cometem os mesmos erros da anterior, explicam os fenómenos das anteriores e ainda explicam novos fenómenos. Daí haver continuidade na evolução científica.


4. Segundo o texto o conhecimento científico e o senso comum divergem no sentido em que há uma lentidão e resistência do senso comum a ideias novas que possam entrar em contradição com aquilo que habitualmente se pensa. O senso comum é acrítico, isto é não se deixa refutar mesmo que novos factos possam desmentir as suas crenças. Esta característica produz uma sensação de desfasamento que pode identificar o senso comum com o preconceito uma vez que se agarra a verdades eternas que nada têm que as justifique senão a tradição. Contrariamente o conhecimento científico pauta-se por estar continuamente a ser revisto, aperfeiçoado, e rectificado ou refutado através de testes empíricos, essa característica permite uma evolução mais rápida e uma abertura constante a novas formas de explicação que possam satisfazer a constante crítica a que está sujeito  conhecimento científico.

Grupo II
Versão A
1.B/2.C/3.D/4.B/5.B/6.C/7.B/8.B/9.B/10.A

Versão B
1.B/2.D/3.A/4.B/5.C/6.A/7.B/8.B/9.A/10.B

Grupo III
Versão A
1. Falácia de Bola de Neve, Derrapagem ou Reacção em Cadeia  raciocínio inválido pois são retiradas consequências exageradas de uma determinada crença que se quer contrariar. Cria-se assim uma conclusão catastrófica na medida em que retiram consequências irracionais e que não são razoavelmente admitidas mas podem causar um efeito psicológico de medo.Falácia de dados insuficientes, as premissas não são suficientes para aceitar a conclusão.

Versão B.
1. Falácia de apelo à ignorância, "ad ignoratiam" é um raciocínio inválido porque pelo facto de não haver provas indiscutíveis de não haver Ovnis a visitar  a terra não se pode concluir que os Ovnis existem, a ausência de provas não nos permite concluir nada, nem que existem nem que não existem. Falácia de dados insuficientes.

2. Este texto quer apontar para o facto da causalidade, a relação de causa-efeito entre dois fenómenos derivar da experiência, e não apenas de uma experiência só mas da sua repetição constante. É pela repetição constante que somos levados a pensar, pelo hábito, que existe uma relação necessária entre os dois. Hume diz que essa relação é produzida pelo hábito, é psicológica e ultrapassa por isso a experiência que só nos pode dar relações contingentes.  

quinta-feira, 21 de maio de 2015

Correção do Teste de 15 de Maio 2015

Grupo I
1, Para Kuhn as teorias científicas funcionam como paradigmas, segundo o texto, as mudanças de Paradigma não aproximam os cientistas da verdade pois os paradigmas são entre si tão diferentes, com novos fenómenos a explicar e uma nova forma de ver o mundo, de modo que não há uma evolução contínua no sentido do paradigma novo estar mais próximo da verdade que o antigo. Cada Paradigma traz consigo uma visão do mundo e certos métodos de trabalho, assim como princípios metodológicos e metafísicos novos. Os cientistas ao aceitarem uma teoria como um novo paradigma científico trabalham no sentido  de ampliar os seus resultados e confirmar as suas previsões. A comunidade científica trabalha no âmbito dos paradigmas e não os põe em causa, mesmo que surjam anomalias. O processo de desenvolvimento da Ciência começa com a instituição de um Paradigma e o trabalho científico visa tornar mais consistente e abrangente esse paradigma resolvendo os enigmas que este vai colocando à medida que vai sendo alargado na explicação de outros fenómenos. Este período de resolução de enigmas caracteriza-se por ser acrítico, pois não há disposição para pôr em causa as metodologias de trabalho que foram aceites. Kuhn chama-lhe um Período de Ciência Normal. Com o desenvolvimento teórico e prático do Paradigma vão surgindo anomalias que se vão acumulando até pôr em causa a actividade que está a ser feita, entra-se numa crise em que a descrença em relação ao modelo seguido leva ao seu abandono e  surgem novas teorias concorrentes que explicam as anomalias anteriormente irresolúveis.. Neste período, denominado Ciência Extraordinária, a comunidade científica tem de escolher uma teoria que pela sua abrangência, simplicidade, precisão, consistência e fecundidade, assim como o prestígio do cientista que a apresenta, possa ser unificadora da comunidade e possa constituir um novo Paradigma. Quando isso acontece dá-se uma revolução científica, isto é: a substituição de um Paradigma por outro.

2. O método indutivo, descrito no texto como principiando pela observação, consiste na generalização teórica  a partir de dados observacionais, retirando dos factos singulares repetições e constantes que são comuns a todos os factos observados e que permitem a elaboração de leis  válidas para todos os casos semelhantes. Assim o procedimento consiste em recolher dados, retirar uma hipótese que possa ser testada e confirmada pela experiência e depois generalizar e fazer previsões. Popper coloca objeções à validade deste método, embora ele seja um procedimento comum a algumas ciências como a Biologia. Este problema ficou conhecido como o problema da indução. Consiste em demonstrar que a crença na indução não está justificada porque ultrapassa a experiência e a razão, isto é, não pode ser justificada nem empiricamente nem racionalmente. Acreditamos que a natureza é uniforme e, por isso acreditamos que aquilo que aconteceu de uma determinada maneira irá acontecer do mesmo modo no futuro. Esse é o pressuposto que garante as nossas generalizações futuras, mas esse pressuposto já resulta ele próprio de uma generalização e de uma previsão, isto é, aquilo que garante a validade de uma indução é conseguido através da indução, utiliza-se o mesmo processo para validar algo que devia ser validado por um outro conhecimento onde se pudesse fundar.  Há assim um raciocínio falacioso, uma petição de princípio.
A teoria epistemológica de Popper ultrapassa o indutivismo da ciência ao propor um novo método: o falsificacionismo.  O falsificacionismo é, simultaneamente, um critério de demarcação científica, isto é, um critério para separar conhecimento científico e não científico; e, por outro lado, uma nova forma de compreender a metodologia das ciências propondo como realmente científica  uma metodologia hipotética e dedutiva e não indutiva. O método hipotético-dedutivo privilegia a criatividade intelectual e a colocação dos problemas e das hipóteses assim como a dedução a partir destas,  de consequências observáveis. Ultrapassa o problema do método indutivo que não pode justificar as leis da natureza, e que é por si um problema visto que carece de fundamento racional.

3. 
 3. Para Kuhn não há verdadeiro progresso ou evolução porque os paradigmas que se vão sucedendo são incomensuráveis, isto é, não podem ser comparados porque apresentam diferentes formas de trabalhar, de seleccionar fenómenos e novos princípios metafísicos.
Há, portanto, na evolução da ciência, cortes abruptos que correspondem a revoluções científicas, de mudanças de paradigma. As revoluções científicas sucedem-se a períodos criativos em que há teorias diferentes e a comunidade científica não forma consenso acerca de nenhuma delas. A escolha de uma teoria pela comunidade científica equivale a um acordo sobre a forma proposta de explicar os fenómenos. Uma vez acordado, ele torna-se exemplar e guia a comunidade para um desenvolvimento desta concepção dando origem a um novo paradigma e a uma nova fase de ciência normal. Todavia não há objectividade na escolha dos Paradigmas visto que este consenso é muitas vezes impossível e a escolha é influenciada por factores externos aos critérios objectivos.

Para Popper, a ciência evolui no sentido de uma aproximação à verdade na medida em que se faz eliminando os erros das teorias e substituindo-as por outras mais abrangentes e consistentes com os factos observados. Visto que a ciência se faz num processo racional de conjecturas e refutações em que o papel da subjectividade tende a diminuir pois o cientista trabalha no sentido de fazer previsões arriscadas de modo a testar de os limites de cada teoria. Embora não haja qualquer espécie de certezas pois o progresso científico é um sistema em aberto e nenhuma teoria é verdadeira mas apenas provisoriamente corroborada. A substituição de uma teoria por outra é um processo de selecção  em que as novas teoria aperfeiçoam as antigas na medida em que não cometem os mesmos erros da anterior, explicam os fenómenos das anteriores e ainda explicam novos fenómenos. Daí haver continuidade na evolução científica.

 4. No o texto o conhecimento científico e o senso comum são separados por um “ideal de objectividade” e” por uma separação das actividades ordinárias do quotidiano”, isto significa que a experiência científica não se limita à observação ocasional, constrói um quadro racional de problemas e metodologias de análise que o senso comum não tem. Deste modo, embora a realidade pareça ser a mesma ela aparece de modo diferente porque é seleccionada por prévios problemas.Partem dos dados dos sentidos e acumulam factos, mas se o segundo tira as suas conclusões a partir da experiência, o primeiro formula certas hipóteses que constituem uma directriz através da qual organiza os dados da experiência e a interroga de um determinado modo, sistemático e racional e não apenas ocasional. São assim diferentes percepções da realidade. A outra característica apontada é a linguagem. A linguagem científica é universal e rigorosa na medida em que apresenta símbolos que obedecem a uma técnica de codificação aceite pela comunidade e que tem um significado susceptível de ser apresentado numa experiência e não pode ter vários significados. Veja-se o caso de H2O. Contrariamente o senso comum utiliza a linguagem vulgar onde as palavras podem ter diferentes sentidos.

Grupo II
1. A tese empirista de D. Hume sobre a conexão causal é a seguinte:
  1. Não há nenhuma impressão de conexão causal; ora se não há impressão também não pode haver ideia, visto que, segundo o empirismo não há ideias sem impressões sensíveis.
  2. A impressão que temos é da repetição de fenómenos em sucessão no tempo e contiguidade no espaço: “O mesmo objecto é seguido pelo mesmo evento”. Esta repetição de um fenómeno a seguir ao outro leva-nos a estabelecer a crença de que estes andam sempre ligados, isto é, se sucede um, logo a seguir tem de suceder outro.
  3. Esta crença a que chamamos relação de causa efeito ou conexão causal não está justificada nem empiricamente nem racionalmente, porque “ não há nada que produza qualquer impressão, e consequentemente nada que possa sugerir qualquer ideia de poder ou conexão necessária”, o que temos a impressão é de fenómenos singulares, isolados embora sucedendo-se uns aos outros;  logo não há conhecimento mas um hábito psicológico que é criado pela sucessiva repetição dos fenómenos que se apresentam ligados. Se o conhecimento de causa efeito tem a sua origem na experiência e de modo nenhum é “apriori” (argumento do ser racional que nada soubesse do mundo, jamais poderia ter a noção de causa efeito) então é um conhecimento de facto e é contingente, todavia julgamos e pensamos como se houvesse uma conexão necessária e, portanto ultrapassamos a experiência.
  4. Logo, para concluir não uma explicação empírica para uma conexão necessária, ela é apenas fruto do costume, um hábito psicológico.
Grupo III
Versão A
1 -D ; 2- A; 3-D; 4-B; 5-D; 6-A; 7-B; 8-B; 9-A; 10-B; 11-A; 12-B.

Versão B
1-B; 2- D; 3-A; 4-D; 5-B; 6-D; 7-A; 8-B; 9-B; 10-A; 11-B; 12-A.

quinta-feira, 7 de maio de 2015

segunda-feira, 13 de abril de 2015

TRABALHOS SOBRE A CULTURA CIENTÍFICA E TECNOLÓGICA



TEMAS DOS TRABALHOS

CADA GRUPO – 3/4 alunos 
LEITURAS OBRIGATÓRIAS (Na fotocopiadora)
Cada grupo dispõe de meia hora para apresentar o trabalho.  11º E

1. A Inteligência Artificial. Será possível a reconstrução do cérebro humano?
Textos de referência: Manual "Arte de pensar" 11ºAno   ;pág 221 a 229


2. Pensar a ciência:  A Evolução da Ciência - Manual adoptado páginas 222 a 231


3. Ciência e Novas Tecnologias: Clonagem Manual "Arte de Pensar" 11ºAno . Páginas 243 a 257


4. Tecnologias reprodutivas e família tradicional. Como entender a família hoje? Natureza ou cultura?
Textos de referência: Manual Criticamente 11ºAno pag 266 a 285

5. Industrialização e impacto ambiental. Qual o impacto tecnológico na natureza?
Textos de referência: Manual "Arte de Pensar" 11ºAno - pag 231 a 242


6. O Sentido da existência: Duas teorias sobre o sentido da vida. Qual o sentido da Vida? Haverá um sentido para a existência humana?
Textos de referência: Manual adoptado 266 a 278

ENTREGA DO TRABALHO : 21 MAIO -  11ºE

Diapositivos - 15 a 20 Diapositivos
entregue em logosferas@gmail.com

20 a 30m de Exposição.


APRESENTAÇÕES ORAIS:
TEMA1 e 2 – 21 maio
TEMA 3  - 25 de maio
TEMA 4 e 5 – 28 Maio

TEMA 6 – 1 de Junho


11ºG

1. A Inteligência Artificial. O Jogo de imitação.Será possível a reconstrução do cérebro humano?
Textos de referência: Manual "Arte de pensar" 11ºAno   ;pág 221 a 229


2
.  Tecnologias reprodutivas e família tradicional. Como entender a família hoje? Natureza ou cultura?
Textos de referência: Manual Criticamente 11ºAno pag 266 a 285


4. Industrialização e impacto ambiental. Qual o impacto tecnológico na natureza?
Textos de referência: Manual "Arte de Pensar" 11ºAno - pag 231 a 242

5. Ciência e Novas Tecnologias: Clonagem Manual "Arte de Pensar" 11ºAno . Páginas 243 a 257

6. Será admissível a eutanásia?Manual 10ºAno "Diálogos" Páginas marcadas no manual

ENTREGA DO TRABALHO : 18 MAIO -  11ºG


Diapositivos - 15 a 20 Diapositivos
entregue em logosferas@gmail.com

20 a 30m de Exposição.

APRESENTAÇÕES ORAIS:
TEMA1 e 2 – 18 maio
TEMA 4 e 5  - 25 de maio
TEMA 6 – 29 Maio


1. OBJECTIVOS GERAIS PARA TODOS
- Saber ler e resumir as ideias principais dos textos apresentados.
- Saber colocar questões pertinentes para discussão de ideias.

- Apresentar com clareza as teses e os argumentos propostos.
- Realizar uma investigação com recurso a vários suportes.



2. AVALIAÇÂO
ESCRITA:
1. Rigor, clareza e interesse filosófico do conteúdo do trabalho apresentado.
2. Escrita correcta.
3.Estrutura necessária: Índice, Introdução, Desenvolvimento estruturado por temas/problemas,  Conclusão.
ORAL:
1. Apresentação oral cuidada e com recurso a diapositivos informativos.
2. Apresentação oral com exposição capaz de gerar diálogo.
3. Oral sem leitura, clareza das ideias e da linguagem, profundidade dos conhecimentos adquiridos e capacidade de gerar comunicação.



terça-feira, 25 de novembro de 2014


FALÁCIAS DE NÃO RELEVÂNCIA

(
 Quando as razões são logicamente irrelevantes embora possam psicologicamente ser relevantes)
Argumentum ad baculum (apelo à força) quando ameaça o ouvinte.
Argumentum ad misericordiam (apelo à misericórdia) quando se procura comover o ouvinte.
Argumentum ad populun (apelo ao povo) quando se apela ao que a maioria das pessoas faz, ao “espírito das massas”.
Argumentum ad hominem (argumento contra a pessoa) quando para destruir o argumento de alguém tenta-se destruir a pessoa.


FALÁCIAS DAS PREMISSAS INSUFICIENTES:
(Quando a indução é fraca e as premissas embora relevantes não são suficientes para justificar a conclusão)
Argumentum ad verecundiam (apelo ao uma autoridade não qualificada). Quando para se justificar algo se recorre a uma autoridade que não é digna de confiança ou que não é uma autoridade no assunto.
Argumentum ad ignorantiam (apelo à ignorância). Quando as premissas de um argumento estabelecem que nada se sabe acerca de um assunto e se procura concluir a partir dessas premissas algo acerca do assunto.
Exemplos:Os fantasmas existem! Já provaste que não existem?
Como os cientistas não podem provar que se vai dar uma guerra global, ela provavelmente não ocorrerá.
Fred disse que era mais esperto do que Jill, mas não o provou. Portanto, isso deve ser falso..
Generalização apressada . Quando se extrai uma conclusão de uma amostra atípica e não significativa.
Exemplos: Fred, o australiano, roubou a minha carteira. Portanto, os Australianos são ladrões. (Claro que não devemos julgar os Australianos na base de um exemplo).
Perguntei a seis dos meus amigos o que eles pensavam das novas restrições ao consumo e eles concordaram em que se trata de uma boa ideia. Portanto as novas restrições são populares.
Falsa Causa. Quando a ligação entre premissas e conclusão depende de uma causa não existente.Os argumentos causais são os argumentos onde se conclui que uma coisa ou acontecimento causa outra. São muito comuns mas, como a relação entre causa e efeito é complexa, é fácil cometer erros. Em regra, diz-se que C é a causa do efeito E se e só se:Geralmente, quando C ocorre, também E ocorre.
Exemplo de uma Falsa Causa: Ganho sempre ao poker quando levo uma camisa preta. Amanhã, se levar a camisa preta também ganharei.
Também a podemos designar como falácia: post hoc ergo propter hoc , nome em latim significa: "depois disso, logo, por causa disso". Um autor comete a falácia quando pressupõe que, por uma coisa se seguir a outra, então aquela teve de ser causada por esta.
Mais Exemplos:A imigração do Alentejo para Lisboa aumentou mal a prosperidade aumentou. Portanto, o incremento da imigração foi causado pelo incremento da properidade.
Tomei o EZ-Mata-Gripe e dois dias depois a minha constipação desapareceu...Prova: Mostre que a correlação é coincidência, mostrando: 1) que o "efeito" teria ocorrido mesmo sem a alegada causa ocorrer, ou que 2) o efeito teve uma causa diferente da que foi indicada.
Reacção em cadeia. Quando as premissas apresentam uma reacção em cadeia com uma probabilidade mínima de acontecer.
Exemplos: Se aprovamos leis contra as armas automáticas, não demorará muito até aprovarmos leis contra todas as armas, e então começaremos a restringir todos os nossos direitos. Acabaremos por viver num estado totalitário. Portanto não devemos banir as armas automáticas.
Nunca deves jogar. Uma vez que comeces a jogar verás que é difícil deixar o jogo. Em breve estarás a deixar todo o teu dinheiro no jogo e, inclusivamente, pode acontecer que te vires para o crime para suportar as tuas despesas e pagar as dívidas.
Se eu abrir uma excepção para ti, terei de abrir excepções para todos.

FALÁCIAS DE PRESSUPOSIÇÃO
Petitio principii (Petição de princípio). Quando o que devia ser aprovado pelo argumento é já suposto pelas premissas.
Exemplos:Dado que não estou a mentir, segue-se que estou a dizer a verdade.
Sabemos que Deus existe, porque a Bíblia o diz. E o que a Bíblia diz deve ser verdadeiro, dado que foi escrita por Deus e Deus não mente. (Neste caso teríamos de concordar primeiro que Deus existe para aceitarmos que ele escreveu a Bíblia.)

FALÁCIAS DE AMBIGUIDADE
( Quando se tira partido da ambiguidade de sentido de certas expressões para promover determinada conclusão)
Equívoco. Quando a conclusão de um argumento depende de uma ou mais palavras serem usadas com dois sentidos diferentes.
Anfibologia. Quando o duplo sentido é de uma frase.

FALÁCIAS POR ANALOGIA GRAMATICAL
(Quando as premissas têm uma forma gramatical semelhante às premissas de um argumento válido e daí se extrair uma conclusão)
Composição. Quando o predicado é transportado das partes para o todo.
Exemplo:Um exército de homens fortes é um exército forte.
Divisão. Quando o predicado é erradamente transportado do todo para as partes.
Exemplo:Um exército forte é um exército onde todos os homens são fortes.

Adaptado das classificações em Stephen Downes (in Crítica na Rede) e Enciclopédia de Termos lógico Filosóficos (Gradiva, Lisboa 2001).


sábado, 22 de novembro de 2014

Argumentação e Retórica

Pensamento (razão) = LOGOS = Discurso (palavra)

Lógica = Ciência do Pensamento Válido
Demonstração=  Domínio do Constrigente /Estudo dos argumentos dedutivos Formais 
Retórica = Arte do Discurso Persuasivo 
Argumentação = Domínio do Verosímil ou Preferível /Estudo dos argumentos informais


A COMUNICAÇÃO ARGUMENTATIVA

Objectivo: Ganhar a adesão do auditório = persuadir.
Como? Com base na argumentação racional ou com base na manipulação? Os dois lados da Retórica.
Envolve 3 polos (intervenientes): O orador, a mensagem e o auditório
ETHOS (orador ou ponto de vista do orador)
Apresentação, locução, carisma, forma de expressão, carácter.
LOGOS (a mensagem)Argumentos do orador organizados em discurso. Argumentos fortes ou fracos, válidos ou inválidos.
PATHOS ( auditório)Objectivo: ponderar a aceitação da mensagem. Provocar a emoção e a simpatia no auditório. Adaptar o discurso ao tipo de auditório de modo a poder ser mais facilmente aceite.

PROVA LÓGICA/DEMONSTRAÇÃO/ Lógica Formal
DOMÍNIO DO CONSTRIGENTE
- A Verdade da conclusão decorre necessariamente da verdade das premissas
- Utiliza raciocínios dedutivos.
- estrutura é a lógica formal: abstracta, impessoal, independente do contexto.
- utiliza uma linguagem isenta de ambiguidade (unívoca).
- visa uma “verdade” universal e necessária
- imposição de uma certeza (constrigente)
- não apela à decisão do auditório.

RETÓRICA/ARGUMENTAÇÃO/
DOMÍNIO DA PERSUASÃO
- justificação: utiliza raciocínios dedutivos, indutivos (por exemplos), por analogia, de causas.
- Discute-se a verdade das premissas.
- diálogo/discussão: concreta, pessoal, situada/contextualizada.
- plausível/verosímil/falível.
- utiliza uma linguagem natural, não isenta de ambiguidade.
- reporta-se a convicções.
- apela à decisão do auditório.-
- visa ganhar a adesão de um auditório para o preferível, o “melhor”.

PROVA LÓGICA - PROVA RETÓRICA
► demonstração ► justificação
► imposição de uma certeza (constringente) ► obtenção de adesão
► impessoalidade ► pessoalidade
► an-histórica ► situada
► abstrata ► concreta
► rigorosa ► plausível
► diz respeito a estruturas formais ► reporta-se a convicções
► infalível ► falível
► não apela à decisão ► apela à decisão

Nova Retórica – o que está em causa é o modelo da racionalidade.
MODELO DE RACIONALIDADE DOS DEFENSORES DA NOVA RETÓRICA

Concepção “alargada” de Razão – a actividade racional não se reduz ao rigor lógico da demonstração. A actividade racional tem uma dimensão prática que permite fundamentar com “razoabilidade” as nossas preferências.

Para mostrar (ganhar a adesão do auditório) a razoabilidade das nossas escolhas, é preciso ARGUMENTAR  3ª via = a via do razoável.

Tradicionalmente, a Lógica reduziu-se à Lógica Formal  à demonstração.

Perelman vai criticar esta redução. A Lógica não se reduz à Lógica Formal, os argumentos racionais não se restringem ao domínio da demonstração.

Necessidade de criar uma nova lógica a que Perelman chama Teoria da Argumentação (Nova Retórica).
Esta Teoria da Argumentação é uma Lógica do Preferível.

Traço fundamental que distingue a Teoria da Argumentação da Lógica Formal – a questão da adesão do auditório.
“Todo o discurso que não aspira a uma realidade impessoal depende da Retórica” Sempre que um discurso visa uma adesão pessoal, está em campo uma actividade retórica.

O DISCURSO ARGUMENTATIVO

- REGRAS GERAIS PARA A CONSTRUÇÃO DE UM ARGUMENTO

- Faça distinção entre premissas e conclusão.
- Apresente as suas ideias pela ordem que revele mais naturalmente o seu raciocínio ao leitor.
- Parta de premissas fidedignas.
- Use uma linguagem precisa, específica e concreta.
- Evite a linguagem tendenciosa.
- Use termos consistentes.
- Limite-se a um sentido para cada termo.

ESTRUTURA DE UM ENSAIO ARGUMENTATIVO

-Introdução
- Explicação da questão.
- Delimitação e unidade do tema.
- Subdivisão do tema (se for possível e útil).
- Apresentação de uma proposta precisa de trabalho.

- Desenvolvimento
- Apresentação dos argumentos um por um.
- Desenvolvimento completo dos argumentos.
- Consideração de objecções possíveis.
- Refutação ou confronto das objecções com argumentos.
- Consideração de alternativas.

- Conclusão
- Síntese dos resultados a que se chegou (não afirme mais do que mostrou

- PRINCIPAIS TIPOS DE ARGUMENTO

- Argumentos com base em exemplos:(indutivos)
Regras de validade:
- Use mais do que um argumento.
- Escolha exemplos representativos.
- Forneça informação de fundo relevante para a avaliação dos exemplos.
- Verifique se existem contra-exemplos
.

- Argumentos por analogia:
Regras de validade:

- Um só caso pode ser suficiente.
- O exemplo tem que ser semelhante num aspecto relevante
.

- Argumentos de autoridade:Regras de validade:
- As fontes devem ser citadas.
- As fontes devem ser qualificadas.
- As fontes devem ser imparciais.
- As fontes devem ser comparadas.
- (Ataques pessoais não desqualificam uma fonte).

- Argumentos sobre causas:
Regras de validade:- Mostrar que a conclusão sugere a causa mais provável.
- Mostrar que a correlação dos factos não é uma mera coincidência.
- Mostrar a complexidade das causas.

- Argumentos dedutivos:- Silogismos Categóricos, Hipotéticos (Modus Ponens e Modus Tollens) e Disjuntivos
-Redução ao absurdo.
- Sequência de argumentos dedutivos (ou argumentos dedutivos em vários passos)
-



O discurso argumentativo como “lugar” da liberdade.

A Ética do discurso argumentativo , o recurso à racionalidade

Bom uso da retórica implica a subordinação a princípios éticos:
- Princípio ético, por excelência, o reconhecimento da autonomia, da capacidade de escolha do auditório.
- Esclarecimento da situação, das várias alternativas e dos seus pressupostos e consequências.
- Exige liberdade de expressão do pensamento.

Mau uso da retórica – a argumentação degenera numa forma de ludibriar o auditório, em função dos interesses do orador. Manipulação.

Manipulação – uso indevido da argumentação com o intuito de levar os interlocutores a aderir acrítica e involuntariamente às propostas do orador.


sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Os Sofistas e Sócrates, argumentos a favor e contra a retórica.


POSIÇÃO DE GÓRGIAS (SOFISTA) EM DEFESA DA RETÓRICA

1. Um bom orador é capaz de persuadir qualquer pessoa sobre qualquer assunto.

2. A oratória e a retórica são artes maiores. São superiores à medicina e à ginástica, pois tanto o médico como o professor de ginástica acabam por ficar humilhados perante um bom orador.
3. A verdade não existe ou se existe nada se pode saber sobre ela, logo, todos os valores absolutos são ilusões, o homem é a medida de todas as coisas, só ele pode decidir em cada situação o que é verdade, mas essa verdade varia de homem para homem de acordo com os seus interesses e perspectivas.

(Relativismo e cepticismo sofista)
4. Só podemos ter opiniões e todas as opiniões valem o mesmo, a sua aceitação por parte do auditório, depende apenas do modo como a defendemos, daí que a arte de argumentar e a eloquência sejam importantes e decisivas.

5. A educação dos jovens deve ter como principal disciplina a Retórica porque com ela se alcança o sucesso.

POSIÇÃO DE SÓCRATES CONTRA A RETÓRICA (Argumentos da obra de Platão, Górgias) 

1. A questão principal do discurso e do conhecimento não é a persuasão, um orador não deve ter o propósito de persuadir, isto é, de conseguir a concordância de todos, o seu único propósito deve ser a verdade.

2. A retórica não é uma arte mas sim uma actividade empírica, aprende-se fazendo, praticando com os outros, imitando. A Retórica por si não tem ciência, isto é, não transforma nenhum homem porque não lhe dá mais domínio sobre si próprio.

3. A verdade procura-se, através da reflexão e do diálogo com os outros. Verdadeira não é a opinião verosímil. Essa persuade mas não ensina, convence durante um período.
A verdade não pode ser uma mera opinião aprendida com outros, implica um conhecimento, uma investigação racional que afasta todas as opiniões.

4. A opinião é uma aparência de verdade, mesmo quando verdadeira a opinião ainda não é conhecimento. Para ser conhecimento tem de estar justificada com razões, não razões que a tornem mais agradável e verosímil, mas razões que a demonstrem, isto é que mostrem que é assim e não pode ser de outro modo.

5. A educação dos jovens deve basear-se na Filosofia porque só ela ensina a pensar.


terça-feira, 18 de novembro de 2014

Matriz para o teste 11ºAno Fevereiro Março 2013

Conteúdos
I
1. O que é o conhecimento?
1.a. Definição fenomenológica de conhecimento.
1.b. Definição tripartida: crença, verdadeira e justificada.
1.c. Contra-exemplos a esta definição: Gettier.
a. Quais os tipos de conhecimento? Saber fazer, saber que, conhecer x
b. Como se justifica a teoria da Crença Verdadeira e Justificada.
c. Em que consiste a teoria da Crença Verdadeira e Justificada.
d. Objecções a esta teoria.
II
1. Os problemas do conhecimento: O cepticismo e os argumentos cépticos.
2. Duas teoria interpretativas do conhecimento:
2. a. A Teoria racionalista de Descartes.
-A dúvida metódica.
-As etapas da dúvida
-A ideia do cogito como crença auto-justificada.
-A natureza da verdade.
-As ideias de Deus corpo e alma
-As provas da existência de Deus.
- A origem do conhecimento:O racionalismo cartesiano

3. O conhecimento "a priori e "a posteriori"

Competências:
- Compreender os conceitos e teorias estudadas.
- Analisar e interpretar textos.
- Expôr com clareza e objectividade.

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Silogismo: Modos e Figuras.

Figuras e modos do Silogismo
As figuras e os modos do silogismo são critérios de classificação dos silogismos.

As figuras resultam da posição do termo médio nas premissas.

Os modos resultam da qualidade (afirmativa ou negativa) e da quantidade (universal ou particular) das proposições, por isso, para cada proposição são quatro as variações possíveis - A, E, I e O.

No que se refere ao lugar ocupado pelo termo médio (M) nas premissas podemos encontrar as seguintes alternativas:


1ª figura
M P
S M
S P

2ª figura
P M
S M
S P

3ª figura
M P
M S
S P

4ª figura
P M
M S
S P


Como para cada uma das três proposições do silogismo existem quatro possibilidades de combinação qualidade /quantidade (A; E, I; O) temos por cada figura 4X4X4=64 modos possíveis e, para as 4 figuras, 64X4=256 modos possíveis. De todos estes modos, apenas 19 são modos válidos, isto é, respeitam as oito regras (ou as três de Lukasiewics).
Os lógicos medievais inventaram um sistema mnemónico - um conjunto de palavras em língua latina - para designar estes modos válidos. Para designar os quatro modos da 1ª figura, tomaram-se as quatro primeiras consoantes do alfabeto latino (B, C, D e F) e todos os outros modos das restantes figuras começam por uma dessas consoantes. Nestas palavras mnemónicas, as vogais indicam a qualidade e a quantidade das três proposições que constituem o silogismo, como por exemplo BArbArA, que traduz um dos modos válidos da 1ª figura, constituído por três proposições todas afirmativas e universais.



AS REGRAS DO SILOGISMO

 
1 – O silogismo tem três termos e só três termos.

2 – Nenhum termo pode ser mais extenso na conclusão do que nas premissas.

3 – A conclusão não deve conter nunca o termo médio.

4 – O termo médio deve ser tomado pelo menos uma vez universalmente.

5 – De duas premissas negativas nada se pode concluir.

6 – De duas premissas afirmativas não se pode tirar uma conclusão negativa.

7 – A conclusão segue sempre a parte mais fraca.

8 – De duas premissas particulares nada se pode concluir.

(Estas regras reduzem-se às três regras que Aristóteles definiu. O que se entende por “parte mais fraca” são as seguintes situações: entre uma premissa universal e uma particular, a “parte mais fraca” é a particular; entre uma premissa afirmativa e outra negativa, a “parte mais fraca” é a negativa.)

OS MODOS VÁLIDOS DO SILOGISMO:
São 19 os modos válidos do silogismo.
Para a primeira figura são válidos os modos: AAA, EAE, AII, EIO;
para a segunda figura são válidos os modos: EAE, AEE, EIO, AOO;
 para a terceira figura são válidos os modos: AAI, IAI, AII, EAO, OAO, EIO;
para a quarta figura são válidos os modos: AAI, AEE, IAI, EAO, EIO.

O lógico português Pedro Hispano apresenta-nos as fórmulas mnemotécnicas que os escolásticos inventaram para fixar os modos do silogismo:

1ª Figura: Barbara; Celarent, Darii, Ferio.
Exemplos:

A - Toda a virtude é boa.
A - Toda a justiça é virtude.
A - Toda a justiça é boa.

E - Nenhum ser racional é animal.
A - Todo o homem é racional.
E - Nenhum homem é animal.

A - Todo o homem é mortal.
I - Algum filósofo é homem.
I - Algum filósofo é mortal.

E - Nenhum agnóstico crê em Deus.
I - Alguns filósofos são agnósticos.
O - Algum filósofos não crêem em Deus.

2ª Figura: Cesare, Camestres, Festino, Baroco.
Exemplos:

E - Nenhuma utopia é realidade.
A - Toda a verdade é realidade.
E - Nenhuma verdade é utopia.

A - Todo o homem é racional.
E - Nenhum animal é racional.
E - Nenhum animal é homem.


OS MODOS VÁLIDOS DO SILOGISMO

O silogismo tem um valor demonstrativo que assenta em propriedades puramente formais. A lógica é essencialmente demonstrativa. Daí a sua preocupação com a adequação entre a linguagem e o real com o objectivo de fazer enunciados acerca deste.

1ª Figura
AAA – Barbara
EAE – Celarent
AII – Darii
EIO – Ferio

2ª Figura
EAE – Cesare
AEE – Camestres
EIO – Festino
AOO - Baroco

3ª Figura
AAI – Darapti
EAO – Felapton
IAI – Disamis
AII - Datisi
OAO – Bocardo
EIO – Ferison

4ª Figura
AAI – Bramalip
AEE – Calemes
IAI – Dimatis
EAO - Fesapo
EIO – Fresison