sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Correção do teste de 20 Outubro

Versão A

GRUPO I

1. "Todos os problemas são solucionáveis." Proposição Universal afirmativa. 
"Alguns elementos poluentes do ar não são detectáveis através de análises" Proposição Particular Negativa. "
"Nenhum homossexual pode dar sangue" Todos os homossexuais não são possibilitados de dar sangue." Proposição Universal Negativa

2. Sujeito Distribuído, predicado não distribuído

Sujeito não distribuído, predicado distribuído
Ambos distribuídos.

3. Subcontrária - Indeterminada

Contraditória - Falsa
Subalterna Indeterminada.
Explicação/justificação. Duas proposições subcontrárias podem ser ambas verdadeiras mas não podem ser ambas falsas. dada a proposição verdadeira a sua subcontrária pode ser V ou F, logo, é indeterminado o seu valor de verdade.
Duas proposições contraditórias negam-se mutuamente. Se uma é verdadeira a outra é necessariamente falsa.
Duas proposições Subalternas têm a seguinte regra de inferência válida: Se a Universal é verdadeira a sua particular é também verdadeira, mas se a particular é verdadeira a universal pode ser verdadeira ou falsa. A proposição dada é particular, logo, nada podemos saber acerca do valor de verdade da sua universal subalterna.

4. O Conceito refere uma classe de objectos bem como as características que é comum a todos os elementos dessa classe. O termo é a palavra ou palavras que exprime o o conceito. Exemplo "Árvore"

O Juízo é uma relação entre conceitos que refere um certo conhecimento sobre o mundo, daí que tenha valor de verdade, sendo verdadeiro se aquilo que se pensa ou diz estiver em adequação com a realidade e falso se tal não acontecer. A proposição é a frase declarativa que expressa um juízo. Exemplo: " As árvores morrem de pé."

5. A Lógica é uma ciência que estuda as condições de validade dos raciocínios ou argumentos. Pretende enunciar as regras através das quais podemos inferir uma proposição de outra de modo a que a inferência seja válida.


6. "Nenhum dos veículos motor que há por todo o lado, é rápido e enfadonho." UNIVERSAL NEGATIVA.  A proposição contraditória de outra é a sua negação. Dada a proposição ser particular afirmativa, a sua contraditória terá de negar a qualidade e quantidade da proposição dada.


GRUPO II

Escolha Múltipla:

1. C
2. A
3. B
4. A
5. A
6. B
7. A
8. C
9. B
10.C

GRUPO III


1. Termo Maior: Vaidosas

Termo Menor: Estrelas de cinema
Termo Médio: Pessoas excêntricas.

2. Falácia da ilícita do Termo Menor. O termo Menor "Bonito" está distribuído na conclusão e não está na premissa onde ocorre (ocorre na premissa como predicado de uma proposição universal afirmativa), logo a inferência é inválida pois um termo não pode ter mais extenção na conclusão do que na premissa onde ocorre.


3. Todas as pessoas inspiradoras são pessoas com ideias claras.

Nenhuma pessoa com ideias claras é palavrosa.
Logo, nenhuma pessoa palavrosa é inspiradora.
4ª Figura, modo AEE

__________________________________________________________

VERSÃO B

GRUPO I

1. "Algumas religiões não oficiais são religiões com muitos professores"
Proposição Particular Afirmativa; Todos os telemóveis são menos preciosos que uma maçã" Proposição Universal Afirmativa; Todos os que trabalham a recibos verdes não são pessoas com garantia de trabalho" Universal Negativa. 
2. Nenhum termo distribuído; Sujeito distribuído, predicado não; Nenhum termo distribuído.
3.Contrária falsa, Contraditória falsa, Subalterna verdadeira. Justificação:
Duas proposições contraditórias negam-se mutuamente. Se uma é verdadeira a outra é necessariamente falsa.
Duas proposições Subalternas têm a seguinte regra de inferência válida: Se a Universal é verdadeira a sua particular é também verdadeira, mas se a particular é verdadeira a universal pode ser verdadeira ou falsa. A proposição dada é particular, logo, nada podemos saber acerca do valor de verdade da sua universal subalterna. A regra da inferência entre duas proposições contrárias permite que ambas possam ser falsas mas não possam ser ambas verdadeiras, logo se uma é verdadeira a outra é necessariamente falsa.

4. O Conceito refere uma classe de objectos bem como as características que é comum a todos os elementos dessa classe. O termo é a palavra ou palavras que exprime o o conceito. Exemplo "Árvore"

O Juízo é uma relação entre conceitos que refere um certo conhecimento sobre o mundo, daí que tenha valor de verdade, sendo verdadeiro se aquilo que se pensa ou diz estiver em adequação com a realidade e falso se tal não acontecer. A proposição é a frase declarativa que expressa um juízo. Exemplo: " As árvores morrem de pé."

5. A verdade é uma qualidade/característica das proposições. É o conteúdo expresso numa proposição que pode ser verdadeiro ou falso. será verdadeiro se , entre o que é dito na proposição e a realidade houver uma adequação e falso se essa adequação não ocorrer. A validade é uma qualidade/característica dos raciocínios/argumentos, caracteriza o argumento cuja conclusão se segue necessariamente das premissas. A validade é uma consequência da forma como as premissas e a conclusão estão  ordenadas e é independente do conteúdo das proposições que compõem o argumento, isto é, pode haver argumentos válidos com proposições falsas. Mas a regra de validade dos argumentos (dedutivos) é que não podem ter premissas verdadeiras e conclusão falsa.

6. "Alguns refugiados não são vítimas de injustiça"  A proposição dada tem uma dupla negação, logo é uma afirmação visto que duas negações negam-se mutuamente , sendo assim a proposição dada é universal afirmativa. A proposição contraditória de outra é a sua negação. Dada a proposição ser particular afirmativa, a sua contraditória terá de negar a qualidade e quantidade da proposição dada, logo, tem necessariamente que ser Particular negativa.

Escolha múltipla: 

GRUPO II

1.A

2. B
3. A
4. A
5. B
6. A
7. C
8. B
9. C
10. C

GRUPO III

1. Nenhum artista é convencional
Todos os burocratas são convencionais
Logo, nenhum burocrata é artista.

2. Falácia da Ilícita do termo maior ou falácia do termo maior não distribuído. O Termo maior "Astrónomos" está distribuído na conclusão, visto que está a falar de todos e não está distribuído na premissa. Infringe a regra de validade que exige que um termo não possa ter mais extensão na conclusão do que na premissa onde ocorre.

3. Todas as pessoas inspiradoras são pessoas com ideias claras.
Nenhuma pessoa com ideias claras é palavrosa.
Logo, nenhuma pessoa palavrosa é inspiradora.
4ª Figura, modo AEE

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Exercícios de revisões do silogismo


Analisa os seguintes silogismos quanto à validade, modo e figura.
1.
Todos os portugueses são europeus
Todos os portugueses são humanos
Logo, todos os humanos são europeus
 2.
Todos os elefantes são ruminantes
Todos os elefantes são herbívoros
Logo, todos os herbívoros são ruminantes
 3.
Os algarvios são portugueses
Os minhotos são portugueses
Logo, os minhotos são algarvios
4.
Os gatos são mamíferos
Os porcos são mamíferos
Logo, os porcos são gatos
 5.
Todos os hindus são orientais
Alguns homens são hindus
Logo, todos os homens são orientais  
 6.
Nenhum burro é aviador
Nenhum vigarista é burro
Logo, nenhum vigarista é aviador 
7.
Todos os lagartos são répteis
Alguns animais são lagartos
Logo, todos os animais são répteis
 8.
Todos os bancos são confortáveis.
Alguns bancos oferecem juros altos
Logo, todos os juros altos são confortáveis

9. Coloque na forma padrão do silogismo categórico, os seguintes argumentos:

A- Estive a ler alguns livros escritos por Heidegger.

- E então?

- Ao fim de poucas páginas adormeci.

- Acontece, andas com um ar cansado.

- Nada disso. O que eu acho é que os livros de Heidegger não são grandes livros. Se fossem, não provocavam sono e a verdade é que provocam.

B - Agora chama-se famosa à pessoa que é estrela de televisão. Mas eu acho que é errado e simplista, revelador de um baixo nível de exigência
- Para mim, famosos  só são alguns grandes cientistas, pensadores e artistas. As estrelas de televisão, não.

10. Construa um silogismo válido da 2ª Figura cujo termo médio seja “Vertebrado”

terça-feira, 18 de outubro de 2016

Ficha 2 . Revisões para o teste de Outubro de 2016 -11E e A


Caros alunos, aqui vão uns exercícios para resolver, poderão preparar-se magistralmente para o teste. As respostas serão dadas amanhã, dia 19 às 11h.

1. 1. Nas proposições categóricas afirmativas universais (A), que termo está distribuído?
a. Unicamente o sujeito.
b. Somente o Predicado.
c. O sujeito e o predicado.
d. Nem o sujeito nem o predicado.


2. Num silogismo categórico, o termo médio é:
a. O sujeito da conclusão.
b. O predicado da conclusão.
c. O termo presente nas premissas mas não na conclusão.

3. Nos seguintes silogismos o termo maior está distribuído?
a) Os Angolanos falam português
Os Brasileiros falam português
Logo, os Brasileiros são Angolanos.
O Termo Maior é "Angolanos" e não está distribuído na conclusão, mas está distribuído na premissa visto que se refere a todos.

b) Algumas acções espontâneas são acções benéficas.
Todas as acções benéficas são altruístas
Logo, Algumas acções espontâneas são altruístas.
O termo maior é "altruístas" e não está distribuído nem na conclusão nem na premissa onde ocorre.

4. Qual dos seguintes silogismos é válido? Porquê? (Só para 11A)
a) Todos  os factos são respeitáveis
Tudo o que é respeitável  é bom
Logo, alguns factos são bons.
Válido

c) Nenhum político é amigo da verdade
Todos os amigos da verdade são filósofos
Logo, nenhum filósofo é político.
Inválido, falácia da ilícita do termo menor. O termo menor "Filósofos" ocorre distribuído na conclusão e não distribuído na segunda premissa, o que significa que na conclusão estamos a falar do conjunto de todos e na premissa de alguns. Inferência inválida.

5. Nos seguintes silogismos há algum termo distribuído na conclusão que não esteja nas premissas?
a) Alguns homens ricos não trabalham muito
Alguns emigrantes trabalham muito.
Logo, alguns emigrantes não são homens ricos.

O Termo maior "homens ricos" está distribuído na conclusão e não está na premissa onde ocorre.

b) Todos os lagartos são répteis
Alguns animais são lagartos
Logo, Alguns animais são répteis
Não


6. Verifique a figura e o modo dos seguintes silogismos:
a) O sonho não é um sucessão lógica de imagens.
Todos os sonhos são miragens.
Logo, nenhuma miragem é uma sucessão lógica de imagens.
Figura: 3ª  Modo: EAE

b) Os Árabes não têm a mesma origem dos indo-europeus
Os Turcos não têm a mesma origem dos indo-europeus.
Logo, os Turcos não são árabes
Figura: 2ª  Modo: EEE

7. Coloque na forma padrão do silogismo categórico o seguinte argumento:


Fico aterrado só de pensar que pessoas que defendem o uso de armas nucleares podem tornar-se líderes das grandes potências. E isto porque lhes falta sensibilidade moral. O melhor para todos nós é impedir que se tornem líderes de grandes potências. 

Todos os que defendem o uso de armas nucleares não têm sensibilidade moral
Alguns líderes das grandes potências defendem o uso de armas nucleares
Logo, alguns líderes das grandes potências não têm sensibilidade moral.


8. Coloque na forma padrão e classifique as seguintes proposições:

a. Há verdades inconvenientes. "Algumas verdades são inconvenientes" Particular afirmativa
b. Nem todos os animais aquáticos são peixes. " Alguns animais aquáticos não são peixes." Particular Negativa
c. Os vampiros encontram prazer no sangue. " Todos os vampiros são personagens que encontram prazer no sangue." Universal afirmativa
d. Não há ateus crentes em dogmas. "Nenhum ateu é um crente em dogmas" Universal negativa

9. Determine a distribuição de cada um dos termos das proposições.
a) Sujeito não distribuído, predicado não distribuído.
b) Sujeito não distribuído, predicado distribuído.
c) Sujeito distribuído,predicado não distribuído
d) Sujeito e predicado distribuídos.


10. Se a seguinte proposição “Nenhum animal de sangue frio é domesticável” for verdadeira, infira o valor de verdade das proposições opostas – contraditória, contrária e subalterna.
Contraditória: Falsa
Contrária: Falsa.
Subalterna: Verdadeira

11. Negue a seguinte proposição “Alguns desportistas são atletas de alta competição”. Justifique.
"Nenhum desportista é atleta de alta competição." Negar uma proposição é negar a qualidade e a quantidade da proposição dada.

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Lógica: PARA ORGANIZAR OS CONCEITOS. (1/4 Aula de Lógica)




Street Art, David Walker


A. Ponto teórico prévio:



Compreender os instrumentos do pensamento e do discurso permite-nos compreender a sua estrutura.


São esses instrumentos que permitem o conhecimento.


É a análise desses instrumentos, isto é da estrutura do pensamento, que é o trabalho da Lógica. A verdade não é objecto de estudo da Lógica mas sim das outras ciências.


Esse trabalho pretende determinar e explicar a validade dos nossos raciocínios, que se traduzem em argumentos quando são expressos numa linguagem.


A lógica estuda, portanto, a estrutura do pensamento, a forma e as condições da validade dos raciocínios ou argumentos.


B. Os instrumentos que estruturam o pensamento:



1. Os Conceitos ou Termos


O primeiro elemento que compõe a estrutura do pensamento é o conceito.


O conceito é uma abstracção, ou ideia. É produto do pensamento e pretende pensar e referir classes de objectos com as mesmas características.


Cada conceito tem assim, uma compreensão e uma extensão.


A compreensão do conceito implica o seu significado, a ideia que lhe subjaz.


Por exemplo “estrela”: “astro com luz própria” esta é a ideia ou significado do conceito.


A sua extensão corresponde a todos os elementos que têm estas características.


A extensão de um conceito é inversamente proporcional à sua compreensão.


Porque para compreender estrela tenho de compreender o que é um astro e tenho de compreender o que significa ter luz própria, mas para compreender astro eu não preciso de compreender estrela, logo o conceito de astro tem mais extensão mas menos compreensão.


Aos conceitos, quando expressos numa linguagem , chamamos Termos Gerais. Distinguem-se dos termos singulares que expressam nomes, classes com apenas um elemento.Na lógica formal ou dedutiva podemos formalizar os conceitos substituindo-os por letras porque o seu conteúdo é irrelevante.(chamam-se variáveis).


2. Os Juízos ou Proposições


A relação entre conceitos/termos permite o conhecimento do mundo. Exemplo:


“O Sol é uma estrela. “ ou “ O Sol não é um planeta” Ao relacionar conceitos fazemos juízos, isto é declarações sobre os conceitos. Nestas declarações pode-se afirmar ou negar um conceito de outro.


Os juízos são frases declarativas que têm valor de verdade, Isto é, podem ser verdadeiras ou falsas. Serão verdadeiras quando o conteúdo do que é pensado e dito corresponde à realidade e falsas se isso não ocorrer.


Há frases que não são juízos porque não são verdadeiras nem falsas. Por exemplo:


“Aconselho-te a pagar impostos” ou “ Importas-te de fechar a porta!”


As frases que contêm juízos quando expressos numa linguagem chamam-se proposições. Na linguagem da lógica formal porque podemos substituir a linguagem natural por uma linguagem simbólica, uma vez que em lógica formal o conteúdo do que se diz é irrelevante e apenas interessa a forma lógica ou estrutura do raciocínio.


São muitos os juízos/proposições que fazemos sobre a realidade. Vamos estudar apenas três tipos de proposições, as mais elementares:


Categóricas: Forma lógica: A é B Exemplo: “Estrela é um astro com luz própria.” Estudadas por Aristóteles.


Condicionais ou hipotéticas: Forma lógica: Se A então B Exemplo: “Se as estrelas são astros então são corpos do universo”


Disjuntivas: Ou A ou B “ Ou as estrelas são acessíveis ao homem ou só podemos fazer conjecturas sobre elas.”


3. Os Raciocínios ou Argumentos.


Com os juízos/proposições podemos construir raciocínios. Os raciocínios quando expressos numa linguagem chamam-se argumentos. Os raciocínios/argumentos são inferências em que de uma ou mais proposições retiramos uma outra que é a conclusão. Os elementos que constituem o argumento são as premissas (as proposições que sustentam racionalmente a conclusão) e a conclusão ( proposição sustentada e justificada pelas premissas). Os argumentos são o objecto de estudo da lógica. A propriedade de um argumento é a validade. Serão válidos os argumentos em que as premissas sustentam a conclusão e inválidos se isso não acontecer, isto é, se as premissas não sustentarem a conclusão. Sendo essa definição apropriada para a lógica formal e informal, isto é para todo o tipo de argumentos. Quando inválidos cometem falácias, erros de raciocínio.


4. Argumentos dedutivos e indutivos


A. Os argumentos dedutivos são estudados na lógica formal porque podem ser reduzidos a uma forma lógica.


Os argumentos dedutivos utilizam nas premissas e conclusão proposições do tipo que vimos acima. Sendo chamados de Silogismos (se utilizam proposições categóricas) Hipotéticos (se utilizam proposições hipotéticas) e Disjuntivos (Se utilizam proposições disjuntivas).


A validade na lógica formal é independente do conteúdo daquilo que se diz e depende apenas da forma lógica. Há formas lógicas válidas e formas inválidas ou falaciosas. Como este tipo de argumentos preserva na conclusão a verdade das premissas, podemos enunciar a validade dedutiva do seguinte modo: se admitirmos a verdade das premissas a conclusão tem de ser verdadeira (não pode ser falsa). Pois num argumento dedutivo a verdade das premissas sustenta a verdade da conclusão. Mas se as premissas forem falsas o argumento pode ser válido (porque tem uma forma válida) mas aí já não está assegurada a verdade da conclusão, que tanto pode ser verdadeira como falsa. Estes argumentos embora válidos não são sólidos. Um argumento dedutivo válido não pode, portanto, ter premissas verdadeiras e conclusão falsa.


B. Para além dos raciocínios/argumentos dedutivos há outros tipos de raciocínios/argumentos não dedutivos ou indutivos que são estudados pela lógica informal. Estes não podem ser reduzidos a uma forma lógica, a sua validade depende do conteúdo das premissas e da conclusão. Nos argumentos não dedutivos válidos se as premissas forem verdadeiras a conclusão é provavelmente verdadeira mas pode ser falsa. Ao contrário dos argumentos dedutivos, a conclusão não é necessariamente verdadeira se as premissas forem verdadeiras, mas apenas, provavelmente verdadeira.


Nestes argumentos a conclusão acrescenta conhecimento às premissas, enquanto na dedução isso não acontece. Por outro lado estes argumentos são menos rigorosos uma vez que a conclusão pode não manter a verdade das premissas.


Serão válidos se as premissas sustentarem racionalmente a conclusão, se isso não acontecer, é porque o argumento comete uma falácia, assim sendo as premissas não sustentam a conclusão e o argumento não é válido.

Responda, numa folha, às seguintes questões:


1. O que estuda a Lógica?


2. Quais os instrumentos da lógica?


3. O que é um Conceito/Termo?


4. Qual o conceito com maior extensão “Frase” ou “Juízo”?


5. O que é um juízo/proposição?


6. O que é um argumento?


7. Distinga verdade e validade lógicas.


8. O que determina a validade de um argumento dedutivo?


9. Distinga argumentos dedutivos de argumentos indutivos (não dedutivos).

quarta-feira, 11 de maio de 2016

Correcção do teste 11G

De acordo com o texto, explique o que se entende por método de conjecturas e refutações.

1.     Conjectura é uma suposição validada por experiências, não é uma certeza ou verdade. As teorias científicas são hipóteses explicativas que foram provisoriamente corroboradas pela experiência, isto é, que ainda não foram falsificadas ou refutadas. Assim a ciência funciona com um conjunto de conjecturas, que podem ser futuramente refutadas. Para Popper, a ciência evolui no sentido de uma aproximação à verdade na medida em que vai eliminando os erros das teorias, substituindo-as por outras mais abrangentes e consistentes com os factos observados. Visto que a ciência se faz num processo racional de conjecturas e refutações, o cientista trabalha no sentido de fazer previsões arriscadas de modo a testar de os limites de cada teoria. O progresso científico é um sistema em aberto em que as teorias são sujeitas continuamente a testes e criticadas pela comunidade científica. A substituição de uma teoria por outra é um processo de selecção  em que as novas teorias aperfeiçoam as antigas na medida em que não cometem os mesmos erros da anterior, explicam os fenómenos das anteriores e ainda explicam novos fenómenos.

2.Segundo Popper a prática científica não é afectada pelo problema da indução levantado por Hume. Porquê? Na sua resposta comece por apresentar o problema da indução levantado por Hume.

O problema da indução, tal como é exposto por David Hume, consiste em demonstrar que a crença na indução não está justificada porque ultrapassa a experiência e a razão, isto é, não pode ser justificada nem empiricamente nem racionalmente. Acreditamos que a natureza é uniforme e, por isso acreditamos que aquilo que aconteceu de uma determinada maneira irá acontecer do mesmo modo no futuro. Esse é o pressuposto que garante as nossas generalizações futuras, mas esse pressuposto já resulta ele próprio de uma generalização e de uma previsão, isto é, aquilo que garante a validade de uma indução é conseguido através da indução, utiliza-se o mesmo processo para validar algo que devia ser validado por um outro conhecimento onde se pudesse fundar.  Há assim um raciocínio falacioso, uma petição de princípio.
A crítica de Popper à indução coloca-se em 3 passos:
  1. Não há observação neutra pois esta já é direccionada por um problema teórico.
  2. As leis científicas não resultam de uma generalização a partir de casos particulares porque elas são universais e a generalização só é válida para os casos observados.
  3. A conclusão de um raciocínio indutivo é sempre provável, assim as leis científicas teriam de ser probabilísticas e não são, logo não podem resultar de um raciocínio indutivo.
A teoria epistemológica de Popper ultrapassa o indutivismo da ciência ao propor um novo método: o falsificacionismo.  O falsificacionismo é, simultaneamente, um critério de demarcação científica, isto é, um critério para separar conhecimento científico e não científico; e, por outro lado, uma nova forma de compreender a metodologia das ciências propondo como realmente científica  uma metodologia hipotética e dedutiva e não indutiva.


3.Relacione estes dis tipos de conhecimento: senso comum e conhecimento científico.

O conhecimento científico e o senso comum divergem no sentido em que há uma lentidão e resistência do senso comum a ideias novas que possam entrar em contradição com aquilo que habitualmente se pensa. O senso comum é acrítico, isto é, não se deixa refutar mesmo que novos factos possam desmentir as suas crenças. Esta característica produz uma sensação de desfasamento que pode identificar o senso comum com o preconceito uma vez que se agarra a verdades eternas que nada têm que as justifique senão a tradição. Contrariamente o conhecimento científico pauta-se por estar continuamente a ser revisto, aperfeiçoado, e rectificado ou refutado através de testes empíricos, essa característica permite uma evolução mais rápida e uma abertura constante a novas formas de explicação que possam satisfazer a constante crítica a que está sujeito  conhecimento científico. O senso comum é útil para servir de limite aos excessos da ciência mas também pode constituir um obstáculo ao seu avanço porque tem dificuldade em aceitar e compreender tudo o que não se adapta ou está na margem das suas certezas. Partem dos dados dos sentidos e acumulam factos, mas se o segundo tira as suas conclusões a partir da experiência, o primeiro formula certas hipóteses que constituem uma directriz através da qual organiza os dados da experiência e a interroga de um determinado modo, sistemático e racional e não apenas ocasional. São assim diferentes percepções da realidade. A outra característica apontada é a linguagem. A linguagem científica é universal e rigorosa na medida em que apresenta símbolos que obedecem a uma técnica de codificação aceite pela comunidade e que tem um significado susceptível de ser apresentado numa experiência e não pode ter vários significados. Veja-se o caso de H2O. Contrariamente o senso comum utiliza a linguagem vulgar onde as palavras podem ter diferentes sentidos.


4 .Distinga o método indutivo do método hipotético/dedutivo

O método indutivo, principia pela observação e consiste na generalização teórica  a partir de dados observacionais, retirando dos factos singulares repetições e constantes que são comuns a todos os factos observados e que permitem a elaboração de leis  válidas para todos os casos semelhantes. Assim o procedimento consiste em recolher dados, de forma sistemática, organizando-os cronologicamente; descobrir um padrão ou constante e  retirar uma hipótese que possa ser testada e confirmada pela experiência. Se a hipótese for confirmada, quer dizer que se verifica o que supúnhamos e então podemos generalizar para casos que ainda não tenham sido observados. A lei científica resultaria de uma generalização válida para todos os casos, e que possibilitaria previsões sobre os fenómenos no futuro. Este procedimento é comum em algumas ciências como a Biologia. O método hipotético-dedutivo privilegia a criatividade intelectual e tem na colocação de problemas o seu princípio, seguidamente procura hipóteses que sejam tentativas de resposta ao problema e retira dessas hipóteses consequências práticas, são as chamadas consequências preditivas. Seguidamente experimenta-se essas consequências de modo a poder corroborá-las ou refutá-las de acordo com os resultados das experiências.  colocação dos problemas e das hipóteses assim como a dedução a partir destas,  de consequências observáveis. Ultrapassa o problema do método indutivo que não pode justificar as leis da natureza, e que é por si um problema visto que carece de fundamento racional.



domingo, 8 de maio de 2016

Correção do teste de 3 de Maio de 2016 11ºB

1. Em que consiste o método indutivo em ciência? Qual a posição de Popper acerca do método indutivo? Justifique.

Para os defensores do método indutivo, a constituição de uma lei científica resulta de uma generalização a partir de observações repetidas e sistemáticas de um fenómeno particular. Exemplo desta observação é a construção do fenómeno do acasalamento entre as sementes amarelas e verdes criado por Mendel para compreender a lei da hereditariedade.  Segundo os defensores do método indutivo, a repetição de experiências particulares e a obtenção de dados, permite encontrar um padrão e depois generalizar esse padrão para todos os casos não observados. A conquista de um padrão matemático que está na origem da lei revela uma constante que une vários fenómenos e possibilita fazer  previsões para o futuro.
Popper refuta esta teoria e defende que a indução não é o método que permite a constituição das leis científicas. Primeiro porque nenhuma observação se faz sem antes ter um problema teórico e, segundo, porque as leis são universais e necessárias, enquanto a conclusão de um raciocínio indutivo é sempre provável.
Embora seja um procedimento comum a algumas ciências como a Biologia, o método indutivo não permite a construção de leis universais e necessárias, só permite leis probabilísticas.  Se há leis universais e necessárias em ciência, então, das duas uma, ou não são científicas pois não são resultados de generalizações a partir de observações particulares, ou são científicas mas não são indutivas, são antes resultado de um método diferente: Hipotético/Dedutivo e Falsificacionista.

2. O que propõe o critério de demarcação falsificacionista?

Quer dizer que o Falsificacionismo, teoria defendida por Karl Popper,  é um critério para distinguir os conhecimento científicos dos conhecimentos não-científicos. Esta teoria defende que há conhecimentos que se pretendem científicos mas são “pseudo” científicos, isto é, fazem-se passar por aquilo que não são. É o caso, segundo Popper, da Psicanálise e da teoria marxista da história. Estes conhecimentos teóricos pretendem-se científicos mas não são. Eis as razões:
a.      Estas teorias não podem ser falsificadas, pois não há nenhuma experiência, real ou hipotética, que possa demonstrar que são falsas. Deste modo, a experiência apenas serve para corroborar, pois os factos são sempre lidos ou interpretados de modo a poderem ser explicados pelas teorias. Factos opostos podem ser explicados pela mesma teoria.
b.     Embora estas teorias tenham conteúdo empírico elas não se colocam à prova pela experiência, deste modo, é impossível saber se são válidas ou não.
A Psicanálise e a Astrologia são “pseudo ciências” porque não obedecem ao critério de falsificabilidade que constitui o critério de demarcação entre ciência e pseudo ciência segundo a proposta epistemológica de Popper. Este critério propõe, contrariamente ao verificacionismo, que se considere científica a teoria que possa ser empiricamente falsificável. Ora, tanto a Astrologia como a Psicanálise não são empiricamente falsificáveis, pois a experiência é sempre interpretada ou distorcida de modo a comprovar a teoria e não se prevê nenhuma experiência possível que possa refutá-la. Assim afirmar que todos os Aquários são independentes é não dizer nada porque seja qual for o comportamento de um aquariano ele é sempre interpretado como sinal de independência, assim não há forma de refutar a teoria e por outro lado ela nada nos diz sobre a realidade. Contrariamente o critério de demarcação verificacionista poderia considerar que é empiricamente verificável as teorias psicanalíticas visto que correspondem a comportamentos que podem ser empiricamente observados.

3. Identifique a característica ou características do senso comum evidenciadas no texto. Justifique.
Segundo o texto o conhecimento científico e o senso comum divergem no sentido em que há uma lentidão e resistência do senso comum a ideias novas que possam entrar em contradição com aquilo que habitualmente/vulgarmente se pensa. O senso comum é acrítico, isto é não se deixa refutar mesmo que novos factos possam desmentir as suas crenças. Esta característica produz uma sensação de desfasamento que pode identificar o senso comum com o preconceito uma vez que se agarra a verdades eternas que nada têm que as justifique senão a tradição. Contrariamente o conhecimento científico pauta-se por estar continuamente a ser revisto, aperfeiçoado, e retificado ou refutado através de testes empíricos, essa característica permite uma evolução mais rápida e uma abertura constante a novas formas de explicação que possam satisfazer a constante crítica a que está sujeito  conhecimento científico. O sentido de revisibilidade e de crítica do conhecimento científico é de um modo geral, uma característica ideal e desejável da ciência, mas, na prática, há muitos obstáculos a que este sentido crítico siga apenas o conhecimento ou a procura da verdade.

4. O Racionalismo e o empirismo são teorias filosóficas que pretendem dar uma resposta ao problema de saber qual a origem do conhecimento. A teoria racionalista defendida por Descartes, fundamenta o conhecimento na razão e na capacidade desta retirar ideias a partir de outras ideias de forma evidente e dedutiva sem recorrer à experiência - ideias inatas. O Modelo de conhecimento verdadeiro para os racionalistas é o modelo matemático porque tem necessidade lógica e validade universal. Descartes é um filósofo racionalista porque defende a possibilidade de um conhecimento “a priori”. O critério da verdade do conhecimento é a evidência das ideias, uma vez que uma ideia é tão clara e distinta que se apresenta inquestionável à razão, essa ideia é verdadeira. Segundo o modelo matemático estas ideias são como axiomas que servem como fundamentos para outros conhecimentos deduzidos a partir delas.O Racionalismo defende que o conhecimento verdadeiro é a priori, isto é , independente da experiência. Poderíamos rejeitar todas as informações que derivam das sensações do mundo, o tacto, o cheiro, a visão dos objectos, restariam as ideias que são formadas pela razão e por ela intuídas e, que não tendo origem na experiência porque não derivam dela, são válidas por si, e tão claras e evidentes à Razão que esta vê, segundo a sua luz natural, que não poderiam ser de outro modo. Os Racionalistas crêem que estas ideias podem ser os princípios (crenças básicas) de todo o conhecimento e que a partir delas, por um raciocínio dedutivo se pode chegar a outros conhecimentos sobre a realidade , que, se dedução for feita correctamente, serão igualmente verdadeiros.


Quanto ao Empirismo rejeita as ideias inatas da Razão, e a noção de conhecimento "a priori" . Defende a tese de que nada existe na mente que não tenha passado antes pelos sentidos, todo o conhecimento tem origem na experi~encia é, portanto formado “a posteriori”.  Fundamenta-se na noção de que qualquer conceito para ter um significado tem que se referir a uma sensação/impressão qualquer, essas sensações são simples e a mente neste primeiro momento capta apenas as sensações e depois por abstracção e generalização forma os conceitos ou ideias, estas não são tão vivas como as sensações ou impressões o que quer dizer que são posteriores a estas. Os empiristas dão o exemplo das crianças que começam por ter sensações e só depois as articulam numa linguagem. O raciocínio que o entendimento faz para chegar ao conhecimento, segundo os empiristas é a indução, por acumulação de experiências que se repetem, generaliza-se para todos os casos e assim se obtém um conhecimento 

GRUPO III
VERSÃO A

1. Falácia de Bola de Neve, Derrapagem ou Reação em Cadeia  raciocínio inválido pois são retiradas consequências exageradas de uma determinada crença que se quer contrariar. Cria-se assim uma conclusão catastrófica na medida em que retiram consequências irracionais e que não são razoavelmente admitidas mas podem causar um efeito psicológico de medo. Falácia de dados insuficientes, as premissas não são suficientes para aceitar a conclusão.

Versão B.
1. Falácia de apelo à ignorância, "ad ignoratiam" é um raciocínio inválido porque pelo facto de não haver provas indiscutíveis de não haver Ovnis a visitar  a terra não se pode concluir que os Ovnis existem, a ausência de provas não nos permite concluir nada, nem que existem nem que não existem. Falácia de dados insuficientes.


2. A tese empirista de D. Hume sobre a conexão causal é a seguinte:
  1. Não há nenhuma impressão de conexão causal; ora se não há impressão também não pode haver ideia, visto que, segundo o empirismo não há ideias sem impressões sensíveis.
  2. A impressão que temos é da repetição de fenómenos em sucessão no tempo e contiguidade no espaço: “O mesmo objecto é seguido pelo mesmo evento”. Esta repetição de um fenómeno a seguir ao outro leva-nos a estabelecer a crença de que estes andam sempre ligados, isto é, se sucede um, logo a seguir tem de suceder outro.
  3. Esta crença a que chamamos relação de causa efeito ou conexão causal não está justificada nem empiricamente nem racionalmente, porque “ não há nada que produza qualquer impressão, e consequentemente nada que possa sugerir qualquer ideia de poder ou conexão necessária”, o que temos a impressão é de fenómenos singulares, isolados embora sucedendo-se uns aos outros;  logo não há conhecimento mas um hábito psicológico que é criado pela sucessiva repetição dos fenómenos que se apresentam ligados. Se o conhecimento de causa efeito tem a sua origem na experiência e de modo nenhum é “apriori” (argumento do ser racional que nada soubesse do mundo, jamais poderia ter a noção de causa efeito) então é um conhecimento de facto e é contingente, todavia julgamos e pensamos como se houvesse uma conexão necessária e, portanto ultrapassamos a experiência.
  4. Logo, para concluir não uma explicação empírica para uma conexão necessária, ela é apenas fruto do costume, um hábito psicológico.


segunda-feira, 25 de abril de 2016

Interpretação de texto

A descoberta científica é governada por uma lógica invariável que inclui três momentos sucessivos:

(…) Num primeiro tempo, o homem de ciência constrói conjecturas, hipóteses ou teorias, que são outras tantas tentativas com vista a resolver os inúmeros problemas que a complexidade do universo lhe sugere.

(…) Num segundo tempo, o homem de ciência submete as suas tentativas ou conjecturas a testes apertados (testabilidade) e sistemáticos que se revelarão tanto mais fecundos quanto conseguirem “refutar” ou declarar falsas essas conjecturas ou teorias (falsificabilidade)
Por fim, a aplicação do método de conjectura e falsificação implica, por parte do homem de ciência uma renúncia às certezas individuais e uma aceitação de que as suas próprias conjecturas sejam publicamente discutidas e combatidas no seio da comunidade científica (intersubjectividade).

Segundo Popper, estes três momentos constituem o horizonte inultrapassável da criação científica (…). Efectivamente, o critério de cientificidade de uma teoria reside na possibilidade de a invalidar, de a refutar ou ainda de a testar: refutação, eis a palavra-chave, eis o fulcro da teoria popperiana da descoberta científica. (…)

Isto significa que uma teoria nunca é mais do que uma hipótese, uma conjectura que tem em vista compreender o mundo, nunca pode ser “verificada” mas pode ser corroborada. A teoria será considerada corroborada se resistir com sucesso aos testes mais severos e não possa ser substituída por uma teoria rival (…). Assim, uma hipótese corroborada é uma hipótese aceite provisoriamente pela comunidade cientifica, mas cujo destino é ser refutada mais tarde.

Efectivamente, para Popper, as teorias aceites pela comunidade científica nunca são teorias verdadeiras mas apenas teorias que ainda não são falsas, (sendo que a verdade apenas pode ser verosímil).

Adaptado de J. Baudoin (1989) Karl Popper, Presses Universitaires de France


1.Relacione os conceitos de "testabilidade" e refutabilidade".
2. Explique porque é que para K.Popper, uma teoria não pode ser verificada, mas apenas corroborada.
3. Em que consiste o critério de demarcação proposto por Popper?

segunda-feira, 18 de abril de 2016

Resposta a algumas perguntas sobre a teoria falsificacionista


1. Qual a crítica de Karl Popper aos defensores do método indutivo como método da investigação científica?

Para os defensores do método indutivo, a constituição de uma lei científica resulta de uma generalização a partir de observações repetidas e sistemáticas de um fenómeno particular. Exemplo desta observação é a construção do fenómeno do acasalamento entre as sementes amarelas e verdes criado por Mendel para compreender a lei da hereditariedade.  Segundo os defensores do método indutivo, a repetição de experiências particulares e a obtenção de dados, permite encontrar um padrão e depois generalizar esse padrão para todos os casos não observados. A conquista de um padrão matemático que está na origem da lei revela uma constante que une vários fenómenos e possibilita fazer  previsões para o futuro.
Popper refuta esta teoria e defende que a indução não é o método que permite a constituição das leis científicas. Primeiro porque nenhuma observação se faz sem antes ter um problema teórico e, segundo, porque as leis são universais e necessárias, enquanto a conclusão de um raciocínio indutivo é sempre provável.
Embora seja um procedimento comum a algumas ciências como a Biologia, o método indutivo não permite a construção de leis universais e necessárias, só permite leis probabilísticas.  Se há leis universais e necessárias em ciência, então, das duas uma, ou não são científicas pois não são resultados de generalizações a partir de observações particulares, ou são científicas mas não são indutivas, são antes resultado de um método diferente: Hipotético/Dedutivo e Falsificacionista.

2. Qual a proposta de Popper para ultrapassar o problema do método indutivo?
A teoria epistemológica de Popper ultrapassa este problema propondo um novo método para explicar o procedimento científico: o Falsificacionismo. Este método propõe que as consequências preditivas deduzidas de uma hipótese científica e depois experimentadas, podem refutar a hipótese, provando que é falsa mas não provam que é verdadeira, quanto muito corroboram a hipótese, até outros testes que a possam falsificar. Uma teoria científica é uma hipótese corroborada, ou, em linguagem Popperiana, uma hipótese que ainda não foi falsificada.
As hipóteses científicas mais ousadas são aquelas que se colocam expostas à falsificação, isto é, são aquelas que estabelecem um campo de factos proibidos. A experimentação não está direccionada para corroborar a hipótese mas para testar esses casos proibidos, de modo a verificar se ocorrem, pois deste modo tentamos verificar se uma hipótese científica é falsa.

3. O que se entende por problema da indução?
Consiste em demonstrar que a crença na indução não está justificada pois ultrapassa a experiência e a razão, isto é, não pode ser justificada nem empiricamente nem racionalmente. Acreditamos que a natureza é uniforme e, por isso, acreditamos que aquilo que aconteceu de uma determinada maneira irá acontecer do mesmo modo no futuro. Esse é o pressuposto que garante as nossas generalizações futuras, mas esse pressuposto já resulta ele próprio de uma generalização e de uma previsão. Aquilo que garante a validade de uma indução é conseguido através da indução, utiliza-se o mesmo processo para validar algo que estava em causa.  Há assim um raciocínio falacioso, uma petição de princípio.



4. O que quer dizer a expressão: “O Falsificacionismo é um critério de demarcação científica”?

Quer dizer que o Falsificacionismo, teoria defendida por Karl Popper,  é um critério para distinguir os conhecimento científicos dos conhecimentos não-científicos. Esta teoria defende que há conhecimentos que se pretendem científicos mas são “pseudo” científicos, isto é, fazem-se passar por aquilo que não são. É o caso, segundo Popper, da Psicanálise e da teoria marxista da história. Estes conhecimentos teóricos pretendem-se científicos mas não são. Eis as razões:
a.      Estas teorias não podem ser falsificadas, pois não há nenhuma experiência, real ou hipotética, que possa demonstrar que são falsas. Deste modo, a experiência apenas serve para corroborar, pois os factos são sempre lidos ou interpretados de modo a poderem ser explicados pelas teorias. Factos opostos podem ser explicados pela mesma teoria.
b.     Embora estas teorias tenham conteúdo empírico elas não se colocam à prova pela experiência, deste modo, é impossível saber se são válidas ou não.

       
5. Como funciona a Ciência segundo a perspectiva de Thomas Kuhn?

 Para Kuhn as teorias científicas funcionam como paradigmas, isto é trazem consigo uma visão do mundo e certos métodos de trabalho, assim como princípios metodológicos e metafísicos. Os cientistas ao aceitarem uma teoria como um novo paradigma científico trabalham no sentido  de ampliar os seus resultados e confirmar as suas previsões. A comunidade científica trabalha no âmbito dos paradigmas e não os põe em causa, mesmo que surjam anomalias. O processo de desenvolvimento da Ciência começa com a instituição de um Paradigma e o trabalho científico visa tornar mais consistente e abrangente esse paradigma resolvendo os enigmas que este vai colocando à medida que vai sendo alargado na explicação de outros fenómenos. Este período de resolução de enigmas caracteriza-se por ser acrítico, pois não há disposição para pôr em causa as metodologias de trabalho que foram aceites, assim como os princípios e a validade das teorias, Kuhn chama-lhe um Período de Ciência Normal. Com o desenvolvimento teórico e prático do Paradigma vão surgindo anomalias que se vão acumulando até pôr em causa a actividade que está a ser feita, entra-se numa crise em que a descrença em relação ao modelo seguido leva ao seu abandono e começam a surgir novas teorias concorrentes que explicam as anomalias anteriormente irresolúveis.. Neste período, denominado Ciência Extraordinária, a comunidade científica tem de escolher uma teoria que pela sua abrangência, simplicidade, precisão, consistência e fecundidade, assim como o prestígio do cientista que a apresenta, possa ser unificadora da comunidade e possa constituir um novo Paradigma. Quando isso acontece dá-se uma revolução científica, isto é: a substituição de um Paradigma por outro.

6. O conhecimento científico vai evoluindo no sentido da verdade?

Para Kuhn não há verdadeiro progresso ou evolução porque os paradigmas que se vão sucedendo são incomensuráveis, isto é, não podem ser comparados porque apresentam diferentes formas de trabalhar, de seleccionar fenómenos e teorias novas assentes em diferentes princípios metafísicos.
Há, portanto, na evolução da ciência, cortes abruptos que correspondem a revoluções científicas, de mudanças de paradigma. As revoluções científicas sucedem-se através de períodos criativos em que teorias diferentes lutam por se tornar predominantes. A escolha de uma teoria pela comunidade científica equivale a um acordo sobre a forma proposta de explicar os fenómenos. Uma vez acordado, ele torna-se exemplar e guia a comunidade para um desenvolvimento desta concepção dando origem a um novo paradigma e a uma nova fase de ciência normal. Todavia não há absoluta objectividade na escolha dos Paradigmas visto que este consenso é muitas vezes impossível e a escolha é influenciada por factores externos aos critérios objectivos como o prestígio do cientista e os interesses imediatos e políticos que influenciam a escolha de uma teoria em vez de outra

Para Popper, a ciência evolui no sentido de uma aproximação à verdade na medida em que se faz eliminando os erros das teorias e substituindo-as por outras mais abrangentes e consistentes com os factos observados. Visto que a ciência se faz num processo racional de conjecturas e refutações em que o papel da subjectividade tende a diminuir pois o cientista trabalha no sentido de fazer previsões arriscadas de modo a testar de os limites de cada teoria. Embora não haja qualquer espécie de certeza pois o progresso científico é um sistema em aberto e nenhuma teoria é verdadeira mas apenas provisoriamente corroborada, a substituição de uma teoria por outra é um processo de selecção  natural em que as novas teoria aperfeiçoam as antigas na medida em que não cometem os mesmos erros da anterior, explicam os fenómenos das anteriores e ainda explicam novos fenómenos. Daí haver continuidade na evolução científica.


7. Senso comum e ciência? Uma distinção.

Segundo o texto o conhecimento científico e o senso comum divergem no sentido em que há uma lentidão e resistência do senso comum a ideias novas que possam entrar em contradição com aquilo que habitualmente/vulgarmente se pensa. O senso comum é acrítico, isto é não se deixa refutar mesmo que novos factos possam desmentir as suas crenças. Esta característica produz uma sensação de desfasamento que pode identificar o senso comum com o preconceito uma vez que se agarra a verdades eternas que nada têm que as justifique senão a tradição. Contrariamente o conhecimento científico pauta-se por estar continuamente a ser revisto, aperfeiçoado, e rectificado ou refutado através de testes empíricos, essa característica permite uma evolução mais rápida e uma abertura constante a novas formas de explicação que possam satisfazer a constante crítica a que está sujeito  conhecimento científico. O sentido de revisibilidade e de crítica do conhecimento científico é de um modo geral, uma característica ideal e desejável da ciência, mas, na prática, há muitos obstáculos a que este sentido crítico siga apenas o conhecimento ou a procura da verdade.