domingo, 4 de dezembro de 2011

www.LivrosGratis.net :Górgias - Platão
Nome: Górgias - Platão
Nome Original:
Autor: Platão
Gênero: Filosofia
Ano de Lançamento: n/a
Editora: n/a
Sinopse: Górgias é um diálogo de Platão, filósofo grego do século V a.C., e que fala, inicialmente, do papel da Retórica, qual a sua função e como esta deve ser usada, contrapondo o seu uso habitual - o dos sofistas (representados por Górgias, Polo e Cálicles) - com uma nova visão - a do filósofo Sócrates - que conclui que esta é não só inútil, mas mesmo imoral.

Iniciando um debate com Górgias, Sócrates induz o seu oponente em contradição, levando-o a dizer que a Retórica, a arte dos discursos políticos que tem como objecto a justiça, pode ser usada de forma errada e, ao mesmo tempo, que todos aqueles que a aprendem são incapazes de cometer qualquer acto injusto.

Perante esta contradição, surge Polo, discípulo de Górgias, que defende o seu mestre e a sua Arte, afirmando que esta é a mais bela das artes. Sócrates apresenta, então, a sua Teoria da Adulação.

Polo inicia um discurso argumentando que a Retórica dá poder àqueles que a dominam, ao que Sócrates contrapõe com o aparente paradoxo de que os que têm mais poder não são os mais poderosos. Após uma longa discussão, Sócrates obriga Polo a admitir que cometer uma injustiça é mau, e, caso a tenha cometido, o sujeito deve preferir ser castigado a fugir ileso.

Cálicles. o anfitrião, toma então a palavra, afirmando que Sócrates está errado e critica sua forma de debater. Afirma que não existem semelhanças entre as Leis da Natureza e as Leis da Convenção.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Ficha 3



FALÁCIAS

 AVALIE A VALIDADE DOS SEGUINTES ARGUMENTOS


 JUSTIFIQUE.







1. "Porque sou a melhor pessoa para este trabalho? Descobri que, entre todos os outros candidatos, considerando as minhas qualificações, eu sou a melhor pessoa para o trabalho.”



Falácia de petição de princípio, acontece quando a razão apresentada repete o que queremos provar, há portanto uma circularidade no raciocínio, as premissas são insuficientes para aceitar a conclusão.







2. “A minha avó tem dor de cabeça crónica. O meu vizinho também tem e descobriu que o motivo é cancro. Logo, a minha avó tem cancro.”



Será uma generalização apressada se partirmos de um caso para prever que todos os casos com os mesmos sintomas são iguais. Generaliza-se e faz-se uma previsão a seguir. Falácia de dados insuficientes. Podemos também explicar esta falácia como Falsa causa, se considerarmos que não há um laço causal evidente entre a dor de cabeça da avó e o cancro, não há relação de causa efeito entre o cancro e a dor de cabeça.



2. "O Francisco entrou para uma igreja protestante e ficou fanático. Logo, todos os protestantes são fanáticos."



Generalização apressada, dados insuficientes. Uma indução em que a amostra é pouco representativa o que não é suficiente para retirar uma conclusão geral.






3. "Uma linha é composta por pontos. Os pontos não têm comprimento, logo uma linha não tem comprimento."



Falácia de analogia gramatical em que erradamente se transporta a característica das partes para o todo.





4. "Dionne Warwick é uma boa cantora, portanto o serviço esotérico por telefone para o qual faz propaganda é realmente bom."



Falácia de apelo a uma autoridade não qualificada, de facto a cantora poderá constituir uma autoridade musical mas não é uma autoridade especializada em serviços esotéricos pelo telefone. O uso de figuras públicas para persuasão sobre a qualidade de um produto é falaciosa neste sentido, exercem um efeito psicológico sobre o auditório mas são argumentos sem qualquer validade lógica.






5. "O Ronaldo andou nas discotecas à noite, daí o seu mau rendimento e por causa disso Portugal perdeu com a Polónia. "



Falácia de “depois disso, por causa disso”, dados insuficientes não há relação causal entre dois acontecimentos que se sucederam temporalmente, a ida do jogador à discoteca e a derrota frente à Polónia.





6. "Se legalizarmos o aborto teremos uma diminuição da natalidade e se diminuir a natalidade haverá menos gente a trabalhar, logo mais pobreza, a legalização do aborto só traz pobreza."



Reacção em cadeia ou Bola de neve. Acontece quando as premissas apresentam uma reacção em cadeia cuja probabilidade de acontecer é mínima.



7. "A Filosofia de Nietzsche não vale o papel que se gastou a imprimi-la. Nietzsche era um imoralista que, antes de morrer, ficou completamente louco. Por ter contraído sífilis na juventude."



Ad hominem, ataque ao homem. Ataca-se Nietzsche na sua pessoa para concluir sobre o valor da obra. As premissas não são relevantes (não são importantes nem têm relação lógica) com a conclusão.

sábado, 26 de novembro de 2011

Prova de avaliação -Dia 5 de Dezembro 2011

Aristóteles, filósofo grego do sec. IV a.c
Retrato de Aristóteles pintado por Rafael.

Aristóteles é o teorizador da Lógica dos Silogismos e da Retórica. Nas suas obras Organon, Novo Organon e Rétórica expõe um quadro de condições teóricas que permitem compreender os vários usos possíveis da argumentação.





Competências:



1. Aplicar as regras universais a casos concretos.


2. Avaliar a validade dos argumentos.


3. Distinguir conceitos.


4. Definir e exemplificar argumentos.


5. Analisar casos através da compreensão das condições em que ocorre.


6. Compreender conteúdos.


7. Colocar textos argumentativos na forma de siloismos categóricos ou hipotéticos


Conteúdos:


Lógica Formal




1. Lógica Aristotélica:




1.1 As inferências imediatas:


-Conversões e oposições
-Distribuição dos termos nas proposições

1.2. Inferências mediatas:
a. O silogismo.
-Definição de silogismo.
- Forma lógica do silogismo.
- Figuras
-Regras de validade dos silogismos categóricos.

b. Argumentos hipotéticos/condicionais dedutivos:
Hipotéticos, Modus Tollens e Ponens, Disjunção e Dilema: Definição, validade e falácias.

Reduzir um texto à forma padrão (forma canónica) dos silogismos categóricos e hipotéticos, tollens e ponens.

2. Lógica Informal:
a. Distinção entre lógica formal e informal
b. A utilidade de um argumento: Demonstração e argumentação.
c. O critério de cogência.
d. Argumentos informais - não dedutivos
Indutivos, analogias e de autoridade.
d.1. Exemplos e  validade
e. Falácias informais
e. 1. Petição de princípio, ad baculum, ad misericordian, ad hominem, ad populum, ad ignorantiam, bola de neve (reação em cadeia), Post hoc ergo propter hoc),generalização apressada.
e.2. Exemplos e identificação.



BOM ESTUDO!!

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Matriz da Prova/Outubro 2011

Turmas 11ºF e 11ºG! Aqui estão as competências e os conteúdos exigidos para realizar uma óptima prova!



Bom estudo! Esmerem-se!
I - Competências:
1. Aplicar as regras teóricas em exercícios práticos.
2. Interpretar correctamente proposições.
3. Memorizar regras e definições
4. Compreender o modo de inferir uma proposição de outra
6. Apreender a forma lógica de uma proposição e de um argumento.

II - Conteúdos:

1.De que trata a Lógica.

2.Verdade e validade.

3.Validade dedutiva e não dedutiva.

4.Validade formal e forma lógica.
5. Lógica Aristotélica:
5.1.Os Termos:
Definição
Extensão e Compreensão.

5.2 As proposições:
- Definição
-Estrutura padrão ou Forma canónica. (A, E, I O)
-Redução de proposições à sua forma padrão

-Classificação de proposições

- Negação de proposições.

-Conjuntos vazios
5.3 As inferências imediatas:
-Conversões e oposições
-Distribuição dos termos nas proposições
5.4. Inferências mediatas:
- O silogismo.
 Definição de silogismo.
- Forma lógica do silogismo.
- Figuras
- Validade e regras de validade.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Prova de Avaliação de 30 de Maio 2011

Paul Gauguin


Competências:




1. Construir um texto argumentativo sobre um problema filosófico.

2. Analisar logicamente um texto filosófico.

3. Explicar determinadas teorias com uma linguagem rigorosa.

4. Dominar e aplicar certos conceitos/chave para a compreensão de um determinado problema.

5. Analisar proposições e argumentos.



Conteúdos:



1. Lógica:

a. Classificação de proposições

b. Identificação e análise de argumentos dedutivos.

c. Regras de validade lógica.

2. Filosofia do Conhecimento.

a. Teoria tripartida do conhecimento

b. Argumentos cépticos.

c. O problema da causalidade em David Hume.

d. Senso comum e Ciência

e. O critério de demarcação: Verificacionismo e falsificacionismo

f. O problema da indução na Ciência.

g. A teoria de Popper sobre a natureza da ciência: Conjecturas e refutações

h. A noção de Paradigma e de evolução descontínua da Ciência em Kuhn

i. Problemas da cultura Científica/Tecnológica (Escolha de um dos problemas)

Estrutura:

I
2x30 Pontos
II
5x8 =40
III
2x30
IV
1x40

terça-feira, 3 de maio de 2011

terça-feira, 26 de abril de 2011

Trabalho de ensaio.Leituras.

1. Para os temas 1, 2 e 3, as leituras obrigatórias serão os respectivos capítulos do livro "Arte de pensar" 11º Ano. Manual adoptado.
Sugestão de leitura: Tema 1: "Podem as Máquinas Pensar?"
Sugestão:Tema 1: A. I, de Spielberg. Reflexão a partir do filme.

O Tema 4
Tem as seguintes leituras obrigatórias:
1. "A eutanásia um problema ético" de Faustino Vaz
2. Visualização e reflexão a partir do filme Mar adentro de Alejandro Amenábar
3. "Eutanasia por que não
4. "Eutanásia: Algumas Reflexões""

Tema 5:
Capítulo do Manual "Criticamente" 11º Ano da Página 267 à Pág 285 ,a fotocopiar na Reprografia da Escola. (As páginas a fotocopiar estão devidamente assinaladas)

Tema 6:
Capítulo 8 e 9 do Manual adoptado - Pág. 185 à 219
1. " A estrutura das Revoluções científicas" comentário à obra de T. Kunh
2. "Indução e Filosofia da Ciência" Stephen Law

Tema 7.
" O sentido da existência" Tolstoi
Capítulo do Manual de Luis Rodrigues "Introdução à Filosofia" 11ºAno, das páginas 311 à página 331
A fotocopiar

Tema 8
Leitura dos capítulos 4 e 5 da obra de Anthony Flew " Deus (não) existe" Páginas 81 a 107 - A Fotocopiar na Reprografia
Para o tema  "Criacionismo e Darwinismo" os textos: Criacionismo e A velha cruzada dos criacionistas contra Darwin

domingo, 3 de abril de 2011

Correcção do teste 28/29 de Março 2011

I
Na avaliação da prova ter-se-á em conta:

a adequação dos conteúdos,
o domínio dos conceitos/conteúdos
a estruturação do pensamento,
o nível de reflexão,
a correcção da expressão escrita,
a organização das respostas

1. O problema em causa, tal como é enunciado no texto: “Só pelo exame de uma coisa, não poderemos saber quais os efeitos que ela vai produzir.” Examinando um objecto racionalmente, mesmo que sejamos dotados de avançadas capacidades intelectuais, se não tivermos visto como o objecto actua, nada poderemos inferir da sua análise. A criança não pode saber do efeito da bola a saltar, porque não tinha a experiência desse fenómeno, a sua expectativa era a continuidade do que tinha anteriormente adquirido pela repetição, que a bola iria também cair com um baque surdo. Resumindo: a relação causa-efeito não pode ser explicada racionalmente mas através da experiência.



2. O tio já tinha visto o mesmo fenómeno repetidas vezes, esta repetição de dois fenómenos que se sucedem um ao outro em contiguidade, conduz a uma expectativa de que se um suceder o outro irá necessariamente seguir-se, e não pode deixar de suceder. Produz-se uma convicção de que os fenómenos têm uma conexão necessária, ou seja a convicção de que um causa o outro. Mas, segundo Hume essa convicção é apenas o resultado de um hábito psicológico de assistir repetidas vezes à contiguidade de fenómenos. Nem pela experiência poderemos ter a impressão de causa, temos apenas sucessão de fenómenos, nem pela razão há qualquer inferência do efeito que o objecto vai ter apenas pelo exame das suas propriedades. Assim, é este velho hábito que o tio tem e a criança não tem que lhe dá a sabedoria do efeito que a bola vai ter no chão.
EXPLICAÇÃO: O problema da causalidade é apenas um hábito psicológico resultante da repetição dos fenómenos. Não há uma razão para explicar que se há fumo há fogo, nem tão pouco uma só experiência pode estabelecer uma relação de causa efeito. A crença na relação de causa/efeito e do conhecimento que dela deriva, resulta de uma experiência repetida. Os fenómenos sucedem-se continuamente no tempo e no espaço e, por isso, formamos a expectativa de que um está necessariamente ligado ao outro. Se todo o conhecimento começa por impressões, não há nenhuma impressão que corresponda à relação de causa efeito, enquanto relação de necessidade entre fenómenos, assim a única impressão que temos é a sucessão dos fenómenos e a sua contiguidade espacial, por força do hábito somos levados acreditar que um dos fenómenos não acontece sem o outro, mas esse é apenas um hábito psicológico e não uma demonstração de que há uma relação necessária e verdadeira entre os dois fenómenos.

O argumento de Hume é baseado no princípio de que nada podemos saber sem ser através de impressões sensíveis. Ora a relação de causalidade corresponde á impressão de vermos dois fenómenos sucederem-se no tempo e em espaços contíguos. Essa impressão acontece repetidamente, logo criamos uma expectativa e fazemos uma previsão que irá acontecer também no futuro. Mas essa previsão é apenas baseada num hábito psicológico. Nada há racionalmente que possa ligar de forma indissolúvel dois fenómenos. Como a experiência é contingente e a relação causal necessária, então esta é uma ilusão construída pelo hábito psicológico sem fundamento racional ou empírico.
3. Conhecimento de questões de facto e conhecimento de relação de ideias. A primeira proposição dá-nos uma informação sobre o modo como o mundo é, mas o o conhecimento que daí resulta é contingente e não necessário, isto é a ponte 25 de Abril existe naquele lugar e a proposição é verdadeira, mas não de forma necessária, porque não só poderia existir noutro lugar, fazendo a proposição sentido, como poderá ser falsa no futuro, se a ponte deixar de existir ou mudar de nome. Assim, todos os conhecimentos de facto que são justificados pela experiência, não são verdades necessárias.

O segundo conhecimento não nos acrescenta nova informação aquela que já está contida no conceito de quadrado, porque se é um quadrado tem de ter quatro lados, isto é o predicado faz parte da definição do conceito. Por outro lado este conhecimento é necessário, é sempre verdadeiro e o seu contrário implica uma contradição, é impossível pensar o seu contrário, isto é não tem sentido um quadrado ter mais ou menos que quatro lados.
Explicação: Conhecimento de factos é contingente e a sua negação não implica contradição, enquanto que o conhecimento de relação de ideias é necessário e a sua negação implica uma contradição. Explicação: relacionar ideias só necessita de um acordo lógico da razão consigo mesma, é independente dos factos do mundo, logo pode ser um conhecimento necessário visto que está fundado em leis universais e necessárias que são as leis racionais. Quanto ao conhecimento dos factos, necessita da experiência, das impressões e percepções, essa experiência é limitada, visto que o sujeito não pode conhecer todos os factos. A experiência mostra-nos uma realidade em mudança, e a necessidade de alterar crenças, logo ,o conhecimento resultante da experiência, é também contingente, pois poderia ser de outro modo, não podemos ter acesso a verdades necessárias, não é necessário que aconteça assim, há a sempre a possibilidade de mudança, de ser de outro modo.



4. Impressões e ideias são percepções mentais, isto é, constituem todo o conteúdo da mente que podemos conhecer. As primeiras são originais e antecedem as segundas que são cópias feitas mediante a memória das impressões vividas. Podemos ter ideias de objectos nunca antes vividos, se associarmos ideias simples, formando assim ideias complexas como a ideia de vampiro. Podemos também antecipar o prazer ou a dor vividas pela expectativa de as voltarmos a viver. Seja pela memória ou pela imaginação as percepções pensadas, ideias, não são nunca tão fortes e intensas como as vividas, impressões, e sendo que o original é sempre mais forte e perfeito que a cópia, Hume conclui que as impressões são actos originais e que não existem ideias sem na origem estar a impressão interna ou externa equivalente..

II

TESTE 1



1.Se os empiristas tiverem razão, não podemos justificar o conhecimento universal e necessário do mundo.
2. As teorias racionalistas respondem preferencialmente ao problema: Qual a fonte do conhecimento?

3. O principal problema dos cépticos é o de justificar de forma infalível o conhecimento.
4. O cogito é uma ideia verdadeira e inata à razão

5. As faculdades do conhecimento são para Kant: a sensibilidade e o entendimento



TESTE 2

1. A percepção é para os empiristas: todo o conteúdo da mente: impressões e ideias.

2. As teorias racionalistas respondem preferencialmente ao problema: Qual a fonte do conhecimento?

3. O principal problema dos cépticos é o de justificar de forma infalível o conhecimento

4. O argumento da abdução aplica-se quando Hume nega a relação de causa efeito entre os fenómenos.

5. As faculdades do conhecimento são para Kant: a sensibilidade e o entendimento



III



1. Se o espaço e o tempo são construções mentais então elas são necessárias e universais, a priori, logo sendo essenciais para compreender a experiência, isto significa, contrariamente a Hume que não são características dadas pela experiência mas formas humanas de a entender, a mente não é portanto uma folha em branco, ela é activa na construção do conhecimento.
2.Sim, a Física de Newton é exemplo de um conhecimento sobre os fenómenos do mundo, que não sendo analítico visto que nos dá informação que não está contida no conceito, e acrescentando informação sobre o mundo, é um juízo sintético “a priori”. São juízos independentes da experiência, e que são justificados “a priori” por isso são verdadeiros universalmente, visto que são a aplicação das categorias “A priori” do nosso entendimento às formas do tempo e do espaço que também são “a priori” . Justifica-se a gravidade recorrendo a cálculos matemáticos. Este conhecimento sendo sobre os fenómenos do mundo tem um conteúdo empírico, captado pela sensibilidade, mas a sua justificação não é empírica. Porque é o entendimento com as suas categorias que unifica os fenómenos de uma experiência possível e lhes confere as leis que os regulam.



Explicação: São duas as faculdades do conhecimento para Kant: Sensibilidade e Entendimento. A função da primeira é captar sensações e através das suas formas “a priori” do espaço e do tempo , espacializar e temporalizar as sensações obtidas, assim o sujeito do conhecimento terá acesso aos fenómenos(tudo o que se manifesta no espaço e no tempo) essa primeira forma de conhecimento é a intuição sensível, e só há intuições de fenómenos que são dados ao sujeito na experiência. Todavia intuições sensíveis sem conceitos são cegas, o Entendimento dá unidade às intuições sensíveis através das suas categorias “a priori” Organiza e faz uma síntese das intuições formando conceitos e leis sobre os fenómenos. O Entendimento tem uma função explicativa porque aplica a categoria “a priori” de causa, isto é procura nos fenómenos o que satisfaz a sua exigência de encontrar uma conexão necessária entre eles, só assim é possível um conhecimento científico.




quarta-feira, 23 de março de 2011

Teoria do conhecimento: O apriorismo de Kant

Immanuel Kant (1724-1804)




A possibilidade de um conhecimento necessário e universal: Os juízos sintéticos ‘a priori’.



Os juízos rigorosamente verdadeiros, isto é, necessários e universais, são "a priori", isto é independentes dos azares da experiência, sempre particular e contingente. À primeira vista, parece evidente que esses juízos "a priori" são juízos analíticos. Juízo analítico é aquele cujo predicado está contido no sujeito. Um triângulo é uma figura de três ângulos: basta-me analisar a própria definição desse termo para dizê-lo. Em compensação, os juízos sintéticos, aqueles cujo atributo enriquece o sujeito (por exemplo: esta régua é verde), são naturalmente "a posteriori"; só sei que a régua é verde porque a vi. Eis um conhecimento sintético "a posteriori" que nada tem de necessário (pois sei que a régua poderia não ser verde) nem de universal (pois todas as réguas não são verdes).

Entretanto, também existem (este enigma é o ponto de partida de Kant) juízos que são, ao mesmo tempo, sintéticos e "a priori"! Por exemplo:a soma dos ângulos de um triângulo equivale a dois rectos. Eis um juízo sintético (o valor dessa soma de ângulos acrescenta algo à ideia de triângulo) que, no entanto, é "a priori". De facto eu não tenho necessidade de uma constatação experimental para conhecer essa propriedade. Tomo conhecimento dela sem ter necessidade de medir os ângulos com um transferidor. Faço-o por intermédio de uma demonstração rigorosa. Também em física, eu digo que o aquecimento da água é a causa necessária da sua ebulição (se não houvesse aí senão uma constatação empírica, como acreditou Hume, toda ciência, enquanto verdade necessária e universal, estaria anulada). Como se explica que tais juízos sintéticos e "a priori" sejam possíveis?

Eu demonstro o valor da soma dos ângulos do triângulo fazendo uma construção no espaço. Mas por que a demonstração se opera tão bem na minha folha de papel quanto no quadro negro... ou quanto no solo em que Sócrates traçava figuras geométricas para um escravo? É porque o espaço, assim como o tempo, é um quadro que faz parte da própria estrutura de meu espírito. O espaço e o tempo são quadros "a priori", necessários e universais de minha percepção (o que Kant mostra na primeira parte da Crítica da Razão Pura, denominada Estética transcendental. Estética significa teoria da percepção, enquanto transcendental significa "a priori", isto é, simultaneamente anterior à experiência e condição da experiência). O espaço e o tempo não são, para mim, aquisições da experiência. São quadros "a priori" de meu espírito, nos quais a experiência vem depositar-se. Eis por que as construções espaciais do geómetra, por mais sintéticas que sejam, são "a priori", necessárias e universais. Mas o caso da física é mais complexo. Aqui, eu falo não só do quadro "a priori" da experiência, mas, ainda, dos próprios fenómenos que nela ocorrem. Para dizer que o calor faz ferver a água, é preciso que eu constate. Como, então, os juízos do físico podem ser "a priori", necessários e universais?

É porque, responde Kant, as regras, as categorias, pelas quais unificamos os fenómenos esparsos na experiência, são exigências "a priori" do nosso espírito. Os fenómenos, eles próprios, são dados "a posteriori", mas o espírito possui, antes de toda experiência concreta, uma exigência de unificação dos fenómenos entre si, uma exigência de explicação por meio de causas e efeitos. Essas categorias são necessárias e universais. O próprio Hume, ao pretender que o hábito é a causa de nossa crença na causalidade, não emprega necessariamente a categoria "a priori" de causa na crítica que nos oferece? "Todas as intuições sensíveis estão submetidas às categorias como às únicas condições sob as quais a diversidade da intuição pode unificar-se numa consciência". Assim sendo, a experiência fornece-nos a matéria do nosso conhecimento, mas é nosso espírito que, por um lado, dispõe a experiência no seu quadro espácio-temporal (Aquilo a que denominamos experiência não é algo que o espírito, tal como cera mole, receberia passivamente. É o próprio espírito que, graças às suas estruturas "a priori", constrói a ordem do universo. Tudo o que nos aparece bem relacionado na natureza, foi relacionado pelo espírito humano. É a isto que Kant chama de sua revolução copernicana. Não é o Sol, dissera Copérnico, que gira em torno da Terra, mas é esta que gira em torno daquele. O conhecimento, diz Kant, não é o reflexo do objecto exterior. É o próprio espírito humano que constrói - com os dados do conhecimento sensível - o objecto do seu saber.

Na terceira parte de sua Crítica da Razão Pura, Kant interroga-se sobre o valor do conhecimento metafísico. As análises precedentes, ao fundamentar solidamente o conhecimento, limitam o seu alcance. O que é fundamentado é o conhecimento científico, que se limita a pôr em ordem, graças às categorias, os materiais que lhe são fornecidos pela intuição sensível.

No entanto, diz Kant, é por isso que não conhecemos o fundo das coisas. Só conhecemos o mundo refractado através dos quadros subjectivos do espaço e do tempo. Só conhecemos os fenómenos e não as coisas em si ou noumenos. As únicas intuições de que dispomos são as intuições sensíveis. Sem as categorias, as intuições sensíveis seriam "cegas", isto é, desordenadas e confusas, mas sem as intuições sensíveis concretas as categorias seriam "vazias", isto é, não teriam nada para unificar. Pretender como Platão, Descartes ou Spinoza que a razão humana tem intuições fora e acima do mundo sensível, é passar por "visionário" e se iludir com quimeras: "A pomba ligeira, que em seu voo livre fende os ares de cuja resistência se ressente, poderia imaginar que voaria ainda melhor no vácuo. Foi assim que Platão se aventurou nas asas das ideias, nos espaços vazios da razão pura. Não se apercebia que, apesar de todos os seus esforços, não abria nenhum caminho, uma vez que não tinha ponto de apoio em que pudesse aplicar suas forças".

Entretanto, a razão não deixa de construir sistemas metafísicos porque sua vocação própria é buscar unificar incessantemente, mesmo além de toda experiência possível. Ela inventa o mito de uma "alma-substância" porque supõe realizada a unificação completa dos meus estados d'alma no tempo e o mito de um Deus criador porque busca um fundamento do mundo que seja a unificação total do que se passa neste mundo... Mas privada de qualquer ponto de apoio na experiência, a razão, como louca, perde-se nas antinomias, demonstrando, contrária e favoravelmente, tanto a tese quanto a antítese (por exemplo: o universo tem um começo? Sim pois o infinito para trás é impossível, daí a necessidade de um ponto de partida. Não, pois eu sempre posso me perguntar: que havia antes do começo do universo?). Enquanto o cientista faz um uso legítimo da causalidade, que ele emprega para unificar fenómenos dados na experiência (aquecimento e ebulição), o metafísico abusa da causalidade na medida em que se afasta deliberadamente da experiência concreta (quando imagino um Deus como causa do mundo, afasto-me da experiência, pois só o mundo é objecto de minha experiência). O princípio da causalidade, convite à descoberta, não deve servir de permissão para inventar.